Poemas sobre o Silêncio
Flor do Campo
Flor do campo, sozinha a brilhar,
No silêncio do vento, a dançar,
Com seus delicados traços, a encantar,
A olhar e tocou-me.
Sua beleza simples, sem pretensão,
Desperta no peito uma doce emoção.
Entre as ervas verdes, a destacar,
Maravilhosa e forte, a me ensinar.
Não busca aplausos, nem quer se exibir,
Mas no seu ser, só há o florescer e a existir.
Com raízes profundas, enraizadas no chão,
Traz paz, traz luz, traz inspiração.
Flor do campo, com graça e esplendor,
Que no silêncio da vida, é o meu fervor,
Sozinha e maravilhosa, no seu esplendor
Janelas
Caminho pela cidade.
Janelas acesas
outras afundadas
no silêncio das salas.
Alguém atravessa a rua vazia,
outro espera
o semáforo piscando
na paciência da noite.
Nos passos apressados
quantos carregam
o peso do dia.
Num banco da praça
uma jovem se senta.
Chove.
Abre o guarda-chuva
não é da chuva
que se protege.
Há uma tristeza fina
caindo por dentro.
Da bolsa
tira um livro.
Abre.
Fecha.
Entre o livro
e o guarda-chuva
hesita.
A cidade segue.
E numa janela apagada
talvez alguém
também agora
aprenda
a difícil arte
de acender
ou apagar
a própria janela.
Deixar alguém no vácuo
É uma forma horrível de dizer através do silêncio
Que a pessoa em questão é meramente
Insignificante na nossa vida.
"Só quem já provou do veneno amargo das palavras, conhece o valor adocicado do silêncio."
-Aline Lopes
“O Silêncio dos Astros”
Se o céu fosse um deserto,
no brilho de um olhar eu me perderia.
E no clarão da tua luz —
meu caos se acalmaria.
As mais belas palavras
não nascem da voz,
mas do silêncio que habita o olhar.
Pois há verdades que não se dizem,
há amores que não se explicam,
há destinos que apenas se reconhecem
quando duas almas voltam a se encontrar.
Onde você esta meu ar.
Em silêncio, as estações da alma se sucedem, cada uma trazendo consigo um novo cenário, um novo reflexo no espelho do tempo. E nós, peregrinos da nossa própria jornada, precisamos aprender a respeitar o ritmo das mudanças.
Os fios brancos na barba são como flocos de neve que caem suavemente, silenciosamente, marcando o tempo que passa, a sabedoria que se acumula. Mas não é apenas a idade que nos traz sabedoria, é a capacidade de acolher cada fase da vida, de respeitar o processo de transformação.
As metamorfoses são como a alquimia do fogo, que transforma a matéria-prima da nossa existência. É um processo lento, doloroso, necessário, para que possamos emergir como seres novos, com uma nova perspectiva, uma nova compreensão.
No entanto, quando nos tornamos carrascos de nós mesmos, quando nos cobramos demais, quando nos julgamos sem piedade, nós nos perdemos no labirinto dos nossos próprios pensamentos, e nos esquecemos de que somos seres humanos, frágeis e imperfeitos.
A pausa é um tempo de gestação, um tempo de elaboração, um tempo de amadurecimento. É um tempo de silêncio, um tempo de escuta, um tempo de compreensão e de respeito por nós mesmos.
E quando finalmente nos respeitamos, quando finalmente nos acolhemos e nos amamos, nós nos sentimos como uma obra de arte que se completa, um ser humano que se torna mais autêntico, mais verdadeiro.
Nesse momento, nós nos tornamos capazes de enfrentar os desafios da vida com coragem e determinação. Nós nos tornamos capazes de nos reinventar, de encontrar um novo sentido para a nossa existência. E é assim que nós nos encontramos, no final do caminho, com a alma renovada, com a compreensão de que somos seres em constante transformação, e que cada fase da vida é um presente precioso.
Poema –Entre o Silêncio e o Pedido
O que é, afinal, um pedido de socorro?
É o grito que não sai,
ou o silêncio que ecoa por dentro?
O que é pedir ajuda?
É dizer “estou só”?
Ou é olhar ao redor
e não encontrar ninguém,
mesmo quando há tantos ali?
Há uma solidão que não se explica,
que não depende da ausência,
mas da falta de ser visto.
E então me pergunto:
como continuar?
Continuar… para quê?
Buscar compreensão?
Acolhimento?
Ou apenas um lugar
onde eu possa existir sem esforço?
Será carência…
ou é ausência mesmo?
Porque, no fundo,
acho que estou pedindo socorro.
Estou cansado de tentar.
Uma vez me disseram:
“é só viver.”
Mas como se vive
quando não se sabe o caminho?
Eu sei respirar…
mas isso não é viver.
Queria sorrir com leveza,
queria sentir que existo de verdade.
Mas sigo, como um mecanismo…
funcionando,
cumprindo,
ajudando.
E me pergunto:
é só isso?
Queria dizer que viver é simples.
Mas, às vezes,
o simples parece impossível.
Porque há dias
em que morro em silêncio,
repetidas vezes,
lembrando de tudo aquilo
que nunca saiu da imaginação.
Sonhar cansa.
Voltar à realidade cansa mais ainda.
E então retorno à mesma dúvida:
isso é um pedido de socorro…
ou só continuo existindo
para não deixar os outros caírem?
E, no meio disso tudo,
uma pergunta me atravessa
quieta, mas insistente:
será essa a vida de quem cuida?
Estender a mão
com o próprio vazio nos dedos?
Oferecer abrigo
sem ter onde repousar?
Buscar apoio…
e não encontrar?
Talvez por isso tantos silenciem,
tantos desabem por dentro,
tantos desistam sem aviso.
Uma vida dedicada a sustentar outros,
e, ainda assim,
caminhar só.
Uma vida de entrega.
Uma vida de ausência.
Uma vida de dor
que insiste em não passar
"Lá fora o silêncio paira em meio a lua e as estrelas, enquanto que aqui dentro meu conturbado coração dispara toda vez em que eu olho para você.
Nesse momento surge uma respiração profunda e demorada que se inicia dentro de mim e se espalha por todo o meu corpo me deixando em êxtase na mesma sintonia que um arrepio toma conta do meu ser me fazendo te querer o mais rápido e breve possível."
Nem todos recebem o caminho pronto.
Alguns constroem passo a passo, com esforço, silêncio e esperança.
Cada trajetória respeita seu próprio ritmo.
Não abandone aquilo que faz seu coração insistir.
O tempo revela o valor de quem permanece fiel ao que planta.
Então agora é um recomeço
Apenas eu e esse mundo sem nome
Onde o silêncio grita e o vento me chama
Preciso reencontrar aquele lado animal de novo
Rasgar a pele da rotina
Correr com os pés descalços sobre a terra crua
Sentir o cheiro da liberdade no ar
Deixar que o instinto guie, sem medo, sem freio
Que venham as noites sem estrelas
Que venham os dias sem rumo
Eu sou o grito que não se cala
Sou o fogo que não se apaga
Sou o animal que desperta
Entre o Tempo e o Silêncio
Ninguém percebeu quando começou. Talvez tenha sido no instante em que o relógio parou, ou quando o último som se dissolveu no ar como névoa. A cidade, antes pulsante, agora parecia suspensa, como se aguardasse algo que ninguém ousava nomear.
As ruas estavam intactas, mas havia uma ausência que doía. Não era medo. Era expectativa. Como se o mundo tivesse prendido a respiração.
E então, veio o sussurro.
Não pelas bocas, mas pelas paredes. Pelos espelhos. Pelos sonhos. Uma mensagem codificada em memórias esquecidas, em gestos repetidos, em olhares desviados. Algo estava voltando. Ou talvez nunca tivesse ido embora.
A pergunta não era "o que é isso?", mas "por que agora?"
Evans Araújo.
“Entre o Silêncio e a Força”
Ando fraco… mas buscando ser forte.
Tentando me manter de pé quando tudo parece querer me derrubar.
Já fui inabalável, mas minha visão se fechou como se uma névoa tivesse tomado conta do meu horizonte.
Às vezes me pergunto se foi a falta de Deus… ou as distrações do mundo que me afastaram d’Ele.
O significado das coisas mudou.
As pessoas mudaram.
Algumas foram embora, e com elas foram partes de mim que eu nem sabia que existiam.
Ficou um vazio, um eco… e a sensação de que tudo explodiu como uma bomba nuclear, deixando apenas eu e meus pensamentos. ardendo em silêncio no meio dos escombros da alma.
Mas mesmo aqui, nesse deserto de dúvidas e ruínas, algo dentro de mim ainda resiste.
Talvez seja fé.
Talvez seja esperança.
Ou talvez seja apenas a vontade de reencontrar Deus e, com Ele, o verdadeiro sentido de continuar.
Respirar em Silêncio
Quando a ansiedade bate,
não pede licença, invade.
O peito aperta, o tempo falha,
e até o ar parece fugir da sala.
Há dias em que respirar
vira arte de reaprender,
como se o mundo exigisse
um novo jeito de viver.
Inspirar, contar até três,
expirar, deixar ir de vez.
No compasso da respiração,
tento achar minha direção.
O corpo treme, a mente grita,
mas há beleza na luta quieta.
Cada suspiro é resistência,
cada pausa, uma nova crença.
Então respiro, fundo, lento,
abraçando o desalento.
E descubro, entre o caos e o medo,
que há poesia no próprio enredo.
Evans Araújo
O SILÊNCIO
Percebemos que o silêncio é traiçoeiro
Nos maltrata profundamente
Nos tira as palavras
ficamos sem respostas
Nos prendendo no calabouço da solidão
Aquele silêncio que nos aperta e tira o ar
Sufocando lentamente como ter sede
e não ter água para tomar
Morrendo devagamente
O silêncio que cerca o meu redor me enfraquecendo e me deixando só
em uma grande escuridão.
Já sobrevivi a tantos fins do mundo,
cada ruína vestida de silêncio.
E logo depois, entre cinzas e respiros,
vieram tantos Gênesis.
O fim sempre chega,
mas o começo sempre insiste em um novo renascimento.
Eu me digo o que ninguém ousa
porque o silêncio sempre cobrou caro demais.
Aprendi que não nomear
é permitir que o erro volte
com outro rosto
e a mesma violência.
Eu não fui feita para a paz passiva,
mas para a vigília.
Observar é um gesto ético.
Falar é uma forma de cuidado.
Quando digo o nome das coisas,
não crio conflitos
eu interrompo ciclos.
Não carrego culpa que não é minha.
Carrego palavras.
E palavras, quando ditas no tempo certo,
impedem a repetição do horror.
Eu falo
porque existir em silêncio
nunca me protegeu.
Lilian Morais
sozinha
já não é ausência
amadurece em silêncio
quase doce
quase liberdade
penso no que nasce
quando ninguém atravessa
minha produção sem ruído
sem moldura alheia
sem o peso do olhar que mede
o que surge de mim
talvez seja mais cru
mais meu
descubro
sou eu
Lilian Morais
Tem gente que vai ver você brilhar, vai admirar em silêncio, mas nunca vai admitir. Tem gente que vai acompanhar suas conquistas, vai aprender com seus passos, mas não vai te dar crédito, porque isso seria reconhecer o seu valor.
Tem gente que não suporta a sua alegria, a sua coragem de ser quem você é, e as suas vitórias. Tem gente que não vai te apoiar, mas também não vai conseguir tirar os olhos do seu caminho! Mas entenda: pessoas assim têm um papel importante. Elas nos mostram a importância de confiar em nós mesmos, de valorizar nossas próprias conquistas sem depender do aplauso dos outros.
No fim das contas, é sobre seguir em frente, com a cabeça erguida, sabendo que a maior validação vem de dentro. Continue sendo você, brilhando, conquistando, porque a sua jornada é única, e ninguém pode tirar isso de você.
Na profundidade de um silêncio sereno, surge uma fonte de sabedoria,
Fluindo incessante, como rio de luz, em busca de verdades etéreas.
Indagações profundas ecoam no vento, perguntando sobre a vida,
E a fonte, sábia e paciente, responde com serenidade e graça.
"O que é a vida?", pergunta uma alma inquieta,
E a fonte murmura, com voz de veludo e mistério:
"A vida é o compasso do tempo no vasto cosmos,
É a dança do acaso e da intenção, entrelaçando destinos."
"De onde viemos?", indaga um espírito curioso,
E a fonte responde, com a calma da eternidade:
"Viemos das estrelas, do pó do infinito,
Semeados pela vontade divina, crescemos como árvores cósmicas."
"Qual o propósito do nosso ser?", questiona o buscador incansável,
E a fonte, sábia como sempre, revela:
"Nosso propósito é descobrir a luz oculta dentro de nós,
Transformar o conhecimento em sabedoria, e a sabedoria em amor."
"Por que sofremos?", sussurra uma voz em meio às lágrimas,
E a fonte responde, como mãe acolhedora:
"O sofrimento é a forja onde se tempera a alma,
É o fogo que purifica e transforma, revelando a essência verdadeira."
A fonte de sabedoria, eterna e imutável,
Reflete as estrelas em suas águas claras,
Cada resposta, um reflexo de verdades antigas,
Cada pergunta, um passo na jornada da alma.
Ao final, a alma compreende que a fonte não está fora,
Mas dentro de cada ser, em cada coração que busca.
A sabedoria é a viagem e o destino, a pergunta e a resposta,
É a chama eterna que ilumina o caminho do autoconhecimento.
E assim, no silêncio da noite, sob o manto das estrelas,
A fonte continua a fluir, incessante e luminosa,
Guiando os buscadores, os curiosos, os aflitos,
Para a verdade suprema: o encontro consigo mesmo.
