Poemas sobre saudade para transformar ausência em palavra

Saudade é tipo visita sem aviso:
chega, senta no peito…
e não pergunta se pode ficar.


⁠⁠SAUDADE REMOTA
Distante, num tempo bem distante daqui, o vi caminhando...
Parecia sem destino, pássaro ferido, que viajava entre mundos povos e dimensões,
Somente eu conseguia vê-lo e enxergar suas asas quebradas, somente eu conseguia alcançá-lo.
Impossível?
Talvez.
Mas aconteceu.
O meu desejo de tentar desvendar seus mistérios fosse tamanho, que me permitiu de repente ver muito mais do que imagens.
Eu entrei, dentro de seus pensamentos... E, li saudades, indecisão, certezas. Traumas, dores, ousadias enfim todas as nossas tragédias e dramas subterrâneos... mas ainda tocando ao fundo uma música em sua alma, o amor seu denso amor mantinha viva a esperança no futuro.
Ouvia ele dizendo para a si mesmo com uma lágrima invisível escorrendo pelo rosto. “Sinto saudades de quando você me levava pra ver a luz”. Eu me apaixonaria por você num instante, mas nunca deixei de amá-lo, mas prefiro continuar distante, sinto ciúmes e até uma dor por saber que outra esta contigo, mas talvez ela jamais possa fazer tão parte de ti quanto eu, que posso ouvir também seus pensamentos, apenas fechando meus olhos.
Pra estar contigo faço carinhos imaginários, te levo comigo nas noites e nos sonhos me perco.
Do alto de uma pedra eu o contemplei e uma leve brisa me tocava os meus cabelos, me imaginei fazendo caricias sobre o oceano, te vi entre as ruínas, seu olhar verde azulado foi o elo que me despertou para o infinito, o pássaro podia novamente sentir suas asas abertas, curadas e dançando com o vento.
Então ela acordou....
Beijos
Rê Pinheiro

TENHO SAUDADES DE TI MEU QUERIDO PORTUGAL
Poeta Brithowisckys
De heroicos patrícios o berço de bravos mares,
Terra de sonhos, do fandango, de luzes e fados,
Entre vinhedos de Dionísio e versos singulares,
Ecos de glórias ainda ecoam em tempo passado.

Camões encantou-se e cantou-te em épicas rimas,
Navegadores destemidos desbravaram o além-mar,
Fernando, com alma não tão pequena, te fez em acima,
Poema e amor à pátria portuguesa no verso que tem.

Lusitanos raiz, teus vinhos são sangue da terra antiga,
Mistério adocicado de almas em taças de cristais vertidas,
A cada gole, a história simbiótica que a vida longa abriga
O gosto eterno das mãos amigas sempre estendidas.

Ó velha Portugal, de brisas suaves, do Rio Douro na foz do Porto
Onde o sol parece beijar o mar no belo e encantador entardecer
Onde o Tejo murmura canções antigas e o Algarve incorporou
Que a alma lusitana jamais se acabe nem aqui nem além-mares
Bate no peito heroico de mil gerações o orgulho das naus de Cabral.
Tenho saudade de ti, da Torre de Belém, meu querido Portugal

Já parou pra pensar e reparou que a saudade é a necessidade de algo ou de alguém que um dia nos fez bem ou feliz, entretanto se não lembramos, se não vemos, acabamos não sentindo falta, com tudo não sentimos saudades nem muito menos necessidade, reviva, relembre, reveja, lugares,pessoas,viagens, paisagens, mesmo estando distante ou sem acesso assim por um momento serás feliz e darás um espanto naquilo que quando lembra faz o peito apertar ou faz com venha a se animar, sua energia te apresenta antes mesmo que venha a dar uma só palavra em algum lugar...


-Por João Elivaldo-

Você mexeu com as minhas certezas, e foi embora.
Porque a ausência grita mais que a presença?
Porque anda no meu pensamento, se não me quis na sua vida. E ainda assim.
I miss you.

⁠Eu não vou negar que homem chora,
porque as vezes eu choro,
de saudade,
da felicidade,
do seu colo!

Saudade imensa do meu pai.
Partiu numa véspera do Dia de São Francisco.
Sentimento de tempo não aproveitado, amor insuficientemente demonstrado, abraços e beijos guardados para um tempo que não chegou a acontecer.
Que bom seria se fosse proibido aos pais partirem antes da aposentadoria dos filhos...

Você é meu pecado
E eu sou o seu pecado
É normal sentir saudades?
Sentir o teu cheiro em meu corpo?
Você me fala dos cabelos meus em você
Eu falo que sua boca é doce
Sinto como se você me elevasse
Posso ver anjos
Sinto como se fosse uma rosa sagrada e você me penetrasse a alma
Estamos iluminados por uma luz maior que nos guia
É como se o seu DNA se entrelaçasse no meu e descobrisse que somos partes primordiais um do outro
É como se eu tivesse uma espécie de déjà vu todas as vezes que estou em tua presença
Dizendo apenas sim, não conseguimos dizer não e apenas continuamos aquilo que já é infinito.

Eu sinto


O teu abraço, eu quero,
os teus beijos, eu gosto,
o teu amor, eu desejo,
a saudade de nós, eu sinto.

A PROCURA DA EXTENSÃO
(Mãe)

Tua luz agora ilumina o infinito, mas deixou essa saudade que é perene. A falta do teu colo, do teu conforto e de nossos abraços e olhares simbióticos, que se fundiam num só elo de amor, agora está corrompido em fragmentos de dor. Minha extensão você levou...

Lu Lena / 2026

O CORDÃO QUE SE ROMPEU


(Onde a biologia termina, a saudade transborda)


Sinto um vazio em mim, você levou junto meu cordão umbilical,


me sinto avulsa no mundo, devolva minha essência para que através dela eu volte a dormir em posição fetal,


do mesmo modo que me protegias no líquido amniótico de teu útero...


Mãe!


Lu Lena / 2026

Vem o vento frio,
Leva a saudade pra longe,
Lágrimas no mar.

Lu Lena / 2026

GOTEIRAS DA INFÂNCIA
(No chão que a saudade regou)

Quando criança, eu achava que a chuva era o choro de Deus. Hoje, compreendo que aquela visão pueril não trazia goteiras de melancolia, mas sim o orvalho que preparava o solo fértil; essa lembrança desenhava, o tempo todo, o meu chão para que a vida pudesse, enfim, brotar e florescer. Mesmo que, no decorrer desse caminho, alguma flor murche, ela não morre, pois Deus sempre me estende um regador.

Lu Lena / 2026

FOI APENAS UM SONHO...

Acordei com saudade de alguém…
Quem?
Não sei…sonhei!

​LÁPIDE DA ALMA
(​A peregrinação final da saudade)

​Nas lágrimas que borram o céu altivo,
vejo a lua que chora, triste e sombria;
as estrelas, espremidas e sem brilho,
na trágica sina de minha melancolia.
​No vão oco e obscuro de minha incoerência,
busco-te num coração flagelado e de luto;
perambulando em busca de minha existência,
sou peregrina enclausurada num reduto.
​Teu sorriso disperso na luz do luar eu vi...
sigo nesse destino que congela e paralisa,
nesse arrebatamento transfigurado em ti.
​Saudade enegrecida que causa tanto tormento,
círculo vicioso que entorpece e me agoniza…
Diante da lápide, minhas lágrimas borram o teu retrato,
e o vazio, enfim, em mim se eterniza.

​Lu Lena / 2026

É estranho sentir saudade de alguém que ainda respira,
que ainda acorda todos os dias,
que talvez até sorria…
mas que morreu dentro da nossa história.

O luto de um amor vivo não tem flores,
não tem velório,
não tem pessoas dizendo “vai passar”.
Porque ninguém entende a dor de perder alguém
que continua existindo por aí,
como se nada tivesse acontecido.

E enquanto o mundo segue,
a gente tenta juntar os pedaços
de uma versão nossa
que só existia quando aquele amor ainda ficava.

Você se tornou o tipo de saudade
que aparece do nada.

No meio do dia.
No meio de uma risada.
No meio de uma música qualquer.

E por alguns segundos,
o mundo inteiro perde a cor,
porque meu coração ainda procura
um lugar onde você costumava estar.

Bah…
tu virou saudade antes mesmo de virar passado.

E eu sigo aqui,
tentando ser forte igual gaúcho aprende a ser,
mas tem ausência tua
que nem o vento minuano consegue esfriar.

O coração até tenta seguir estrada,
mas toda vez que lembro do teu jeito,
é como se a alma parasse na cancela
esperando alguém que não vai mais voltar.

Bah…
tem saudade que nem mate amargo adoça.

O luto de um amor vivo é coisa triste, vivente.
Porque a gente segue andando,
sorrindo nas rodas,
arrumando o cabelo,
fazendo tudo certo…
mas por dentro o coração fica parado
na última vez que aquele amor olhou pra nós com carinho.

E pior que ele ainda existe.
Respira o mesmo céu,
anda pelas mesmas ruas,
mas já não pertence mais ao nosso abraço.

O amor acabou pra ti.
Mas em mim,
ele virou saudade.

E bah…
que saudade dolorida.

Da tua voz,
do teu jeito,
das conversas demoradas,
das promessas simples
que eu jurava que iam durar uma vida inteira.

Hoje eu entendo:
tem gente que não morre na nossa vida.
Só vira ausência permanente dentro do peito.