Poemas a um Poeta Olavo Bilac
A criação não foi um ato de amor, foi um espasmo de tédio de uma entidade que não suportava o próprio vazio.
O universo é o vômito divino, e nós somos os micróbios tentando encontrar um sentido na digestão alheia.
O ser humano é um ser estocástico por natureza; nossa genialidade nasce do erro, do esquecimento e do insight que surge quando menos o procuramos.
Dizem que deus escreve certo por linhas tortas; eu acho que ele só tem um péssimo senso de direção e um prazer sádico em ver a gente capotar na primeira curva.
Rezar é como mandar um e-mail para um suporte técnico que faliu há dois mil anos: você se sente melhor por ter reclamado, mas o problema continua lá, rindo da sua cara.
O paraíso deve ser um lugar insuportável. Imagine passar a eternidade cercado por pessoas que passaram a vida inteira sendo chatas o suficiente para merecerem entrar lá.
Um pouco de pausa mental e de mel poético atraem paz na vida. Poesia sempre poesia a todo o momento.
O gênio que despreza o suor ignora que a alavanca é apenas um pedaço de pau inerte até que o músculo do operário lhe dê utilidade; toda "eficiência" intelectual é um parasitismo estéril se não houver um braço disposto a mover o peso do mundo.
Se o paraíso existisse na terra, ele teria paredes úmidas, quentes e um controle de acesso muito rigoroso.
Ateísmo implica materialismo; materialismo implica humanismo; logo, a ideia de um ateu de direita é uma contradição em termos.
Projetar uma mente é entender que o pensamento é um diálogo eterno entre o fluxo do presente e o eco resumido do passado.
Se o diabo existe, ele deve ser o contador das igrejas, gerenciando fortunas em nome de um deus pobre.
O ateísmo devora deuses como um lobo faminto rasga carne podre, deixando apenas ossos para os tolos que ainda uivam preces vazias.
O tempo devora momentos como um predador insaciável, deixando esqueletos de memórias que rangem nos ventos do esquecimento eterno.
O discurso “não existe verdade absoluta” costuma ser só um perfume filosófico para justificar a força quando o argumento acaba.
O racionalista pensa, enquanto o religioso reage à voz do seu domador tal como um animal treinado para atuar no circo.
Você estranhamente espera que eu leve a sério a ideia de que você conversa telepaticamente com um espírito invisível judeu para ser salvo de uma maldição herdada porque uma mulher feita duma costela convenceu um homem de barro a comer uma fruta encantada depois de ser enganada por uma cobra falante… E ainda fica surpreso por eu ser ateu?
Não me venha com promessas de vida eterna se o elenco for esse; prefiro a brevidade de um instante real ao tédio infinito de uma existência rodeada de gente irrelevante!
