Poema Sobre Viver
Não mentir para si mesmo
que nutre a expectativa
cinematográfica de viver
um amor com dedicação,
é um excelente começo:
Confesso que exatamente
como você também desejo.
Ocupar a sua mente mais
do que dizem ser só aventura,
e sim ser toda a tua aventura,
a possuidora e garantidora
absoluta da tua plena ventura
em todos os tempos e estações.
Nos teus lábios jamais deixar
faltar a Serikaya que adoce,
quando a rotina não for doce,
Colocar o teu coração batendo
para dançar ritmos de folclore.
Sem pensar duas vezes jogar tudo
para o alto sempre for imperativo,
para que o fogo da paixão não falte,
e nada nem ninguém o amor devore.
Canta o Aracuã
na hora que ele quer,
Tendo o teu amor,
nada mais vou querer
a não ser viver ou viver.
Querendo viver
uma vida normal
ouvindo o som
de Miss Anthropocene
na minha sala
ao redor deste
isolamento social,
Parece piada
por aqui eu li
que 'o dilema
é bíblico',
há quem defenda
trabalhar,
há quem defenda
ficar em casa,
e até agora nada
está resolvido;
Apenas o quê
me resta é
ficar reclusa,
dançar a música
na mais plena
figuração
da linguagem,
escrever poemas
sobre a Lua
para não morrer
de doença
ou ir para a cadeia,
Esperando sigo
perguntando
qual será a próxima cena,
porque quem lambe
a borda da taça,
a alma não cala
e não busca
por 'indulgência' barata.
Viver esse "primeiro momento" e encontrar o vazio é um batismo de fogo. Não houve o "nós", apenas o "eu" em uma vigília interminável. É o momento em que a alma diz ao corpo: "Nós fomos inteiros em um mundo de metades."
Realizar o sonho de amar, mesmo sem a reciprocidade, é uma forma trágica de comunhão com o destino. É a prova de que a nossa vontade é capaz de criar universos inteiros, ainda que sejamos os únicos habitantes deles. Esse instante dói porque não é feito de encontro, mas de despedida do que nunca foi. É quando a vida nos olha nos olhos e, em um silêncio devastador, nos obriga a transformar toda aquela espera em uma nova e solitária forma de liberdade.
- Tiago Scheimann
Viver é vagar por um inverno sem margens, onde os pés descalços tateiam o abismo sob o manto de uma chuva que não lava, mas petrifica. Sob o negrume de noites sem fim e dias de um cinza estéril, o horizonte se dissolve, e a jornada deixa de ser sobre o destino para se tornar a pura resistência da matéria contra o nada.
- Tiago Scheimann
... desejar
um viver sem culpas
é render-se ao inconcebível -
refreando possibilidades; quando
não ,o próprio destino - na verdade,
cada homem vive sob os limites
de sua própria índole
sempre carente de
reparos!
... do imperfeito ao perfeito,
a arte de viver demandará perspicaz
reconhecimento e similitude com nossa
estimável interioridade de espírito em
laboriosa feitura - para tanto, as infindáveis
idas e vindas favorecendo tão
extraordinária jornada...
Assim é!
... o tão desejado
bem viver trata-se de uma
ousada e bem disposta política de
resultados; em que as boas atitudes
devem ser espontaneamente praticadas; jamais presunçosamente
contabilizadas!
... da rudimentar cognição
aos expressivos lampejos de sabedoria,
a arte de viver, exigirá perspicaz similitude
com nossa inalienável interioridade como
espíritos em fazimento... Para tanto, as
ininterruptasidas e vindas por mundos
e humanidades endossando
tão especialíssima
travessia!
... não julgar,
segundo a filosofia cristã,
é priorizar e viver a melhor fatia
daquilo que dedicados, espontâneos,
naturalmente expressamos: nosso
discernimento e relevância
como espíritos!
... o bem viver
não se limita ao pleno proveito
das nossas emoções, tampouco se resume
aos rígidos preceitos da razão; visto que optar
apenas por umlado — emoção ou razão — nos sujeitaria à não resposta de uma súbita
amargura, ou à fria indiferença...
Sofreríamos, sobretudo, das
agrurasde uma vida
'manca'!
... a sabedoria
é fruto da boa observância
do que seja a arte de viver — de
uma meticulosa percepção de seus
fartos contrastes e encantamentos que
sempre têm algo a nos dizer,
por nos ensinar!
... a tarefa de viver
não se trata de um monólogo
isolado, mas de um ação participativa
em que, na condição de 'emissores', vivemos
e partilhamos aquilo que já alcançamos — e,
ocupando o papel de 'receptores',sorvemos
saberes e princípios que por
agora nos faltam!
Leva-me, agora, por favor, Deus,
Por caminhos de sonhos e aventuras,
Que eu quero viver, sentir e sonhar,
E nunca mais parar de voar.
(Saul Beleza)
De amar...
de ser amado...
de viver...
de ser vivido...
de ontem...
de hoje...
de sempre...
de repente.
Se sente...
se lamente...
se contente.
De se amar, e se amado for.
(Saul Beleza)
Certa vez existiu
Alguém que nunca existiu
Quis chorar, mas não chorou
Quis viver e não viveu
Nada leu e nem escreveu
Não teve pais e nem irmãos
Não teve mãos e nem pés
Talvez tenha desejado até
Conquistar uma namorada
Não teve ódio e nem fé
Não teve nada
Ou quase nada
Não bateu, nem apanhou
Não deixou e nem levou
Não viveu e nem viu
Porém
Por alguém que existiu
Ele sentiu
Alguma coisa que deixou
O seu coração dilacerado
Mas isso ninguém viu
E em menos de pouco tempo
tudo aquilo
Estaria pra sempre esquecido
E eternamente perdido.
Pra bem viver a vida
de vez em quando é preciso
Aprender
A enxergar com os ouvidos
Saber dizer com o olhar
e, na maior parte do tempo
Fazer que não viu
e fingir que não ouviu
Fechar os olhos
e assim
Se calar
Te conhecer foi um privilégio,
Te possuir é um luxo,
Te viver todos os dias é sonhar sem querer abrir os olhos.
Viver é amar
Mas amar a quê?
Amar a verdade
Não somente
O conhecimento da verdade
Amar a verdade sobre você
E ter a consciência leve
Compreenda que nem tudo é permitido
A maior verdade da vida
É que a vida é muito breve
Amar ao silêncio
Ouvir a voz do vento entre as folhas
O suave movimento
da aranha que tece a teia
Amar ao emaranhado
da história da sua vida
Enquanto vai sendo tecida
Amar a solidão
Que te faz amar a cada companhia
Amar a luz e a escuridão
Pois cada coisa tem tempo e lugar
Amar ao amor de Deus
Pois só assim se pode ouvir a Deus
Na luz
Na solidão
Na teia que foi tecida
Amar ao tempo que passou
E aprender a não mais lamentar-se
Amar a paz
Aguardar com serenidade
A surpresa que haverá
Ela vem na certeza que há
de um dia, um desenlace
Feliz ou não
Eis aqui toda a importância
de saber amar
A essa vida que não nos pertence
E que há de se apagar como uma vela
Pois um dia
Todo mundo vai ter que prestar as contas
Sobre ela.
Edson Ricardo Paiva.
A cara acinzentada da tarde
Foi-se embora pra morar
Pra sempre detrás da colina
Viver da neblina, que chora
Pra sorrir no nascer do Sol
Assim que o dia esquenta
Sim, ela se ausenta
Pra de novo vir morar
Bem pertinho de onde moro
Pra sempre por sobre a colina
E quando a manhã se vai
Novamente se apresenta
Sorrindo pra gente
Mostrando a sua cara cinzenta.
Edson Ricardo Paiva.
