Poemas Góticos

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Para o mal, tudo é fácil, o mal quer acabar, destruir, eliminar, o mal é filho da morte.

Para o bem, tudo é difícil, o bem quer iniciar, construir, acrescentar, o bem é filho do nascimento.

E ambos são necessários para o equilíbrio das suas escolhas.

A morte sussurra no meu ouvido e deixa minha mente bem clara:

"Desse mundo, você não leva absolutamente nada. Eu te tiro tudo: objetos, pessoas, pensamentos, nada que você possa segurar. Você só deixa, e o que você deixa é tudo o que viveu. Então, viva! Porque a única coisa que eu não te tiro é o que você viveu e deixou na vida."

O sentido da vida é a morte. Nascemos para morrer e seguimos em direção a esse destino. Mas o que nos leva até ele são as escolhas que fazemos em vida. Cada escolha gera consequências, e essas consequências se tornam nossas lições.

O que aprendemos ao longo da vida é o que deixamos quando partimos. E, no fim, o que realmente fica não são bens ou conquistas, mas os afetos que espalhamos pelo caminho.

O nascimento é o "bem-vindo" a um novo mundo.
A morte é a "despedida" do mundo que ficou para trás.
E a vida é a passagem entre mundos, onde cada momento vivido é parte de algo maior no universo.

Se a morte realmente existisse, o nascimento não aconteceria… Logo, morte é nascimento, ou seja, é o começo de uma nova transformação.

De uma célula, me transformo em embrião.
De embrião, me transformo em feto.
De feto, me transformo em bebê.
De bebê, me transformo em criança.
De criança, me transformo em adolescente.
De adolescente, me transformo em adulto.
De adulto, me transformo em idoso.
De idoso, me transformo em matéria orgânica.
De matéria orgânica, me transformo em nutrientes para a terra.
Da terra, me transformo na vida que renasce.

Nada termina, tudo se transforma.

☁Rascunho ☁


Então eu morri.
De morte vivida
E no meu velório, ouvi choros.
Que me enterraram em vida!
Tentei esboçar um sorriso
Por ver todos ali reunidos
Mas a morte já era minha aliada.
Pena que em vida não me senti assim
Tão amada.....⛥⋆𐙚₊˚⊹♡

A morte não é o contrário da vida,
mas o limite que lhe dá forma.
É porque o tempo não retorna
que cada escolha adquire peso;
e é porque o ser pode cessar
que existir nunca é indiferente.

uma garrafinha de água
o fogo na floresta apaga
e salva o bicho preguiça
da morte pela queimada

que a ponta de uma brasa
de cigarro que foi jogada
pela janela do seu carro
naquela beira de estrada

não coloque fogo na mata
existe vida nas matas
evite causar queimadas
não lance fora a brasa

e o equilíbrio de tudo
na sua vida sagrada
simplesmente depende
que a vida seja preservada

então ao invés de fogo
leve sempre um pouco de água
e quando fizer parada
dêixe lá para a bicharada

⁠LUTO


O amor dói.
O amor dói na vida e estraçalha o coração na morte.
Mas se não doesse, seria amor?
O bom de amar, talvez seja o fato de que a dor cruel que sentimos é a maior prova de que tudo valeu a pena!
Ao partir um ente querido, um pedaço de nós parte com ele mas é a parte de nossa alma que pertencia a essa pessoa e, se dói quando arrancada, é porque realmente, como dito acima, valeu a pena!!!
O luto talvez não seja pra nos acostumarmos com a falta de quem foi embora, mas pra nos habituarmos a viver sem o pedaço de nós que foi junto. E, sabemos, não nos pertenceu. Por isso valeu a pena!
Amar alguém é entregar parte de nós a esta pessoa e, mesmo na morte e principalmente nela, sabermos que não temos direito a esta parte que entregamos por amor.
Por amar sofremos e somente por amar, é que vivemos.

Não tenho medo da morte
Da fome, da estupidez ou do frio
Destas coisas eu sempre me esquivei
Porquanto, a solução pra todas elas
Podem ser encontradas por mim
Meu medo é não saber achar
Aquelas coisas que independem
da boa vontade da gente
Pois, sem elas
Tudo mais não tem valor algum
E sem elas não se vive uma vida
Sobrevive-se somente
Engole-se diariamente
O gosto amargo das desilusões
O peso da carga que advém
Resultantes do desdém
e da maldade alheia
Não tenho medo de parar meu coração
Eu tenho medo de não conseguir
Estancar o corte ou espantar a dor
Se porventura alguém a quem amar
Me pedir pra curar um corte em seu dedo
Não tenho medo de perder
Nada daquilo
Que novamente vai brotar
Eu tenho medo pelas coisas singulares
Coisa que não se conta
Não se recria, depois que se desmonta
Incomparáveis, sui generis
Coisas sem par
Tudo que eu preciso
é de um singelo sorriso
Não peço ao vento que me traga
Me diga onde está
Que eu vou buscar

Edson Ricardo Paiva

Eu odeio a morte com a mesma intensidade que amei quem ela levou.
Eu odeio a morte porque ela me deixou dizendo 'eu sinto sua falta' para alguém que não pode mais ouvir.
Eu odeio a morte porque ela transformou lembranças felizes em motivos para chorar.
Eu odeio a morte porque ela me obriga a viver com uma saudade que eu nunca pedi para sentir.
Eu odeio a morte porque ela cria vazios que nenhuma pessoa, nenhum lugar e nenhum tempo conseguem preencher.
Eu odeio a morte porque ela não pede permissão, não dá avisos e não se importa com as vidas que destrói.

⁠Não romantize o contexto do "até que a morte os separe"!
Ao longo dos anos, essa frase teve uma tradução bastante restrita e até romantizada. Como se somente a morte do corpo fosse capaz de separar um casal. Sem dar importância para as diversas e cotidianas "mortes" que uma relação pode ter.
A morte de uma relação pode ocorrer, quando acaba o respeito, a cumplicidade, a admiração, o carinho, a amizade.
A morte acontece quando, mesmo juntos, a solidão e a distância se tornam rotina. Quando os assuntos se tornam escassos, quando o silêncio se torna hábito ou quando a dureza das palavras trocadas já nem é mais capaz de ferir.
E, é nesse vasto contexto, que as mais variadas formas de "morte" realmente separam. E em muitos casos, a separação sem a morte do corpo acaba se tornando a única saída para sobreviver ou, simplesmente, se perceber vivo novamente

Vamos repensar?

Nietzsche — “Deus está morto.”

“O maior perigo não é a morte de Deus, mas a morte da capacidade humana de buscar sentido. Uma sociedade sem valores superiores não se torna livre; pode apenas se tornar perdida.”

Carlos Eduardo Balcarse

Vamos repensar?

Heidegger — “O homem é um ser para a morte.”

“A consciência da morte não deve gerar medo, mas despertar. Quem entende que o tempo é finito deixa de sobreviver automaticamente e começa a existir intencionalmente.”

Carlos Eduardo Balcarse

O tempo não tem preço. Tem fim.
A morte não é o fim da vida.
É o fim do tempo para vivê-la.

SEM DESCULPAS

Ah, morte...
Não se acanhe sempre te esperei.
Não quero justificar...
Se é a hora?
Não quero desculpas para a causa.

Não é ruim, ter que morrer...
Acho difícil é não ter existido;
Ou existido sem ter vivido.

Meu medo, não é por partir.
Tenho medo da despedida;
Tenho medo da dor, dores fortes;
Minhas lágrimas ardem...
Medo de deixar os meus amores.

Ah, morte...
Chorei a vida inteira...
Pelas palmadas, perdas e amores.
Nunca me com acostumei com a vida;
Existi, vivi e amei...

Nunca deixei de sofrer...
Chorei as lembranças das perdas;
Chorei diante das bruscas mudanças...
Até chorei de alegria, a alegria também doía.

amo a morte tanto quanto amo a vida
pois por mais encantadora e linda que a vida possa ser
a morte é o alívio, a paz e o fim
e tudo que eu preciso é um ponto final
novos começos já não me deixam tão animada, uma outra perspectiva já não me deixa otimista
um novo sonho não me faz transbordar de emoção
um novo amor não me tras mais tanto encanto
queria que o amor pela vida voltasse a transbordar dentro de mim, mas hoje sou apenas o que restou de minhas experiências, emoções e decepções.

Quando a morte chega,
ela não vem de mãos vazias.

Ela nos entrega uma
caixinha de lembranças,
adornada pelos laços da saudade.

A morte deLGBTQIA+
A morte tem uma maneira silenciosa de nos lembrar do que realmente importa. Diante dela, perdem o sentido os rótulos, as disputas e os preconceitos. O que permanece é a lembrança de uma vida, de uma história e de uma pessoa que amou, sonhou, enfrentou desafios e deixou marcas em quem a conheceu.

Quando falece uma pessoa LGBTQIA+, é um momento para refletirmos sobre nossa própria humanidade. Antes de qualquer diferença, existe um ser humano que merece respeito, tanto em vida quanto na despedida.

A empatia não exige que todos pensem da mesma forma. Ela exige apenas que reconheçamos a dignidade do outro. O respeito nunca diminui quem o oferece; ao contrário, revela grandeza de caráter.

Que toda despedida nos ensine a trocar o julgamento pela compaixão, o preconceito pelo respeito e a indiferença pela humanidade. No fim, é assim que honramos o valor da vida.

Eu tenho medo...
Medo da morte? Também.
Ah, mas há outros medos que me dão mais medo...
Esses medos a que me reporto, a história poderá contar.