Poemas de Lembrança

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A dor é uma constante lembrança de algo que insistimos em querer esquecer: a vida é dura, cíclica, complexa e incerta.

Caminharei por suas flores e espinhos.

A dor está sempre presente. Ainda que algumas coisas melhorem, aparentemente outras permanecerão como estão.

Levo em consideração dados, fatos que sempre acontecem e se repetem. Ainda que eu seja tentado a acreditar de uma maneira diferente.

Por isso, não devo fugir dela. Se está sempre presente, o único caminho é ter que passar por ela, senti-la, sofrê-la.

O ambiente contribui significativamente para a sua atenuação ou aumento.

Só posso ir até onde sei.

Descansar, respirar.

Não vale mais a pena gastar energia mental se eu já entendi como a vida funciona.

⁠⁠Se por algum motivo, um dia ficarmos distantes, serás pelo menos uma agradável lembrança, quando eu avistar um pôr-do-sol radiante no fim de tarde diante do mar, bem no horizonte ou algumas flores, principalmente, as tulipas, cativantes e delicadas e ao admirar um luar apaixonante de uma noite enluarada.

Tendo esta presença tão simples, linda e marcante, não podes ser esquecida, já que, assim, evidencia a tua natureza entusiasmante que inspira e alegra ricamente o semblante, então, és notadamente resultante da sabedoria divina, um regalo expressivo na mente pra ser lembrado sempre que possível.

Dito isso, espero honestamente que possas mudar aquilo que for necessário, mas que a tua vívida singularidade seja preservada, guiada continuamente por Deus, contrariando as possíveis adversidades, desta forma, serás felizmente lembrada, abençoando e sendo abençoada.

Da Profundidade da Terra, à Profundeza da Mente

Lembrança inesquecível na profundidade da terra, muito bem guardada na profundeza da mente, que desperta saudades.

A Luz da curiosidade e do deslumbramento que atenua a escuridade de uma caverna, diante de um tipo de beleza que não é visto tão facilmente,

Certamente, uma arte natural que levou muito tempo para ser feita, que continua em desenvolvimento; talvez, em futura visita, ocorra uma nova descoberta.

Igarapé do Boto


Igarapé:
Caminho de canoa;
Caminho do tempo,
Que trás a lembrança
Da minha infância.


Em tuas águas tranquilas
Aprendi a nadar
E muitas histórias
Tenho para contar,
Você nem imagina!
Uma canoa cheia d'água
Era a minha piscina.


Em tuas águas pesquei
E de manja brinquei,
Para a escola eu remei
E com outras canoas
Eu aporfiei.


Igarapé:
Caminho de canoa,
Caminho do tempo,
Não te troco por outro,
Pra sempre querido,
Igarapé do Boto.


Autor: Silvano Pontes.
Amazonas em poesias.

Saudade da 88

Um suspiro, e a lembrança da goiabeira — aquela cujas folhas secas forravam o chão do quintal, enquanto apenas o brilho da lua e das estrelas testemunhava a magia do amor. Lentamente, em esteira, a mente do ontem e as lembranças invadem, sem pedir licença, o meu hoje. Saudade da 88!

Você está em todos os lugares
Cada música, cada lembrança
Tudo remete à você, tu és o principal em minha vida agora
Agora, não sei como nem porquê, mas é você
É você quem vejo quando acordo, é você de quem lembro antes de dormir
E ao levantar eu me pergunto, “como será que ele está?”
Não que me interesse, mas sei lá, acho que hoje daria certo
Acho que hoje eu seria capaz de sustentar a amizade
Acho que hoje poderia ser nós dois.

Eu sou dois países,
um deles feito de areia e silêncio.
O vento me atravessa como lembrança,
e cada grão que toca minha pele
me conta uma história que eu já vivi
sem saber.

Não sonho com as Arábias —
eu sou o sonho delas.
Sou o deserto que caminha,
a miragem que sente,
a memória que dança entre dunas.

E quando fecho os olhos,
não viajo —
eu retorno.

O ÚLTIMO ATO
(O despertar do agora)

Cortinas fechadas. O palco agora é uma lembrança, o espetáculo era o passado, que finalmente saiu de cena.

Lu Lena / 2026

Dói aceitar que alguém pode virar lembrança
mesmo estando vivo.

Que existem pessoas que a gente perde
sem funeral,
sem última despedida,
sem chance de dizer:
“fica”.

E talvez seja por isso que machuca tanto.
Porque o coração não sabe lidar
com ausências que continuam respirando.

⁠Tem coisa que a gente não precisa mais carregar.
Peso que virou lembrança amarga.
Expectativa que não se cumpriu.
Culpa que não cabe mais.

Nem tudo que coube um dia… ainda serve.
Desapegar também é se cuidar.
Solta.
Você merece caminhar mais leve.

— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna

San Telmo


Tenho saudade de San Telmo
não como lembrança bonita,
mas como falta física.
Daquelas que apertam o peito sem pedir licença.
Saudade das ruas gastas,
do chão que já ouviu passos demais
e ainda assim sustenta quem passa.
Ali, o tempo não corre. Ele observa.
Sinto falta do cheiro antigo das casas,
do tango escapando pelas esquinas
como quem não quer ser esquecido.
Em San Telmo, até o silêncio tem memória.
Ali eu era parte do cenário,
não visita.
O bairro me reconhecia
antes mesmo de eu dizer meu nome.
Hoje carrego San Telmo dentro,
feito ferida que não infecciona,
mas também não fecha.
É casa que virou ausência.
Não dói por ser passado.
Dói porque ainda é meu.

A lembrança é a vida dos mortos.


A saudade é o abraço dos queridos.


Lembre-se, lembre-se sempre.


Pois, ninguém morre nas lembranças de quem ama.

O Último Magnum

Existem coisas que a gente faz sem imaginar
que um dia vão virar lembrança sagrada.

Todo Dia das Mulheres
eu aparecia com um sorvete Magnum na mão.

Era o favorito dela.

Eu entregava como quem entrega algo simples,
e dizia:
“mãe, eu te amo.”

Ela sorria.
E naquele sorriso
havia uma paz que eu nem sabia explicar.

Naquele tempo
eu achava que estava apenas dando um sorvete.

Hoje eu sei
que estava vivendo um dos momentos mais puros da minha vida.

Porque a gente só entende o valor
das coisas simples
quando elas deixam de acontecer.

Hoje o Dia das Mulheres chega…
e minhas mãos estão vazias.

Não tem mais o caminho até a porta,
não tem mais o sorriso esperando,
não tem mais aquele instante pequeno
em que o mundo ficava em silêncio
só para caber o amor de uma mãe e de um filho.

E às vezes isso dói.

Dói saber
que o último Magnum que eu levei
foi o último
sem que eu soubesse.

Mas existe algo que o tempo não levou:

o amor que cabia naquele gesto.

E hoje,
quando a saudade aperta,
eu fecho os olhos
e imagino que ainda estou chegando com o sorvete na mão.

E digo, como sempre disse:

“mãe… eu te amo.”

— Sariel Oliveira

escrever sem pressão
entre pausas
surge uma lembrança na memória
entre respiros
um suspiro
e uma nova forma de me reconectar comigo
diferente
única
e acolhedora


eu gosto de escrever
isso me liberta
me traz de volta
para as melhores partes de mim
De quem sou
do que gosto
e o novo eu descubro,
de mim.
e me liberto
das correntes
que me aprisionam
uma nova versão renasce
como se ela estivesse adormecida
esquecida
empoeirada
guardada dentro de um baú
para ninguém ver como brilha
como inspira


Como é possível?
Ficar tão escondida!


agora sua luz ilumina o caminho
consigo ver a direção que eu devo tomar
e que a luz me leva


enxergo o céu sobre a minha cabeça
sinto os pés no chão
e o cheiro das flores por onde passo
o mundo do qual sempre fiz parte


é estranho como havia caminhos nebulosos
dentro de mim
mas como é bom estar de volta
para quem sempre fui.

Hoje chove aqui em Rio Grande, e a chuva me traz uma lembrança de alguém que amei muito,...
E fico pensando como pode acabar um grande amor como o nosso,...
Até quando a empregada estava de folga eu fazia tudo,...
Seu almoço, sua janta seus cafezinhos,...
E mais alguns mimos e desejos seus,...
Um amor de cumplicidade mútua,...
De desejos completos,...
De aventuras realizadas,...
Por cinco anos,...
E de repente o fim,.

Dentro de uma lembrança que vivo,
uma noite mal dormida de fantasias,
nasceste do meu segredo, do meu sonho,
meu medo, meu verso, refúgio, regresso,
vida, amor, lembrança, esperança.
Você um sonho lindo ao amanhecer,
momento eterno, você razão do meu viver.
A namorada que sonhei...

Lembrança


Velho destino, poeira do tempo
Para o olfato, o suor como pimenta
Para o paladar, o corpo todo

Por que as Lágrimas rolam?
Um cisco que caiu no olho,
O bocejo insistente,
A lembrança boa ou ruim,
A emoção que se faz presente,
A dor que não tem hora,
Elas incham os olhos.
Rolam primeiro por dentro, depois transbordam pra fora.
Cada uma delas carrega um sentimento, que só quem as têm por dentro, entende seu significado, seu peso e seu momento.

Existe um mundo onde a dor também existe.
Onde cada lembrança sua arde como um fósforo riscado na pele.
Onde o silêncio entre nós pesa mais que qualquer despedida.


Existe um mundo onde eu ainda te procuro,
mesmo sabendo que você não está lá.
Onde o beijo que você nunca deveria ter me dado
vira fantasma... e me assombra todas as noites.


Existe um mundo onde amar dói,
onde o tempo não cura, só reorganiza a saudade.
Onde eu caminho carregando o que fomos
e o que nunca seremos.


Esse mundo existe.
Ele não está em outra dimensão,
nem em outro destino.
Esse mundo...
infelizmente...
existe aqui,
bem dentro de mim.

Sapé não é apenas cidade
é lembrança acesa.
É chão que guarda passos,
vozes, e feridas que ensinaram a resistir.

Entre engenhos e rios,
o tempo moldou o rosto do povo.
De mãos calejadas, eles escreveram história
com enxadas, com sonhos, com sangue.

Aqui tombou João Pedro Teixeira,
não como quem cai,
mas como quem planta.
Sua morte fez nascer o que o medo não podia deter.

Elizabeth, firme como a terra após a chuva,
carregou o nome, a causa,
e o peso de uma nação nas costas.
Ela não fugiu, floresceu na coragem.

E entre as ruas antigas,
ecoam versos de Augusto dos Anjos,
poeta que fez da dor sua morada,
e da palavra, uma cicatriz eterna.

Sapé é também vitória e renascimento.
No grito do torcedor do Confiança,
há algo do mesmo povo das ligas:
orgulho, suor, pertencimento.

Cem anos depois,
Sapé segue de pé.
Não como lembrança morta,
mas como coração pulsando
entre a fé, a luta e o futuro.

Porque Sapé é isso:
um nome que resiste,
um povo que não esquece,
uma história que sempre respira.