Poemas a um Poeta Olavo Bilac

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SONETO DUM PISCIANO

Sou peixes, das águas da emoção
dum olhar profundo, sou cardume
que bóia na nascente do coração
das irrigas condoídas, e de nume

Ter zelo e dedicação, sua missão
doar-se num dos lados do gume
alma encharcada de expressão
gota a gota, afeto com perfume

Banha o outro nas tuas chagas
içando doçura nas tuas austagas
peixes, místico servidor do amor

Neste mar, e com suas dragas
devora a tirania, e as pragas...
Do zodíaco, eterno sonhador!

Luciano Spagnol
Cerrado goiano

Cerrado
...Bendito sejas tu, trançado em retalhos
de relva rastejantes que no chão flama
refrescantes nascentes, e áridos atalhos

Luciano Spagnol
Cerrado goiano

GOTA D'ÁGUA NA ROSA

Chuva rara, clara
na rosa pingo d'Água
lava a mágoa...
- É só uma bágua
ou frágua do cerrado?

É delírio na sequidão
que pingam
nas pétalas soam
nos ouvidos cantam...
E o chão molhado

Chove no cerrado ressecado
céu carregado... Chove!
No sertão em prosa
gota d'Água na rosa.

Luciano Spagnol
Dezembro, 2016
Cerrado goiano
Poeta simplista do cerrado

O amor tem muita rima
Ao fraco, é assustador
Ao poltrão, baixa estima
Ao valente, factível amor

Luciano Spagnol
Cerrado goiano

As rosas são o poema mais lindo da natureza. Sua poética beleza, perfuma com elegância e nobreza.

Luciano Spagnol
Cerrado goiano

Eu nunca acreditei em anjos, até esse aparecer na minha vida:

Esse anjo que me compreendia
Me aceitava, me entendia
Oh, esse anjo que eu amava...

Esse anjo que eu nunca esquecerei
Esse anjo que surgiu do nada
Esse anjo que eu amei...

Essa amizade surgiu tão rápida
O começo, o meio e o fim
Tudo de uma forma inesperada...

Eu sonhava com você
Seu retrato em minha mente
Eu já não conseguia te esquecer...

Você era tão tímida, eu espontâneo
Você era cristã, eu ateu
Você era você e eu era eu...

Éramos tão opostos para os "normais"
Mas não se monta um quebra-cabeça
Com peças iguais...

Seremos sempre infinitos
No nosso conjuntinho
No nosso limitado
Conjunto de finitos...

Eu e você meu anjo
Meu anjo que tem o nome mais lindo do universo;
Meu anjo que tem os olhos mais penetrantes da galáxia;
Meu anjo que tem o sorriso mais belo do sistema solar,
Meu anjo é você, minha doce Nicole...

Viva SÃO JOÃO!

Vamos todos festejar
o glorioso SÃO JOÃO..
Em volta da fogueira, louvar,
este Santo da multidão...
Na mesa a nos convidar,
pipoca, milho, paçoca, quentão...
Viva! Viva! SÃO JOÃO!

Luciano Spagnol
Cerrado goiano

"Me diga os livros que tu lê,
E o que assiste na TV,
Se acaso serviu o boné,
É isso que você é."

DIA DOS AVÓS

Vovô e vovó, seu dia

Hoje o dia é de amor dobrado
É colo de infinita sabedoria
Nos nossos dengos parceria
Vovô e vovó, aqui destacado

Eles, pelo amor tudo renuncia
Ao inteiro dispor do neto amado
Queridos de um afeto açucarado
Em nossas vidas, acolhedora alegria

Como pode ter tanto amor guardado
Neste duplo coração, uno, de magia
Que levamos na lembrança amainado

Vovós, na proteção duplicada, folia
No seu reino o netinho faz reinado
Deste amor geminado com garantia

Luciano Spagnol
Cerrado goiano

CONFISSÃO

Perdoa, pelos tantos erros perpetrado
Pela omissão que em mim acaso calei
A confissão que na falta não confessei
Num tal medo do ser réu no ser culpado

Perdão, se dos enganos eu pouco falei
Quando o silêncio tinha de ser quebrado
E a confidência na confiança ter selado
Mas, na insegurança a coragem hesitei

Na utopia do outro que era equivocado
Levei a ilusão de que ser manhoso é rei
E que num novo dia novo renascia o fado

Se, cedo ou tarde, confesso que errei
Às tantas palavras, se foram desagrado
Perdoa, a nímia mácula que eu causei

Luciano Spagnol
Julho, final, 2016
Cerrado goiano

SONETO EM DESPEDIDA

Até logo! Aqui ficam férteis momentos
do meu viver. Na lágrima levo a aurora
na bagagem o mundo, vou-me embora
o abrigo que cá havia, agora lamentos

Na memória a saudade em penhora
se foi inglória, porque tive detrimentos
e é nas perdas que tem ensinamentos
e vitórias na vida, basta, é hora agora

Nesta mais uma passagem, portentos
vim com amor, e vou com amor afora
tento no coração bons sacramento

Sigo, para trás fica o tempo outrora
o céu claro são alvos adiantamentos
Goiás, despeço-me, a gratidão chora

Luciano Spagnol
Agosto de 2016
Cerrado goiano

ALVORADA NO CERRADO (outono)

O vento árido contorna o cerrado
Entre tortos galhos e a seca folha
Cascalhado, assim, o chão assolha
No horizonte o sol nasce alvorado

Corado o céu põe a treva na encolha
Os buritis se retorcem de lado a lado
Qual aceno no talo por eles ofertado
Em reverência a estação da desfolha

Canta o João de barro no seu telhado
É o amanhecer pelo sertão anunciado
Em um bordão de gratidão ao outono

A noite desmaia no dia despertado
Acorda a vida do leito consagrado
É a alvorada do cerrado no seu trono

Luciano Spagnol
Agosto/ 2016
Cerrado goiano

SONETO "MEA CULPA"

Você que sempre foi especial, errei
Então, no meu erro, desculpa peço
É difícil perdoar! Sei! Árduo regresso
Eu confesso: -com remorso fiquei!

E nesta "mea culpa", algo lhe direi
Se o coração escuta, é progresso
Não é fácil arrepender sem acesso
Tão pouco indulto de quem o fazei

Então, com um afeto lhano modesto
No nada é impossível, o meu gesto
De contrição... Na minha incorreção

Nem tudo na vida nos é tão funesto
Pra que seja no amigo ato molesto
E neste soneto de amor: -Perdão!

Luciano Spagnol
27, agosto de 2016
Cerrado goiano

CARTA PRA SINHAZINHA NININHA

Óia, sinhazinha Nininha! Ocê chegô toda ofericida
Parecênu saquinhu di dôci di São Cosmi e São Damião
Veiu logu si joganu, prus braçu du CaipirInha
Inté me assustô na hora que tava rezânu pra Nossa Sinhora Aparicida

Vois micê toda prendada, cheinha das qualidadi
Intão tenhu qui adimití que mi atiçô as curiosidadi
Já juntei cuns otro currículu qui mi chegô di madrugada
É qui iscrivi nos crassificadu dus jorná lá da cidadi
Que tava precuranu namorada

Intão vô ti mostrá, pra modi ocê mió mi cunhecê
Góstiu di uma boa pinga, pra modi nas tardi pruseá
Puxânu us fole da sanfona ou chorânu as viola
Pra modi a tardi passá, se apreparanu pro jantá
Mais num passa de duas talagada, to jurânu pra sinhá

Intão já tô sabênu, que vâmu formá um belu par
Vâmu levantá puêra, dançanu inté o dia raiá
Mais num si apreocurpe, com o forró Mees
Foi farta di comunicação, o Nérso mi alembrô
Quano hoji mi incontrô

Intão não se apreocurpe cuns tacho da sinhá Martha
Se brigá ou criá confusão, comi diz sê qui neim leôa
Ocê tome cuidadu cum a delegada Genaura
Ela podi ti inquadrá i trancá ocê na jaula

Ocê é donzela prendada. Tá prontinha pra casá
Intendi de tudu que precisu, pra modi nois se ajuntá
Ocê, num pricisa se apreocurpá
U Caipirinha num é homi di chifri nas minina colocá
I pulá as serca, só quanu corta caminhu pros boi fujão pegá

Intão, sinhazinha Nininha!
Num têim nessi mundo mió muié pra modi casá
Tô agora si adeclarânu, cum ocê queru namorá
Ocê, já tá prontinha pra iêu conquistá
Intão vamô tentá si aproximá
Si conhecê mió!

Tô isperânu intão, carta di ocê
E intão nois aus poco si intendê
Um beju respeitosu nas faci di vois micê!
Inté, intão!

Às vezes o afeto está em apenas uma palavra, e o afago nela estará...

Luciano Spagnol
Cerrado goiano

e de repente o cerrado amanheceu
o sol está lá fora para o seu apogeu
a cidade acorda para mais um dia
os pássaros já estão em euforia
e a vida novamente num mais um
BOM DIA!

Luciano Spagnol
Cerrado goiano

Minha terra, richiamo

Ah! Quem há de gabar, recordação impotente e escrava
O que o presente diz, o que a saudade escreve?
- Cutucas, sangras, pregadas nas lembranças, e, em breve
Olhas, desfeito em espanto, o que te encantava...

Passou, andou, e é num veloz turbilhão, a ilusão forjava;
Ilusões. Um dia na inocência, hoje já não mais serve,
A forma, e a realidade espessa, a lembrança leve,
De pureza, canduras, numa quimera que voava...

Quem a prosa achará pra poetar o conteúdo?
Ai! Quem há de falar as saudades infinitas
Do ontem? e as ruas que omitem e agiganta?

E o suspiro muda! e o olhar surdo! o andar mudo!
E as poesias de outrora que nunca foram ditas?
Se calam nas recordações, e morrem na garganta...

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
20 de janeiro, 2019
Araguari, Triângulo Mineiro.
Paráfrase Olavo Bilac

A imaginação é o único lugar onde podemos ser o que quisermos. Podemos ser loucos ou lógicos. Nela estaremos seguros em nossos sonhos.

Luciano Spagnol
poeta do cerrado
27/01/2016
Cerrado goiano

MOTIM

No fundo da minha poesia, clamor
E ouço apertos e queixas sangradas
Milhões de aspirações sepultadas
Imaginações submergidas na dor

Às vezes, um vazio, palavras caladas
Mas, de repente, um tumulto estertor
Rangendo dentro do peito a compor
Devaneios, desdando ilusões atadas

Cortejos, motins: uivos e ácido luto
No castigado papel... broto e renovo
Em fermentação, dum estro bruto...

E há na intuição, de que me comovo
E no coro da inspiração que escuto
A magia do espírito num versar novo!

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Janeiro de 2019, final
Cerrado goiano
Olavobilaquiando

REI VERÃO

O teu mandar verão!... Está cheio
Cheio de suor e alta temperatura
Como arde o sol na sua quentura
Que calor estroina e sem receio...

Como brilha o dia sem algum freio
Sob o reflexo do ardor, árida figura
De pé, no cerrado, flagra em fartura
Como um cálido fumoso no enseio

Que abrasador fogo no céu ardente
Morre o desejo, outro almejo roga
Em febre, teima o chão recendente

Reino de suspiros!... incandescente
Reino esbraseante! de picante toga
Sossega este calor, vil e indecente!...

© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
02 de janeiro de 2019
Cerrado goiano