Poema Sobre Solidão
Eu me sinto um lixo
sempre escolho atalhos
pra não encarar o erro.
Gosto do silêncio,
porque eu falhei no barulho das relações.
Quando a dor aperta,
eu me escondo em comprimidos.
Se aperta demais,
eu penso em ir embora de vez.
Me saboto
sou meu inimigo íntimo,
que só quer me deixar sem saída.
E penso:
se eu sumir, talvez seja um alívio.
Pra mim.
Pra eles.
Pra todo mundo que ainda se importa
(mais do que eu mereço).
O peso do silêncio
Dizem que nascemos sozinhos e morremos sozinhos. Dizem isso como se fosse uma verdade fria, científica, quase um aviso. E talvez seja. O que ninguém diz, ou talvez finjam não perceber, é que, entre o começo e o fim, a solidão também aparece. E não é aquela que se resolve com companhia, é outra, a que mora dentro.
Chega uma hora em que o tempo desacelera. As visitas ficam mais raras, os telefonemas cessam, e a casa vai ficando grande demais para quem já viveu nela cheia de vida. Os móveis guardam mais memórias do que utilidade, e a alma, essa danada, começa a tropeçar em lembranças que insistem em não morrer.
Sinto-me como um velho pilão esquecido no canto de uma varanda. Já fui força, já fui utilidade, já fui indispensável. Hoje sou história que quase ninguém pergunta, silêncio que quase ninguém ouve.
As mãos tremem, a visão falha, a juventude se foi, mas o que mais dói é o espaço vazio na rotina, como se o mundo seguisse em frente e eu tivesse ficado preso em algum ontem que não volta.
Conto os dias, sim. Não com tristeza, mas com certa dignidade de quem sabe que ainda está aqui. E se ainda posso escrever, lembrar e sentir, então ainda sou. Mesmo que meio apagado, mesmo que decorativo, ainda sou.
E quem ainda é, ainda pode ser. Nem que seja só abrigo para uma saudade, ou um canto sereno onde a vida, mesmo em silêncio, continua a respirar.
Perdido Dentro De Mim
Perdido dentro de mim, sem vela, sem norte,
caminho em espelhos que sangram a sorte.
Meu peito é um bosque de névoa e vazio,
onde a alma se esconde, chorando em frio.
As vozes que escuto são minhas, e não são,
sussurros antigos de outra versão.
Amores que tive — ou apenas sonhei —
flutuam no escuro, mas nunca os toquei.
Meu coração grita num canto fechado,
ecoando memórias de um tempo apagado.
O amor que me resta é sombra e punhal,
um beijo que corta, silêncio fatal.
E quando me busco, não sei o que vejo:
um vulto cansado, sem luz, sem desejo.
Se volto ao meu corpo, não sei se é meu fim.
Pois sigo perdido, perdido dentro de mim.
Copyright By Izaias Silva
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Destino e Amor
O destino traça linhas no ar,
como o vento a brincar no mar.
Cada curva, um mistério a se abrir,
cada encruzilhada, um novo sentir.
E o amor, teimoso e sereno,
segue os traços, dança ao tempo.
Às vezes brisa, às vezes furacão,
mas sempre ecoa no coração.
Se o destino nos guia sem ver,
o amor nos ensina a escolher.
Entre as rotas que a vida desenha,
só o amor faz a jornada ser plena.
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Meu Destino Final
Rumo ao céu, meu destino final,
ergue-se em mim um sonho celestial.
Deixo pra trás o peso do chão,
voo guiado por fé e visão.
As dores antigas se tornam canção,
eco suave no meu coração.
A noite já cede ao primeiro sinal
de um novo amanhã, puro e vital.
Vejo no alto promessas em flor,
luz que acalma, calor sem temor.
E cada estrela parece lembrar:
o fim é só forma de recomeçar.
Não é adeus, é novo portal,
rumo ao céu, meu destino final.
Ali serei paz, serei despertar,
um raio de sol voltando a brilhar.
Copyright By Izaias Silva
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I. a parte em que ninguém percebe
há dias em que o mundo continua ~
mas eu não.
eu me arrasto dentro da roupa.
cumpro compromissos como quem finge
ainda habitar o próprio nome.
me sento onde sempre me sentei,
mas algo em mim não chega.
o corpo levanta,
mas não comparece.
•
há horários que evito.
nomes que pulo.
itens na gaveta que não toco há meses.
não é superstição.
é autodefesa.
ninguém entende.
porque continuo funcionando.
mas já não pertenço à máquina.
•
II. a parte que só eu escuto
há um som que só eu ouço.
não é voz,
não é memória,
não é aviso.
é uma frequência baixa
que vibra quando tudo está em silêncio.
uma presença que não se mostra,
mas me atravessa.
me obriga a manter as janelas fechadas,
a não reorganizar os móveis,
a conservar os espaços como estavam
no dia anterior ao que nunca mais passou.
•
não estou esperando nada.
mas também não fui.
é isso que ninguém entende:
o não ir.
o continuar por engano.
o viver como quem segura a respiração
no fundo da piscina
sem saber se ainda é possível subir.
•
III. a parte em que eu entendo
as coisas não melhoram.
elas se adaptam.
e chamam isso de cura.
eu aprendi a conversar sem falar.
a sorrir sem acionar músculo.
a dormir com a sensação
de que algo ainda respira ao lado.
talvez seja eu.
talvez não.
mas sigo deitada.
olhando pro teto
como quem espera uma explicação
que não chega.
•
e então amanhece.
como se nada tivesse acontecido.
como se meu corpo não estivesse carregando
o peso exato
do que ninguém ousa perguntar.
e eu levanto.
porque a vida, ao contrário da morte,
não precisa pedir permissão pra continuar.
Juliana Umbelino • O Luto Sou Eu
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Amar e Ansiar
Amar alguém — ansiar por esse calor,
Enquanto casais sorriem ao nosso redor.
Na solidão, vem a dúvida em nosso coração:
Será que há alguém no meu destino?
É cansativo
Buscar respostas onde não dá pra alcançar.
Nos filmes, nas séries, nos livros
O amor sempre vence, sempre inflama.
E nós aqui,
Sentindo o peso que o mundo imposta:
“Você já tem alguém? Vai namorar quando?”
Como se o coração tivesse hora e comando.
Mas o amor — ah, o amor — não se força,
Ele chega na hora.
Não é ausência o que há no agora,
É espaço aberto para quando for a hora
Sozinha, desnuda, livre do exibicionismo e da proposta ideal de ser perfeita o tempo todo, a tristeza a corrompia.
Tinha medo da solidão e das relações rasas. Sofria de amores, chorava de saudades. Ansiava por mudança, por um milagre, por atenção e afeto.
A insatisfação era predominante. Queria viver da coragem que ainda possuía. Experimentar novos sabores, sentir o vigor do inédito, reencontrar e descobrir pessoas.
Quando sentir vontade de se afastar de tudo e de todos, pergunte: “Estou fugindo de quê? Estou me escondendo de quem?”
Se for para estar a sós com Deus, vá em paz. Mas se for para alimentar ressentimento ou esconder fraquezas, volte.
Volte, porque a comunhão é lugar de cura, não de condenação.
Sob o Véu da Meia-Noite
Sob o véu da meia-noite, onde os sussurros ganham voz,
Eu caminhei entre as sombras, onde o tempo já se pôs.
A saudade era um espectro, com os olhos de rubi,
E cantava o nome dela — que se foi, e não ouvi.
Oh Lenora, doce chama,
Que o destino levou ao mar…
Tua alma vaga em bruma e chama,
E eu só posso te chamar.
Volta, anjo de silêncio e dor,
Meu delírio, meu amor!
No relógio da parede, cada badalada é um lamento,
Como ecos de um passado preso ao frio do esquecimento.
O corvo em minha janela nunca diz o que eu quero crer:
Que a morte é só um sonho, e que eu ainda vou te ver.
Oh Lenora, doce chama,
Que o destino levou ao mar…
Tua alma vaga em bruma e chama,
E eu só posso te chamar.
Volta, anjo de silêncio e dor,
Meu delírio, meu amor!
Os anjos choram tua ausência,
As estrelas cessam de brilhar.
E no abismo da consciência,
Só tua voz vem sussurrar…
Oh Lenora, doce chama,
Entre os mortos e o luar…
Guia-me pela tua chama,
Pois não posso mais ficar.
Leva-me, ó sombra encantadora,
Para sempre… Lenora.
Devaneio Noturno 🌙
Sonhar contigo em meus braços, nos amando como se não houvesse amanhã, numa alegria e cumplicidade imensas, sem fim. O coração prega peças — e a mente, mais ainda. Mas, se isso foi um sonho, desejo sonhar infinitamente. Tu és a personificação da alegria, da ousadia e da simpatia que trazem sentido e prazer ao viver. E eu aqui, em mais um devaneio, numa noite longa e solitária, desejando-te... e me perdendo em meus próprios pensamentos.
Te dei meu coração, rasgado e sincero,
você partiu sem olhar.
Hoje sou sombra do que eu era,
mas ainda olho a lua
e peço a Deus pra um dia
alguém ficar… e não trocar.
Sentimentos
Sentir, sentir… sem poder se expressar.
Ficar calado(a), sem nem gaguejar.
Seguir regras por um fio,
e depois rir — e ir —
escutando as badaladas,
o vento que passa,
o barulho dos carros,
as risadas mais altas.
Sentindo falta de algo
sem conseguir dizer nada.
Uma falta incabível.
A solidão — mas com presença.
Um sentimento não explorado,
apenas guardado.
Nos Intervalos do Mundo
Nos intervalos do mundo, onde o ruído se cala,
há um canto onde a alma se despe,
e na penumbra suave da solitude,
enfim se encontra sem pressa, sem medo.
É ali que o silêncio fala mais alto,
e cada pensamento tem forma e peso.
A dor amadurece, a dúvida dança,
e o coração respira o que antes temia.
Mas nem toda jornada é feita a sós.
Às vezes, no eco de um gesto leve,
uma voz amiga, uma mão estendida,
nos lembra que não somos deserto.
Há apoio nas sombras também,
em olhares que não julgam,
em presenças que não exigem,
em abraços que dizem, oi estou aqui.
Solitude é ponte, nunca prisão.
E apoio é farol, nunca amarra.
Entre os dois, o espírito cresce
na liberdade de ser, e no milagre de ser.
Saudades
Saudades são pequenos ecos do que já foi um cheiro, uma voz, um olhar que não volta,
mas insiste em ficar dentro da gente.
Em curtos espaços de tempo,
elas aparecem como vento leve,
ou como um silêncio pesado.
Não precisam de muito para doer,
nem de muito para aquecer o peito.
A saudade é o que resta quando o tempo passa,
mas o sentimento permanece.
A gente só entende o valor de uma foto quando não tem mais a chance de tirar outra. Só percebe o peso de uma conversa que não aconteceu quando o tempo se encarrega de fechar portas que nunca mais se abrem.
Quantas vezes ignoramos sentimentos por medo? Quantas vezes deixamos de ser quem queremos, só para não dar o braço a torcer? E então, o que sobra? Histórias que nunca foram vividas, amores que ficaram no “e se...”, amizades que eram apenas ilusões bem montadas.
É fácil olhar para trás e perceber onde deveríamos ter sido mais corajosos, mais atentos, mais vivos. Difícil é mudar isso enquanto ainda há tempo. Porque, no fim, todos vão olhar para alguma coisa e pensar: “Eu poderia ter aproveitado mais…”.
E quando esse momento chegar, não se engane. Muitos não vão atravessar a rua para te ver, mas vão andar quilômetros para te enterrar. No fim das contas, o adeus sempre vem a questão é se, até lá, você realmente viveu.
Entre o Silêncio e o Vento
No fio da tarde, o tempo se dobra,
carrega lembranças no sopro do ar.
O mundo respira, mas quase não fala,
tudo que importa começa a calar.
Os passos se perdem nas sombras do chão,
mas dentro de mim, há fogo e caminho.
Mesmo na dor, renasce a esperança,
feito uma flor brotando sozinha.
O olhar se levanta, encontra o infinito,
não pelo céu, mas pelo sentir.
Pois quem já caiu, aprende o segredo:
é no silêncio que a alma decide existir.
Caminhos Invisíveis
Há passos que damos sem ver o chão,
movidos por algo que não tem nome.
Às vezes é fé, outras é fuga,
mas sempre há um porquê que só o tempo revela.
O mundo ensina com mãos ásperas,
e nem toda dor vem para ferir.
Algumas vêm para abrir janelas
em lugares que julgávamos muros.
Carregamos perguntas como bagagem,
algumas pesam, outras sustentam.
E no vaivém das estações da alma,
descobrimos que nem tudo precisa resposta.
A vida é feita de curvas e quedas,
mas também de olhares que nos levantam.
E mesmo sem saber para onde ir,
o mais bonito é seguir e sentir.
Quando o mundo se sustenta
Há forças que não têm nome
mas sustentam o que somos
como raízes ocultas na terra
nutrindo sem serem vistas
O visível é breve
como reflexo na água
mas o invisível permanece
feito essência que não se apaga
O tempo não caminha em linha
mas se curva em espirais de sentido
e o amor, quando profundo
não precisa provar que existe
Não é o saber que acalma
mas o sentir que acolhe
há luz nas pausas do pensamento
e abrigo nos vazios do entendimento
Tudo o que escapa ao controle
ensina o valor da entrega
e o silêncio que parece ausência
é, muitas vezes, o lugar mais cheio de presença
Nó no gorgomilo
Há dias convivo com esse nó no gorgomilo.
Acordo cansado,
durmo em vigília.
Como demais quando posso,
e quando não, tanto faz.
Se bebo água, mijo.
Se não, só percebo dois dias depois.
Sobreviver virou protocolo.
Viver... virou luxo.
Se respiro, é automático.
Se morro, me liberto.
