Poemas a um Poeta Olavo Bilac
Quem diria, aqui estou, me enchendo de veneno e pintando o meu céu de vermelho. Talvez não seja um conto de fadas, e nem tenha final feliz.
"Desde de criança ser apenas um herói não bastava, eu queria ser vários.
Creio que foi por isso que me tornei escritor."
Às vezes, sacrificar um sonho, é a única forma de conseguir levantar da cama pela manhã. E às vezes, preservar um sonho, também.
Anteontem foi aniversário de um Cardeal inglês, fez 88 anos, se reuniu com o clero bem cedo, antes do galo cantar, almoçou com o bispado na alta cúpula, jantou com chefes de estado no vaticano, abençoou muitos fiéis da vidraça de sua suíte no quarto andar.
Anteontem foi aniversário de um Sheik árabe, fez 68 anos, acordou tarde, tomou café da manhã com suas doze esposas, diante de seis serviçais, jogou Pólo, vendeu sete milhões de euros em ações da bolsa, comprou um haras, não deixou gorjeta para o chofer.
Itens da prateleira na promoção,
Pegue um, pague três, roube um cacho E um frasco pra náusea da indigestão, De ter que empurrar Goela baixo.
Úmida e insecável era aquela rua, um pouco depois daqueles limites o sol reinava, mas ali não, não ali. Aliás, o cheiro de mofo exalado pelas alvenarias e madeiramentos depreciados, marcava característica e peculiarmente aquele beco, com o esverdeado e vívido musgo que saltava por entre os seixos que assentavam a calçada; um catingueiro interminável forrava os jardins dos casebres que se pareciam mais com caixotes de verdura do que com habitações.
Sou sugado selvagemente por surtos incontidos de iluminação e um subseqüente mergulho no alcatrão do irresoluto.
Egoísmo material nunca foi um problema, porque todas as tranqueiras que nós acumulamos durante nossa instantânea existência, não valem absolutamente o menor dos acenos.
Seis quarteirões para alguns, um complexo residencial para outros, o labirinto inconcluível de uma insana trajetória para Edegar.
Uma barbearia; uma padaria; uma escola; um carrinho de cachorro-quente; um carrinho de churros que também vendia doce de cocada; uma banca de jornais; uma praça arborizada com uma fonte no centro; um clube.
Ele gostava de pastel de queijo, jabuticaba, garapa, de vez em quando um trago de pinga, geralmente com vermute, a famosa rabo de galo.
Edegar era um filósofo, apesar de raramente falar algo, ele notava, notava as pessoas, as construções, os veículos, as sarjetas, o mato que nascia por entre o calçamento; notava o céu, conhecia tão bem as nuvens, as revoadas de pássaros próximas do rio que cortava a vila.
Indivíduos tão livres quanto uma formiga encurralada por um copo. E ficamos indignados por esta situação.
Eu quero ter liberdade, mas para isso tenho que ter um salário, mas para tê-lo, preciso de um emprego, que para conseguir necessito de estudo, e só estudo se tiver tempo, que só é cultivado se eu tiver dinheiro para me manter no ócio criativo e enfim conquistar a liberdade temporal, mental, financeira, na qual possa exercer minha autonomia vital.
