Poemas da Amazônia

Cerca de 227 poemas da Amazônia

⁠Quem tem me visto implorar
Fazer poemas ao tempo
pelo fim da penosa estação
precisa saber que onde vivo
nunca houve uma primavera...
Só existe inverno e verão!
Amazônia, num ano inteiro
Tem um inverno de chuvas
E um verão de julho a janeiro!

Inserida por lulih_rojanski

⁠Caminho sobre a ponte da travessia final mirando a selva amazônica, observo sorrisos desesperados e pálidos, diante desse espetáculo.

Nenhum paraíso resplandece quando enfermidades corroem as raízes internas.

Inserida por adson_guedes

⁠⁠Vagueio pelos relevos dos contornos da mãe natureza

com sua floresta devastada

desolada

eu beijo cada pedaço desta terra inundada

O fogo voraz que a consome é

intenso.

Inserida por adson_guedes

⁠Amada expectativa,
cá estou a te sustentar
em mais um querer
que confusas criamos
jurando durar.

Antes de tudo,
me comove esse mundo
de representações vibrando
outras vidas em nós,
pulsando sem compasso
a poética dessas pobres emoções.

Profundas e superficiais,
desse tempo ou não,
por mais arriscado
e louco que pareça
permaneço colecionando
os beijos (que não dei)
nas mulheres que amei
sem coração!

Inserida por RobertaMarisa

⁠À beira, fora do centro,
me ponho a amar
tudo que lambe,
arranha,
lava,
escorre,
abre caminhos,
desmorona margens
e vai embora⁠.

À beira
sempre perto
de estar longe,
como um rio
vivo de tudo
que passa.

Inserida por RobertaMarisa

⁠O rio e o mar

(Parte II)

Ao cruzar florestas, me fiz grande,
seguindo o percurso da vida,
fui tão estreito que pensei nunca te alcançar.
Mas a terra com o impulso dos ventos,
me puseram aos teus pés
para ouvir os ruídos à superfície.

Atento, senti até o som
do teu silêncio debaixo d'água.
Sem medo da fundura,
tomei fôlego, abri o peito,
mergulhei.

E tu,sedento
pelo doce de todos os rios,
profundo e urgente
o oceano me deu.

Inserida por RobertaMarisa

⁠Estelar

Somos corpos celestes
que a atração gravitacional uniu
inversamente à distância
como um sonhar que nunca existiu.

Viemos de nuvens interestelares
distantes em fusos iguais,
feito Acre e Nova Iorque,
com temperaturas tão desiguais
capazes de explodir
qualquer estrela milenar.

Imersa na floresta densa,
longe de tudo que informava,
senti uma galáctica conexão
incumbir a tensão de uma supernova
ardendo mais que o sol,
os olhos do coração.

Sem a energia da cidade,
vi a cortina do céu se abrir.
Eu era platéia de primeira fila garantida
na própria estreia, sem roteiro a seguir...

Na cena da mínima significância,
assisti sem piscar o esplendor
de uma estrela nova iluminando o altar
de infinitos desejos que conectavam o céu
da Times Square à Serra do Divisor!

Inserida por RobertaMarisa

⁠Faísca

Ainda que eu não pudesse te olhar diretamente,
o céu enviou pingos de luzes
para a tua miragem transbordar
em meus olhos de rios turvos.

Ainda que eu não pudesse te tocar sentidamente,
Deus baixou a lona dos céus
para que eu pudesse crer
que nem a estrela mais alta
é impossível de se alcançar!

Inserida por RobertaMarisa

⁠Utopia

Entre ondas de loucuras
desenhei o barulho do mar
e chovi ao ver o sol morrer
velando a ideia de uma vida feliz
que sequer passou de um plano ilusivo.

Inserida por RobertaMarisa

⁠Ela dança na terra
com os pés fortificados,
junta tudo o que já possui
e não deseja bens preciosos.

Inserida por mariaia

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Inserida por ColoniaNazare

MEU RECANTO

⁠Meu recanto tem Pupunha
Açaí, Bacaba e Buritis
Onde canta o Poaieiro,
Jacu, Arara e o Bem-te-vi

Meu rincão ao céu engalana
Com os flumes do Guaporé
Jamari, Pimenta e Abunã,
Madeira, Machado e Mamoré

Poseidon das belas torrentes
Ictiofilhos de Yara
Pacu, Tambaqui, Surubim,
Pirarucu, Tucunaré e Pirarara

Manoa d´Eldorado poente
Porto fértil de terra garrida
Rica lavra repleta de flores
Lindos prados repletos de vida

Nativos peles vermelhas
Da minha aldeia, guardiões
Cinta larga, Surui e Tupari,
Uru-Eu, Karipuna e Gaviões

O colossal cavalo de ferro
Em dormente estrada de pau
Entre retundas, o transpor dos saltos
Santo Antônio, Ribeirão e Jirau

E como se a zelar o Olimpo
O Forte Príncipe da Beira
Dragão da Coroa Portuguesa
Baluarte sentinela da fronteira

De seus destemidos pioneiros
Amor de efeito Panambi
Minha estância tem palmeiras
Onde canta o bem-te-vi

Edson Depieri
ww.edsondepieri.com.br

Inserida por Edson_Depieri

⁠Quando me apaixonei me perdi.
Quando amei me encontrei.
A paixão tem pressa.
O amor tem calma.
A paixão adoece.
O amor cura.
A paixão cega.
A amor ilumina.
A paixão é um turbilhão.
O amor o orvalho da manhã.
Quando me apaixonei esqueci de mim.
Quando me amei virei prioridade.

Inserida por maria_da_silva_5

⁠O amor sempre ilumina.
O amor traz calmaria.
Traz boa companhia.
Traz alegria.
Sinônimo de felicidades e bons momentos.
Sinônimo de cheiro.
Tempero.
Bom paladar.
Novos sabores.
Novos lugares.
Sinônimo de amore.
Amor é magia.
Conexão e energia.
Aconchego da alma.
Mente em sintonia.
Amar é desejar o melhor ao outro.
E o desejo do outro é a sua companhia.

Inserida por maria_da_silva_5

⁠Repeti, só as boas companhias.
No percurso da vida é importante saborear novas experiências.
Olhar por outro ângulo.
Vê nossas possibilidades.

Inserida por maria_da_silva_5

⁠VISAGEM
É de encataria que se vive o povo
A fé no que não se pode ver
Na raiz, na flor e no lodo
História sinistra para se entreter?
Um assobio, um estrondo
Um vulto, uma assombração
Se eu vejo visagem me escondo
Mas ela me vê na escuridão.
Quando passo pelo caminho estreito da roça
Quando sozinho conduzo a canoa
Proteger-me não há quem possa
Do assobia do Matinta que ecoa
Mil preces já foram feitas
e promessa comprometida
mas, a mula sem cabeça galopa
no medo e no fantasia

Inserida por annielivalerio

⁠CANOEIRO

Na água doce do rio
Sopra o vento devagar
E La se vai canoeiro
Tranquilo sempre a remar

Rema sem pressa de ir
Tão pouca pressa de chegar
La se vem canoeiro
Tranquilo sempre a remar

Desliza em onda tranquila
Batida de remo a passar
Segue um canoeiro
Tranquilo sempre a remar

De bubuia nessas águas
Destino vai te levar
Manhã tão cinza e noites claras
Canoeiro sempre a remar.

Inserida por annielivalerio

⁠UIRAPURU

Uirapuru piou
O seu canto de amor

Quando o uirapuru canta
Toda a mata silencia
Bico novo, bico velho
A ele reverencia
Só pra ouvir o seu clamor
O seu canto de amor.

Sua história é de lamento,
de tristeza e solidão
A cunhã foi desprezada
E chorou seu coração

Mas, Tupã lhe deu um canto
Para sua dor acalantar
Só falando de amor
De amor para sonhar.

Inserida por annielivalerio

⁠AMAZONAS
Cavalgam com o vento
as águas na beira do rio
E carregam com o tempo,
histórias daqui e dali

E no remanso ao longe
Um mistério a desvendar
De onde brota essa fonte
que faz tão grande o mar?

É tanto rio a navegar
São as gotas dessa correnteza
Que fazem a imensidão do mar

Profundo e indomável
És liberto em maresia
Em açoites tu galopas
Nas ondas de uma melodia

E carregas nesse choro
uma canção de ninar
E o teu grito de consolo
Corre em direção do mar.

Inserida por annielivalerio

⁠Na escola eu rabiscava uma letra com o pouco que aprendia de política através do jornal de seu Pádua, que sempre era o da semana anterior:

“Até quando temos que ficar nessa exploração?
Essa terra é o meu salário e de todo cidadão
Lutamos contra a impunidade/ Pois precisamos sobreviver
Desta terra nos deixem a metade / Mas não deixam é nada pra você
Não venda a sua nação/ Ô pobre cidadão
Roubam-nos a luz do dia e não fazemos nada pra deter
A Amazônia está perdida e a culpa não dá pra esconder
Não venda a sua nação/ Ô pobre cidadão.

Inserida por jacksondamata