Poemas de Horacio

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É normal que em um mundo onde os desencontros são frequentes, que você pense ser a metade da laranja de alguém que você talvez nunca conheça. É possível que exatamente agora, de madrugada, sua outra metade esteja olhando pela janela e acreditando exatamente nas mesmas coisas que você. Porque o acaso pode parecer torturador, mal intencionado, ludibriante... Mas se somos obras de uma natureza divina, uma laranja tende a ressecar, perder o seu suco, sua beleza, quando separada da outra metade. Por isso que naturalmente são um inteiro.
E se você hoje é só metade, é porque em algum lugar existe outra metade que assim como você, espera o acaso para enfim tornar-se um inteiro. De certa forma, existe um conceito natural ao seu favor.

Na vida, nem tudo é desistência. É como lutar boxe. As vezes é estratégico receber alguns golpes, cansar o adversário, e revidar no final.

Não importam as dificuldades que a vida coloca à sua frente, e sim as atitudes que você vai tomar diante delas

As vezes me pergunto: um homem nasce bom? Nasce mau? Um homem ao nascer é neutro? Sinceramente, olhe pra uma criança. Você vê maldade na doçura daqueles olhos? Todos nascemos com uma grandeza de espírito chamada inocência. Mas o mundo, as ações impostas por pessoas más, nos modificam. Nós mudamos, seja para que não soframos, ou como blindagem para o que vem pela frente. A verdade é que ninguém nasce mau. Como todas as coisas na vida, nossas ações são guiadas por escolhas, e nossas escolhas não apenas mostram quem somos, como definem como estamos.

O amargor do que nos tira a felicidade, não pode arrancar a doçura de buscá - la sempre.

As vidas de hoje não se resumem a dias de sol com intervalos de tempo nublado e chuvoso. As vidas são nubladas e chuvosas, com pausas para o sol.

Eu não sou pessimista, apenas evito cultivar esperanças. A realidade pode doer, mas ela sempre é o que espero dela, e assim sigo vivendo.

As vezes o fardo de ser a pessoa que trás palavras de cura é o de estar frequentemente machucado. Mas ouvir um "obrigado por tudo", pode ser compensador.

A vida é como uma jóia delicada. Em contraste com o diamante bruto que resiste a praticamente tudo e mantém sua beleza, ela pode ser bela, mas de uma grande fragilidade. Sabendo refinar essa jóia em seu decorrer, sua existência já valeu à pena.

Minha maior maldição é nunca me esquecer de algo. Meu maior dom é minha maior maldição.

Só paixão


No final tudo é frio,
no meio tudo é morno,
e no começo tudo é paixão!

No vaivém apressado do Rio de Janeiro, onde o barulho dos ônibus se mistura ao canto distante do mar, ela caminhava como quem conhecia o peso e a beleza da própria história. Não precisava anunciar sua presença. Havia algo nela que fazia a cidade diminuir o ritmo por um instante — talvez o olhar firme, talvez a serenidade rara de quem aprendeu a atravessar tempestades sem perder a delicadeza.


Era morena, de pele aquecida pelo sol carioca, daqueles tons que parecem guardar o brilho dourado do fim de tarde. Os cabelos caíam livres, volumosos, dançando com o vento que vinha da orla, como se também tivessem personalidade própria. Mas eram os olhos que mais impressionavam. Olhos fortes, atentos, capazes de intimidar a arrogância e acolher a tristeza no mesmo segundo.


Quem a conhecia sabia: ela carregava uma força silenciosa. Dessas que não fazem espetáculo. A força de acordar cedo, enfrentar dias difíceis e ainda encontrar gentileza para oferecer ao porteiro, à vizinha cansada, à criança perdida no ônibus. Tinha opinião firme, voz segura e uma coragem que não cabia em discursos. Nunca precisou endurecer o coração para sobreviver à cidade.


Nas tardes de calor intenso, gostava de observar o movimento das pessoas enquanto tomava café perto da praia. Via o Rio em suas contradições — belo e caótico, duro e apaixonante — e talvez por isso combinasse tanto com ele. Porque também era assim: intensa, luminosa, impossível de ignorar.


E enquanto a cidade seguia correndo sem olhar para trás, ela continuava ali, atravessando ruas, dias e memórias com a mesma elegância de quem entende que ser forte não é deixar de sentir. É continuar sendo gentil, mesmo quando o mundo desaprende como.

A beleza da Lua passa despercebida por nós depois de algum tempo. Solitária e fria, como a imagino, algumas lendas dizem que seu amante, o sol, foi separado de sua amada por desejos dos astros. Seu toque eram os raios que refletiam nela e nos atingia na Terra. Então seríamos nós agraciados pelo amor do Sol pela Lua, quando nos banhamos com sua luz? Seríamos testemunhas do amor infinito e distante entre os dois?
Solitária e fria, é assim que sempre imaginei a Lua. Já seu amado sol, humildemente se cala, nos permite sentir a luz de sua amada, sem ciúmes, sem arrependimentos. Testemunhamos sem perceber, o amor dos longínquos.
Bom, assim reza a lenda...

Atreveu-se a arriscar,
Sobre o desejo incessante
Foi de mais um a amante
Frente ao reflexo de amar.

Foi de passinho em passinho,
Mas foi gravando o caminho
Quem sai no mundo sozinho
Tem que aprender a voltar.

Fez do amor o seu ninho.
Pouso de um passarinho
Voando devagarinho,
Do seu jeitinho alcançou.

Teceu na prosa e no verso
Juras de um ato confesso,
Bendigo os sonhos expressos
Nos versos que o vento levou.

"Olha, eu tenho uma teoria." Disse o rapaz, capturando a atenção da moça quase que de imediato. "O fato de não estarmos juntos causa um desequilíbrio natural. O cosmos não trabalha como deveria, guerras estouram em todo o mundo, o cereal das pessoas viram papa em apenas 1 minuto na tigela de leite. Você só precisa dizer sim e o mundo volta ao caminho da organização, amor e completa paz."
Ela riu descontroladamente, respondeu dizendo: "Então quer dizer que estarmos juntos é o melhor para o mundo?" Usando de um tom sarcástico. Ele respondeu: "Para os nossos mundos, pelo menos, tenho certeza que é o melhor."
Resposta ligeira, certeira, que troca um sorriso caçoador por bochechas rosadas e um tanto envergonhadas. Um começo, talvez...

"O ano é 2123. Deixo aqui o que acredito ser meus últimos relatos ainda em vida. Duzentos anos atrás, um escritor inglês moldou seu próprio universo fundamentado diante do medo e desconhecimento que possuímos do universo. Lembro - me bem das histórias que meu avô contava, sobre seres antigos e colossais que reinavam no sombrio oceano, na velha e humanamente inconcebível cidade de R'lyeh. Sobre as criaturas que vagavam o cosmos, como bestialidades que desafiavam a natureza do Criador. Quero dizer, deveriam ser contos não é mesmo? Apenas isso. Nós evoluímos, a humanidade focou seus esforços pós terceira guerra na evolução de nossas tecnologias. A fome foi praticamente erradicada, mas as doenças triplicaram com os métodos de produção de alimentos. Encontramos a cura para todas as doenças que eram fatais à 100 anos, e criamos muitas outras que geneticamente foram modificadas. Os humanos nunca estiveram tão vulneráveis em séculos. Nosso derradeiro fim se aproxima, não pelo o que criamos, mas pelo o que aguardava seu momento para despertar. NÃO FORAM SÓ LENDAS! Ele existe! Meu Deus, ele existe! Um continente inteiro ergueu - se do oceano, o Grande Antigo não era uma história, ele é A HISTÓRIA. Nossas armas não podem parar seu avanço, destruímos nosso ecossistema na tentativa de impedir. Mas ele é a cólera apocalíptica, a reação do universo para tudo que nos tornamos, o que somos. E nesse momento, no porão da minha casa, eu, minha esposa e filho aguardamos a chegada da morte. Seja pela fome, pela loucura, pelas pílulas em nossas mãos. Estamos entregues aos desejos do universo que trouxe para cá o novo rei e algoz desse mundo."


-Homenagem ao grande H.P Lovecracft

Você que tem raiva
tá chateado com o amor
Experimente valorizar
A quem te dá valor.

Tente sorrir pra quem te olha feliz
Já chega dizendo: "te olhei e te quis"
Sem pausa, sem medo, sem adiamento
Sem criar na própria mente o tormento.

Azar de quem te deixou passar
Lá fora tem gente esperando,
Não chore, nem fique assustado
Não apela, não insista, não se sinta mal.
Toda história tem sua narrativa, com certeza, feliz no final.

Levanta que o tempo não espera
Não seja infeliz por ninguém
Na vida que a chuva carrega
Não cabe um final sem porém...

Você era desejado
E de todos os pecados
Cometeu o mais infeliz
Querer quem não te quis.

⁠É estranho, e totalmente possível,
Mas alguém pode te amar tanto que precisa partir.
Eu sei, parece confuso.
Na nossa mente condicionada a pensamentos filosóficos.
Amor não separa, não expulsa, não condena ao banimento.
Desde pequeno você houve sobre o amor de uma mãe, e projeta em todos os amores o mesmo ideal.
Mas é um equívoco. Você vai amar tanto uma pessoa, que talvez, só a morte os separe, e talvez nem ela seja capaz.
Mas em outros casos alguém pode te amar tanto que chega a se perder dentro de si, que perca o amor primordial, que é o próprio.
Nesse momento quem te ama partirá, não por deixar de sentir, mas por sentir tanto por outro que fez falta para si.

Se amas verdadeiramente um pássaro, por mais que seu canto traga paz, sabes que é no céu, distante de ti, que sua verdadeira canção será cantada.

Ame à ponto de dizer adeus.

(trecho de um livro de ficção que estou escrevendo)


“…e então ele disse: enquanto o egoísmo habitar os homens, a guerra jamais deixará de existir.”