Poemas Góticos
A magia do silêncio
O silêncio é concentração
Do latim, quieto ficar
É a mente tranquilizar
Viajar na mansidão
O silêncio é meditação
Olhar para o outro e para si
Deixar a serenidade fluir
Mergulhar na quietação
O silêncio é contemplação
Um quadro, admirar
Pessoas, observar
Momento de fascinação
O silêncio é inspiração
Com letras, brincar
Histórias, criar
Depois apreciar com satisfação
O silêncio é quebrar tensão
Nos conflitos da vida
É a melhor saída
Para uma nova direção
O silêncio não é solidão
Só um momento de paz
Tão necessário se faz
É um grito da razão
DIVAGAÇÕES
Dentro da noite,
aparentemente calma,
a inquietude ronda a alma.
Pensamentos, lembranças.
Ausências, vazios.
A porta da saudade escancarada.
O aroma da flor da "dama da noite"
acionando o gatilho da memória.
Retorno à fazenda da infância.
Devaneios de uma noite de primavera.
A imaginação rompendo as fronteiras.
O pensamento vagando pelo passado.
Tempo, dimensão,
pragmatismo, divagações.
A urgência da vida,
dos dias, dos meses,
entre chegadas e despedidas,
impondo o seu preço.
No silêncio,
resta a certeza de que nada foi em vão.
O atraso, o sonho desfeito.
O silêncio, o inesperado, a reflexão.
Valéria R. F. Leão
Enquanto a liberdade de pensamento é condicionada á discrição e ao silêncio (ou seja: pense á vontade mas fique na sua com o seu pensamento!),
a liberdade de expressão é prisioneira dessa atual censura
livre de condenar absolutamente tudo.
Se você não consegue
respeitar mais e criticar menos...
procure ignorar ou pelo menos...
fique em silêncio.
Superficial e frágil é o silêncio do mundo
basta pouco, um ruído insignificante
para que ele esvanesça.
E se perguntarem por mim...
Diga que fui ali pegar uma pitada de silêncio e um punhado de paz.
@MiriamDaCosta
Ode ao Inverno
O Inverno não grita,
sussurra...
Desce, quieto, pela espinha
como quem conhece
os lugares secretos
do silêncio...
É quando o mundo se recolhe
e se hiberna do fulgor estival
e a alma se ouve melhor...
É quando os areais desertos
me convidam á contemplação poética
na solitude de um momento intimista...
É quando o udito se aquece
nos estalos da madeira queimando
nas fogueiras incandescentes
das festividades juninas e julinas...
É quando o olfato se inebria
com o vapor com aromatizante
do café que sobe como reza
abençoando o ar...
É quando as ruas ficam nuas,
mas o olhar se veste
com casacos de lembranças...
Tem algo de pausa
em cada manhã cinza...
Tem algo de recomeço
no fim de cada tarde curta....
Inverno é tempo de desacelerar,
de entender que o frio
também é forma de cuidado...
Porque também há beleza
na cinéria bruma hiemal ...
Porque também há poesia
nos galhos secos
que insistem em sobreviver...
E porque também há calor
mesmo quando ele
não se vê
e não se faz ver
em tudo o que resiste...
✍©️ @MiriamDaCosta
Caneta louquaz
Sentei-me à beira do silêncio
com as mãos tão quietas
e a caneta tão louquaz...
As palavras
me invadiam os pulsos
como se a pele
fosse papel
e o sangue
tinta em desatino...
Respirei fundo
para não dessangrar
em versos
mas cada sopro
era um poema
lutando pra nascer
sem anestesia...
Meu corpo
um caderno de cicatrizes
e rascunhos mal acabados
pedia descanso...
mas a alma
essa insone
insistia em escrever
na carne viva do instante...
Já não sei
se escrevo pra viver
ou se vivo apenas
pra não sufocar
o que escrevo...
Às vezes
penso
que sou só palavra
disfarçada de pele...
Que meu silêncio
é só pausa
entre estrofes
e meu olhar
um parágrafo contido...
Tudo em mim
é verso preso
até que sangro...
E quando sangro
não é dor
é linguagem...
E quando calo
não é paz
é poema em cárcere
pedindo redenção
na ponta da caneta louquaz..
✍©️@MiriamDaCosta
Estar rodeado de pessoas
não assegura que uma pessoa esteja feliz,
porque a verdadeira felicidade
só é percebida no silêncio da solidão.
Você não entende,
Posso ser seu abrigo.
Seu porto seguro,
A fortaleza para sua proteção.
Me dê a mão,
Para que então seus medos se dividam comigo,
E eu me torne seu ombro "amigo".
Irei atender teu socorro,
Ás uma, duas, três da madrugada.
Sua angústia será minha,
Seu lamento será meu.
Meu silêncio,
Será seu ouvinte.
O Silêncio dos excluídos,
Você já parou para ouvir o silêncio dos excluídos?
Já ouviu as suas histórias, angústias, medis e decepções?
O silêncio dos excluídos doe, fere, rasga e dilacera a alma findando a autoestima.
Silêncios e as vezes sussurros, com histórias que tem muitas vezes pontos de partidas em comum...
Se você nunca ouviu, então pare e dê o que é mais precioso ou seja uma parte do seu tempo, para ouvir o silêncio dos excluídos...
Amar você é como tocar o infinito com as pontas dos dedos, um universo que se abre apenas para quem ousa se perder. O mundo ao redor desaparece, e só resta a nossa existência suspensa, onde tudo parece fazer sentido. Mas amar é também expor a alma, deixar o coração nas suas mãos, vulnerável como vidro fino.
Quando você sorri, é como se o meu mundo inteiro se aquecesse ao brilho do sol. Quando estamos juntos, o tempo se curva, obediente, e nos dá o presente de uma eternidade em cada instante. Mas, ao mesmo tempo, existe uma fragilidade. O poder que você tem de me tocar tão profundamente também pode me quebrar de forma irreparável.
E, se um dia você for embora, levará consigo a parte mais preciosa de mim. O mundo, antes repleto de cores, será um borrão desbotado, e o silêncio da sua ausência será ensurdecedor. No entanto, escolho te amar mesmo assim, porque a intensidade desse sentimento vale cada risco. Amar você é viver à beira de um abismo, com a alma nas alturas e o coração à mercê do vento.
Se o amor é uma prisão, então que seja nos seus braços, pois só neles a liberdade existe.
Ele caminhava pelas sombras do que um dia fora o brilho de seu próprio coração, crendo que a entrega completa lhe havia cobrado um preço alto demais. Sentia-se despido de armaduras, como se cada pedaço seu já não lhe pertencesse. Talvez acreditasse que, ao entregar o coração, também entregara sua última chance de ser amado, como se, ao esvaziar-se, perdesse o direito de se preencher novamente.
Em noites de silêncio, perguntava-se se o amor realmente existia para ele, ou se não passava de um sonho distante, tão frágil que a própria entrega o tornava inalcançável. Mas foi nesses momentos de solidão que começou a enxergar o amor com uma nova perspectiva: amor é entrega, sim, mas não é posse, nem fim. É sopro, é fluxo — vai e volta, renasce e surpreende.
Entendeu, enfim, que amar é também ser amado, mesmo quando o coração parece partido. Cada pedaço entregue era também uma semente plantada em solo fértil, esperando o momento de florescer outra vez. O amor, ele aprendeu, não se limita a um destino, mas se faz caminho, um convite contínuo para acreditar, para sentir e, sobretudo, para se permitir ser amado de novo.
Ele sorriu, com um novo olhar para si mesmo, para o vazio e para o desconhecido. Afinal, amar, ele descobriu, é a arte de sempre reencontrar o próprio coração nas mãos de quem, inesperadamente, escolhe cuidar dele.
Era uma vez um homem que amava uma mulher... e o sorriso dela era um mistério ao qual ele desejava dedicar toda a sua vida desvendando. Cada curva daquele riso iluminava sua alma, como se o universo o convocasse a eternamente buscar essa resposta doce e infinita.
Mas o tempo, com seus desentendimentos e desencontros, os separou. Ainda assim, ele manteve sua promessa, gravada nas linhas do seu peito. Possuiu outros corpos, é verdade — breves respiros de uma ausência que nunca se curava — mas jamais os amou. Seu coração, teimoso e fiel, permanecia ancorado naquele amor primeiro, que nem a distância dos anos conseguia apagar. Amar aquela mulher não era uma escolha, mas um destino que o tempo não soube desviar.
O tempo é um tirano silencioso.
Não estende a mão, não consola.
Ele leva sem pedir licença,
rouba risos, desfaz promessas,
e castiga com a saudade.
Mas talvez sua crueldade seja arte —
uma forma estranha de ensinar.
Pois só no vazio que ele deixa,
floresce o que somos capazes de ser.
Sabe… certas dores não gritam. Elas silenciam a alma devagar, como quem fecha as cortinas de um teatro depois do fim. Algumas feridas não sangram mais, mas seguem abertas dentro da gente, como páginas que o tempo não teve coragem de virar.
Elas criam um véu — sutil, quase invisível — sobre tudo o que fomos antes do abismo. E é nesse véu que a alma aprende a respirar diferente, com mais cautela, com menos fé. Nunca tente levantar esse véu… Ele não é esquecimento. É sobrevivência.
