Poemas sobre o Silêncio
És verso
Há o barulho do silêncio, na tépida madrugada.
A chuva que rola solta pela areia seca de uma duna em movimento.
O brilho do sol por trás da noite enluarada,
A cantiga nova repelida do firmamento,
As vozes de uma multidão numa cabeça já cansada.
A fantasia na realidade digerida
Transforma em cantos o redondo dessa vida.
Sem fome num banquete já servido,
Gritaria aos milhares se pelo menos um tivesse ouvido.
Indaga-se a renúncia da pena quando faltam letras,
Procura-se a poesia no campo já florido.
Num alarido majestoso colheu a flor solitária de um buquê róseo,
Há um pouco de tudo em tudo que vemos.
Há o barulho do silêncio, na tépida madrugada.
A chuva que rola solta pela areia seca de uma duna em movimento.
O brilho do sol por trás da noite enluarada,
A cantiga nova repelida do firmamento,
As vozes de uma multidão numa cabeça já cansada.
A fantasia na realidade digerida
Transforma em cantos o redondo dessa vida.
Sem fome num banquete já servido,
Gritaria aos milhares se pelo menos um tivesse ouvido.
Indaga-se a renúncia da pena quando faltam letras,
Procura-se a poesia no campo já florido.
Em sílabas mortas o guardião fez moradia.
Trancou a porta e se afogou na água fria.
Sentiu-se imponente sob o sol da manhã
Gotejou lampejos de suplício na tarde vã.
Lutando contra o mundo, soldado único se fazia.
Num alarido majestoso colheu a flor solitária de um buquê róseo,
e presenteou suas lembranças no esquecimento da sua história... (Júlio Raizer)
Vô
Hoje sentei em silêncio e deixei as lembranças falarem mais alto. Fechei os olhos e quase pude sentir o cheiro do seu café fresco, o som da sua risada ecoando pela casa, e o calor do seu abraço, aquele que sempre foi meu lugar seguro no mundo.
Não há um dia sequer em que eu não sinta saudade. Saudades dos seus conselhos sussurrando com sabedoria, das histórias que você contava com olhos brilhando de emoção. Cada pedacinho do meu coração carrega um fragmento seu.
Vc me ensinou tanto sem precisar de muitas palavras. O jeito como cuidava de todos, como fazia da simplicidade um encanto, cm transformava dias comuns em memórias eternas... Tudo isso ficou comigo. Você segue vivo nos detalhes, no que sou, no que levo.
Obrigado, vô, por tudo que foi, por tudo que é em mim. A saudades é grande.
Com carinho da neta que nunca vai te esquecer. 🤍
Acreditar
mesmo quando o balde continua seco,
mesmo quando o eco só devolve silêncio.
Acreditar
com as mãos calejadas de quem rega o nada,
com o peito rachado de quem ainda espera.
Não é fé cega.
É teimosia santa.
É continuar enchendo
o que o mundo insiste em esvaziar.
E um dia, sem aviso,
o balde vai transbordar.
O Silêncio
A luz apaga
O sopro para
O corpo cansa
A alma lança
Um voo leve
Tão breve.
O frio chega
A vida nega
A terra chama
Quem tanto ama
Fica a saudade
A eternidade
A dor profunda
A paz inunda.
mas que exista
Feche seus olhos...
Tem um silêncio no ar
Não deixe eu me perder
Nos meus sonhos
Faça se tornar real
Eu me perdi de alguma forma
Uma parte se foi com você
O inverno chegou e
Está tão frio...
Tudo era tão bom,
Desde o momento em que nos tocamos
O tempo parou...
E agora ando perdida sem rumo,
Sem teu abrigo,
A luz está se apagando
Uma lágrima cai em sua mão
É um dia eterno de inverno
Existe uma dor que não grita… ela fica em silêncio, morando no peito todos os dias.
É a dor de saber que quem você mais ama está em um lugar onde o medo é rotina e a incerteza é constante.
Ter um filho na guerra não é só sentir saudade…
é aprender a conviver com o invisível, com o que ninguém vê, mas que machuca o tempo inteiro.
Mas, junto com essa dor, existe algo que me sustenta: o orgulho.
Orgulho pela coragem dele.
Pela força que eu sei que carrega.
Pelo homem que se tornou, mesmo em meio ao caos.
Eu sinto medo… todos os dias.
Mas também sinto um amor que nenhuma guerra é capaz de destruir.
E é esse amor que me mantém de pé.
Dra. Erica Alvim Lyra
O silêncio é um grito que escolheu respirar fundo.
Carrega verdades que a boca não sustenta
e ecos que só a alma sabe escutar.
Existem ajudas que custam caro demais para a nossa paz.
Prefiro o peso do meu silêncio ao preço de um favor jogado na cara.
Quem não pode estender a mão, também não precisa conhecer o tamanho da minha luta.
A integridade do silêncio.
Existe um cansaço silencioso em tentar caber onde o espaço é pequeno demais para a nossa verdade. Muitas vezes, a gente se sente deslocado, como se a nossa frequência não sintonizasse com o que a maioria aceita sem questionar.
Mas esse "não pertencer" é, na verdade, um filtro de purificação.
Assim como o mar devolve à areia o que não pertence às suas profundezas, a vida afasta você de dinâmicas que apenas diluiriam a sua essência.
Estar fora de certos grupos não é um sinal de rejeição; é o sinal de que sua estrutura é sólida demais para ser moldada pelo barulho das opiniões vazias.
Não se assuste com o vazio de alguns lugares. Um diamante não concorre com cascalho, e o silêncio de quem busca profundidade é o que permite ouvir o que realmente importa. Quem caminha com calma acaba descobrindo que não precisa estar em todo lugar, mas apenas onde a alma consegue respirar.
No fim, o que parecia solidão era apenas você sendo preservado para o que é autêntico.
Ao deixarmos os metais fora do templo, no silêncio e na respiração profunda, os corações alinham-se numa mesma cadência e nasce a sintonia entre irmãos.
João Pestana Dias
RITO PORTUGUÊS
Minha alma sobe a montanha
e abraça a natureza de Campos do Jordão.
No silêncio poético do clima, repousam o amor e o acolhimento.
Reno Fioraso
“Crescer foi entender que nem todo silêncio é falta de tempo… às vezes é falta de interesse.
Então parei de insistir em quem nunca perguntava por mim,
e passei a cuidar só de quem faz questão de me ter por perto.”
O Encontro dos Contrastes.
Ele era o silêncio das bibliotecas antigas, O cheiro de papel velho e o peso do que foi escrito.
Um verso pausado, uma nota que hesita,
Vivendo no rastro do que é finito e restrito.
Ela era o eco das praças lotadas, O vento que bagunça o cabelo e a alma.
Um riso solto em esquinas geladas,
A pressa que ignora o convite da calma.
A Geometria do Destino
Não havia lógica no mapa que os guiava,
Pois um buscava o norte, o outro a imensidão.
Mas o destino, esse artesão que não errava,
Tinha planos traçados na palma da mão.
- Distintas? Como o fogo e o sereno.
- Opostas? Como o abismo e o luar.
- Destinadas? Como o rio, ainda pequeno,
Que não conhece outro caminho senão o mar.
A União dos Avessos
Quando se olharam, o tempo perdeu a medida,
As arestas se moldaram em perfeito encaixe.
Ele deu a ela o porto, a raiz, a guarida;
Ela deu a ele o voo, sem que ele baixasse.
Pois almas diferentes não buscam o igual,
Buscam o que falta, o que completa o desenho.
E no abraço que funde o mortal e o imortal,
Descobrem que o amor é o seu único empenho.
"Duas metades que não se parecem, mas que, ao se tocarem, finalmente se reconhecem."
Solidão ou Solitude?
Há um instante em que o silêncio pesa,
como se o mundo tivesse esquecido o meu nome.
A casa respira devagar,
e cada canto guarda um eco que não responde.
Chamavam isso de solidão.
Mas o tempo, esse artesão invisível,
foi mudando a textura dos dias.
O vazio deixou de ser ausência
e virou espaço.
Aprendi a ouvir o que antes doía:
o som do vento na janela,
o compasso tranquilo do meu próprio existir,
a leveza de não precisar ser para ninguém além de mim.
E então, quase sem perceber,
a solidão se desfez em outra coisa—
mais mansa, mais inteira.
Virou solitude.
Agora, o silêncio não pesa: acolhe.
Não cobra: oferece.
É um lugar onde me encontro
sem pressa, sem ruído, sem máscara.
E nesse encontro sereno,
descubro que nunca estive só—
apenas não tinha ainda aprendido
a me fazer companhia.
Ahhh Saudade
Saudade não é apenas palavra,
é um estado que habita o peito,
um silêncio que fala alto
mesmo quando tudo parece perfeito.
É brisa leve que às vezes passa,
mas também pode ser tempestade,
transitória como nuvem no céu
ou eterna como a própria verdade.
Carrega em si uma dor estranha,
daquelas que não ferem só — transformam,
e no fundo desse aperto doce
há lembranças que aquecem e confortam.
Poetas tentam traduzi-la em versos,
apaixonados a sentem sem medida,
pois a saudade é esse elo invisível
que liga ausência e presença na vida.
E o melhor dela… ah, o melhor momento,
é quando o reencontro acontece enfim:
explode no peito como festa viva,
fogos no coração sem ter fim.
Um turbilhão de sentidos confusos,
um sentir que não cabe em explicação,
é a alma sorrindo por dentro
quando encontra o que ama o coração.
Atila Negri
Entre Luz e Sombras
Na vida...
às vezes sou mocinha.
Outras vezes... vilã.
E no silêncio entre um papel e outro,
me pergunto:
quem sou eu… afinal?
Nunca sei quem fui
nos olhos de quem me viu partir.
Nunca sei quem sou
no reflexo de quem insiste em me definir.
Se faço o bem...
me julgam mal
Se tropeço no mal...
alguém encontra em mim um bem que nem sei explicar.
Que lógica é essa
que me atravessa
e me desfaz?
Eu erro…
tentando desesperadamente acertar.
E acerto…
quando já não me preocupo mais em errar.
Ironia essa...
Como se a vida risse
da minha tentativa de controle.
Sou luz?
Ou sou escuridão?
E por mais que eu procure respostas,
a verdade me escapa…
como água entre os dedos.
Porque, no fundo,
quem diz quem somos
não somos nós.
É o olhar que nos acolhe,
ou o julgamento que nos corta.
É quem nos vê…
que nos inventa.
E eu?
Eu me desconheço.
Sou verdade?
Ou sou invenção de versões
que criaram de mim?
O que escondo…
até de mim mesma?
Há mistérios no meu peito
que nem minha coragem alcança.
Sentimentos que existem…
mas nunca tiveram permissão para nascer em palavras.
E assim eu sigo…
fragmentada…
contraditória…
humana.
Sendo mil em uma,
e ainda assim… incompleta.
Talvez…
a grande verdade
não seja descobrir quem somos.
Mas aceitar…
que somos feitos de perguntas.
E não de respostas.
Deus Fala no Silêncio
Feche os olhos por um instante,
serene a mente
e permita que o silêncio alcance o seu coração.
É ali, na quietude da alma,
que Deus costuma falar.
Ele se revela na calma que chega sem aviso,
na paz que envolve o peito
e na doce certeza
de que tudo está sendo cuidado.
Deus não precisa gritar para ser ouvido.
Muitas vezes Ele apenas sussurra amor
no coração de quem aprende
a silenciar para escutar.
Simone Cruvinel
Sol de Silêncio
Você é como um sol manso
que nasce sem fazer barulho
e, mesmo em silêncio,
ilumina tudo dentro de mim.
Às vezes sua luz me deixa assim…
como o céu diante do amanhecer:
tão cheio de cores
que nenhuma palavra consegue explicar.
Há um calor sereno em sua presença,
desses que despertam a vida na aurora
e ensinam, com a mesma ternura,
que também existe a hora de repousar.
E eu, como terra que recebe a luz,
apenas sinto, em silêncio,
que há amores que não precisam dizer nada.
Eles apenas existem…
como o sol no céu.
Simone Cruvinel
