Poemas e Poesias
quanto mais feia for a sua letra de mão
mais comoção devo sentir
em especial com as menores e mais redondas
deitadas como pedestre atropelado e deixado nas linhas
conhecidas como ‘letra do atrasado na escola’
ou ‘caligrafia de quem já nasceu com as teclas’
alguém que talvez precise usar régua pra alinhar as coisas
que talvez precise de ajuda e recuperação
que talvez precise de mim
talvez precise de mim
numa casa com aluguel atrasado
falamos da chuva de granizo
numa casa movediça
o despertador toca mais cedo
de uma casa com incêndio
você talvez não saia a tempo
numa casa no deslizamento
morremos pensando que pena
numa casa pequena
não cabem os panos de prato
sem uma casa arejada
você cheira a cachorro molhado
numa casa sem amor
todos arrumam outros planos
numa casa às pressas
tem coisas que você deixa
numa casa por ano
é melhor nem abrir essas caixas
Dentadura perfeita, ouve-me bem:
não chegarás a lugar algum.
são tomates e cebolas que nos sustentam,
e ervilhas e cenouras, dentadura perfeita.
ah, sim, shakespeare é muito bom,
mas e beterrabas, chicória e agrião?
e arroz, couve e feijão?
dentinhos lindos, o boi que comes
ontem pastava no campo. e te queixaste
que a carne estava dura demais.
dura demais é a vida, dentadura perfeita.
mas come, come tudo que puderes,
e esquece este papo,
e me enfia os talheres.
keats quando estava deprimido
se sentindo mais pateta que poeta
vestia uma camisa limpa
eu tomei um banho
com os dedos ajeitei os cabelos
vesti roupas limpas
olhei praquele espelho
o suficiente pra
sem relógio caro
fazer pose de lota
e sem pistola automática
pose de anjo do charlie
então eu disse: “é, gata”
rápida peguei as chaves
saí num pulo
só fui rir no elevador.
meu avô não gostava de agosto
dizia agosto mês de desgosto
quando passava dizia agora não morro mais
as mulheres são
diferentes das mulheres
pois
enquanto as mulheres
vão trabalhar
as mulheres ficam
em casa
lavando a louça
e criam os filhos
mais tarde chegam
as mulheres
estão sempre cansadas
vão ver televisão.
Sim ainda sinto...
O cheirinho doce em seu cangote
Sua pele suave e macia
Despertando em mim a poesia
E o friozinho dominando tudo por dentro...
Sim ainda sinto...
O macio da pele em sua mão
Seu cabelo cheiroso e amassado
Que me deixa ligeiro arrepiado
Palpitando com força meu coração...
Sim ainda sinto...
Seus dedos entrelaçados aos meus
Dá vontade de nunca mais soltar
Mas meus olhos se preparam pra chorar
Quando chega a hora do Adeus...
Sim ainda sinto...
Sua presença efetiva em minha vida
Seu poder de mudar meus pensamentos
De acelerar por total meus batimentos
Ainda sinto você, minha querida!
SENSAÇÕES-VIAGENS
Há sensações que são barcos
enquanto velejamos
no oceano interior da vida.
Há sentimentos que são portos
num gosto adiado de chegar:
um sabor de lonjuras,
cristalizadas em azuis,
lembrando o verde das vagas
de um nômade fluir,
distantes, azulizantes...
Sensações barcos,
sentimentos portos —
enfunados de um vento azul,
indo e vindo,
daqui, dali,
azul azul azul...
Sinestesias de um viajar interno,
vestido de amplidão e pensamento
no vasto sabor anil e sal,
entre o glauco arfar das ondas
e vôos lonjuras de gaivotas...
CONSELHO
Cerca de grandes muros quem te sonhas.
Depois, onde é visível o jardim
Através do portão de grade dada,
Põe quantas flores são as mais risonhas,
Para que te conheçam só assim.
Onde ninguém o vir não ponhas nada.
Faze canteiros como os que outros têm,
Onde os olhares possam entrever
O teu jardim como lho vais mostrar.
Mas onde és teu, e nunca o vê ninguém
Deixa as flores que vêm do chão crescer
E deixa as ervas naturais medrar.
Faze de ti um duplo ser guardado;
E que ninguém, que veja e fite, possa
Saber mais que um jardim de quem tu és —
Um jardim ostensivo e reservado,
Por trás do qual a flor nativa roça
A erva tão pobre que nem tu a vês...
APAZIGUANDO A SI MESMO
(19.05.2019)
Enxergo teus olhos,
E neles quero me encharcar de sonhos!
Os mais profundos da alma,
Como da existência de todo universo.
Lembro-me dos tempos antigos,
Em se tratando das primeiras andanças...
Dos quais me levaram a conhecer,
Os ventos, os mares e sua essência.
Sim, pergunto: - Reconheces a face de outrora?
Então, nada respondes. Ficas muda.
Mudas o jeito de ser quem és,
Querendo sempre viver só.
Prendíamos um no outro,
Contudo, isso não vem acontecendo.
Á horas a pensar em retirada,
Para ter uma reflexão, além dos próprios limites.
Ler os livros do Mestre!
Apaziguando a si mesmo.
Antecipando palavras não ditas,
Silenciando as quais já foram mencionadas.
Instante
A cada instante do futuro,
Já maduro,
Como viver?
Intensamente,
Consciente,
Ou loucamente.
Seria fácil,
Se não fosse a cobrança,
Sonhos, esperança,
Deste querer sutil,
Que provoca duvidas mil,
Até mesmo assombros,
De cruel responsabilidade,
Que pousada nos ombros,
Nos da finalidade,
Na estrada de perdas e ganhos,
Nos projetando ao derradeiro final,
Já esperado,
Indesejado,
Mas de inevitável realidade,
De transparente verdade.
Só nos resta um caminho,
De lucidez,
Que é sonhar mais uma vez,
Em vestir-se de valor,
Do invólucro o AMOR.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Rio de Janeiro
19/11/2007
Medos
Nebulosa nuvem circunda meu pensamento,
Uma furtiva lágrima escorre pela face,
De repente uma tristeza corroí meu sentimento,
Ao não me sentir a direção de sua inspiração,
De ser personagem na história de seu coração.
Ah! Se eu pudesse expressar toda essa aflição,
De medo,
De angustia,
De sofreguidão,
Entranhadas na carne,
Assombradas pela solidão,
Que traz insônia,
Que tira o sossego,
Provoca dor.
Só porque desejei seu amor,
Seus beijos,
Seu olhar que traz calor,
Seus abraços de desejos,
Por mim,
Para mim,
Sentir, enfim,
Sua empolgação,
Tanto quanto demonstro por ti.
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
13/11/2007
Semana começando...
Jesus abençoando...
e a cada dia mais
vamos acreditando...
que Ele sempre tem
o melhor para nós...
o melhor caminho...
a melhor proteção...
a melhor solução...
a melhor bênção.
*Contos para uma Lua Qualquer*
"O Início De Tudo"
Viver ou Sobreviver?
Viver é algo tão relativo.
Sobreviver é uma forma de viver ou de se manter vivo?
O que faz alguém querer viver? Seria as pessoas? Seria seus sonhos?
E se por acaso não existisse? E se por acaso essas pessoas forem uma mera ilusão?
E se esses sonhos forem apenas sonhos? Algo que nunca vai se concretizar?
É interessante o fato de ter várias pessoas ao seu redor e nenhuma ao mesmo tempo.
Porque VIVER,depende de pessoas? Ou de sonhos?
Se no final,tudo isso,sonhos e pessoas vão ser esquecidos.
As pessoas vão desaparecer,e os sonhos serão esquecidos.
E no final,todos esses fatores vão para o mesmo lugar que nós.
Um lugar sombrio e vazio,onde cada migalha de terra estará sobre seu corpo e seus fatores.
Onde tudo será esquecido,e simplesmente voltará ao pó.
O esquecimento vai ser inevitável,mas ainda depois da sua morte,deixará algo.
Maior de que todos esses fatores,Prazer Legado.
De Walker Moon,Para esta Sociedade
Existência
O saber existencial
Onde saber que existimos
Mas, se comparando a tudo que
Podemos saber,
O que realmente se sabe,
Além da superficialidade,
Da atual Sociedade,
Do Racismo e preconceito
Na contemporaneidade
Ou, No que consideramos
Humanidade
Em que grande parte das vezes,
Nem sabemos se é realidade,
Ou mera ilusão,
Da grande Cidade.
Assim é e assim será
Se eu pudesse andar descalço
Na terra, pra voltar neste paladar
Teria evitado algum percalço
Pois na falta, pede-se mais amar
E neste fio de tal equilíbrio
Morre a noite e morre o dia
Pra poder nascer sem ludíbrio
A vida, na diversidade em parceria
Assim é e assim será
Entre pedregulhos e relva
A nossa também findará
É a continuidade desta selva
Pois o amanhecer é mágico
e mágica a noite que fica...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Paráfrase Alberto de Campos
cerrado goiano
Saudade
Saudade é aquele passado gostoso
Que tirou o nosso fôlego
Com o desejo de voltar
Saudade daquele olhar que me mata
Que com o olhar já me fala
Aonde eu quero estar
Saudade é o presente olhando para o passado
Daquele beijo estalado
Querendo no futuro reencontrar
Saudade dos momentos vividos
Que jamais serão vencidos
Se no futuro não ficar
Saudade é o presente instante
Da lembrança reluzente
Do clima quente que ficou no ar
Saudade é aquele suspiro
Da lembrança trazida
Daquele segundo olhar
Saudade é aquele abraço dado
Que hoje não está presente
Quem sabe no futuro voltará
Ariane Hendges
O exagero na gargalhada
O flerte no olhar
A boca sempre sabe o que falar
A certeza de ser quem é
Sensibilidade exposta no papel
Sangra palavras
Transborda escrita
Confunde rimas
Nasceu poeta ⠀
Procurando a cura do mundo, em um só segundo.
Mas me sinto seguro aqui atras do muro.
Me debruço e seguro, o que gritaria ao mundo.
Eu já não aturo, qualquer vagabundo
que se acha dono do mundo
por possuir o ouro de tolo
que desvaloriza o outro
por ter dente torto, e não de ouro.
saber,ouvir,escutar
sento-me á borda da ribeira
dizer,querer,sonhar
tudo á minha maneira
nesta noite , tão azulada
as estrelas eu vou contar
para dizer á minha amada
que vale a pena tentar
uma rosa a florir
lá no meu jardim
uma cara sorridente
olha logo para mim
