Poemas de Espera
Chegamos até eles
Estamos sempre à espera: do ônibus passar, da nossa vez de falar, do tempo melhorar, da notificação chegar, da vontade vir e da vontade ir. Ficamos na expectativa até mesmo do momento em que a nossa vida, enfim, aconteça.
Só que na verdade, não seja a vida nem os momentos que chegam até nós, acredito que em algum momento, nesse lapso de tempo em que nos perdemos esperando, somos nós que pouco a pouco, chegamos até eles.
Fases da cura
Na cura a gente erra,
acha que supera
e aprende com a espera.
Na cura a gente se rende,
no processo se desentende
e depois, se surpreende.
Na cura a gente se descobre
percebe que na ansiedade,
a gente só sofre.
Na cura a gente sorri,
e relembra o quanto
é necessário sorrir.
Na cura a gente se ajuda,
percebe o quanto
a gente muda,
até que finalmente
a gente se cura?
O amor vem quando menos se espera, vem sem avisar,
vem na ternura de um verdadeiro sorriso...
E na sensibilidade de um sincero olhar.
O tempo impiedoso devasta os sonhos
Desfigura as escolhas e a certeza
A dor habita na espera
E toda esperança depositada nesta
Sucumbe revelando a ilusão
Que pouco a pouco dilacera...
O vazio do passado, a angústia da intenção
Se ampliam deixando sem direção
Os pensamentos mergulhados na pura decepção
Que delicadamente impera.
A solidão novamente se prende aos passos,
Carrega-se outra vez o fracasso
O que imaginou ser não era!
Áspera Seda
A espera se envereda,
O antídoto se envenena,
A insinuação se confirma,
Fora do set é nossa cena.
Personagens sem cenário,
Um roteiro sem um texto,
O conjunto separado,
Um dueto sem contexto.
Meras associações
Citadas sem nexo,
O reflexo de mim
Colocado em anexo.
Áspera Seda,
Áspera Seda,
Me absolve, me condena.
Áspera Seda,
Áspera Seda,
Me envolve, me sustenta.
Abrigado ao relento,
Apagada a centelha,
Um carinho, um acalento,
Rosa Vermelha.
Lágrima seca,
O norte no sul,
A chuva impermeia,
A Rosa Azul.
Áspera Seda,
Áspera Seda,
Me absolve, me condena.
Áspera Seda,
Áspera Seda,
Me envolve, me sustenta.
A lágrima seca,
Apaga a centelha,
Áspera Seda,
Rosa Vermelha.
Este é meu reflexo,
Colocado em anexo.
A minha herança é essa.
Áspera Seda,
Áspera Seda,
Me absolve, me condena,
Me absorve, me alimenta,
Me envolve, me sustenta.
Áspera Seda.
Um bom amigo irá te acompanhar , irá discordar guando você estiver errado...
Um bom amigo espera o melhor pra você, um bom amigo não substitui um irmão, mas pode se tornar um irmão.
Pobre e todo aquele que não tem um bom amigo.
Sereno e calmo é o amor
paciente espera sem tempo e sem pressa
não perde a crença acredita
que a vida trará quem se espera
para assim por fim amar seu amor como recompensa
É triste se apaixonar por alguém
Que não te enxerga
Alguém que espera por um semideus ou um príncipe encantado
E você sabe que é só um ser humano apaixonado
Que entregou o coração pra ser feito em pedaços
É triste amar e ser feito de palhaço
Ser sincero e verdadeiro
Enquanto é humilhado
É triste ama a quem não se importa
Com o amor que está acima de todos
E ignora os sentimentos de quem ama
Pois quem ama não espera nada além
Do próprio amor
Por que quem ama
só ama com toda a vida como único bem de valor...
Desilusão
A madrugada é longa quando se espera por respostas.
A calma e a paciência pode trazer
paz a mente e ao coração.
Dessa forma, fruir de uma harmonia interior,
e poder contemplar o invisível de Deus
em tua vida.
O ouro dentro de você
Espera o seu olhar
Quem o encontra segue tranquilamente
Tudo entrega, nada retém
O ouro aguarda seu despertar.
Cada caminho um descaminho
Cada detalhe uma soma
Cada espaço um entalhe
Cada espera uma demora
Sigo a estrada do porvir
Cheia de sonhos e alianças
Pelo surgir da aurora
Entro nos passos desta dança
Ponteiros que giram no incessante tempo da espera.
Sonho que dorme com a aurora.
Vozes que me buscam sem trégua.
Saudades sem fim.
Contando os pontos sem pontas.
Horas cheias de vazios pontuados na mesmice da espera.
Nada movimenta os ares anunciando a sua chegada.
Outra noite repleta de saudades e sem você.
A espera que acena desesperança.
O silêncio que avisa falta de gosto ou desgosto caminhando.
A hora que chega sem muito mudar.
É o sinal que doe em minha alma.
Venha sem a tortura desta espera.
Não será preciso anunciar.... mas apareça depressa.
O açúcar sob a chuva vira água em pouco tempo.
O tempo passa e sem retrocessos.
Oportunidade ida é tempo findo.
Grande ilusão morta no espaço tempo...
Do fundo do copo...
Disfarçando a espera de um qualquer sofrimento...
Pelas saudades que lhe aterram...
Procurando no amor a felicidade...
Entre conversas vãs...
Entre os descasos sem cuidados...
Pertencer a quem souber...
Apreciar os trejeitos...
No íntimo mais profundo...
Ignora o silêncio e o eco...
O que o coração murmura, a voz não diz...
Entorpecido sente-se feliz...
E vão-se em mar a fora...
Os sentidos embriagados e mal sentidos...
Que tudo é ilusão que esta alma sente...
Se nada há de novo e tudo o que há...
Sentir prazer em deitar-se com o perigo...
Que alguém lhe mostre a tua imagem, como tantos, sem sentido...
Sem expor à vergonha...
Sem alardear seus gemidos...
Pobre esperançado...
Que anda crê na ilusão…
Do amor…
Da fantasia...
Que nas portas dos bares aguarda...
Alguém a lhe acompanhar pelas ruas...
Tudo posso esquecer em minha vida...
As visões em minhas estradas percorridas...
Só não consigo me esquecer no entanto...
Dessa figura de alma nua...
Sandro Paschoal Nogueira
Aqui onde se espera...
Sempre um lenço de despedida...
Em alma que flutua...
Na luz órfã do dia...
São certos os abismos...
Escondendo os perigos...
Da mentira que roda e enlaça...
Sufocando toda graça...
Do falso amor sentido...
Descobre-se impaciente os recados...
Sentado à mesa dum café passado...
Pega-se pensando e quando socorreste o miserável...
Percebesse estar só e só ter criado embaraços...
Talvez não suspeites...
Que na verdade nenhum lugar ocupastes...
Apenas distraites...
Com o que não te pertences...
Na escuridão que procura e adormece...
Rolando o leito que se aquece...
Nenhum conhecido que tivesse...
O amor que o pegue criado...
Terra assombrada que lhe é devida...
Cuja vida é água a correr...
Para a fronteira fechada...
Enganando-se a sofrer...
Aproveitar o tempo...
Tirar da alma os bocados...
Antes só...
Que mal acompanhado...
Sandro Paschoal Nogueira
