Poemas Entardecer
a diarista
já o lusco fusco chegando
com sua casca ressequida
o céu do sertão apagando
e as maritacas de partida
pela janela vai adentrando
silenciosa, está tal rapariga
espanando num desmando
sombreando, cheio de giga
tece a noite, vai-se o dia
finca estaca na imensidão
o canto da cigarra anuncia
o tardar, tolda a escuridão
o cerrado a noite cria
a melancolia recordação
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
segunda, outubro, 2019
Cerrado goiano
CREPÚSCULO
Vê-se no silêncio, e vê, pela janela
O cerrado, eclodindo pra vespertina
Melancólico, perece o sol, e mofina
Outro fim de tarde, e a noite vela...
E ai! termina mais um dia, e revela
As horas, que a viveza se amotina
De sua rapidez, pérfida e assassina
Tão sem troco... - um atributo dela!
A melancolia no horizonte, é saudade
As sobras das lembranças, é desgosto
E o que se resta agora é outra idade...
Olhos rasos d’água narram o sol posto
Lúrido, duma emoção em calamidade
- de o crepúsculo do tempo no rosto!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17/03/2026, 17'00" - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
ÚLTIMO RAIO DE SOL
Último raio do sol, rubro e belo
No escurecer do excelso planalto
Ouro nativo, horizonte vai alto
Entre o negror um aroma singelo
Amo-te assim, o árido arauto
Que tens o tom do amarelo
Matizado ao vermelho, elo
Entre o impetuoso e o cauto
Amo o teu esplendor poético
De brilho lhano e tão casto
E o teu variegado frenético
Amo-te fulgor do cerrado
Encantado, de sonho vasto
- um entardecer denodado!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 de março de 2020 - Cerrado goiano
Olavobilaquiando
PÔS-SE O SOL
Pôs-se o sol... onde a noite tece a teia
Da treva. E pouco a pouco aí desmaia
A última luz do dia, então, assim caia
Da escuridão que a pretidão incendeia
No horizonte estrelas no céu semeia
Pela janela a sombra deita na alfaia
O mirar no remoto lúrido cambaia
E a escureza do cerrado encadeia
Com o olhar na lua, rogo levanto
E, cheio de maculada melancolia
Anoitece, e não prendo o pranto:
Choro de encanto e tal a alegria
De tão ligeira cena e sem tanto
Em gratidão, por mais um dia!
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
12 de outubro, 2020 – Triângulo Mineiro
[...]mais um pôr do sol...
...mais um dia que se vai e é a sombra que agora cai, trazendo a lua pra confortar, o cerrado, na Imensidão do escuro da noite... a vida em continuação!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Sertão da Farinha Podre
VITÓRIA-RÉGIA
As vitórias-régias e a praça arborizada
O cair-da-tarde no bairro de Casa Forte
Os jovens e adultos praticando esporte
São encantos de Recife, cidade amada
Novembrosas
Desce o poente entardecido por novembrosas precipitações.
E impotente se afiguram as palavras benfazejas que renovam a esperança
ao aterrado desconsolo de minh’alma desarmada, desamada, talvez.
Queira morrer-me um pouco mais por esta noite,
absorto em fantasmagorias da religião.
Se em tua taça houver um pouco mais que amargor,
oferece-a à insaciedade de minha sede.
Abranda a secura que me aflige.
E, incauto, vem tragar minha paixão
no poente infindo em que vivi.
Cai a tarde azul calma e fria
trazendo um quê de tristeza
e também de nostalgia
no toque da brisa suave
que também tem sua beleza
Nos traz reminiscências
do cantar da Ave Maria
by edite/2016
Sombras da tarde
Devagar, as primeiras sombras da tarde anunciam o dia a se despedir!
Ao longe, no horizonte tons mesclados sugerem pinceladas aleatórias
Raios de sol que traduzem energia e fogo que acalenta o coração, paz que silencia a alma.
Mais um dia que se vai! Mais um capítulo de nossa história!
No Alto do Mirante a padroeira a nos guardar...
"Mãe de Deus, Senhora nossa! Guardai as portas de nossa cidade!
Que povo esteja em paz sob a sua guarda e proteção! " Amém!
Edite , Janeiro/2016
Como telas pintadas acima de nós , encantando o Universo as cores se mesclam revelando também as cores da vida .
Viver é procurar encontrar esse colorido dentro de cada um de nós . Cores que se misturam ora revelando ansiedade e inseguranças , ora revelando momentos de alegria e entusiasmo .
Assim é a natureza que nos ensina a apreciar o belo, mas também a conviver com momentos nublados e obscuros .
Tempestades vem e vão , mas o sol com certeza mais tarde surgirá !
Deus abençoe a sua tarde !
"Será que é tão ruim assim
Ver a vida como um jardim
Carregada de flores perfumadas
De encanto sem fim?
Há espinhos também
Em algum amanhecer
Mas o que seria das flores
Sem os espinhos as lhes proteger?
E o que seria da vida
Sem sorrisos ao entardecer"
“Tarde de domingo
Os fins de tarde encantam
Passarinhos cantam a tardinha
Nunca é tarde para ser grato
Por mais uma tarde de sol.”
#bysissym
MARATONA
Lá se foi a areia da ampulheta
Por um tempo a gente vira atleta
Vai correndo muito sem perceber
A beleza de cada entardecer
Gravado fica o rastro da jornada
E que sejam belas as empreitadas
Por aqui vou chegando de mansinho
Feliz com ascensão em torvelinho.
AURORA BOREAL
Verde do céu as luzes são brilhantes
Acelero o carro sigo o campo da minha visão
Hoje eu fui até o polo norte
E vi o vento solar
Que vem do espaço, você é meu futuro
No teu sorriso eu vejo a aurora boreal
Ontem adormeci e te quis comigo
Você não cai do meu firmamento
E eu me pergunto aqui se é natural
É um sonho ou será a vida real?
Entre o sabor de um beijo como o seu
Sigo o desejo que vem do meu coração
Do entardecer eu sei o que posso guardar
CAIR DA TARDE ...
O céu do cerrado está tão imenso
Todo dum vermelho compassado
O vento lhe rodeia, incerto, tenso
Na vastidão do azul, árido e alado
O horizonte mais rubente, intenso
No aparato carmim que é tomado
Em nuances no celeste suspenso
Em reza, num oratório imaculado
Quanta ilusão, quanta, no parecer
Do entendimento, fica a embalar
A imaginação, perdidas no viver
Ah! grandioso, de infinita beleza
Aos olhos não se pode desvendar
Os mistérios ocultos na natureza! ...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23/02/2021, 18’28” – Triângulo Mineiro
Cai a tarde de domingo...
o tempo escorre,
esvai-se pouco a pouco
como um suspiro antigo
que já não se ouve mais.
A kalanchoe amarela no parapeito
resiste —
minha pequena explosão de sol
em um mundo meio gasto,
meio silenciado.
Pelas ruas,
vagam transeuntes
perdidos em si mesmos.
Já não sabem quem são,
nem quem foram um dia —
apenas seguem.
Lá fora, o vento hesita,
como se lembrasse
de outros domingos idos,
com passos,
com vozes atravessando as horas
sem pedir licença,
avançando sempre...
Há uma beleza única nesse momento —
e ela não grita,
sussurra em amarelo
nas pétalas da kalanchoe,
no breve toque do vento
em meus cabelos
antes de seguir
seu perpétuo curso.
(Kalanchoe Amarela)
Ainda me lembro daquela tarde
Você me convidou para um café
Surpreendeu-me ….
Uma mesa simples numa tarde dourada
Café de torrão saboroso
Ao redor o som de gaivotas livres
Em cada olhar o brilho do sol
Ainda me lembro daquele beijo.
Minutos preciosos, inesquecíveis !
#bysissym
A TARDE
O clarão se esvai, a sombra declina
por sobre o sertão sem um alinho
e o sertanejo vindo pelo caminho
se desata no horizonte, sua rotina
A boiada no curral, mugi, rumina
a lobeira com flor e com espinho
o vento plana em um remoinho
no breu que cai atrás da colina
Flutuam estrelas no amplo céu
O galo canta, triste, no cercado
E a luz da escuridão se faz réu
E passam, as saudades, ao lado
fantasmas de recordação ao léu
na languidez da tarde no cerrado
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
06/01/2021, 18”14” - Rio de Janeiro
REPOUSAR DO CERRADO
Em redor do cerrado brinca o encantado
Alegre, vário, lindo, folgazão, divertido
Aguardando o ir do sol no céu abrasado
No entardecer, no horizonte escondido
No cenário rubro, do belo arrebanhado
Murmura o fascínio poesias ao ouvido
Prosando o sentimento tão acalentado
Em um mistério, sem qualquer ruído...
Obriga então o planalto altivo e airoso
A desfazer-se em penumbra caprichosa
Pra as estrelas surgirem em convulsões
E no cerrado o fulgor esvai melancólico
Escorrendo na imensidão tão anabólico
Em sensação, também, cheio de ilusões
© Luciano Spagnol – poeta do cerrado
20 maio, 2021, 06'10" – Araguari, MG
AQUARELA DO SERTÃO
Entardece na cidade,
o céu é alaranjado,
se misturam novas cores
e ele fica avermelhado.
Aquarela do sertão,
nuvens pintadas a mão,
arte viva no roçado.
