Poemas de Máscaras

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Mascarados


A máscara do ódio
A roupa da tristeza
A alma de medo


Por que te escondes?


Mostre ao mundo
Teus monstros eternos
Revele a todos
Suas dores ocultas


O que lhe segura
Não são fundamentos
O que te detém
Não são justiças puras


A luz que te guia
Também te cega


Olhe ao seu redor
Mas sem medo
Olhe ao seu redor
Mas sem o ódio
Que você aprendeu a carregar


O chão que você pisa
Consumido pelo medo
Se torna em fel
Amargo e feio


Se com pureza andasse
Verdade veria
Luzes por todos os dias
Beleza a cada passo
Sem um pingo de cansaço


Mas é impossível ser puro
Nesse mundo leviano
Cheio de enganos
Totalmente profano


Coloque sua máscara no lugar
Se agarre a sua Justiça
Justiça carente de Justiça
Se afaste da beleza
Desista da pureza
Nessa terra de fel
Não se sonha com mel

Fumaça cobre o rosto, a máscara a dor,
No silêncio ardente, pulsa o sangue, o terror.
O ar pesado guarda o eco do temor,
Cada suspiro anuncia meu próprio horror.

Quem sou?


Tirei a máscara da vida
E não me reconhecia mais.
De tanto "não" me observar,
Fui me abandonando,
Fui me perdendo de mim.

A Máscara.


E quando a mascara caiu,
Não se envergonhou.
Pelo contrário, sentiu se
Leve, livre das mentiras
Cotidianas em que vivia.

Em um mundo tão deformado,
onde o caos veste a máscara de razão
e a incoerência governa as veias do tempo,
ousar erguer um pensamento claro,
reto e lúcido...
é incendiar muralhas com a chama da palavra,
é rebelar-se contra a tirania do absurdo,
é gritar a verdade no ventre da escuridão.


Em um mundo
tão incoerente e ilógico,
expressar um simples pensamento
com coerência e lógica
é já um ato revolucionário.


✍©️@MiriamDaCosta

A Máscara de Narciso

Esconde-se no manto da arrogância,
senhor de uma razão que o cega e conduz.
Ergue muros de ferro em sua própria estância,
onde a sombra se veste com restos de luz.

Disfarça a vilania na pose devota,
temente a Deus diante do olhar alheio.
Mas a hipocrisia é sua única rota,
e o vazio do peito, o seu maior freio.

Captura a vida em lentes mentirosas,
simula a doçura de quem sabe sentir.
Mas sob as imagens, outrora viçosas,
revela o veneno de quem quer ferir.

No espelho de si, mergulha e se perde,
refém de um medo que não quer nomear.
Faz do outro o louco, a alma que morde,
pois morre de susto se ousam o amar.

Foge do afeto, do toque, do abraço,
despede-se aos poucos até se anular.
Ocupa o mundo em um enorme espaço,
mas não sobra ninguém para o habitar.

Poesia de Islene Souza

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*Sem máscara*

Eu nasci sem o dom da atuação.

Queria mentir bonito, performar indiferença, vestir um rosto neutro pra sair na rua. Mas meu corpo me trai. Se a boca cala, os olhos gritam. Se os olhos baixam, as mãos tremem. Se tudo em mim congela, o silêncio vira outdoor anunciando o que sinto.

O problema é que nem todo mundo sabe ler.

Não são fluentes na língua que meu corpo fala. Não entendem o dialeto da minha inquietação, o idioma do meu peito apertado. E aí me chamam de exagerada, de intensa, de difícil.

Eu só sinto. Tudo. Muito.

E o que não tem permissão pra sair pela voz, vaza por dentro. Vira ácido. Vira ansiedade que rói a madrugada. Vira depressão que senta na beira da cama. Vira pânico que fecha a garganta no meio da sala cheia.

Aí vem o mundo, com seus dedos apontados, suas palavras descuidadas, e me racha.

E quando eu quebro, eu não quebro pra dentro.

Meus cacos voam.
E atingem, sem mira e sem culpa, justamente quem ficou pra juntar.

*Texto de Mikaele | Lapidado com Luna*

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O Sacrifício do Silêncio
O sorriso que ostento é apenas uma fachada,
Uma máscara polida para o mundo não ver,
Que por trás do gesto, a alma está cansada,
E o coração insiste em, baixinho, sofrer.
Escolhi os outros, e nessa escolha me perdi. Fui o porto seguro, a mão que sustenta a queda,
Abri mão do meu chão para que vissem o céu dali,
E hoje o que me sobra é essa triste moeda.
Dói saber que estou onde a renúncia me deixou,
Nesse canto escuro de quem sempre se deu.
O mundo seguiu, mas em mim nada mudou,
Apenas o peso de um "nós" que nunca foi "eu".
Ainda assim, no peito assolado pela tormenta,
Guardo a pureza de quem nunca soube mentir.
Minha verdade é o fogo que ainda me alimenta, Mesmo que o preço seja este lento sucumbir.
Faria tudo de novo, com o mesmo coração quebrado,
Pois ser verdadeiro é minha única direção.
Sigo em silêncio, por mim mesmo abandonado,
Carregando a tristeza como uma eterna oração.

Máscara
Disfarça e segue, até porque a neve não está caindo.
A inexistência de frio é marcante; apenas o seu coração permanece gelado.

A minha vontade é vê-lo puxar a janela do seu âmago e atirar ao chão a sua máscara, para que, lá embaixo, eu enxergue os seus olhos frios. Mas, ao me levantar e encarar a sua face, percebo que tudo não passa de uma farsa libidinosa para me atrair — um anjo sem escrúpulos.

É isso que séculos de escuridão fazem: transformam uma chuva de verão em tempestade fria. Vou dar um tempo, até que a brisa quente chegue. Temo, às vezes, que ao dormir eu escute o barulho da chuva cair em flocos, que a tempestade gélida retorne e o tremor me atinja.

⁠Ah, profundo poço de puro egoísmo. Que dizes: é por você e não por mim.
Máscara que blinda suas intenções e a bondade falsa de interesses pessoais. Fere com medo de ser ferido, mesmo sem correr tal risco.
Esmagalha ingênuos e sinceros corações, enquanto mente em favor próprio. Encontra desculpas para justificar seus atos e se convence delas.
Mas a inocência já se foi e a percepção da verdade se reergue mais uma vez. Outrora cria cegamente, mas hoje desconfia até de si mesmo.

Se dizes que o meu ser é fátuo e vão,
E que a máscara cai, rota e partida,
Deixando a minha essência reduzida
À mais triste e vulgar contradição;


Se a dita lucidez é presunção,
E a minha companhia, aborrecida,
Desperta o nojo e o fel da despedida,
Aceito a tua fria conclusão.


Concedo-te a razão, sem ter vaidade:
Sou mesmo a imperfeição e o desvario,
O exemplo da fatal mediocridade.


E já que te desperto horror e frio,
Acato o teu rigor com dignidade,
E afasto-me, abraçado ao meu vazio

Revele apenas o que você cria de verdade. Nenhuma máscara resiste ao tempo. A verdadeira sabedoria é viver o que se é.


Benê Morais

Interessante como muitos vestem a máscara da moralidade para serem vistos como exemplo, enquanto escondem dentro de si intenções movidas por ego, interesse e manipulação.
Pregam virtudes em público, mas nos bastidores usam pessoas como peças de um jogo onde apenas seus desejos importam.


A maior hipocrisia não está no erro humano… mas na mentira consciente.
Pois aquele que conhece sua própria sombra e ainda assim escolhe fingir luz absoluta, torna-se escravo da própria ilusão.


Falam de caráter, fidelidade, honra e verdade…
mas cada atitude revela cálculo, vaidade e necessidade de aprovação.
Querem ser admirados não por essência, mas pela imagem construída para alimentar o próprio ego.


Esqueceram do próprio passado?
Ou acreditam que discursos bonitos conseguem apagar as marcas deixadas nas consciências daqueles que conheceram sua verdadeira face?


O tempo pode até silenciar algumas vozes…
mas jamais apaga a energia das atitudes, nem o peso invisível que a consciência carrega quando a máscara cai diante do espelho da própria alma.


Porque não existe fuga eterna de si mesmo.
Quem manipula para benefício próprio pode convencer multidões por um tempo…
mas no silêncio da própria mente sabe exatamente quem é, o que fez e quais verdades tenta esconder atrás de frases prontas e moralismo superficial.


A verdadeira luz não precisa provar pureza.
Ela reconhece suas sombras, assume seus erros e transforma consciência em evolução.
Já os falsos virtuosos vivem presos na necessidade constante de parecer aquilo que nunca tiveram coragem de se tornar.

Não é encantador
o causador
de tanta dor
nem é verdadeira
a máscara
do engano
porém o amor
é a própria comunhão
de quem passou pela dor,pelo engano
e pela paixão...

🎭 SOCIEDADE DE TEATRO

Vivemos de personagem e máscara. Sorriso de foto. Opinião de legenda. Virtude de story que some em 24h.

E quando o palco apaga, a alma grita.

Grita por socorro.Grita por herói.

Mas até o herói aparece mascarado. Finge justiça, porque justiça real não viraliza. Não dá palco. Só dá calo.

E seguimos assim: máscara salvando máscara, personagem aplaudindo personagem, todo mundo perdido, ninguém salvo.

A máscara da inocência


Você acha que eu não sei.
Você acha que uma pessoa que prefere suportar afronta é tola.
Sim. Bem como aquelas que preferem dar a outra face.


Você acha que eu não sei.
Você acha que eu suporto e sou tola.
Sim. Te dou permissão para repetir e agredir de novo.


Você acha que eu não sei.
Você acha que eu não sei algo sobre este jogo.
Sim. Bem como aquelas que já participaram dele antes.


Entretanto,
parece que:
Você não sabe que eu sei.
Você não sabe que eu sei que: aquela que não joga não pode perder.
Sim. Bem como aquela que sabe e finge não saber.

A máscara da perfeição cai quando a gente para de aplaudir o seu teatro.


SerLucia Reflexoes

Na enunciação, o sujeito sempre entrega mais do que pretende;
a máscara verbal, por vezes,
revela a anatomia íntima
de quem fala.

Na era do striptease,
Muita máscara e pouca roupa,
Corpos à mostra, caracteres escondidos.

E agora José?
O discurso não convence,
a máscara caiu.
A palavra não fica de pé.