Poemas sobre o Silêncio

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Eu me digo o que ninguém ousa
porque o silêncio sempre cobrou caro demais.
Aprendi que não nomear
é permitir que o erro volte
com outro rosto
e a mesma violência.
Eu não fui feita para a paz passiva,
mas para a vigília.
Observar é um gesto ético.
Falar é uma forma de cuidado.
Quando digo o nome das coisas,
não crio conflitos
eu interrompo ciclos.
Não carrego culpa que não é minha.
Carrego palavras.
E palavras, quando ditas no tempo certo,
impedem a repetição do horror.
Eu falo
porque existir em silêncio
nunca me protegeu.

Lilian Morais

sozinha

já não é ausência
amadurece em silêncio
quase doce
quase liberdade
penso no que nasce
quando ninguém atravessa
minha produção sem ruído
sem moldura alheia
sem o peso do olhar que mede
o que surge de mim
talvez seja mais cru
mais meu
descubro
sou eu
Lilian Morais

Conversem!
Conversem sempre
sobre tudo!
Porque o silêncio são pedras.
E pedras são muros, e muros dividem.

Tem dores que não fazem barulho…
mas mudam tudo por dentro.
Foi no silêncio que eu me refiz.
— Lene Dantas

Porque a vida exige coragem,
até nos dias em que a alma
dói em silêncio.


Naldha Alves

"O silêncio dos fortes é mais barulhento que mil discursos."


Naldha Alves (@naldhaalves)

Doer até o osso


Doer não é só lágrima,
é silêncio que grita.
É acordar com o peito rasgado
e ainda assim vestir coragem.
É morder o próprio choro
para não desmoronar
diante do mundo.
Ninguém vê a noite sem fim,
apenas aplaudem quando
você se levanta.
No fundo, ser forte não é
vitória, é sobreviver
sangrando,
com a alma em carne viva.


Naldha Alves

Me desculpe, estou partindo, não consigo amar você.


Meu silêncio te incomoda a cada instante, não consigo mais te ver.


Não falamos, nenhuma palavra, não quero me despedir...


Meu silêncio te incomoda e não me sinto bem...


Não consigo amar você.


Me desculpe estou partindo...


Não podemos mais viver assim...


Me desculpe estou partindo dessa história, não consigo mais te ver.


Estranha história essa nossa...


Não consigo mais te olhar...


Meu silêncio te incomoda a cada instante, não consigo mais te ver, já te amei muito e gostei tanto de você...


Me desculpe estou partindo, eu não quero amar você.

Anos atrás, encarei a morte.
Mas não foi ela quem decidiu.
Ouvi no silêncio do espiritual: “Ainda não é o tempo.
Antes, a justiça precisa passar, a verdade precisa aparecer,
e o que foi feito na sombra será cobrado na luz.”
Hoje eu sigo entendendo:
não permaneço por acaso,
permaneço por missão.
Enquanto Deus não fecha o ciclo,
ninguém me leva.

O DESPERTA DO SER
​A espiritualidade não habita no que reluz,
mas no silêncio que a sombra produz.
É no escuro do peito, longe do vitral,
que pulsa a verdade, crua e visceral.
​Não és o que vêm, nem o que dizes ser.
És o espaço imenso entre o querer e o fazer.
​Quebre o vidro. Deixe a poeira entrar.
A essência só respira quando para de encenar.
O propósito não é ser o melhor espelho do mundo,
mas mergulhar no próprio abismo, calmo e profundo.
​Só quem desiste de ser vitrine para os outros,
consegue, enfim, ser templo para si mesmo.

Tem coisas que a gente guarda em silêncio por muito tempo.

Pequenas expectativas,
daquelas simples…
mas cheias de significado.

Imaginar o primeiro instante,
o primeiro olhar,
o primeiro sentir.

Como se alguns momentos
merecessem ser vividos
com calma,
com presença,
com verdade.

Mas nem sempre é assim.

Às vezes,
quando a gente chega,
o instante já aconteceu.

E fica uma sensação difícil de explicar,
de ter esperado tanto por algo…
e encontrar ele já vivido,
já ocupado,
já passado.

Não muda o que é.
Mas muda o que foi sentido.

E o mais estranho
é que por fora, nada falta.

Mas por dentro,
fica um pequeno vazio,
de algo que a gente só queria ter vivido
desde o começo.

Fumaça cobre o rosto, a máscara a dor,
No silêncio ardente, pulsa o sangue, o terror.
O ar pesado guarda o eco do temor,
Cada suspiro anuncia meu próprio horror.

A dor da saudade em mim, ordena-me silêncio, reflexão e as luzes apagadas.
Tudo no escuro...




Carlos De Castro

No silêncio, coisas lindas estão acontecendo dentro de você…
crescimento, cura e novos começos.

Nem tudo precisa ser visto,
o que é verdadeiro… floresce em paz.

Minha pesquisa atua na tensão entre silêncio e forma, onde o íntimo se afirma como presença.
A partir desse território, expande-se para questões coletivas e políticas, atravessando os impactos da colonização, as violências contra povos indígenas e mulheres, e os conflitos ambientais ligados à monocultura do eucalipto, ao uso do mercúrio e à exploração de energia fóssil.
Lilian Morais

No início, nada parecia fazer sentido. As paredes respiravam silêncio, as janelas guardavam ventos antigos e o chão, sem pressa, recolhia sombras como quem cole uma memória perdida. Havia um rumor sem origem, um eco suspenso, e no centro desse estranho equilíbrio caminhava o tempo, o Cronos, com seus pés invisíveis, costurando instantes sobre a carne do mundo.
Tudo era confuso apenas para os olhos apressados. Porque o caos, quando visto de perto, parece ruína; mas, quando atravessado pela alma, revela desenho. O Cronos não destruía: lapidava. Tirava nomes, mudava formas, envelhecia certezas, para que o essencial pudesse emergir sem ornamento. Era ele quem partia as horas para que delas nascessem sentido, saudade, retorno e transformação.
Então compreendi que o início não era ausência de lógica, mas excesso de mistério. Nada parecia encaixar porque tudo estava vivo demais, pulsando antes da forma. E o maior sentido estava justamente nisso: no invisível alinhamento entre perda e descoberta, entre demora e revelação, entre o que termina em nós e o que, pelo tempo, finalmente começa. Como rio secreto, Cronos sorria no escuro, sabendo que cada desencontro também era destino antigo.

"Gosto de você…


Gosto de como a sua alma encontra a minha dando lugar ao silêncio.


Gosto de como suas mãos se perdem em mim, fazendo o coração romper o silêncio de nossas almas.


Gosto de como seus olhos encontram os meus e, neles, eu me perco — não por descuido,
mas por querer ficar.


Gosto de como me embriago no seu cheiro, misturado ao ar que eu respiro.


Gosto de como sua presença ocupa espaçoe transforma tudo em morada.


Gosto de como, aos poucos, nos entregamos sob a luz do luar, em que as palavras dão lugar ao amor que sinto
toda vez que te sinto.


Gosto de você".

**O Momento que Não Foi**


Guardei em silêncio
um instante que ainda não existia,
mas já tinha forma dentro de mim.


Não era pressa,
nem era urgência —
era cuidado com o sentir.


Eu sabia exatamente
como seria o primeiro toque,
o primeiro olhar,
o primeiro respirar daquele espaço.


Mas o tempo…
ah, o tempo não pediu licença.


Quando eu cheguei,
o momento já tinha passado por ali,
já tinha sido vivido,
já não era mais começo.


E o mais estranho é que, por fora,
nada faltava.


Mas por dentro,
ficou um vazio manso,
daqueles que não gritam,
só permanecem.


Não é sobre quem esteve,
nunca foi.


É sobre o significado
que morava ali antes de tudo.


Sobre o que eu esperei sentir
e não coube mais naquele instante.


Ainda assim, eu sigo.


Com o que restou,
com o que é,
com o que ficou em mim.


Porque nem todo começo
a gente consegue viver…


mas todo sentimento verdadeiro
a gente aprende a carregar.

"No encontro comigo mesma, há um silêncio que me devora."
Amara Antara
.

Na ausência, teu nome é chama, que arde sem se apagar. Cada silêncio é um grito contido, cada noite, um mar sem fim.


Tentei vestir a razão, mas ela se desfaz em tuas lembranças. A maturidade é frágil diante do coração, que insiste em te chamar, mesmo no vazio.


A saudade é amante ciumenta, não aceita despedidas, não conhece limites. Ela invade como tempestade, me arrasta para o centro do teu olhar.


E eu, perdido em tua ausência, te encontro em cada sombra, em cada perfume esquecido, em cada palavra que não disse.


Se o tempo é cruel, o amor é eterno. E mesmo longe, teu abraço é o destino que nunca se desfaz.


Tatianne Ernesto S. Passaes