Poemas Góticos
Nasci em 1976, na Alemanha, mas sou lusitano e escrevo quando o silêncio já não chega.
Penso sobre identidade, tempo, sombra,
e sobre a estranha nobreza que persiste no imperfeito.
Vejo-me como uma figura quixotesca,
uma espécie de poeta da triste figura,
não por heroísmo, mas por partilhar a teimosia dos valores,
a lucidez da honra
e a coragem de enfrentar os meus próprios gigantes…
e ilusões.
Não procuro glória.
Escrevo para dar forma ao que, de outro modo, me consumiria.
Manhã de lua cheia…
Numa manhã deserta,
o silêncio vestia-se de prata.
A lua cheia, teimosa,
ainda pairava no alto,
como se recusasse a ceder
o palco ao sol nascente.
O vento passava devagar,
acariciando ruas vazias,
carregando consigo
o perfume tímido da noite que se despedia.
Cada sombra tinha voz,
cada luz tinha segredo.
E eu, só, caminhava entre o ontem e o agora,
com a sensação de que o tempo
me observava de longe,
esperando que eu respirasse fundo
para seguir adiante.
"Ocupo minha mente para não me afogar...
Quando o silêncio se instala, as lágrimas vêm me encontrar.
Já me cansei do cansaço de chorar;
prefiro o cansaço por tanto pensar..."
Silêncio Alheio
Há vozes que se perdem no vazio,
ecoam em segredo,
são gritos que o tempo não apaga.
Os olhos, se pudessem falar,
contariam sombras,
pedaços de um mapa desfeito.
A aspereza nas palavras
é só o espinho de uma flor murcha,
o que resta quando a noite é longa demais.
Vemos o movimento,
mas não os degraus quebrados,
nem o lodo que pesa nos passos alheios.
Não se trata de absolver a dor,
mas de lembrar que cada um traz
um abismo diferente no peito.
Feridas que não se mostram,
batalhas sem troféus,
lágrimas que secaram antes de cair.
É simples apontar o dedo,
difícil é segurar a mão que treme
e ouvir o que nunca foi dito.
Porque toda alma carrega
um livro fechado,
e algumas histórias
queimam sem deixar cinzas.
Roberval Pedro Culpi
Um dia seus pés pisarão onde seus
sonhos caminharam em silêncio, e o
único arrependimento que terás será
o de não ter percebido antes o quanto
você é incrível.
Silêncio
Músicas que ressoam o nada,
gritam — o ouvido estraçalha.
O meu cúmplice que vira,
esse silêncio guardado.
E esse silêncio rasga,
atravessa a alma fraca,
como penitência fria,
quietinho me abraça.
Silêncios que gritam,
verdades caladas.
Grito preso
é silêncio armado,
municiado e vestido
de luto sagrado.
Fala mais alto
que o fôlego permite.
Calado, ele grita;
gritando, ele cala.
Cárcere privado
dentro de mim,
confortável veneno.
O silêncio revela
o que o barulho disfarça,
o que a palavra teme,
o que o tempo guarda.
E o que o silêncio guarda?
Além de segredos, mentiras e piadas?
E o que ele mata?
Além das verdades, vontades e a alma?
Guarda cartas nunca enviadas,
guarda abraços negados,
guarda beijos molhados,
guarda o gosto amargo
dos “nunca mais”
e dos “quem sabe um dia”.
Mata risos pela metade,
mata sonhos no olhar cansado,
mata desejos acorrentados,
mata o amanhã no ontem enterrado.
Não falo do silêncio externo,
mas daquele interno,
que a gente tranca e alimenta,
pouco a pouco, com migalhas.
Silêncio que abraça,
engolindo palavras,
sufocando pensamentos,
despindo a alma.
Como eu o calo?
Escrevo em tormento
nesse silêncio que me acompanha
dia e noite,
enquanto trabalho,
enquanto rio,
enquanto falo,
enquanto disfarço.
Ele se deita comigo,
divide o travesseiro,
morde o meu sono.
É sombra no peito,
é nó na garganta,
é frio na barriga,
é relógio parado.
E quando penso que partiu,
ele retorna, paciente,
sentando-se à mesa
com um prato vazio.
(esperando as migalhas)
Come do meu cansaço,
bebe da minha espera,
e ri sem fazer barulho.
O silêncio não é ausência,
é presença severa,
é voz oculta,
é juiz sem sentença.
No fim, pergunto:
se eu quebrar o silêncio,
o que sobra de mim?
" O Peso do Silêncio "
Se fez presente apenas com o olhar
Não era necessário palavras para contar o que de certo todos já sabiam.
Eu me afogava em instantes,
Em incontáveis minutos que se seguiam com ar de desesperança
A instabilidade e o caos tomavam conta
Do que eu já nem sabia mais se seria possível existir
Por mais que eu me afastasse
Não havia recuo
Por mais que eu dormisse
Não encontrava descanso
A Noite parecia eterna
O tempo se arrastava devagar
Cada momento era uma uma eternidade
E então, à solidão tornou-se minha única única companhia
A ausência de sentido meu único propósito
E a saudade um sentimento que não passava.
Poesia - Karina Cardoso Maia Cruz
O silêncio que une
Há amizades que não precisam de palavras. Elas se comunicam por gestos, por ausências respeitadas, por fé emprestada nos dias em que a nossa falha.
Olhei, Virou Poesia
Olhei para o mundo e vi mais do que olhos comuns enxergam.
No silêncio da rua, nas sombras da noite, no sorriso tímido de alguém… tudo virou poesia.
Cada detalhe que parecia pequeno, carregava um universo escondido.
Um gesto simples se transformava em versos, uma palavra dita ao acaso se tornava canção.
Olhei para dentro de mim e percebi que também sou feito de poesia.
Nos meus medos, encontrei metáforas.
Nas minhas cicatrizes, nasceram estrofes.
E no meu peito, um coração que insiste em rimar esperança com vida.
Porque quando o olhar aprende a sentir, nada mais é só comum:
o vento é poema, a chuva é canto, e até a dor tem sua beleza.
Olhei… e tudo o que vi, virou poesia.
O silêncio que corrói aos poucos,
Como uma uma carne deixada aos abutres.
Você sabe que está ali, mas está só!
Não tem barulho, não tem um toque, é só o vazio. Vazio esse que antes florescia com um simples “oi”, mas o abismo que separa é o orgulho com o medo de não machucar e acaba machucando.. e assim vamos vivendo
A Pedagogia do Mito
O mito não mente,
ele ensina em silêncio,
na dança da palavra
que atravessa o tempo.
É raiz que fala,
voz que ecoa no tambor,
sabedoria que veste o corpo
com memórias de cor.
No mito, não há distância,
há presença que guia,
é lição que não se fecha
na página fria.
É saber do fogo,
da água, do vento, do chão,
um livro aberto no céu,
um aprendizado em canção.
Pedagogia do mito
é roda que nunca se encerra,
é criança aprendendo com a lua,
é ancião dialogando com a terra.
Na boca que conta,
na escuta que floresce,
a vida se torna escola,
e o mito, mestre que tece.
A música não nasce,
ela desperta.
Surge do sopro invisível
que ecoa no silêncio do universo,
um fio sagrado que costura o tempo
e toca a eternidade.
É a língua das estrelas,
o segredo dos rios,
o canto oculto que as árvores guardam
nas raízes mais antigas.
Quando uma nota vibra,
a alma se recorda de si mesma.
O coração, antes pesado,
se torna leve como brisa.
O espírito se ergue,
viajando em asas invisíveis
por mares sem nome
e céus que não se medem.
A música é cura,
é oração sem palavras,
é portal que abre mundos
e devolve ao ser humano
o que ele esqueceu:
que dentro dele há cosmos,
há infinito,
há luz.
- Brendon Siatkovski
No silêncio onde tudo vibra,
minha alma enfim compreende:
o que penso, o que sinto, o que faço —
devem dançar na mesma corrente.
EU SOU o compasso exato
de uma sinfonia interior.
Não é ilusão nem mágica vã,
é lei que o espírito entende:
aquilo que sentes profundo
é o que a vida te rende
E onde ponho meu olhar, brota o fruto.
Se vejo sombra, ela cresce em mim.
Mas se escolho o perfume do mundo,
a vida me beija no fim.
Semeio ternura e esperança,
e o campo inteiro se veste de flor.
A colheita é sempre o reflexo
do que vibrei com amor.
"Estrelas Silenciosas: O Universo do Autismo."
No silêncio que envolve o olhar distante Um universo se desvenda ao acaso, Onde a mente navega, incansante, Em padrões que tecem um novo compasso. Cada traço de luz, um código secreto, Emaranhado de cores e sensações, O autismo é um mundo, vasto e concreto, Onde a alma encontra suas expressões. Nas asas do pensamento, voa alto, explorando horizontes infinitos, Sem limites, num voo sem asfalto, Desvendando segredos tão bonitos. Na dança das estrelas, um ritmo sem igual, Onde a diferença é celebração, Cada ser é um poema fluimal, Na sinfonia da sua própria canção. Autismo é luz que brilha no escuro, Uma janela para o mundo interior, Onde o amor se revela, puro e seguro, Num abraço que transcende qualquer dor. E assim, este silêncio que irradia para além, O autismo ensina, com sua forma única, Que a beleza está, além do que se vê além, Na arte de ser quem se auto-retrata.
"Teia De Devoção."
Em meio ao silêncio e a luz suave da capela, Incenso que flutua no ar e aroma de acalma, Corações que se abrem, fiéis se ajoelham em prece, Fé que transcende ao que é terreno, e crê. Como murmúrio ao vento, orações sussurram, Espirituais caminhos se entrelaçam através do tempo, Sagradas cúpulas, no infinito tocam arcos, Almas dessa e de outras se envolvem em eterno apreço. Dogmas e rituais, histórias que offs contam, Na tapeçaria da vida, homens e deuses trariam: Divino olhar, sereno, terno e amoroso, Chama os homens de volta ao propósito intuitivo chama os homens de volta ao propósito único. Religião, fio dourado que tece o destino, Tece o humano ao divino, laço nascido Na busca por sentido, em sem fim jornada, Cada passo é prece, em quem crê, coração.
Entre o passo e o horizonte
No silêncio dos dias,
a esperança cresce devagar,
como semente que insiste
em quebrar a terra dura do olhar.
Cada tropeço se torna ponte,
cada queda, lição sutil.
O futuro nasce nos detalhes,
na coragem de seguir, no brilho do abril.
O impossível se curva
ante quem insiste em caminhar,
e o sonho, mesmo tímido,
começa a florescer no ar.
🌙 “O Homem-Coelho e a Parede”
Encostado no silêncio,
há um corpo de terno,
mas a cabeça…
não mente.
Não é máscara,
nem disfarce.
É pele,
é essência —
um coelho de olhos fundos,
que carrega no peito
um mundo inteiro
feito de medo e ternura.
Do olho direito
escorre uma lágrima só.
Tão pequena,
mas pesada como tudo aquilo
que nunca se disse.
É cansaço de ser forte,
de vestir armaduras,
de caber em molduras
que nunca foram suas.
A parede não é prisão,
é espelho.
Reflete quem se é
quando ninguém está olhando:
frágil, sensível,
bonito em sua própria contradição.
E talvez, meu amor,
a vida seja isso —
um convite delicado
para sermos, enfim,
inteiros.
Sem fugas,
sem máscaras,
sem medo de que,
até na lágrima,
existe beleza.
“Há sentimentos que não têm nome, mas têm raiz na eternidade. São feitos de silêncio, de presença invisível e de um amor que a alma reconhece mesmo sem entender. É assim que a fé começa — onde as palavras não chegam, mas o coração permanece.”
Roberto Ikeda
Citação do Livro: Tobias: O Elo Invisível - por Roberto Ikeda
Capítulo 18.
E é no silêncio
das palavras trancadas,
apertadas no peito,
guardadas,
que muitas vezes
se grita respostas
que sequer
foram perguntadas!
14/11/2015
