Poemas sobre chuva para transformar dias cinzentos em versos
Sem máscaras
Hoje a chuva insisti em cair densamente no solo debilitado e esta automaticamente escoando todas as sujeiras pelas valas.
Agora de alma lavada, torço para encontrar a minha próxima pessoa amada, desta vez sem máscaras.
Distorção
A chuva torrencial caindo transformando as palavras em lama,
os espinhos cortando o arranha-céu como lâminas,
curvas perfeitas, inclinação de noventa graus com a semelhança de um coração debruçado,
um mar de desejos, lágrimas espalhadas pelo chão.
Auto encontro
Na escuridão ouvi o som da chuva e também ouvi as batidas do meu coração.
Lá fora, vi animais se escondendo da assustadora claridade dos raios e dos sons dos trovões, vi as árvores balançando e o rio se elevando; aqui dentro vi os erros e os defeitos se escondendo com vergonha de seus feitos ao mesmo tempo pude perceber uma vibração sincera querendo se expandir e evoluir na direção certa.
Antes o que era nada ganhou força e virou tudo e o que antes era metade de tudo foi transformado em algodão logo foi jogado pela janela sendo carregado pelos ventos fortes para bem longe e nunca mais foi visto.
Gotas
Gotas de chuva caem sobre o espelho mas não conseguem limpar o coração,
gotas de chuva caem como lágrimas mas não conseguem lavar os sentimentos,
gotas de chuva caem sem parar formando um rio, porém não tem o poder de penetrar na alma.
Em paz
No ritmo do vendaval a cachoeira fazia chuva no oásis,
Na sombra da árvore o beija-flor dançava polinizando,
O barulho dos castores ecoava pelo vale rio acima ,
No deslumbre da calmaria, dois corações indomáveis respiravam os afagos dessa brisa de paz.
Na noite chuvosa, a sonata se dissolve na chuva, um murmúrio que envolve o silêncio onde me escondo. Cada acorde é um suspiro que congela o tempo, abraça a dor calada,
faz da angústia um manto suave
que me protege entre gotas e sombras.
Sou mais da chuva… Ela desce como quem lava os silêncios que me habitam, desfaz a poeira invisível que cobre meu espírito.
Enquanto cai, borra as dores, dissolve as arestas do peito.
O sol, ao contrário, me expõe como vitrine vazia: sua luz varre os cantos,
revela rachaduras, escorre sobre minhas lágrimas… as que finjo… não existir.
Previsão do tempo,
Seja sol se alguém precisar.
Dance na chuva,
Se alguém te convidar.
Ele passa rápido,
A cima de tudo seja feliz.
Cai solene a chuva fina,
Escrevo como quem furta
As flores das casas alheias,
- apoiadas nas cercas
Pulando todos os muros,
Escrevo para roubar corações.
Tenho orgulho deste par de olhos,
Que glorificam as alturas,
Desabrochando todas as ternuras
À procura de mais de mil revoluções!
Sai infrene a letra delfina,
Escrevendo como quem reza
Pelos poetas perseguidos,
Pelos que foram exilados
Pela eliminação sutil;
Para que jamais se finde a primavera.
Tenho loucura pelo teu perfume,
Que brindou o meu caminho,
Dissipando as minhas trevas,
Por você sou água, fogo, ar e terra.
Ai, perene desatino!
Escrevo como quem espera
Os teus beijos de ouro
As flores se abrem como oráculos,
Ainda o céu há de testemunhar:
O mais luminoso de todos os espetáculos.
A chuva de prata anuncia:
o amor que você confidencia.
O sabor da vida desafia...,
é amor que também escandaliza.
A artista desenhando a estrada,
a alma de um homem estradeiro,
A vitória de um amor perfeito,
a vida celebrando cada passada.
A janela do tempo aberta,
- o amor que você acredita
É flor desabrochando no canteiro,
- a poesia antes desconhecida.
O rouxinol na mão saudando
o dono do viveiro,
O fado manso na tua mão,
o mel em forma de canção.
O vento batendo na janela,
a Lua iluminando o chão,
O Sol projetando o amanhã,
a vida é sempre uma promessa.
O Oceano Atlântico
que nos abraça
sempre romântico,
Faça Sol ou faça chuva
concede possibilidades
tão claras de pensar
na vida quanto uma
bela Água-marinha:
Conviver mesmo
divergindo sem deixar
para trás o quê é
essencial e sem quebrar
os laços ao redor
de tudo aquilo
que nos faz fortalecidos
é possível e imprescindível.
Esperar a chuva passar
e o céu glorioso se abrir,
com você eu sei como
e para onde devemos ir
seja no topo da montanha
com o som do carro
ligado nas alturas
enquanto tocamos estrelas
ou estar presente sempre
quando lê os meus poemas
com você sempre sei onde
ir porque olhos nos olhos
o fluir de um pertence
ao fluir do outro a impelir
rumo a direção ainda
mais alta ou a mais profunda
que nos leve a colocar a expectativa
sobre uma Acropora subulata
esférica potente para que nada
nos alcance e tudo em nós
seja mantido sob proteção oceânica.
Poesia para a Chuva em Rodeio
Chove poesia em Rodeio,
o silêncio da cidade só
faz aumentar a sinfonia,
No meio da escuridão
respiro os ares da nostalgia,
Não tenho receio de lidar
com tudo aquilo que fui,
sou e para sempre serei:
fazendo do amor a minha lei.
Bolinho de Chuva
Bolinho de chuva
feito na hora
sempre acaba
fazendo história,
E faz com que
se esqueça até
que chove lá fora.
Chuva do Outono
As luzes da Cidade de Rodeio
acesas sob a primeira
chuva do Outono que se achega
enquanto repousam
os Canários-da-telha,
a roseira se refresca,
o coração dança
na cadência da Terra
aspirando ser a sua
vida inteira e entrega
para o Universo o primeiro poema.
Rodeio 32
Sempre enche de ternura
o olhar faça Sol ou chuva
o abundante bananal
quando passo de pedal
pelo Bairro Rodeio 32,
E para afastar o Mal,
pedir proteção para a minha
vida paro para fazer sinal
da Cruz na Capela São João Batista.
A Chuva dando de beber
as matas e ao Limoeiro,
Chovendo Chuva neste
momento em Rodeio
e quando você vier quero
sair por aqui a passeio.
Quarta-feira de Cinzas
A chuva lava as cinzas
do Carnaval para abrir
caminhos quaresmais,
No ano que vem tem mais
e o importante é seguir
buscando ser feliz em paz.
O meu coração nas tuas mãos
delicadas vira um pandeiro,
Que faz ele bater sem machucar
porque o amor chegou imenso.
Na sublime Mata Atlântica
e nos quintais dos lares
florescem as quaresmeiras
rosadas ou lilases,
Brindando os atentos
olhares para a beleza da vida.
É Quarta-feira de Cinzas,
e pelo amor da gente já vou rezar
para o Senhor proteja do mal
e nos leve sem tropeços para o altar.
Sopra a ventania
sobre Médio Vale do Itajaí,
a chuva chegou aqui
cidade de Rodeio
refrescando a terra
e o meu pensamento.
Agradeço a chuva por trazer
a sua poesia do tempo
que apazigua e convida
a contemplação profunda
de ver a Mata Atlântica
coberta por sua ternura.
A chuva fazendo a sua
percussão austral traz
o levitar transcendental
da pluma poética sobrenatural
para transformar em inspiração total.
O poeta como súdito
do tempo sabe colocar
tudo no lugar: o Sol, a Lua,
a Chuva e as estrelas
sabendo muito bem ordenar
a memória nos seus poemas,
Assim ele segue guardando
o tempo, a memória
e o sentimento sempre necessário
que venha ser resgatado,
Tudo depende do coração que sente
estando ou não ao lado,
porque lidar com gente
pede jeito, amizade com tempo
e delicadeza com o sentimento.
.
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