Poemas e Poesias
VIOLENTO
A violência é:
A arma dos fracos
Dos covardes e ignorantes...
Será ela inerente à condição humana
ou será um construto cultural...
Inaceitável em qualquer circunstância
Evidencia o caráter, daqueles que a praticam.
O AMOR
O amor é a canção sem som
Multissonora de arranjo bom
Simples feito passar batom
Saboroso tal qual bombom
O amor é a canção cantada
Poesia mil vezes recitada
Amada e vituperada
Porem jamais desprezada
O amor é a canção sideral
Nexo do físico e o transcendental
De eterno que se faz casual
É verso e reverso afinal.
NEGRITUDE
O negro [...]
De negro semblante a viver [...]
O branco [...]
Insensível em seu negro ser [...]
O branco temendo o seu branco ser negro
O negro, ser branco
Ser gente
Ser, ser [...]
Ser negro ser branco importa si ser.
Os olhos dão conta
Da cor que o sol dá [...] mas dentro de si
Sem olhos sem sol [...]
Todo ser é negro
Todo ser negro é ser...
SONETO???
Padeço pensando em ti
Que em porto velho está
A saudade dói ao lembrar
Sinto não te-la aqui
Jovem amiga Poliana
Como marca teu sorriso
Arma de fazer amigos
Encanto que almas inflamam
Linda diva flutuante
Entre o rosa e o azul
Tem um ser multitonante
Posso dizer sem pudor
Poliana nobre plebéia
Tens encantante fulgor
ABIGAIL
Raio nascente do sol
Colorindo e aquecendo
Alegria vens trazendo
Da aurora ao arrebol
Filha prima de meu ser
Cuidados da minha vida
Doce paixão incontida
Criança meu bem querer
Síntese dos sonhos meus
Abigail meu bebê
Doce dádiva de Deus
Amor que posso tocar
Preciosidade minha
Encanta e faz pensar
ÁGUAS DO MEU SERTÃO
As doces águas do meu sertão
Tocadas qual boi na invernada
Lentamente se fazendo represada
Tornando em mar o ribeirão.
As águas doces do meu sertão
Revolvidas manipuladas pelo homem
Mata vida gera vida mata a fome
Produz luz pondo fim à escuridão.
Quantas vidas duramente massacradas
Fauna e flora simplesmente desgraçadas
Por um justo vil conforto social?
Desbravamos céus, terra e mar
Manipulamos águas, vales, serras e ar
Sustentando nosso sonho capital!
HIDROCÍDIO II
Ah sonho de luz pra vender!
Gerado por mãos hidrelétricas
Energia de águas repletas
De força, a vida a mover.
Felicidade a conta gotas servida
A conta watts gota a gota contada
Tostão a tostão cada vida mensurada
Em mercadoria dia-a-dia transvestida.
Na escuridão de nossa vã sabedoria
A ignorância é a luz que irradia
De nossos sonhos-pesadelos tão comuns.
Se mal contidos nossos sonhos mal deságuam...
Num incontido ato nosso, mãos degradam
A natureza mãe de todos e cada um.
ZAMÔ
Jovi ino, seguino o sol dos sonhos do som
Jovi ino todo dia ao seu trabalho
A sonhar que a vida é mesmo nada mais que um dia bom.
Jovi ino, nas mãos. as flores da juventude
Os sonhos e seu violão...
Jovi ino ano a ano...
Caminhando sempre escravo da paixão!
Na vigília das quiméras
Que nos formam e faz mover...
Jovi vai, segue em paz em busca.
Do seu bem querer.
Amor de A a Z...
Zamor...
Amores que se seguem, se sucedem, vem e vão
Amor de A a Z
Zamor...
Ele é mesmo todos nós…
É mais um anjo sonhador... Embalado pela emoção!
SONETO EM J
Já na inalterável condição
Juro a ti não me entregar
Jogo com toda a minha atenção
Jurando por ti não me apaixonar.
Jamais Iracema brejeira
Jeito darei no que sinto
Jarra de amor altaneira
Jovem afável, não minto!
Juntos não poderemos
Jamais esse amor impossível
Jorrar tal qual rio permitir.
Jogaremos então esse vil
Jocosamente no afã do desejo
Jazendo tão febril no porvir.
PANGOZO
Deixe que eu te olhe
Te aprecie que eu te queira
Deixe que eu te ame
Que eu te veja e te deseje
Deixe que eu te coma
Te deguste e que eu te goze
Deixe que eu te tenha
Que me tenhas que me aproves
Deixe que à distância
Tudo seja sem o ser
Deixe o não consumado
A consumar-se por ser
Eu em ti e tu em mim...
Eternamente
A se verter.
"Num espaço, em um tempo o que me resta é a solidão, tão bela quanto o nada, tão calma quanto o grito, de tudo o silêncio me faz falta, de hoje, a lucidez é em vão...
Mil ideias me vêm, duas mil se vão. Que pratica eu tenho se de tudo abro mão?"
O humano paradoxal.
MINHAS SINAS
Queria ser a luz que brecha
O ventilador que te assopra
No frio, ser tua água morna
Pra depois virar tua coberta
E ir aquecendo tuas pernas
Naquelas noites de preguiça
Depois abrir nossas cortinas
E ser o florido do teu vestido
Guardando nos teus sorrisos
A lembrança de minhas sinas
Rio Doce / Princesa Isabel (Sem estética)
Diante tanta formosura
Quase fui atropelado,
Abestalhei-me com o Palácio
Enquanto atravessava a rua;
Tive que voltar pra casa
Quando a noite se anunciou,
Dei com a mão, driblei camelô,
Subi, paguei, fui numa lata
No caminho da regressão
Passei pelo o cais Santa Rita,
Ali, faltava era gente bonita
E um tanto de organização;
Quase esquecia! Um pouco antes
Passou o Forte das Cinco Pontas
E uma curva que deixava tonta
A cabeça de qualquer pensante;
Em um retorno meio horizontal,
Eu vi o Capibaribe e o antigo
Confesso que um pouco aflito
Por me despedir do cartão-postal;
Passei pela Cabugá
Em um dia de sorte
O acelerador ia tão forte,
Nem semáforo podia parar;
Após deixar o Espaço Ciência
Varie o varadouro numa curva,
Entrei em Olinda debaixo de chuva,
Tinha a mesma alegria e essência
Achei que tinha vindo me encantar
A chuva escorrendo seu corpo gelado
Descendo no embaraço da janela ao lado,
Mas por causa dela, não vi a orla passar
Entristecido, resolvi me entregar a chuvarada
Quando puxei a corda que me fazia zarpar
Percebi o que o destino queria me mostrar
De uma forma simples e bem clara
Que tarde ou cedo, a tempestade se vai
Que é só o vidro que fica molhado
Cabe acreditar que do outro lado
Está a paz, onde só o descaso cai
Pensei, segui invertendo
Voltei pela a praia a pé,
Devagarinho subi a sé,
E lá, descansei sereno.
A Máquina dos Sentimentos
Os sentimentos são momentos
vividos do além,
Não se olha quem sente,
E nem quem entende bem.
Os sentimentos são espadas,
Que transpassam corações.
Os sentimentos não são nada...
Os sentimentos tudo são.
Os sentimentos são histórias,
De uma humanidade morta,
Que sai e entra pela mesma porta,
Em que circulam as memórias.
Os sentimentos são recordações...
Nada mais.
O sentimento que nos trai...
Os espaços às ilusões
se esvai,
E vai buscar alguém,
Que sinta o que sentes,
O sentimento é ausente.
Sinta algo por alguém.
Os sentimentos são envoltos
por embornais e coisas mais.
Os sentimentos são tortos...
Tudo isso
se contrai.
O sentimento vem da alma,
Pura, tranquila e calma...
O sentimento é o lamento,
De quem está feliz
é a alegria de um triste aprendiz
de humano.
Meu ser insano,
Minh'alma imortal.
Meus desenganos,
Meu bem; meu mau.
Os sentimentos expressos trazem liberdade,
Mas, o mesmo sentimento nos prende a realidade,
Se pisarmos no sentimento do alguém,
Machucado um sairá, e se sabe quem.
Digo o mesmo que dizes também,
Os sentimentos são pregos.
Jamais pise nos sentimentos de alguém.
Os sentimentos são tortos; os humanos são mortos... coisa de um além.
Presa ou preza?
Triste o ser
que preza o desprezo,
que no desgosto se apega
e vira presa,
de quem não o gosta.
Mesmo assim,
disputa o oposto,
como se gostasse do gosto,
de se prender
ao que lhe faz infeliz.
Uma amizade
Uma irmandade de pessoas que não são irmãos
Como tudo isso pode ser tão frágil e ao mesmo tempo tão inquebrável?
Será que na amizade só conta a felicidade?
Será que não importa quem eles realmente são?
E se no final tudo se tornar separável?
Essas perguntas rondam minha cabeça
Me lembrando para que não me esqueça
Que no final, estaremos sozinhos
Talvez amargos e sem carinho
Deixando de lado aquela irmandade
Que começou como uma bela amizade
Se é para sofrer, não fale
Se é para sorrir, alegria espalhe
Se é para chorar, leia sobre a tristeza
Se é para enganar, então me engane com a beleza
A beleza da vida sofrida
A beleza da alegria sentida
A beleza de apenas sentir
A beleza de te ver sorrir
Profundo
Entregue a mim seu coração
E sem medo de errar negue um pouco a razão
As vezes é bom deixar a vida levar
Sem parar pra pensar e somente arriscar
Quando estamos a sós até o nosso silêncio
Se traduz em poesia
Em nosso jeito de olhar mesmo sem nos tocar
Nossa conexão é a mais pura magia.
Quando estou com você não sinto os meus pés tocando o chão
Esse sentimento me fez entender que pra amar pra valer
A voz que fala é a do coração
Então me jogo sem medo vou vivendo e descobrindo em meus passos o meu rumo
Descobrindo-me através de você que me fez conhecer
O sentimento mais profundo
Até parece que somos um só
Buscando e descobrindo
Os desejos mais profundos
De tudo que sentimos e vivemos
Nos faz encontrar um sentido
Pra tudo.
O amor é paciente, o amor é benigno, não é invejoso,
não é orgulhoso, não se ensoberbe;
Não é descortês, não é interesseiro, não se irrita, não
guarda rancor;
Não se alegra com injustiça, mas se compra com a verdade;
Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo tolera.
O amor nunca acabara; as profecias?
Terão fim; as línguas?
Cessarão; a ciência?
Terminará.
Pois quando nosso conhecimento é imperfeito é também a profecia.
Mas quando chegar a consumação, desaparecerá o imperfeito.
Quando era criança, falava como criança,
quando cheguei
a ser mulher, deixei as coisas de criança agora inúteis.
No presente vemos por um espelho e obscuramente;
Então, veremos face a face.
No presente conheço só em parte;
Então conhecerei como sou conhecido.
No presente permanecem estas três:
Fé, esperança no amor.
