Poemas a um Poeta Olavo Bilac
A estrela não é mais de Natal
e fizeram dela um símbolo mortal,
não consigo fingir que não vejo
que o Natal vem sem adereços:
o Presépio foi bombardeado,
a manjedoura virou escombros,
a paz foi detonada e as crianças praticamente não existem
mais porque a guerra arrasa
tudo implacavelmente
o quê vê pela frente
e leva com ela para sempre
para não devolver nunca mais.
O amanhecer se ergueu
mármoreo por aqui
no Médio Vale do Itajaí,
O tempo está um pouco
mais fresco e ainda te quero
por aqui em Rodeio,
Porque da vida nós dois
merecemos este prêmio,
Na fiação elétrica canta
canta um passarinho solitário,
parece até que ele entende
o quê está se passando comigo,
Balançam lentamente
as árvores que tenho como
visão da minha janela,
Com tudo o quê tenho no coração,
devoção e delicadeza:
vivo a beleza de quem ama espera.
Costela fogo de chão
Não basta um fogo
qualquer para assar
uma Costela no Chão,
Uma Costela fogo de chão
só é boa quando é assada
com o fogo do coração.
Que seja de pacote
ou feito por você um
bom Biscoito de Polvilho
com mate ou com café,
ou até mesmo com aquilo
tudo o quê você quiser,
Dá até para levar contigo
pelo caminho que escolher
no tempo que você bem entender.
Um Bobó de camarão
dispensa apresentação
quando você comer o meu
irei fisgar o seu coração,
Você não vai pensar
em outra coisa na vida
a não ser em viver
de amor e paixão.
Matambre recheado
é um prato compartilhado
entre a nossa gente
afetuosa da América do Sul,
A essência gaúcho
é viver, saber e conviver
com paz e irmandade
com as fronteiras do amado Sul.
Para o luxo de um vero
amor sublime amor campeiro,
Com um Entrevero Gaúcho
divino eu retribuo e com tudo
aquilo que há de mais verdadeiro.
Um poema também é
um Linguado na Telha
para fazer o seu coração
bater forte e disparado,
Você me ama e me quer
a cada dia ao seu lado.
Nó Chimango
Um nó Chimango
no seu lenço branco
de gaúcho deve
ser feito simples,
Uma boa pilcha
sempre deve ser
vestida com louvor,
Se você não sabe
como são os nós
dos lenços gaúchos
te ensino com andor
Porque te quero
com todo o amor.
Nó Rapadura
O teu lenço gaúcho
deve ter um metro
de comprimento,
deve ser de seda,
que você nunca
na vida se esqueça,
quando o teu lenço
for vermelho
o teu nó é Maragato,
que é nó Rapadura,
e que é nó de Quatro
cantos para vestir
a pilcha com nobreza.
Olho de Sogra
Se é para ter
o Olho de Sogra
que seja um
doce bem doce
como o seu,
Poesia e amor meu.
Camafeu
Poema açucarado
tal qual um poema
com carinho preparado,
Há de ser o Camafeu
que eu hei de te ofertar
para deixar você com
o coração apaixonado.
Bem Casado
Preparar um Pão de Ló
para fazer um Bem Casado,
Para ter deixar meloso
e com o coração gamado,
Doce amado doce,
és poema todo apaixonado
que te quero a cada
dia por mim mais gamado.
No décimo dia do ano em Rodeio
No décimo dia do ano
aqui em Rodeio,
Escrevo um poema
com a cor do melado
e com o sabor da terra,
Tenho orgulho desta
Santa Catarina e de poetizar
a vida como quem cruza
a estrada cercada pelas tropas
porque no final o maior
prêmio sempre será as conquistas
mais amorosas e tudo
aquilo que podemos deixar
as lembranças mais carinhosas.
Polenta com Fortaia
Para que o teu coração
do amor não se distraia
não haverá de faltar uma
boa Polenta com Fortaia,
e todo o dia um encanto
novo traduzido num poema
para que do meu peito
para o seu peito não
falte paixão e aconchego.
Peixinho frito
Quem nunca lambeu
os dedos depois
de comer um bom
peixinho frito posto
com alegria na mesa
nunca lambeu na vida
de verdade o poema.
Luz do Trilho
Um mistério inexplicável,
não se sabe o quê era de fato,
Um relato que ainda deixa
o mais corajoso arrepiado,
Ninguém sabe se era o Boi Tatá
ou uma língua de fogo,
Nem eu mesma sei do que
na realidade se trata,
Mais um daqueles mistérios
que só em Navegantes
você pode encontrar,
Só sei que um dia esta Luz do Trilho
também já se esbarrou comigo
quando estava no meio do caminho.
No décimo oitavo dia do ano
No décimo oitavo dia do ano
só desejo que tenhamos
um ano em paz e distância
de tudo aquilo que não nos deixa
sentir bem demais,
Porque na vida devemos ter
paz para caminhar e eleger
tudo aquilo que só o bem nos traz.
Zeferina
Zeferina indomável guerreira
que precisaram de um
batalhão para prendê-la,
Presente em muitas
das insurreições do povo negro.
Zeferina é expressão
de amor, coragem e poesia,
Zeferina continua mais
viva do que você imagina.
Sim, é da filha de Amália
que estou falando e Mãe
do Quilombo do Urubu,
Zeferina que caminhava
unida com Pátria originária.
Zeferina que se manteve
altiva mesmo presa,
Zeferina dona de uma
consci que a sua luta
tomaria outros caminhos.
Zeferina, a Mãe de muitas
aguerridas 'Zeferinas'
que seguem heroínas
construindo novos destinos.
