Poemas Amor que Rima
-Rosa Branca
Folheie-me, mas com cuidado
não quero que me deixe de lado que nem um livro amassado
Cada folha minha são como rosas brancas
são sensíveis, leves e brandas
Mas cuidado, elas tem espinhos
nem sempre é para machucar
às vezes é para se proteger daquele que só quer a usar
@poemassobremim_
Muitas vezes na vida mesmo sem perceber na busca da felicidade, buscamos a infelicidade.
De certa forma quando não enxergamos o outro como ele é, quando fantasiamos uma situação,
quando mesmo que todos os sinais sejam claros nós os ignoramos.
Isso acontece quando não encaramos a realidade como ela realmente é, deixamos as nossas expectativas tomarem conta da razão e
muitas vezes culpamos os outros por isso, mas na verdade a culpa é nossa por não olhar com calma as situações.
Que possamos ser mais realistas e ao invés de viver buscando a felicidade, que possamos eliminar o que nos torna infeliz.
Manhã de outono
A chuva que cai suavemente molhando as almas que carecem de purificação
lentamente buscam as almas perdidas para inundar seu coração
Nessa doce e suave manhã de outono
Umedecem as árvores antes tão mortas
Agora tão verdes e firmes
Se regozijam de alegria
As folhas velhas se perdem no chão e buscam seu próprio caminho
Enquanto as novas vão brotando gradativamente no intenso, leve e sutil desencadear dos anos
Pouco a pouco
Anjos cantam um cântico bucólico no coração da floresta secretamente envolvendo com ternura o cativante ar desse momento
Ao passo que durante tudo isso,
Observo melancolicamente pela janela do quarto a solidão que atinge os nossos seres paulatinamente
sem roubar a paz que um momento como esse traz aos nossos íntimos
Resguardando e guardando a saudade do que ficou
O ar frio e clima seco que percorre todo o ambiente vai invadindo esse espaço vazio nas ruas que ninguém preenche, mas todos passam por ele, silenciosamente
Sem dizer nada
Como se não existisse
Mas ele sempre esteve ali
E a beleza do céu nublado, o canto dos pássaros é o que enfeita e ressalta ainda mais a beleza dos dias tristes
Que sofrem por eles mesmos serem assim
Mas que fazem parte e às vezes tomam toda a tarde,
a sala de estar que habitam
Sem fazer alarde
Melancolia também é vida
Melancolia também é arte
BAGAGEM
No meu alforge de viajante
apenas teus versos
como fricção de gravetos
que estoura em fogo
no deserto.
Menina soturna
Guarda a alegria no canto da alma
Ela desabrocha como uma flor e se abre
Nas estações e fases certas
Com quem entende
Um caminho sinuoso até o seu coração
Batidas que torturam até a imensidão
Mas o amor que existe dentro cura qualquer desilusão
Do tamanho do mundo
raiz quadrada submersa
pela terra incandescente
a visão ardendo branca
pela multiplicação de raízes
em voo e luminescência
asas que alcançam
as minhas asas negras
incorpóreas, vítreas
engolidas, trituradas,
crisálida abortada
mariposa cega
sem voo
respiração
sussurro
cessação.
(Pedro Rodrigues de Menezes, “mariposa cega”)
AINDA ONTEM, CHOREI
Ainda ontem eu chorei.
Chorei por saudades minhas,
Chorei pelo mundo em caos
Pelo amor a minha sobrinha
Por motivos bons e maus.
Chorei por não visto mais
As pessoas que eu amo,
Por ser ainda tão frágil,
Eu chorei pelos meus planos.
Chorei por alguns erros
Que precisam estar em segredo,
Por não sido o que devia,
Por ter sido somente um brinquedo.
Eu chorei porque ainda
Continuo com os meus medos.
Chorei por ter dito não
Chorei por ter dito sim
Chorei porque alguns ciclos
Tiveram que chegar ao fim.
Chorei porque não pensei
Que fosse tudo assim,
Chorei porque a minha essência
Ainda permanece em mim.
A essência da poesia
Está nas rochas
No som que o mar revolto produz
No silêncio falante da natureza
Naquilo que só o coração sensível o suficiente consegue perceber.
Liberdade de flor
Vive
Lá no fundo do meu ser
Uma flor
Uma flor
Lá no fundo do meu ser
Quer ser livre
Na natureza nada é estático
Se você reparar bem
O céu dança sobre nossas cabeças
Em milhões de formas e cores
As arvores e as flores conversam com o vento
Penso que assim é deve ser nossa vida
Sempre transformação e descobrimento
Compreendendo que a graça está na caminhada
E que os dias de chuva são tão necessários quanto os de sol.
CONTÁGIO
Se for pra contagiar
Que seja de alegria
Se for pra contaminar
Que seja com a harmonia.
Se for pra aglomerar
Aglomere as lembranças
E o número que aumente
Que seja de esperança.
Se for pra contaminar
Que seja de felicidade
Se for pra multiplicar
Multiplique amizade
E se for pra matar
Que seja a saudade.
Indecisão. Eis o mal do homem moderno.
Não sei se A ou se B,
Se aparo ou não a barba.
Se corto o cabelo,
Ou se deixo crescer.
Não sei nem o que sou,
Quiça o que quero fazer.
Só sei de uma coisa. O que com certeza eu não quero ser.
Aprendi com meu pai.
A não fazer como ele,
A não ser como ele.
A escolher não continuar como um homem moderno.
Mas então o que sou?
Um homem no tempo, fora de seu tempo?
Um ponteiro que se volta contra o relógio, eis o que sou?
Eu não sei.
ESPERANÇA
Um tempo fechado,
Um dia nublado,
O vento gelado,
Vem me encontrar.
A nuvem tão pura,
Que agora, escura,
Me lembra a amargura
Que em mim está.
O dia é tristonho,
E nada encontro
Parece um sonho
Que não posso acordar.
Feito uma criança
Fico na lembrança
Desperto a esperança
E volto a pensar.
Pra lua, eu vejo
Pra ela, almejo
Reforço o desejo
De te encontrar.
Por mal ou por bem
Eu penso em alguém
Será que também
Está a pensar?
A esperança
A esperança não cansa,
ela não murcha,
ela não desaparece,
apenas nós não conseguimos enxerga-la,
mas calma lá!
Não podemos nos desesperar porque com o desespero
nós nunca vamos chegar nenhum lugar
e com muita persistência,
você vai parar,
vai respirar e vai olhar e quando você menos esperar você já vai estar lá.
um poeta não sabe chorar
um poeta não sabe demonstrar
um poeta não sabe falar
o poeta só sabe escrever
quer saber o que um poeta esta pensando?
seus poemas deve ler
pois somente lá ele sabe viver
é onde seus sentimentos conseguem transbordar
um poeta é saber por palavras mostrar
tudo aquilo que gostaria de falar
um poeta é conseguir escrever
tudo aquilo que gostaria de saber
ou para fora botar
um poeta tudo sabe guardar
mas ao mesmo tempo
nada consegue esconder
pois todos conseguem o ler
pois seus poemas mostra
tudo que queria guardar
sem ninguém nunca imaginar
Vestir de livros
Eu era menina inquieta
Travessa como uma pipa no ar
Eu era bola de ping-pong
A mercê de um rumo a tomar
Eu fui adolescente irreverente
Sem travas a me parar
Eu fui adolescente angustiante
Sem um caminho a focar
Eu fui adulto intrigante
Com vários caminhos a percorrer
Eu queria tudo ao mesmo tempo
Com o tempo a me perder
Eu fui adulto interessado
Com muita façanha a fazer
Me interessava por tudo
Depois que
Me dediquei a ler
Hoje sou madura tranquila
Aquela que sabe o que querer
Porque me vesti de bons livros
E viajo pra longe ao ler.
Lupaganini
Hábitos noturnos
Insônia
Pensamentos invasivos
Volto a fita do dia na minha cabeça
Às vezes de todo meu passado
A noite escura e a madrugada acordada
A lua cansada desejando repousar
As estrelas, dormem, sonolentas
Mas, deste pesadelo,
Não é possível acordar
Dama da noite,
Se abre quando cai a escuridão
Floresce na alma a chance do recomeço
Vencer o medo e a desilusão
Enfrentar o caos e a confusão
Quando amanhece os dias
Cheios de contenção
Noite serena,
Traz logo o meu sossego
Traz consigo o desapego
Pra não sofrer tantos com as coisas terrenas
Permanecer em uma vigília eterna
Não trará a calma plena
De ser e de amar
Traz que a noite é pequena
E a vida é curta também pra sonhar
Recordação
Eu quero recordar,
Recordar aquele lugar
Tao seco e doirado
Tao belo e requintado
Como uma joia qualquer,
No peito de uma mulher.
As planícies de perder de vista
Tao cheias de vida e de alpista
Onde bandos de aves ainda voam
E nelas, azinheiras se amontoam.
Naquela terra esquecida
E de pessoas, desprovida
Separada do centro, pelo rio Tejo
Ai, que saudades, do meu Alentejo!
Mulher,
És como flor que perfuma onde passa,
Como sol que ilumina os caminhos.
És como as aguas que modifica o seu redor,
Como o vento que indica a direção.
A mistura de fragilidade e força, com o dom de dar a vida e também de doa-la por quem se ama, dona de si e do seu mundo.
Dom de Deus, abençoada desde o seu nascimento, com sabedoria, graça, beleza e muito mais, que por vezes nos falta, mas que transborda quando temos a sorte encontrá-la.
Esperança e luz, mesmo nos dias nublados nos mostra através do seu sorriso que o sol não brilha somente no céu mas também no seu olhar.
Não sei expressar ainda quão tamanha foi a minha tristeza
Quando descobri que ainda era quarta-feira
A felicidade real sim, eu sei, não consiste nos dias
Em esperar até que a sexta-feira chegue
Ela reside no cotidiano
Quem tem a proeza de viver está descoberta
De acessar a alegria e a liberdade
Na riqueza dos dias, das horas, dos minutos, dos segundos e dos momentos
No aqui e agora
Finalmente encontra o fim do arco-íris
E descobre principalmente que não precisava ter chegado no fim para alcançá-la
Só foi preciso colorir os dias cinzas-nublado
Isso só foi possível com o coração puro cheio de amor, a alma viva e eterna de criança, e a mente firme, porém humilde, com os pés no chão.
