Poemas de Solidão Amor Não Correspondido
*O ente do querer *
Sentira a dor através daqueles olhos
Tão verdes, transpareciam o ente
Do querer
Crente de que tudo, não era só o que se via
De que nem tudo, era apenas uma doce ilusão
Na ternura do olhar cansado, oprimido
Cheio dos sentidos, idos e vindos
O olhar do desejo, da liberdade
Queria ter o poder, de lhe tirar a dor
O poder, entregar-lhe a vida
Onde nada faz mais sentido
Recuperar-lhe todos os sentidos
Que se perdera com toda a confusão
Restaurar-lhe a poesia, a fantasia
Um dia jaz sentida e existida.
A Prisão
Tu fora eternizado, em meu peito
Que com tão pouco tempo
Tornara tanto, aqui dentro
Desta vez, pude ver o amor
Que em mim consiste com tanta firmeza
O amor transbordou, pude sentir
Assim que me tocou
Assim que me olhou
Mesmo que de longe
Te senti em mim
Com tamanha precisão e apego
Me prendi em ti
Não há mais, como voltar atrás.
As Vagas lembranças
Nada a declarar
Apenas, sentir
Porque sem ti, não há vida em mim.
Teu amor deixaste-me em abstinência
Não há como resistir
Tudo que lhe envolve, me enlaça
Me prende e me leva a loucura.
Me dizes tu, o que fazer
Para onde correr?
Se tudo que me restou
Foi a abstinência em que me deixou
Se tudo o que restou,foram vagas lembranças
De um amor mal começado.
Me dizes tu, meu bem
O que fazer de mim, sem ti aqui.
Mar de perdições
Quero mergulhar
no mais profundo
Viajar para o universo
dos teus olhos
Ver, até onde isso irá nos levar.
Será um começo?
Ou fim
Do abismo?
Silêncios
Inspiro
Expiro
Não há nada aqui
Falta me ar!
A angustia, teima em dominar
Escrevo, para não enlouquecer
Como um animal, com sua presa
Meu Deus, o vazio
Está a me sufocar
Meu coração aperta
com todo esse sentir
Não consigo!
Não posso, não mais!
Alguém, poderia ajudar?
A carregar
Um pouco sequer, deste fardo?
Tormentas
Deixo-te estes versos
Inacabados
Vazios
Perdidos.
Deixo-te meu respirar
Pois a angustia, já tornara casa
Deixo-te, o grito mudo
E o coração aos prantos!
Meu profundo lamentar
Descanso! Preciso descansar
Jaz não sei o que pensar
Ao analisar, nada sobrara aqui
Tampouco o ar, que se perdera pelos cantos
Acho eu, ter o deixado
em alguma esquina, ou cômodo
A solidão, minha velha e única companhia
É quem diz.
O coração para, tudo silencia
Os olhos adormecem
Sua alma se desliga
Deste vasto mundo
Desta imensidão, que tanto
Lhe atormenta!
“Aprendemos conviver
com nossas cicatrizes
pra fecharmos as feridas
que o tempo
é incapaz de estancar a dor...”
Edney
1994...
Terra seca
Chorei...
Cada lágrima corrida
Deste rio de saudade,
Eu chorei...
Águas banham a terra seca
E não saciam a minha sede.
A semente do amor
Dorme tenra sem dar flores...
Mas cada gota destas lágrimas
Não se perde sem destino...
É gotas feitas o orvalho
Que alimenta o nosso amor.
Edney Valentim Araújo
1994...
Em busca
Quando tudo é só um pouco
Do muito que me poderia ser,
Eu vejo quão pequeno sou
Distante desse amor...
Ventos que te tocam
Me trazem o teu perfume
Em tenros pensamentos.
O tempo passa só lá fora,
Aqui em mim, é só você e eu...
Tudo isso me ocupa algum espaço
E não preenche o coração.
A vida é longa
Quando a caminhada
Não nos leva a lugar algum...
Mas cada passo que eu dou
Ainda é em busca desse amor.
Edney Valentim Araújo
1994...
Você me consome,
Me devora sem mesmo saber meu nome.
E o meu ser está preso em amarras,
Ansiando para que sejam Liberadas.
Me perco em tu,
Infinito.
Eternamente
O teu sorriso
Já me é eterno
Em pensamentos...
Meu coração agora é só metade
Da metade desse amor
Que me faz completo em ti.
Eu que te quero em minha vida
Pra viver eternamente ti...
Edney Valentim Araújo
1994...
é claro que a gente passa,
passa mal,
passa dias no chão,
passa dias pensando se poderia ter sido diferente,
passa noites pensando se manda ou não mensagem,
passa o dia trocando mensagens comparando o passado com o futuro,
passa algumas vezes dizendo que não sente,
mas a gente sente.
O estômago parece querer sair pra fora,
a boca seca logo depois de 3 copos de água,
a mão coça como se ali habitasse um formigueiro,
o suor toma conta mesmo com a geladeira aberta pra pensar.
as borboletas são confusas, por mais que saiam pelas nossas lágrimas, sempre resta alguma, até chegar a última;
você sente quando ela sai, a liberdade voa junto com ela.
Quando a última te chamar pra voar de novo, jamais volte pensar em prende-las em seu estômago novamente.
o enjoo é cada vez pior.
mas
sempre
passa.
Murilo Augusto
Você lembra...
Daquela noite escura...
Após as doses de rum...
Lembra da faísca...
Do quarto em chamas...
Da febre delirante...
Dos nossos corpos ardendo como magma...
Lembra da nossa dança...
Lembra do ápice...
Dos gritos...
Que acordaram o quarteirão...
Dos nossos corpos fracos...
Como se não tivéssemos ossos...
Você me fez acreditar no sobrenatural...
Pela primeira vez...
Naquela noite escura...
De odores almíscarados...
- Peguei minha mala e fui buscar a liberdade.
- e então, como foi?
- Foi sufocante!
- Não era como você imaginava?
- Pior que era!
- E o que houve?
- É que sem perceber eu me perdi na solidão.
@CarvalhoEscrito
Criança
Queria eu ser assim
Como dantes éramos,
Estarmos perto da inocência
Absolvidos pelo amor...
Porque deixar de ser criança
Onde sonhar é tão real?
Pudesse eu, como eu quero,
Eu voltaria novamente
Nesse tempo de criança
Onde os olhares se revelam,
Eu me veria em nosso mundo
Bem juntinho a minha bela
Se transformando em donzela...
Mas por que tem que ser assim?
Nossos sonhos lá pequenos
Muitas vezes crescem tanto
Que não cabem em nosso mundo,
Só agiganta o coração...
Agora ela é uma dama
Mui mais bela que outrora
Longe do mundo grande que sonhei.
Por que deixar de ser criança
Pra não estar ao lado dela?
Edney Valentim Araújo
1994...
DENTRO DA NOITE (soneto)
A luz da lua no quarto me banha
No canto do sonho a noite palpita
As estrelas, no céu no breu agita
O silêncio na escuridão entranha
O cerrado se cala, a treva vomita
Quimeras na imaginação, manha
No ouvido e no olhar, e barganha
Com as ilusões, vestida de chita
E a sombra continua a jornada
Como que, o sossego que canta
A caminho da alta madrugada...
Baralha, mistura na cor prateada
Encantada, que então se agiganta
Dentro da noite, a lua enamorada
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Outubro de 2018
Cerrado goiano
Olavobilaquiando
Porque Sonho
Toda noite que espero teu abraço
E tu chegas no silêncio do meu sono
O teu braço me acolhe, me enlaço
Teu silêncio diz que sempre ficarás
E em mim…
Nasce o instante mais tranquilo do meu sono
Porque sonho que um dia chegarás
Minha cama está vazia, só por hoje
Porque sei que amanhã tu voltarás
Porque sonho
Serei teu eternamente
No meu leito, no meu dia, no meu pranto
Serei teu na solidão, e também no abandono
Porque sonho o amanhã
Em teu cansaço, pra ser teu eu morrerei
Toda noite
No abraço que acorda o meu desejo
Serei teu de madrugada
Porque sonho que teu braço me aperta
No silêncio em nossa cama
É meu sonho te tomando
Sem palavras, sem promessas
Só dois corpos se entregando
Porque sonho
Até mesmo de manhã quando acordo
E constato que você na minha vida
Se mantém dentro de mim
Teu desenho, ganha vida toda noite…
Porque sonho todo tempo com você
Arq. Biblioteca Nacional de Lisboa
Às vezes você perde o rumo
Tem vezes que você perde a razão
Há dias que o caminho não faz mais sentido
Mudar é preciso
Conhecer pessoas novas
Trilhar um novo destino
Mas é preciso mudar pra melhor
Não ir atrás de ser perfeito
Nem buscar a perfeição
Apenas ser melhor que ontem
Isso tudo é monotonia do meu coração
0uando o mundo se expunha..
E o ter se sobrepôs ao ser
Outros e eu já nos isolávamos...
Quando o mundo já se exibia
E todos já se escolhiam como melhores seres
E
Já me refugiava na sinceridade e na minha solidão
Quando o mundo já se substitua e viajava ao mundo
E eu já me reduzia à minha insignificância
Eu já reconhecia o meu encontro
De paz e amor comigo mesmo...
Onde o mais importante é tentar ser
O seu melhor.. e não o ter.
Mas o ter predominou.
Quando o mundo já vivia do orgulho, ganância
E de interesses financeiros
Quando o mundo já vivia da opinião alheia,
Do que os outros vestem
Do que os outros seguem
Do que os outros pensam
Do que os outros vão achar
Do convencional.
Já me percebia... isolada no meu mundo
De preconceito....
Que homens e mulheres são diferentes
E que a mulher tem o doce e amargo dom
Teve que vir um vírus e te humanizar
Não sou melhor porque sou rico...
Não sou melhor porque sou casada...
Não sou melhor porque sou evangélica
Não sou melhor porque ostento ser melhor
Não sou melhor porque tenho amigos..
Sem escolha... sem critério... sem razão
Sem nada...
Não somos inatingíveis...
Somos menores que o vírus.
Insiginificantemente menor.
Quem sabe não valorizemos o que...
Ou quem realmente tem valor?!
Nas entranhas de tua teia.
Encontrei-te oh! Meu bem...
Na linha do tempo que se perdeu
Uma aurora ja vivida, tão bem esquecida
Que derepente ascendeu e fluiu.
Um riso pulsante despertou novamente
Cegando por ora as atuais trincheiras
E pôs-me num contentamento insessante
De poder me entranhar novamente em tua teia.
O lobo solitário não mais rugiu essa noite
Apenas uma melodia soou no momento
Era tua voz a bailar no meu inconsciente
Me afogando num saudar deslumbrante.
Desnudei tais olhos enegrecidos
Reacendi alvoraz chama ardente
E queimei junto a ela benevolente.
Mas nao tardou a chegada do inverno
Posto você, o maior inferno
Apagar meu fogo, minha chama.
Willas Gavronsk
