Poemas a um Poeta Olavo Bilac
Proposição
Se talvez aqui topares, ó soneto
Meu coração já sucumbido feito
Ali sofrente e suspiroso no peito
Acuda-o, não o deixai irrequieto
Devaneia noutro verso discreto
Cuida-lhe no seu doloroso leito
Na sua métrica tenha mais jeito
Então, na afeição mais alfabeto
Repleto, completo e demais raro
Trate a cada lado com sensação
Alivio a versão e poético amparo
Assim, os versos com doce sorte
Que, por honra ao amor, emoção
Senão, rendição, ao soneto morte!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
13 setembro, 2023, 20’16” – Araguari, MG
"Somnium,ii"
Quantos sonhos? Tantos, tantos, nem sei
Cada momento aquele detalhe em poesia
Um toque, um sentido, o suspiro que rimei
A poética, fantasia, aquilo que não suporia
O lado frustrado, os que também eu amei
Tento levar a vida com sensação, alegria
Cada singular emoção na prática exaltei
Busquei o bem o amor, cantei com magia
Sonhei com a imaginação tão embaciada
Sonhei os devaneios d’alma, apaixonada
Sonhei o sonho sonhado, cheio de versão
Assim, vou pela vida, sonhando a sonhar
Pois, dentro do peito há paixão a palpitar
Ornando a prosa com a ilusão do coração
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17 setembro, 2023, 15’53” – Araguari, MG
Laceração
Muitos versos, por certo, eu redigi
Por certo, muitos versos eu cantei
Devaneei, inspirei, lá, acolá, aqui
E muitos, eu, na saudade guardei
E na poética, aquela solidão, vivi
Recebi afagos, também, afaguei
Olhei em volta, outrora adormeci
O singular instante, de amor falei
Das palavras ao vento, doce ilusão
Dos gestos dados, eterna emoção
Muito senti e quis, e pouco sobrou
Então, o fado, de afiado embaraço
Me lacerei no querer um só abraço
E no teu cheiro que no verso ficou!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
20 setembro, 2023, 19’37” – Araguari, MG
Clamor
Quando eu parar de criar verso salgado
Para elevar, por fim, o agrado na poesia
Nessa hora solene e de festiva alegria
Peço a ventura que fique firme ao lado
Não quero somente pelo desejado dia
Açoitando minha alma com o passado
Preciso de suspiro e olhar apaixonado
Nos versos, cheios de branda melodia
Depois que a poética tiver seu abrigo
No desfastio, tenha verso enamorado
Traga tom, gesto, num versejar amigo
Se o poema de um prazer foi separado
No clamor, então, quero sair do castigo
E, não mais ter o aprazimento negado.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
21 setembro, 2023, 14’46” – Araguari, MG
Soneto do cerrado abafado
Quem ateou este sedento chão do sertão
Nesta aridez que nunca mais se apaga?
E para que o planalto com está sua saga
De severo tempo, de sede, de sequidão?
Quem pintou em tom de cinza, desolação
Sentido na toada, de tonalidades pesadas
Num pôr do sol no horizonte vermelhadas
Amarrotando a vereda em ardida vastidão
E, o vento abrasado, e a vegetação aflita
Sol a pino, nuvens no céu que desbotou
Aquentando o verso com cálida pulsação
Quanto calor, e o craquelado na escrita
Um empoeirado que da terra desgarrou
Abafando o cerrado com agre sensação.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
22 setembro, 2023, 12’12” – Araguari, MG
Pulsar do coração
Sobre o amor se eleva este canto
Em gesto poético tão apaixonado
O sentimento exato num traçado
Da paixão com seu doce encanto
Dentre tantos feitos, me és tanto
E à sensação um afeto recatado
Ao voejar na alma, soneto alado
E ao entanto se faz sacrossanto
Sobre o versar aquela essência
Necessária a um singular olhar
Que deixa a prosa com emoção
Então, como é bom poder amar
Pra ser algo maior na existência
Suspirando o pulsar do coração.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
23 setembro, 2023, 11’35” – Araguari, MG
Por conta e risco
Uns sonetos importunam, esganiçados
A sisudez da poética com descortesia
Ou por inquietas ufanias são poetados
Em poeirenta sensação, vã, seca e fria
É a arte que provoca, toca, uma poesia
Dando voz, hora e vez aos alucinados
Passados, na paleia que disseca e cria
Acutilando os sentimentos apunhalados
Não é agrado, nem alívio, mas suspiro
Que faz sangrar cada palavra, rabisco
Em cítricos versos em um acertado tiro
Cada feito é vida, por tal, não se doma
Cada um dos traços é apenas um risco
Quando quer no doce versar, o aroma!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24 setembro, 2023, 10’45” – Araguari, MG
Onda de calor - (no cerrado)
No cerrado, o sol referve, em fulgor ardente
As copas dos pequis, na nuance estorricada
Tortos galhos nus. E a planície descalvada
Escaldado sertão, pela, a sensação da gente
Não há sombra, poeirento chão, céu luzente
Desmaiado vento e, o mormaço pela estrada
Buritis de braços abertos, geme, dita fadada
Súplice quentura, o purgatório sofregamente
E, inflamado, sussurrante, e tão inconstante
Ofega, quase sem querer, sem ter vontade
Para enfrentar, bravamente, o dia torturante
No prado corre o suor, ressumado, tom maior
E nesta verdade um rogo suplicante, piedade!
O cerrado, encalorado, arde na onda de calor.
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24 setembro, 2023, 16’54” – Araguari, MG
Uma paixão
Paixão é o céu azul! A alma com canto
O que entorpece e alimenta a sensação
É o olhar que roubou o tom do encanto
A poética lua em serenata pro coração
Paixão é emoção, sedutora, um recanto
No peito: tão cheio daquela doce ilusão
Sentido, sede, tentador, contenta tanto!
Dando entusiasmo a nossa imaginação
Paixão é arrebatamento que nos aloja
A beleza balsâmica do amor que forja
É a matiz que aquece o toque, arrepio...
Paixão, explosão de desejo, sentimento
Sussurros, suspiros, ignoto seguimento
Pois, vida sem paixão, um poema vazio!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
26/09/2023, 11”54” – Araguari, MG
Chuvarada... (soneto II)
Chuvarada... do céu caindo, no cerrado
e, sob o céu, a primavera ornando, além
exalando perfume, e o vento perfumado
agrado, que se sente, sentindo um bem
Chuvarada... molhando o chão ressecado
num movimento, encantado, de vai e vem
suave doçura, deste momento afortunado
dos suspiros da chuva, que as chuvas têm
Chuvarada... a chuva... feitiços diversos
de mil canções, em umedecidos versos
musicado na alma o compasso a pingar
Chuvarada... quanta vez a ti comparável
em um soluço nostálgico e tão insaciável
afim, cerro os olhos e me pego a chorar!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
27/09/2023, 14”14” – Araguari, MG
*na bolha de calor a dias, hoje, choveu no cerrado.
Dama da Noite (flor)
No meu jardim, há uma flor encantada
Que freima a perfeição e a imaginação
Perfumada, à noite, é graça iluminada
Aos versos, doce poética com emoção
É alva composição, é sedução velada
E estas flores, atraentes, até em botão
Tão majestosas adentra a madrugada
Perfumando com sua infida sensação
No meu jardim, há uma flor, fagueira
Que seduz nossa fascinação inteira
Como a um versejar cheio de amor...
... breve, intenso. Tal como um clarão
Apesar disso, agarra toda a atenção
A “Dama da Noite”... poesia em flor!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
05/10/2023, 19”24” – Araguari, MG
Concordar, sem querer!
Meu versar de amor, caro enredo
Por meu pecado que não foi feliz
De certo, o acaso, teve seu dedo
Quis falida paixão, e como quis!
Podes ver o meu íntimo segredo
De um coração cheio de cicatriz
Olhares, desdém, gestos, medo
Mas tão sonhador... cor de anis!
Carente, a poética com tormento
E neste sentir, muito o momento
Em que, sozinho, hei de perecer!
E, meu verso, sem suave fantasia
A inspiração tão cheia de agonia
Me resta, concordar, sem querer!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
08/10/2023, 09”48” – Araguari, MG
Serenata
Horas altas da madrugada, a lua lá fora
Vertendo nostalgia, sussurrando agonia
Na imensidão do azul do céu, vem o dia
Que entre o silêncio, o rumor, faz a hora
Sinto a solidão que de cadência fantasia
Uma harmonia de recordação de outrora
Tal suspiros de violão que d’alma implora
E, que no amanhecer é prostrada poesia
Esta melodia, inquieta, enfada, peregrina
Cheia de sentimento e sensação em ruína
Aperta, invoca e, sufoca toda a suavidade
Então, passa a gemer o sossego, tão aflito
No espírito da noite, num cortante grito...
Numa serenata triste... chora a saudade!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
09/10/2023, 04”48” – Araguari, MG
Inquietude
Meus versos tem estampa de inquietude
Misto de sentimento e treva, pecadores
Pensamentos... de tal poética, tão rude:
Sensações, martírios, tristes amargores
E na eterna busca de uma mansuetude
Me vi poetando os sonetos sonhadores
Com aquelas agridoces rimas que ilude
Nos dando enganos... versos traidores!
Espinhos, flores, sussurros, a vastidão
Cânticos solitários, fracos e cansados
Sobre os ombros a emotiva inspiração
Ah! inquietude, indiferente às cicatrizes
A teimar nos meus versos desafinados
Unhando a alma com sonatas infelizes
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/10/2023, 17’31” – Araguari, MG
Começa MARÇO,
que venha, sorrindo
com pensamentos bons
com alegria...
com sentimento
agradecimento
poesia.
Deus no coração
mais que lindo,
sê BEM-VINDO!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Araguari, MG - 01/03/2022
ALÉM DA POESIA
Se outrora, no princípio, a prosa foi talvez
Num sentimento que pelas mãos escorria
E, a alma em poética e sonhadora nudez
A doce ilusão permanece além da poesia
Quando floresce, latejante, mais uma vez
Sinto que o amor existe com vária fantasia
E, dando carinho e sensação sem timidez
Cria-se os versos tão lotados de ousadia
Se do profundo ardor ergue-se o momento
Não pode ser fim em eterno esquecimento
Pois, o poetar tem movimento e sensação
E sinto, ó deidade, a farsa que então seria
Um verso sem cor, sabor, cheiro e cortesia
Estaria vazio de olhar, toque e de emoção...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
12/03/2023, 10'50" – Araguari, MG
CÁLIDA POESIA
Estando, espero, então, o desejo insiste
No peito ardente, sussurrante, amoroso
Fazendo do caminho, leve e cadencioso
Creio que tudo na cumplicidade consiste
Porque da alma o sentimento é preciso
É abençoado e ao incerto tempo resiste
E sei que nada mais na sensação existe
Que nos dá a emoção e do coração ciso
Na sede cresce e não mais se esquece
Que no doce encanto o fascínio floresce
Oferecendo quimera e tecendo fantasia
É a paixão transfigurando em confiança
O olhar em tato, e os dias em esperança
Porque, o singular amor, é cálida poesia...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/03/2023, 19'11" – Araguari, MG
CÁRCERE DA DESPEDIDA
De que vale as lágrimas se no lamento
Levas a saudade de inevitáveis dores?
Se o afeto perdido lhe ainda é tormento
Com sensação tão cheia de amargores
De que vale prosar, tal poéticos autores
Pra acalmar a sofrência do sentimento?
Se os apertos ainda lhes são sofredores
E no peito ainda um aflitivo sangramento
O que me move é ter comigo a emoção
Um desejo flagrando o aturado coração
É saber que me doei a quem indiferente
E que no pesar, o cárcere da despedida
Encarcera, sova, com uma tal dor doida...
Mas, vale a pena, ao amor que se sente!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
15/03/2023, 16'42" – Araguari, MG
ETERNO POETAR
A poesia, em seu eterno encanto
Deixou-me os versos a encantar
Por isto no âmago de seu canto
Fiz prosas para a sofrência aliviar
Quando a dor não pude suavizar
Fiz da palavra um cerne acalanto
E agora, num sentimental versejar
Me amimo em um poético recanto
Na agonia escondida, e suspirada
Sinto sensação do tudo e do nada
Vibrando no verso, dando emoção
Então, escorre o doce licor do criar
Nas linhas da estrofe, eterno poetar
Tendo a sina em poética transfusão
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
16/03/2023, 19'28" – Araguari, MG
SOLUÇAS, CORAÇÃO...
Coração que soluças nas saudades
Sensação amarga, o peito apertado
Frágeis sentimentos pelas metades
Em cárcere na sofrência, algemado
Teu sussurro, ó vazio, desesperado
Leva o indiferentismo das vontades
Pra então desvanecer abandonado
Nas dores sóbrias com severidades
Vives assim, moribundo, pensativo
Na inquietação do emotivo, cativo
Na imensa vastidão do desagrado
Suspira, coração! Debalde soluças
Pois... na tortura, onde te debruças
Ninguém sente contigo ao teu lado!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
17 março, 2023, 15'29" – Araguari, MG
