Poemas a um Poeta Olavo Bilac
Adorar um deus que exige sacrifícios é como pagar proteção para a máfia: você não o ama, você só tem medo que ele quebre as suas pernas.
A onisciência divina deve ser um tédio absoluto. Imagina saber de antemão que cada oração é apenas um pedido de aumento de salário ou a cura de uma unha encravada.
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança. E desde então, o homem retribui o favor criando um deus ainda mais cruel, mais mesquinho, mais sedento por adoração.
Deus tem um plano maravilhoso para sua vida, principalmente se você gosta de sofrimento gratuito, injustiça arbitrária e mortes prematuras.
O problema do mal não é um problema para os ateus. É um problema para quem tenta conciliar um deus amoroso com um mundo que parece ter sido projetado por um sádico.
Se a inteligência fosse realmente um traço evolutivo de sucesso, a espécie humana não passaria tanto tempo inventando deuses para pedir desculpas por existir.
A paz é um bem que não há dinheiro que pague e quando se perde é muito difícil de se reconquistar.
Quem vive em paz tem por dever moral em estender a mão para quem quer conquistar a paz.
Um lugar que não valoriza a minha presença simplesmente retribuo com indiferença. O principal lugar sou eu. É perigoso alimentar a eterna busca por reconhecimento.
Um dia todas as almas se reunirão para julgar deus por seus vários pecados. Resta saber a sentença: destruição total ou banimento ao eterno esquecimento?
Milhões morreram para que um roteiro teológico escrito por humanos fosse cumprido. Religiões não são uma mensagem de amor; são um monumento ao fanatismo!
Basta que um psicopata fanático se declare porta-voz do divino para que o sangue comece a correr. Na história, esse delírio coletivo tem nome e se chama: religião!
A perfeição das leis da física é o atestado de óbito divino. Se houvesse um criador, as leis seriam seus caprichos; como as leis são constantes e invioláveis, o universo é apenas uma engrenagem que não admite mestres.
A ordem do cosmos não prova nenhuma divindade, prova a sua ausência. Um universo governado por constantes físicas imutáveis é um universo onde não existe espaço para milagres, nem para quem os faça!
Ninguém prova a eternidade da ordem. No início, talvez nem Deus fosse mais do que um lampejo de desordem.
Há um empate metafísico quanto à realidade do passado. Assumir sua realidade é uma convenção prática inevitável, não um conhecimento. Qualquer tentativa de elevar essa convenção a verdade epistêmica é ilegítima.
Se milagres não acontecem na vida real, a existência divina não faz diferença. Um criador que não mexe um dedo para mudar a realidade é, na prática, o mesmo que um deus que não existe!
