Poemas da Terra
sou o que sou
assim sem rodeio
porque vivo entre:
nós e laços
a faca e o queijo
o céu e a Terra
o grito e o silêncio
a cruz e a espada
os sonhos e a realidade
os pensamentos e os sentimentos
a paixão e o amor
o espinho e a flor
as palavras e o silêncio
as vitórias e as derrotas
a impaciência e a intolerância
a alegria e a tristeza
o material e o espiritual
o meu tempo e o mal tempo
o monólogo e o diálogo
o ir e o voltar
as poesias e os poemas
os amigos e os inimigos
todas as coisas
os intervalos
todos
outros
aspas
o amor
quatro paredes
segredos
a vida e a morte
o inferno e a sorte
de ser quem eu sou!!!
ESPERANÇA!
O sol vem causticante
em cada pingo de suor
sem ter por onde plante
procura terra melhor
a seca ainda é gigante
mas em todo retirante
a esperança é bem maior.
De onde brotou meu sangue? Da terra de lobisomem, aonde passou lampião, que beijou Maria bonita.
Brotou de terra árida, onde só mandacaru se cria, gente por lá é cumpadi, seu Zé ou dona Maria.
Minino tem que pedir benção e recebe de volta; Deus te crie...
De lá, não trago lembranças, pois tudo o que sei, foi de ouvir falar, mas dos ancestrais trago orgulho mesmo nunca tendo estado lá.
Ah! Acende toda luz,
Iluminando a Terra
que convive com a dor,
Sem esperança.
Vai onde há a dor, e cura!
Vai onde não há amor, e ama!
Vai onde há a dor, e alegra!
Vai onde não há amor, transforma!
Teu toque forte muda a sorte de quem Te encontra.
Deus, onde estás?
(Deus, onde estás?)
Como podemos saber o que vai acontecer na terra depois da nossa morte?
Todos se esforçam para ter o melhor desta terra; contudo, o seu apetite jamais se satisfaz.
O que tem o sábio a mais do que o tolo?
O que tem o pobre que sabe andar perante os vivos?
É muito melhor ficar satisfeito com o que se tem; do que estar sempre querendo mais.
Isso é ilusão; é angustia de espírito.
Súplica
Tirem-nos tudo,
mas deixem-nos a música!
Tirem-nos a terra em que nascemos,
onde crescemos
e onde descobrimos pela primeira vez
que o mundo é assim:
um labirinto de xadrez…
Tirem-nos a luz do sol que nos aquece,
a tua lírica de xingombela
nas noites mulatas
da selva moçambicana
(essa lua que nos semeou no coração
a poesia que encontramos na vida)
tirem-nos a palhota ̶ humilde cubata
onde vivemos e amamos,
tirem-nos a machamba que nos dá o pão,
tirem-nos o calor de lume
(que nos é quase tudo)
̶ mas não nos tirem a música!
Minha terra é diversificada
Todas as etnias temos por lá
Das negras as brancas, das índias e pardas
Todas vem a recitar
Na minha terra sou amarela
Como a areia ao lado do mar
Nenhum mal nunca sofri
Pois minha cor sempre há de me salvar
Minha terra é preconceituosa
Pronta para marginalizar
Pois um negro segurando guarda chuva
É morto para nos "salvar"
Minha terra precisa de cura
Está sim será difícil de encontrar
Pois a cura está somente no amor
E o preconceito nos impede de amar.
Mulher, é como estrela que brilha no céu
é o sol que ilumina a terra
sem pensar conquista o mundo
é como ponto de equilíbrio do universo.
Mulata de Benguela
Mulata da terra de Pepetela
por ti me apaixonei
Dei-te o meu coração
essa paixão é tão linda
Os pingos da chuva são músicas
A terra seca festeja
Fica alegre, esbanjando beleza
Dando frutos de presente
Obrigada natureza.
NORDESTE LAR.
Nordeste Deus quem fez
nossa terra prometida
no sertão tem escassez
no litoral água fluída
e que vem com sensatez
passa férias uma vez
e quer ficar pra toda vida.
Único momento de reflexão
Entre a terra e o sol,tenho um filtro que não me ultrapassa,toda a envolvência da natureza,respiro,para mais uma tirada
Mais um dia que passou,cheguei bem,passei pelos perigos adversos que fintei, através do meu olhar enriquecido por mais uns bons kms,sozinho entregue ao mundo e á máquina.
Assim respiro......
(Adonis silva)04-2019)®
Noite quente
Durante a noite quente,
numa faixa de terra
O mar reflete o céu
A lua brilha no mar
Recife o meu cantar
De porto a atracar
Para capitania a prosperar
Lugar onde o mar ressoa sem sessar
Dá sé, ouve-se o cantar
Do velho Barroco a ladrilhar
Duarte Coelho que fez vingar
E Bento Teixeira a prosopopeia narrar
Terra dos altos coqueiros
Do marco zero e do frevo
Recife, mar
Ah, Recife
Amar!
IDA!
A seca é um agouro
acaba tudo que se investe
racha a terra, mata o touro
e a esperança que me reste
pego o meu gibão de couro
e vou deixando meu tesouro
que é viver no meu nordeste.
Eu sabia que tinha de haver um sítio
Onde o humano e o divino se tocassem
Não propriamente a terra do sagrado
Mas uma terra para o homem e para os deuses
Feitos à sua imagem e semelhança
Um lugar de harmonia
Com sua tragédia é certo
Mas onde a luz incita à busca da verdade
E onde o homem não tem outros limites
Senão os da sua própria liberdade
Deus
Por Aquele que está na terra e no ar,
O meu Mentor e meu Senhor.
Sem ELE nada seria possível voar,
Com Ele sou mais que vencedor.
Tenho o Deus da promessa,
O Deus de todo o impossível,
O meu Deus não atrasa e nem tem pressa,
Tenho um Deus presente e visível,
O meu Deus é libertador e salvador,
É Aquele que cura uma dor,
O mais forte e protetor,
Fonte inesgotável do amor.
Amor que não se cobra,
Amor simples e imensurável,
Amor que jamais sobra,
Amor ágape e incomparável.
Deus que não se mede,
Apenas o seu poder podemos sentir,
Um poder que logo se percebe,
quando Dele,se tenta fugir.
Pode-se enganar todo mundo,
Mas o mundo jamais enganaria Deus,
Ele é algo sublime e profundo,
Beleza explícita aos olhos meus.
Lourival Alves
Eu tempestade
E se sinto minhas gotas caírem na terra, me sinto viva.
Se clareio os céus em meio a escuridão me faço guia.
Se meus gritos se fazem estrondos em meio ao silencio, me encontro fria.
E se me embalam os ventos, secam também minhas magoas.
Mas se é de secura minha situação, me vejo rachar e cair em pedaços pelo chão.
Daqui o céu não se enxerga, pois a densa poeira cobre a claridade do dia.
Me faço noite.
Mesmo assim nada passa.
Os ventos cortam a pele como se carregassem pequenas laminas frias.
Me faço então poesia. Aceito a condição de tempestade sem vida.
