Poemas de Passado
Gostávamos da casa porque, além de espaçosa e antiga (hoje que as casas antigas sucumbem à mais vantajosa liquidação de seus materiais), guardava as recordações de nossos bisavós, o avô paterno, nossos pais e toda a infância.
Habituamo-nos, Irene e eu, a permanecer nela sozinhos, o que era uma loucura, pois nessa casa podiam viver oito pessoas sem se molestarem. Fazíamos a limpeza pela manhã, levantando-nos às sete, e pelas onze eu deixava a Irene as últimas peças por repassar e ia à cozinha. Almoçávamos ao meio-dia; sempre pontuais; então não ficava nada por fazer além de uns poucos pratos sujos. Era para nós agradável almoçar pensando na casa ampla e silenciosa; e em como nos bastávamos para mantê-la limpa.
Sou "guardadora" do incompleto.
Coleciono histórias, contos, poemas e
livros que nunca terminei.
Estão todos pela metade,
guardados onde nem sei.
O incompleto é essa peça rara,
componente de mim.
É a beleza do imortal,
do que não se conclui porque não tem fim.
Mas daqui para frente é com o futuro, com
os pedaços que há de vir.
Quanto as minhas metades, deixei o vento levar.
Elas são sementes, que solo puro, há de cultivar.
Agora é com o futuro,
com o adubo que há de fortificar,
com a chuva que há de vir,
e com o sol que há de brilhar.
Eu sou metade de todos,
de quem foi e de quem quis ficar.
Sou semente com tempo certo para germinar.
Agora é com o futuro. Tenho que esperar.
E quem sabe o solo seja fértil,
o sol seja sensato,
o clima propício, chuva corriqueira.
Quem sabe de metade, eu não passe a ser inteira!
(Grãos ao vento/ Fernandha Franklin?
Hoje escrevemos cartas para ninguém.
Passamos horas e horas escrevendo textos ao vento.
As palavras vão se perdendo enquanto imaginamos se alguém chegará a ler.
Não existe mais um endereço e muito menos um amor.
Talvez um desabafo para lugar nenhum em um tempo qualquer.
Mas mesmo assim escrevemos.
Talvez seja a saudade de um tempo que palavras faziam sentido.
Um tempo onde o pensar era virtude.
Mas bem, mais uma carta ao nada, que talvez encontre um alguém que faça sentido.
Às vezes, lembrar dói.
Magoa... faz sofrer.
Vontade louca de correr e correr.
Pra trás a tristeza deixar
Viver um eterno ressonar.
Um passado descolorido
Uma luz frouxa
pra trás tão no pretérito abandonado.
Sonho louco.
Olho-me no espelho.
Olhar magoado.
Vejo marcas e machucados.
Cicatrizes feias e fundas.
A vida tem estado
– no que se refere a mim –
o tempo todo nas mãos com um relho.
Eu tento
Eu tento parecer normal.
Mas o que dissimulo é totalmente anormal.
Eu tento não parecer insana.
Mas minha insanidade beira o caos.
Eu tento ser forte e firme.
Mas medo é o que me define.
Eu tento ser a rosa de alguém.
Meus espinhos ferem a toda a gente, porém.
Eu tento... tento... e tento.
E de tentativa em tentativa,
loucamente,
eu vou morrendo.
Eu tentei... eu tentei.
Aquela lembrança
Retornou como um antigo erro aquela lembrança.
Corri pela areia da praia para esquecê-la.
Coloquei óculos escuros para não vê-la
Mergulhei no mar para afogá-la.
Redimensionei-me.
Fiz-me pequena...
Corpo decomposto...
Fiz tudo o que podia pra daquela lembrança não sentir mais o gosto.
Retornou... simplesmente retornou.
e fustigou-me.
Caminho
O destino
Me persegue
Sem me largar em nenhuma parada
Vou seguindo com ele
O nosso caminho
Olhando para tras e lembrando
Do sorriso
Que esqueci
De retrebuir.
Seu mau humor logo de manhã irá estragar sumariamente
este teu novo dia.
Normalmente isto é fruto do péssimo dia anterior, onde as coisas
foram mal para você.
Porém tal situação já ficou no passado, não desperdice esta nova
oportunidade que se oferece para você.
Está aí à sua disposição um dia inteiro para ser lapidado com todas
as ferramentas das experiências anteriores.
(Teorilang)
Olhei pra trás outra vez
O que eu vi?
Eu não sei
Esses olhos refletem o céu?
De onde vem essa cor profunda?
Profunda como mar
E carregam histórias que te fazem recitar
Recita a beleza e inspira
Quase posso compreender
O reflexos desses olhos
São a saudade que teima em te doer
- Sobre sua saudade
CÁRCERE
No cais desse mundo célere,
A vida passa em um sopro.
Tão fugaz quanto meus
pensamentos, que me tiram
O alento. Atleta nata
De correr contra o tempo,
E ainda assim, perdida
Nos dias da semana.
Ora, o ano mal começou
E já está na metade! Este
Domina a arte da fugacidade.
Queria deleitar de todos
Os minutos, mas quando
deparo-me já estou no amanhã
E o hoje fica encarcerado
No passado.
i won't back down
Johnny cash
"Eu não vou dar pra trás
Vou ficar no meu lugar, não vou ser passado pra trás.
E vou impedir esse mundo de me deixar pra baixo
Vou ficar no meu lugar e não vou dar pra trás".
"É tarde, tentei por nós, mas fracassei.
Sozinha não consigo e sem forças percebo que tudo já é passado.
Meu relógio tão veloz diz que é hora de renúncia.
A noite é uma criança; quando sussurrar adeus, amanheço."
Ela sorriu para mim novamente – há tempos não o fazia
Sua partida não mais me deixava em agonia
Depois de tantos anos, eu era feliz sem ela
Mas, por um “descuido”, ela voltou
Sorriu para mim, me abraçou
Olhei de volta e disse-lhe:
"Não te fazes presente como antes"
E é verdade
Sua presença não tem a mesma energia, o mesmo calor...
Não é mais amor
Nossa dança não é mais a mesma
Suas voltas perderam um pouco daquele brilho
Que me hipnotizava...
A vida sem te ter presente é possível!
(14 de abril de 2019)
Ei você... Sim você mesmo...
O melhor de sua vida está logo adiante...
Acredite em tudo de melhor que existe dentro de você, dentro de cada um de nós, sem esquecer o quanto pode usar os erros do passado para fazer um futuro melhor.
Pense.. Sejamos apena felizes...
Portanto... ANIME-SE!!
Vou dormir só hoje,
E o que eu tenho pra dizer
Eu espero, te cantar
Num próximo amanhecer
Em que você esteja
Em que você deixa
uma música rolar (retorna)
E quando ela parar
Você volta pra mim e canta
Baixinho que me ama
Que me ama e não tem
Motivos pra parar (não tem)
O que eu pedi
nos momentos tão meus
Não saberia que era você
Que iria me trazer (você)
O que eu pergunto
Antes de deitar
Não saberia que
É você que viria
Me fazer sonhar (contigo)
Compôs meu céu tão escuro
E vazio com o brilho reconhecível
do seu sorriso
Impossível não te amar
Eu te tenho e não deixo
Te tenho mas desejo
Ter seu cheiro e voz
pra me acordar
Seu olhar descansado
Um café bem passado
Um abraço apertado
E uma vida pra levar (nós dois)
Quando pude sentir a dor de minha infância é que pude dar sentido a minha história, pude ficar frente a frente com tudo e mudar meu caminho. Hoje sei que tudo que passou realmente passou e que meu passado não me define, e sim o que fiz com essa história. A força e a coragem me definem.
Hoje vivo a vida com meus termos, não sou mais meu trauma e isso não tem dinheiro que pague.
Meu conselho para você que viveu uma experiência traumática: Uma recuperação precisa acontecer, lute e você conseguirá abraçar quem você realmente é de verdade.
Quantas vezes tempo
Quantas vezes irei te cobrar
Quantas vezes você me viu passar
Não tive nem tempo de pensar
Quando vi já era passado
Tive medo, fiquei apavorado
Pedi ajuda a todos os santos
Implorei até para os arcanjos
Gritei o mais alto que pude
Acho que estava no auge de minha inquietude
Eis que um dia fui ouvido
O tempo se encarregou de ser meu amigo
Me deixou passar, assim como meu anseio
Hoje você tempo, é todo meu devaneio.
Insta: @marco_albernaz
►Hoje Decidi
Hoje decidi errar novamente
Hoje decidi rimar, como sempre
Na verdade, eu não estava afim
Mas, a insônia me atrapalhou de dormir.
Talvez eu pise em cacos, como antes já pisei
Talvez eu mude de opinião no próximo sábado
Mas, até lá, é assim que eu serei.
Vou escrever algo pequeno,
Quase sem importância, passageiro
Não como um testamento, que exagero
Por onde devo começar? Estou indeciso.
Eu penso sempre em parar com isso
De escrever, para ser mais específico
Mas sempre vejo novos motivos,
Que me fazem estar aqui, escrevendo
A madrugada nem chegou e cá estou,
Murmurando palavras de momentos.
Adorar, eu adoro sorrir e fazer alguém feliz
Mas, odeio me sentir incapaz de não conseguir
De permitir que a tristeza faça uma nova vítima
Em sumo, minha vida é uma odisseia não escrita
E hoje vejo por que ela será minha sina
Sei que, em algum momento, a minha inimiga
Estará logo na esquina.
Tantos foram os dias que abaixei a cabeça
Que me tornei submisso a tristeza
Não por opção, mas for falta dela
Quando a solidão me cercou, fui devorado por ela.
Às vezes eu escrevia vários rascunhos
Escrevia meus pensamentos mais profundos
Tão profundo que jamais chegaram a serem vistos
E a luz do sol nunca os iluminou, triste.
Enquanto aprecio a melodia de um piano,
Eu escrevo sobre o abandono
Escrevo sobre desconfiança, sobre coisas estranhas
Minha dama, minha família, minha imaginação de criança.
Escrevo sobre o amor, sobre o desespero
Sobre a dor, sobre o medo
Medo do desconhecido, da incerteza
Que não se vai da cabeça mesmo com um copo de cerveja.
Faço aqui um desabafo calado
Faço um texto triste, poético, abalado
Apaixonado? Quem me dera sentir tal sensação
Acredito que remediaria o meu coração.
Ao fim da melodia eu me despeço
Sem saber se haverei de retornar
Mas, em versos, jamais irei me ausentar.
Mas não vou chorar pelo ontem
Existe um mundo normal no qual posso me concentrar no presente
Que de algum modo tenho de encontrar os erros e caminhos que fiz e trilhei
E enquanto eu tento trilhar o meu caminho rumo aos pecados da morte
Para o mundo normal sou apenas um mero renegado
Eu aprenderei a sobreviver ao futuro...
