Poema Sobre Solidão
A tristeza e a solidão desejam engolir as almas daqueles que desistiram; isto acontece quando os mesmos deixaram de acreditar mas, a vida ainda não os abandonou.
Se já viveste numa casa com telhas de céu, paredes de vento, janelas de chuva, portas de solidão e cama de pedra, aprendeste o quão é fria a humanidade.
Como são chatos os que confundem nossa solitude com solidão, e a interrompem sem a menor intenção de nos dar Inteira Companhia.
É melhor viver na solidão, mas ser verdadeiro do que desfrutar do banquete da hipocrisia com muitas pessoas.
Muitos temores nascem do cansaço e da solidão. Sentidos confusos que passam em vão. Talvez seja o momento de desacelerar o verso, e ouvir o que sustenta o poema, sair um pouco do sistema, desacelar o passo e observar o ritmo da respiração. Não se trocam pedras em vão. Mas não há briga onde há comunhão, afinal todas as árvores foram um dia sementes, que hoje dão sombras aos viventes. Alguns temas são sensíveis, podem gerar dor em que vê. Gatilhos que a alma lê. Mas se há vontade de entendimento, façamos da paz nosso alimento. E mais que paz, plantemos no solo leveza, doçura e delicadeza, se assim foi no começo, pois que permaneça e que jamais se esqueça, se já fomos amizade encantada, na cidade que vê e não fala. Pois que eram sinceros os nossos passos. Uma árvore de quase vinte anos foi regada muitas vezes e hoje colhemos o verde das folhas vivas e as flores que abundam nos nossos olhos. E nos vejo árvore frondosa, que de ternuras se faz formosa. Somos uma árvore antiga que cresceu em meio a cantigas e muito mais se faz especial, se permanece no tempo real. E é precioso observar que somos duas sementes de uma árvore só. O amor se desencontrou no tempo, mas nunca se desencontrou nas almas. Assim penso, se assim sinto. A distância não apaga a verdade se te leio e te ouço. E você é abrigo, se músicas e poemas, alimentam minha emoção, tantas vezes fragilizada, mas atenta, na melodia que acalenta. E te faço esse poema, se o tempo passou e permanecemos. Um amor calmo, que o tempo não arrastou. Queria ver seu rosto e te abraçar, mas nem sei bem como te encontrar em mim, temo que seu amor tenha chegado ao fim. Ainda assim escreverei sobre seu olhos cor de mar, onde quero para sempre navegar.
A solidão é minha velha amante fiel que já se acostumou e aprendeu a não reclamar comigo, nos momentos que quero ficar sozinho, introspectivo, sem a menor paciência de encontrar com pessoas infelizes sorridentes, enfeitadas com utensílios de marca baratos mas falsificados que orgulhosamente desfilam vitoriosas e especiais de fachada.
A solidão optativa nos fortalece e a oração silenciosa, acalma a mente e o espirito, invocando metas, resultados e realizações.
"A escolha é difícil: solidão eterna ou convivência com a paranóia e a agressividade que me cercam?"
Tem momentos que você olha a situação e nada muda, só desprezo e solidão, mas dentro da sua situação tem um alguém: que jamais te deixou!
A solidão me apresentou a mim mesmo e eu fiquei. A solidão pode ser espelho, quem ali nos visita pode ser o próprio eu que ainda havia de nascer.
Entre espinhos, passos lentos, um cajado toca a solidão. Cada ferida acende o caminho, cada lágrima mostra o chão. Quem busca o que ama, sangra, mas o sangue é oração. E o perdido, ao ser achado, vira luz na escuridão.
Na solidão fui encontro comigo mesmo, conheci medos e passos que me guiam hoje, a solidão virou mapa para andar sozinho, assim encontrei força no meu próprio passo.
Meu rastro na solidão foi a bússola que te trouxe até mim. Nenhuma sombra, nenhum abismo deteve os passos do teu amor. Tu vieste sem cansaço, somente com propósito.
A solidão é o custo elevado da profundidade, quem se contenta com o raso, troca a essência pela ilusão de estar rodeado.
A sociedade ovaciona o palco, mas a metamorfose da alma é um evento silencioso, forjado na solidão dos bastidores.
