Poemas da Névoa
Na Ilha do Poderá, as piores constatações são encobertas pela névoa de suas próprias calamitosidades.
– Odeio a névoa. Tenho medo dela.
– Quer dizer que você a adora. Tem medo porque é mais forte que você, odeia porque tem medo, adora porque não pode submetê-la a você. É que só se pode amar o insubmisso.
Embora pouco possa ser visto através da névoa, existe dalguma forma o feliz sentimento de que se está olhando na direção certa...
Neste dia gelado qie anteve o inverno.sob nevoa e neblina ao amanhecer..gotas de orvalho congeladas fazem a paisagem do RS incrivelmente linda,gelida mas aconchegante...Como o tempo exige..e nada como um cafe quentinho,ou um chocolate quente pra aquecer ainda mais...Um cobertor quentinho e pipocas!! Pra quem pode ,logico!!rsss
Quando Toco Meu Sax Cachimbo, viro Névoa que se Esvai. Quando toco Minha Gaita...é a Brisa Leve que Cai... Rolemberg.
O mundo se fez névoa; o amor se refugiou nos corações esquecidos, e o povo perdeu a força de procurá-lo.
No fim, o silêncio é a névoa espessa que apaga o mundo lá fora, deixando-o a sós com o eco de passos que a nossa mente ainda não deu.
A verdade não se revela no espelho da lógica, mas se dissolve na névoa da experiência, onde o que vemos é mais o reflexo da nossa própria consciência do que a realidade.
Quem não lê acaba sendo engolido pela névoa do desconhecimento, engolido e lido pelos que leem o mundo. A leitura deve ser de prazer e levar à cura. Mas ninguém lê só palavras. É necessário ler as pessoas sem julgar o final da história antes do fim.
Nildinha Freitas
Brejaúba descansa no fundo de um vale, protegida por montanhas, onde o inverno rigoroso e a névoa que abraça o largo da igreja criam um cenário de beleza singular.
Por trás da névoa dourada do crepúsculo se esconde o negrume da noite, o arfar do sol beijando a lua, e o bocejar esmaecido do sono adentrando o portal dos sonhos.
As horas adormeciam em lírios de névoa dourada adornando o destino a escrever cartas de fogo nos mapas da imensidão. A saudade florescia em minha poltrona inerte a apertar o coração leve e pesado, em cada lado do aorta. O crepúsculo sempre presente lia lentamente o sangue púrpura do dia. O inverno esculpia catedrais de gelo no âmago do silêncio. E a eternidade me olhava atônita como quem desconhece e caminhava descalça pelos salões do infinito. E eu pensava que somos mortais, enfim. O oceano desconhecido escondia relâmpagos azuis sobre o manto das marés. E eu pisava a areia com força, vontade de permanecer. A noite espalhava estrelas pelas ruas dos cidadãos e seus pensamementos navegavam por arquipélagos de lembrança. Mas eu estava séria, compenetrada e em nada pensava, apenas via as nuvens coloridas no céu, que eram pungentes. O tempo possuía a voz antiga das bibliotecas desertas e eu lia apenas as imagens, cansada que estava das retinas. A chuva desenhava partículas líquidas no telhados das casas. E a chuva era aprazível e contava muitas histórias de um tempo remoto. A solidão acendia velas negras nos corredores da alma, mas o espírito altivo já atravessou o medo e vive sereno as vozes da sala. As nuvens transportavam caravanas de sonhos adormecidos. Eu me sentia completa e nada me faltava, talvez você, mas me conformava silente que o mundo é vasto e um sentimento é muito pouco quando o céu revolto se acalma e a neblina cobre o horizonte de orquídeas e no peito a açucena dorme profundamente na calma do meu olhar. O passado repousava em céus de bem esquecer. A esperança cantava na madrugada escura e o universo derramava pérolas luminosas na flor da noite.
No Baú, onde a névoa desenha o silêncio repousa como o último enigma de pedra que o horizonte insiste em contemplar, mas jamais ousará decifrar.
Reno Fioraso
SOCIEDADE
Enquanto os do Olimpo se alimentam da claridade que fabricam, os da Névoa navegam na bruma que lhes deixam e ambos, sem o saber, são reflexo um do outro: o poder feito mito, o povo feito abstração, numa dança onde o alto e o baixo são dois movimentos do mesmo rio parado.
