Poemas de quem Deu um Fora
Arrumação
Josefina sai cá fora e vem vê
Olha os forro ramiado vai chuvê
Vai trimina riduzi toda criação
Das bandas de lá do ri gavião
Chiquera pra cá já ronca o truvão
Futuca a tuia, pega o catadô
Vamo planta feijão no pó
Futuca a tuia, pega o catadô
Vamo planta feijão no pó
Mãe purdença inda num cuieu o ai
O ai roxo dessa lavora tardã
Diligença pega panicum balai
Vai cum tua irmã, vai num pulo só
Vai cuiê o ai, o ai da tua avó
Lua nova sussarana vai passá
Sêda branca, na passada ela levô
Ponta d´unha, lua fina risca o céu
A onça prisunha, a cara de réu
O pai do chiquêro a gata comeu
Foi um trovejo c´ua zagaia só
Foi tanto sangue que dá dó
Os cigano já subiro bêra ri
É só danos, todo ano nunca vi
Paciênca, já num guento as pirsiguição
Já só caco véi nesse meu sertão
Tudo que juntei foi só pra ladrão
Hoje eu vou mudar
vasculhar minhas gavetas
jogar fora sentimentos
e ressentimentos tolos
deixar de ser menina
pra ser mulher....
não posso tentar de tudo
mais posso falar para o mundo
que te amo não só por fora,
mais la no fundo.
e se respiro fundo ?
o meo amOr ta mais profundo.
Quero e peço a Deus
Que abra uma porta no seu coração
Pra mim entrar
E jogar a chave fora,
E ter vc pela eternidade
A nossa vida não tinha dentro. Éramos fora e outros. Desconhecíamo-
nos. como se houvéssemos aparecido às nossas almas
depois de uma viagem através de sonhos. . .
Tínhamo-nos esquecido do tempo, e o espaço imenso empequenara-
se-nos na atenção. Fora daquelas árvores próximas,
daquelas latadas afastadas, daqueles montes últimos no horizonte
haveria alguma cousa de real, de merecedor do olhar aberto
que se dá às cousas que existem?. . .
Na clepsidra da nossa imperfeição gotas regulares de sonho
marcavam horas irreais. . . Nada vale a pena, ó meu amor longínquo,
senão o saber como é suave saber que nada vale a pena. . .
Destinos
Lá fora caem gotas d’água; é a chuva.
Escorrem gotas no meu rosto; é dor.
Chuva que cobre o sol, acaba o dia.
Dor vem disfarçada pelo sorriso.
O passado me entristece, por que?
Foi quando, um dia, decidi te esquecer.
O passado me alegra, é você!
Hoje eu, ainda, só sei te querer.
O meu destino não quer me ajudar,
O vento vem pra trazer teu perfume.
Ele me atormenta só de pensar
Já entendi que devo te esquecer
Só não aprendi a não te querer
Me ajude, por favor, com seu amor.
Se amar voce é crime será que estou fora da lei?
será que a rasão de amar é conhecer tudo que sentimos?
será que a vida nos ensina a viver?
as perguntas que nós nos fazemos, as vezes nem tem sentido mais todas as respostas nos fará bem a amanhã
"Daquele que amo
quero o nome, a fome
e a memória. Quero
o agora. O dentro e o fora,
o passado e o futuro.
Quero tudo: o que falta
e o que sobra
o óbvio e o absurdo."
“Outra noite sombria”
O meu dia fora carregado apenas de perfeição, para onde caminhava, tudo me sorria, um minuto exacerbado... não me atingia.
Os beijos e abraços, soberba magia, demoras e atrasos, isto não existia, a fera estava amansada, nada mais, muita alegria.
Os desejos, os pedidos, mera esperança em vão, a noite se aproximava, o tempo não parava e o minuto corria.
O dia disse até logo, deixando a paz para o próximo dia, todo sonho se tornou incerto, aguardava pela covardia.
Os fantasmas me apunhalavam, a sede de vingança, isto sim existia, queria uma noite silenciosa; meu pecado enfim... não permitia.
Vem cá fora ver como o céu está lindo
Uma brisa outonal percorre os caminhos, e vês?
Paineiras rosas, que lindo!
Ao entrar, deixe seu velho baú no lado de fora.
Enquanto ficar, não tire nada do lugar e ajude-me a reorganizar.
Ajude-me a extrair o pó do que por aqui estivera antes de sua chegada.
Não quero que me sirva, mas que nos sirvamos.
E se um dia for embora, não deixe nada que me faça lembrar-te e ao sair, não leve nada que te lembre a mim. Retome seu velho baú, volte à sua morada e que meu coração saiba que ele foi só mais um local aonde somente fizestes visita...
Como é bom colocar tudo pra fora,
Todos os sentimentos,
Todos os pensamentos,
Cada lágrima, cada uma com um significado,
Coração alíviado,
Um peso a menos.
Como é bom viver,
Cada dia que passa é mais um dia vencido,
Vemos quanto tempo foi perdido,
Quanto tempo foi aproveitado,
E quanto tempo que estar por vir,da pra ser diferente.
Como é bom ter pessoas ao nosso lado,
Pessoas que nos amam,
Pessoas que nos querem vê cair,
Pessoas que nos traz novas lições,
Todas vão vê nosso momento da queda, mais logo verão que estamos de pé.
"Deixe o passado onde ele está, e não o carregue por toda vida.
Não é jogar fora...
É só deixar guardado.
Alguns pesos, atrapalham novas conquistas."
A ordem
Tudo está fora do lugar!
Os livros na estante, as roupas na gaveta. Tem calça se misturando com camiseta.
Tudo parece de cabeça para baixo. O meu coração, coitado, perdeu o compasso, desandou por inteiro e não segue os meus passos.
Caverna clara por dentro,
Escura por fora. Afinal, o que será?
Entardeço em uma promessa, qual promessa?
Entardeço em uma promessa.
Entre marés, uso canoa
Bonança é ilusória
Perucas iguais apresenta perigo
Pensar fora dela, tolice ou genialidade?
Gênios são tolos, tolos não são gênios.
Sentido traz limite,
Limite não traz sentido.
Odeio contradição,
Fecho os olhos para enxergar.
Sou um mero gafonhoto eterno,
Um aprendiz que ensina,
Enxergo tão bem, mas só o que me convém
Sou um dos piores cegos.
Visitei lisboa
Conversei com Fernando Pessoa
Ele me disse que não sou nada
E nunca serei nada.
Não consigo fechar o ódio
Abra o livre
Quer dizer, abra o livro
Perdão, Abraham Lincoln
É..
Uma agulha, costura meu passado
Uma tesoura, corta meu presente
Um tecido, algo do futuro
Um papel na vida? Mais um para rasgar.
Caverna clara por dentro,
Escura por fora. Afinal, o que será?
Mário Quintana me respondeu:
"A Resposta certa, não importa
O essencial é que a pergunta esteja certa, certo?"
Então levantei as pálpebras e a caverna desabou,
Ao anoitecer, ela volta a ser uma caverna.
(Volte a primeira estrofe)
Lá fora o sol já chega luminoso
Secando o orvalho do gramado
Uma brisa fria acaricia nossas faces
É o outono fazendo amizade com o inverno...
mel - ((*_*))
POEMA ÍNTIMO
Tranco
a porta
da noite,
jogo
a chave
fora,
piso
no freio
do tempo
quando
viajo
contigo
na intimidade
dos sentimentos.
Chuva que cai lá fora
Chuva fina, chuva fria! Chuva que cai la fora!
Chuva que atravessou a noite
Trouxe aconchego aos privilegiados
Gelou os ossos dos desprotegidos!
Pensar assim traz nostalgia
Mas como madre Teresa dizia
"Sou um pequeno grão de areia
Em meio à imensidão do mar! "
Então, nada de desanimar
Cubra quem está ao seu alcance
Multiplique seu jeito de amar
E verá que algo poderá mudar!
edite/ maio de 2015
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