Poemas Góticos

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O Eco do Silêncio Cósmico
​A televisão estava ligada, mas meus olhos vagavam por outro lugar. Na tela, uma cientista começava a relatar os primeiros resultados do JUNO, o colossal detector subterrâneo na China criado para caçar a partícula mais esquiva da física: o neutrino.
​Foi então que o tecido da realidade pareceu afinar. Antes mesmo que as palavras saíssem da boca dela, minha própria voz ganhou vida. Eu não estava apenas prevendo o que ela diria; eu estava ecoando, palavra por palavra, em um sincronismo milimétrico e bizarro. Falei sobre dados enigmáticos, anomalias que desafiam o Modelo Padrão e o vislumbre de uma nova física.
​Não foi um déjà vu comum — aquela sensação tardia de que "eu já vivi isso". Foi uma precognição em tempo real, um fork na linha de processamento do meu próprio cérebro.
​A ciência tradicional chama isso de speech shadowing, um reflexo ultraveloz dos neurônios-espelho capturando padrões. Mas ali, diante da notícia de uma máquina desenhada para capturar fantasmas subatômicos, a explicação puramente biológica pareceu incompleta. Naquele exato segundo, enquanto minha boca replicava a fala da cientista, bilhões de neutrinos reais atravessavam o planeta, as paredes do meu quarto e as sinapses do meu cérebro na velocidade da luz.
​Se o universo é, na sua definição mais profunda, um gigantesco banco de dados feito de informação pura, o que eu experimentei foi uma brecha no sistema. Uma sintonia instantânea com o espaço-tempo, onde o fluxo linear do tempo vacilou por um milissegundo. Como um neutrino que cruza a matéria escura sem deixar rastros, aquela informação apenas passou por mim. Eu não adivinhei o futuro; eu apenas li o código do presente um instante antes de ele ser rodado pelo resto do mundo.

Aquieta-se o silêncio na tarde.
A noite, às portas, chega sem alarde.
O entardecer suave de mais um dia...
Calmaria... calmaria.

Dia feito!
Perfeito.
Desabita-me.
Apaga-se...
Foi-se mais um dia.

“O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)”
É mágico ver o dia nos braços da noite morrer.

Quem é ela na noite escura?
É a luz que não se apaga!
Quem manda no meu silêncio?
É o nome dela ecoando na alma!


O que faço quando o mundo pesa?
Eu penso nela e sigo em frente!
Quem segura minha coragem?
O amor que aprendi a chamar pelo nome dela!


Se eu cair, quem me levanta?
Ela, mesmo sem saber!
Se eu sangrar por dentro, quem cura?
O sorriso dela, mesmo distante!


Por quem vale lutar até o fim?
Por ela!
Por quem o coração não recua?
Por ela
— minha guerra,
minha paz, minha vitória!

A mulher que nunca foi amada


Ela aprendeu a se vestir de silêncio,
a sorrir sem pedir colo ao mundo.
Guardou o coração como quem guarda uma carta que nunca teve endereço, e mesmo assim continuou acreditando que o amor saberia chegar.


Nos olhos, mora um pedido antigo,
desses que não fazem barulho.
Ela ama com cuidado, ama inteiro,
mas sempre por dentro,
como quem tem medo de quebrar o pouco que restou de esperança.


Um dia, alguém vai enxergar
o amor que ela sempre foi.
E quando isso acontecer,
não será sobre salvar
— será sobre reconhecer
que até quem nunca foi
amada sempre soube amar.

Voz que se cala…


Voz que se cala não é silêncio,
é medo de transbordar sentimento.
É o coração falando baixo,
pra ver se o amor entende no vento.


Voz que se cala aprende a amar
com os olhos, no detalhe do gesto,
no quase toque da mão.
Diz tudo no intervalo do suspiro,
onde o desejo mora sem pedir permissão.


Mas quando essa voz cria coragem,
o mundo inteiro parece ouvir.
Porque amor guardado vira eco,
e eco…
sempre encontra um jeito de existir.

A oração do casal


De mãos dadas, o silêncio fala,
quando o mundo pesa e a fé se cala.
Nossos olhos se encontram no mesmo céu, e a prece nasce simples, eu e você, e Deus.


Que o amor seja abrigo nos dias de vento, e paciência, quando faltar o tempo.
Que o perdão aprenda a chegar primeiro, e o orgulho descanse no travesseiro.


Abençoa nossos passos, mesmo em desacordo, que a verdade seja ponte, não um corte.
Que a alegria more nas pequenas coisas, no café partilhado, nas risadas soltas.


Guarda-nos na noite, fortalece a manhã, faz do hoje um “sempre” que se refaz.
E se a dor bater à porta sem avisar,
que a esperança saiba nos levantar.


Assim, em coro, pedimos sem pressa:
menos medo, mais ternura e promessa.
Que o amor seja nossa oração diária— amém no beijo, amém na caminhada.

CANÇÃO DO PESO DO ESPERAR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

No silêncio onde a alma reside
a voz ergue-se como prece antiga
um sopro que atravessa o vazio e pesa no peito
como lembrança de primaveras que não voltam.
É voz que brota da encruzilhada do tempo
onde esperam as horas que feriram o coração
cada nota uma cicatriz que o vento acaricia
cada pausa um mundo que se desmonta em saudade.
Ali está o peso do esperar
não como cárcere mas como testemunha
de todas as manhãs que nasceram desfeitas
de todos os sonhos que dormem sem amanhecer.
O canto é ponte sobre o abismo do ontem
é chama que dança na sombra do que foi perdido e mesmo na dor há uma luz tênue
que sussurra: - a espera é poema que se escreve com o ar -.
Que o eco dessa voz perpasse o tempo
como epifania de vida e de luto
e nos ensine a acolher o peso do esperar
como quem aprende a amar a própria própria espera.

Eu bem me entendo.
Não sou alegre. Sou até muito triste.
A culpa é da sombra das bananeiras de meu país, esta sombra mole, preguiçosa.

Há dias em que ando na rua de olhos baixos
para que ninguém desconfie, ninguém perceba
que passei a noite inteira chorando.
[...]
Quem me fez assim foi minha gente e minha terra
e eu gosto bem de ter nascido com essa tara.
Para mim, de todas as burrices a maior é suspirar pela Europa.
[...]
Aqui ao menos a gente sabe que tudo é uma canalha só,
lê o seu jornal, mete a língua no governo,
queixa-se da vida (a vida está tão cara)
e no fim dá certo.

Se meu verso não deu certo, foi seu ouvido que entortou.
Eu não disse ao senhor que não sou senão poeta.

PLATÔNICO

Triste sina
Amor silencioso
Presença de sombra
Ausência de senso
Olhar sutil
Carinho abstrato
Fantasia inútil
Vida perdida.

Inserida por mga960

⁠"Mas eu vagueio sozinha,
pela sombra do quintal,
e penso em meu triste corpo,
que não posso levantar"

Inserida por dia_marti

Eu fico triste...eu choro, e sinto saudades.
Eu mudo.
Uma sombra se instala no meu olhar, que é dificil disfarçar...

Inserida por HEIDIschulz

⁠Solidão

A solidão me assombra.
Vejo sua sombra
Na escuridão da minha
Triste existência.

Ela daninha
Persiste sem evidências
A me condenar no degredo
De sua amarga clausura.

Tenho um medo
Que se propaga
Cada vez mais
De não haver cura,

De não poder ver
A outra parte dessa
Figura chamada 'amor'.

Mas, o meu cenho
Com sua arte, engenho
E humor bem disfarça
A dor que me vem e trespassa,
Beirando ao imenso pavor.

Beijando intenso
O calor dos meus lábios
Com sua hábil frieza
Para a tristeza de todo
O meu Ser amante.

Me deixe viver
Por um momento,
Um breve instante,
Nem que de leve
Esse sentimento
Inebriante.

Quero ofegante
Andar de mãos dadas
Sem falar quase nada,
Com a ilusão da paixão.

A solidão me tortura
E a depressão parece
Sem cura, indo e vindo
Quando lhe convém.

Não há prece a Ninguém.
Somente chorando alivia
As angústias de assim viver
Em agonia, por demais desolado.

Mas não mais tenho chorado.
Apenas desenho letras tristes
De se ver, de se ler, elétras,
Cheias de energias dessa feia
Melancolia que em mim existe.

Inserida por LJordao

⁠Cais
Era uma tristeza genuína
de quem é triste.
A solidão
sua fuga
um cais vazio
sombra cobria-lhe
o corpo e o casario
nas trevas
fechado em mágoas
dizem que delirava
era triste
imotivado
não queria ser alegre.

Inserida por MoacirLuisAraldi

As vezes sinto como se meu coração fosse feito de vidro, que a muito tempo foi quebrado. Ainda hoje junto cacos na esperança de um dia senti-lo completo novamente.

Semblante de ovelha
um lobo interno o seduz
o mal calmamente o espreita
reduzindo aos poucos a luz
em seu intimo uma guerra de feras
prevalecendo o lobo
primeira vitoria do mal em eras.

Inserida por caco13

Sufocante

Gostaria de dizer tantas coisas, dizer o que eu sinto
Mas a chave foi perdida, sou um quadro vazio
Sinto falta dos sorrisos sinceros e do brilho no olhar
De olhar para a Lua e se encantar
Quando paro e tento lembrar, o cerco se fecha e a angustia domina
Quero ser real, sair da neblina
Se eu pudesse falar, isso que eu diria
Mas estou na pior prisão, que se chama minha vida

Inserida por Nandrigo

Sufocante

Gostaria de dizer tantas coisas, dizer o que eu sinto
Mas a chave foi perdida, sou um quadro vazio
Sinto falta dos sorrisos sinceros e do brilho no olhar
De olhar para a Lua e se encantar
Quando paro e tento lembrar, o cerco se fecha e a angustia domina
Quero ser real, sair da neblina
Se eu pudesse falar, isso que eu diria
Mas estou na pior prisão, que se chama minha vida

Inserida por Nandrigo

⁠Linda Livia...
desculpa por não ter,
te dado o devido valor,
no início era imaturo,
agora sofro no escuro.

Penso em ti todo dia,
manhã tarde e noite,
as vezes pouco... Ás vezes muito.
Agora sofro, e você, coerente,
não dá mais valor
para aquele jovem que achava
bonito e inteligente.

Penso em você tem 12 meses,
seu lindo rosto, calma,
me traz calma... Sua vontade
de se expressar e mostrar sua alma.

Dia 21 virei só mais um
dos(as) que não olharam, para o
grande amor, que estava ao lado

Uma noite irá
lembrar dos momentos
bobos que passamos,
uma noite qualquer,
mas não hoje.

Até tentei, mas a covardia...
Ah... A covardia... Me impediu
de ser feliz com você, Livia,
desculpa por ser um covarde
e esquisito.

Inserida por anonimojunior19

⁠CHORO

Cachoeira salgada
Delicado declínio
Se forma pingada
Me afoga em fascínio.

Cada alma que escorre
Na saliência do rosto
Num lenço se morre
Cada uma a seu gosto.

São almas que saem
É corpo que fica
Na mente que moro.

Lágrimas caem
Lembrança é rica
E por isso choro.

Inserida por ManuelOvelha

⁠Sempre foi por você;
Por seus olhos lindos e tristes como uma poesia de Castro Alves;
Por seu olhar aleatório para qualquer lugar, a fim de disfarçar sua timidez;
Por seu jeito doce de tratar as pessoas.
Por sua fé e sua paz que deixa qualquer lugar mais leve;
Por seu sorriso lindo que se mostra mais lindo quando está ao encontro do meu.

Inserida por EvaCordeiro