Poemas da Terra
INFÂNCIA
Quem sabe um dia eu voltarei
Para terra onde eu nasci
Reviver minhas lembranças
De quando eu era criança
Do bom tempo que eu vivi
Quem sabe um dia eu voltarei
A morar no lugar onde cresci
Matar aquela saudade
Das brincadeiras
De todas as tardes
Que me fazia feliz
Quem sabe um dia eu voltarei
A pisar nesse chão
E sentir na pele a infância
Daquela boa lembrança
Que ficaram no coração
Quem sabe um dia eu voltarei
Para minha terra amada
Um lugazinho hospitaleiro
De um povo humilde e verdadeiro
Uma nação apaixonada
Quem sabe um dia eu voltarei
Para aquela terra encantada
Meu mocambo do Arari
Tenho muito orgulho de ti
Minha cidade abençoada
Quem sabe um dia eu voltarei
Sentir a Terra molhada desse chão
De quando choveia na estrada
Que boa a sensação
De sentir no coração.
Quem sabe um dia eu voltarei
Essa distância entre eu e você
É da terra até a lua
Longe de mais sem poder tiver
É um mundo sem noção
Sem batidas no coração
Sem ar pra respirar
Sem forças para andar
É uma tremenda solidão
Que habita em mim
Sem te ter aqui me sinto só
Mesmo que o mal suba ao pódia
E ganhar medalhas e trofeus
O bem sempre será exaltado
Aqui na terra e la no céu
Mesmo que exista o mal
Para atormentar a nossas vidas
O bem sempre vai granha, porque ele ainda é maioria.
CABURI
Caburi, minha grande inspiração!
Esmeralda verdejante de amor
Terra que fascina, lugar divino e hospitaleiro
Esplêndido de maravilhas é esse lugar
Que em teu burgo se fez infância
É canto de esperança, que brilha nos olhos
de cada criança um sonho a ressoar!
Caburi de maravilhas e belezas
Fruto, das grandes farturas e riquezas
Flor divina minha grande princesinha.
Colírio dos olhos de quem tem orgulho de amar,
sumptuoso de prodigalidade a origen desse chão...
Caburi, terra milenar, coração que abriga
e transforma a arte que pulsa forte dentro do peito.
Em teus lagos o alimento, e em teu povo
o suor e o lamento de lutar no dia dia
Onde a fé te permite acreditar e em tua religião exaltar,
aquém te abençoa!
Caburi tuas raízes se fez história, teu legado.
É inspiração de um povo que sonha
no alvorecer das manhãs...
Fosse eu meramente um ponto sobre a face da terra,
Restaria-me viver para morrer.
Assim vivem os desnaturados. Graças a Deus, sou lúcida!
A vida pede socorro. A terra, as pessoas , os animais. Pede porque ta faltando afeto, ta faltando bem querer, ta faltando cuidado, ta faltando o achego a Deus. Não deixe que seu amor esfrie também. Não deixe que a maldade de alguns te cerque de espinhos. Ainda existem muitos que se empenham em fazer o bem, em ajudar, em colaborar com um mundo melhor. Todos podemos fazer um pouco... todos devemos fazer um pouco. Palavras aquecem o coração, mas é importante agir também. Quantos estão ao seu lado, muitas vezes precisando de algo? Vamos dar afeto, vamos dar amor, mas vamos ser mais participativos ... Caridade é aquilo que se faz quando o amor transborda em ações. Vamos cuidar mais um do outro. Vamos deixar a alma doce e as mãos serem usadas como instrumentos de Deus. Ilumine sua vida e a vida dos que estão ao seu redor. É bom , encanta e faz bem!
Lene Dantas.
AMOR AO BRASIL
Minha terra é um paraíso
Verdes matas, céu de anil;
Sou feliz e não preciso
De outra, senão o Brasil.
Quem trabalha e tem bondade
Faz da vida uma canção
Com justiça e liberdade
Brasões da nossa nação.
Pois, com atitude rara,
Segue o rumo verdadeiro,
Resiliência é a cara
Do bom povo brasileiro.
Mesmo em tempos de porfia
Entre o bem e o mal hostil,
Deus protege, noite e dia,
Os destinos do Brasil.
PedrO M.
Ninguém sabe quanto tempo ainda tem nesta passagem pela terra, então busque por coisas que fazem sentido para sua alma.
Afaste o vazio!
Pense na vida como uma melodia e faça da vida a canção mais bela que puder e crie momentos memoráveis.
09/07/2022
"O tempo na Terra é o mesmo tempo no universo? Quando o homem se dá conta de que o seu tempo serve somente para seu mundo, ele se depara com a grandeza do universo e entende que o tempo é curto entre o homem e o universo."
Trecho do livro de Daniel Antonio
20/09/2023
AS CORES
"As cores são tão lindas e estão em todo lugar sob medida entre o céu, a terra e o mar.
Nem para lá nem para cá, está tudo em harmonia como deveria estar.
As cores das nuvens completam o céu, assim como o brilho da lua em uma noite de luar.
Mágico é pensar que tudo coopera para algo completar."
27/01/2024
NA TERRA DOS ESTARRECIDOS
Lá, na minha terra, gostam de mim,
Mas muito ao de longe,
Porque ao longe,
Assim
Feito num monge,
Não lhes calco os calcanhares
Nem lhes corto os discursos,
Iguais aos dos ursos
Arraçados de muares.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 23-11-2022)
A MENINA E A ÁRVORE
Desprevenido, plantei-te!
Sem escavar sequer um palmo
De terra do fundo germinador.
Quando brotaste o tronco esguio
E os ramitos
Pequenitos
Numa manhã chuvosa,
Custosa e fanhosa
De um Março marçagão,
Colei a minha trémula mão
À tua tão pequenina,
Magrinha,
Comprida, de pianista.
Parece impossível!
Haverá alguém que resista...
Deste-me na minha um esticão,
Como a querer fugir de mim.
Tomei isso como premonição
Negra,
Amarga
E fúnebre.
Continuas com a tua mãozita pequena
Da tua árvore a envelhecer
De madura,
No tronco e nos ramos
Mas com as maçãs tão verdes,
Ácidas,
Intragáveis.
Tão inutilmente
No perto,
Longe
De mim.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 06-05-2023)
TERRA-MÃE
Vinha o outono, de mansinho, a caminho.
Caíam chuviscos, ariscos, na terra-mãe.
Mostrava ela o interior do útero em ferida,
Naquela terra mártir em sôfrego revolvida,
Depois de lhe apararem os frutos do pão.
Daquele pão que ela nos dá airosa,
Famintos que somos do seu sabor
Que mata a fome da boca e do amor,
Mesmo quando a pedra nos sabe a rosa.
Era aquela terra, seio esventrado
Pela charrua crua e pelo arado,
Que depois serena acolhia a semente
Nas entranhas do húmus complacente.
Parecia-me uma mãe dolorosa
Que tinha acabado de dar à luz
Tantos filhos de uma vez só,
Que até o Criador celeste facundo
Em tom suave e místico, profundo,
Num clarão celeste que cega e seduz
Lhe começou a chamar de forma ardilosa,
Terra-mãe e avó-terra e eterna do mundo.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 16-09-2023)
OUTONO SEM COR
Dantes, eram cores e terra em sono.
Eram paletas de inebriar no outono.
Agora, não sei porquê,
Ele já não pinta nem dorme
Nem come com fome.
Será que ele vê
O mundo mais estarrecido,
Que já nem folhas deixa no chão,
Quase todas tombadas no verão?
Que outono este, tão distraído…
E eu que queria tanto pintar
Talvez mais até borrar
Uma tela,
Simples, singela,
Com cores mágicas de encantar.
A minha musa inspiradora
Do outono multicor,
Sumiu-se farta da pose,
Nervosa pela neurose
Do mau pintor
Plebeu,
Que sou eu.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 26-09-2023)
DAQUI
Desta terra em que vos falo,
Outros em tempos a habitaram.
Consta que dela também se fartaram
Dos mandadores crista de galo.
Ó terra amarga de que não calo
As injustiças tamanhas,
Dos que a roubam sem abalo,
Por ardis e artimanhas.
Os ouriços embrulham castanhas
Com a carapaça picante,
Assim me rasgam entranhas
Gentes do pior tratante.
E então logo num instante
E sempre que for preciso,
Peço aos mandões não obstante,
Que tenham melhor juízo.
SAUDADES DE JÚPITER
Vivi tantos anos algures,
Num telúrico planeta
Chamado Terra...
Fugi para Júpiter um mês;
Esqueci o telúrico
E abracei o gasoso,
Num gozo
Sulfúrico.
Lá voltarei um dia, talvez …
Deixou-me saudades
O que Júpiter encerra,
Maior vapor
E muito mais amor,
Que na própria Terra,
De tantas necessidades.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 27-11-2023)
Terra Vermelha
Onde foi morar minha saudade
Esta longe demais
Para alcançar com um abraço
Foi morar em outra cidade
Viajo horas ansiosa
Vendo lindas paisagens
E imaginando o reencontro
Chegou em terra vermelha
Me pego com um nó na garganta
Tanta coisa pra falar
Pouco tempo pra aproveitar
Logo acaba euforia
E o vermelho fica
Na solado sapato
Nas minhas meias
No pneu do carro.
Ser um espírito.
Desprender-se de tudo que está na terra, da humanidade e do palpável.
Voar por aí, virar o ar no céu e a água na terra.
Atravessar todo o possível e qualquer obstáculo.
Um animal, aquele que voa no ar e nada no mar.
Um espectro.
Se fosse escolher a terra, seria o verde.
Metrô
Uma Odisséia Urbana
No ventre sombrio da terra, a multidão se acotovela
Corpos exaustos, almas inertes, a esperança que se revela
Nos rostos, a marca do cansaço, do tempo que se arrasta
E a melodia do silêncio que nos basta
Nos vagões, a solidão se agiganta
Cada um em seu canto, perdido em suas fantasias
Olhares vazios, palavras sussurradas
E a sensação de que a vida nos ignora e nos distancia
Nos túneis, a escuridão nos engole
E a voz do abandono ecoa
Somos sombras errantes, perdidas no labirinto
Buscando um fio de luz, uma razão, direções
Nas estações, o tempo se suspende
E a multidão se transforma em um mar de rostos
Em cada um, uma história, um drama
E a certeza de que a vida nos prega tantos gostos
Mas, no meio do caos, a esperança renasce
No metrô
A vida pulsa
E a poesia
Floresce
Viagem à terra do nunca
Numa noite sem igual
Acho que fiz aquilo por mal
Sentimentos eram defasados
Sonhos, então, desacreditados
O acerto de contas veio
Um tanto tarde, eu sei
Risos estranhos haviam
Todos friamente sorriam
O caminho da podridão
Cada vez mais perto de nós
Estava tudo errado lá
Agora já foi, tanto faz
Tal viagem foi longa
Cheia de perigos do destino
A viagem à terra do nunca
Reservava algo mítico
Cenas de um amor patético
Que jamais serão apagadas
Aquele meio de transporte
Ainda percorre as estradas.
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