Poema sobre Pássaros
I
A luz se confundiu,
A hora sucumbiu,
Dos pássaros escuto os assobios
E a natureza os arrepios.
II
Vi passar a fala que reluzia,
Mas a minha mente te conduzia
Tudo fiz, mas no final, se desfazia.
Onde está a paz que trazia?
III
Aquela que foi atropelada pelo destino
Aquela que morava naquele cantinho
Aquela, que cuidava como um filinho
Aquela que a garra parecia de um felino.
IV
Aquela? Sim Aquela. Aquela desceu
A sua cor desapareceu
E a sua luz aos poucos enfraqueceu.
Naquele riacho onde tudo aconteceu.
V
Pena, muita pena
Pensava que que a sua luz era plena
E quando olhava parecia que valesse a pena.
Não, não, tudo era uma farsa, apenas uma milena morena.
Cativeiro das Palavras
Nunca sei o que escrever.
As palavras chegam sem aviso,
como pássaros desorientados
que pousam no peito
e logo se lançam ao vazio,
deixando o silêncio
como única companhia.
Sempre há dúvida.
Onde estão as inspirações?
Onde se esconderam os sorrisos
que um dia iluminaram o caos?
Talvez seja apenas questão de tempo,
tempo que não há,
tempo que se dissipa
como névoa em manhãs febris.
Mostre-me as lágrimas
que tais sorrisos trouxeram consigo,
como marcas discretas
nas dobras da memória.
Entre tantos sentimentos vazios,
confusos e desgastados,
é difícil encontrar algo verdadeiro,
algo que não se dissolva
na vastidão dos dias incertos.
ENTARDECER E A LUA
A noite descia como em voo de pássaros,
Em rajadas de flocos coloridos.
Meus olhos se deliciavam, estremeciam,
De prazer e dor.
Como cristalizar este momento?
De que forças retirar o fluído para tal proeza?
Pensamento tolo que me fez perder todo o poente.
Quando dei pela natureza,
A noite me abraçava,
Beijava meus lábios com o nascer da lua.
Espetáculo de noite invernal.
Como deter o astro prateado
No seu lugar de agora?
Para saciar o meu prazer,
Para matar a minha sede de beleza.
Oh maldito pensamento!
Fez-me perder todo o nascer da lua!
Todos os poentes, todo o sol no seu turno.
Todos os verdadeiros voos de andorinhas!
E aqui estou sem saber contemplar.
Desejando obras monumentais da natureza.
Maldizendo o pensamento,
Vi-me num túmulo frio, escuro,
Sem haver sentido o momento de minha morte
Por tanto haver pensado nela!
Conclusão de alma:
O belo está naquilo que se vê e sente
Não no que se quer!
Nov/ 1974
Comportamento Disruptivo
Pássaros descalços
deslizam na parede
de papel semi-viva.
Réstias e modéstias
sobre o excessivo
equilíbrio das palavras
revelam a indumentária
da sustida pontuação.
A dissimetria dos meus sentidos
a despolarizar o quotidiano
neste comportamento disruptivo.
Ouço as folhas convolutas
dos irredutíveis plátanos
e entrego a minha sépia solidão
à superfície do Outono.
Rodeio Silenciosa
Nesta Rodeio silenciosa
onde só ouço os pássaros
e os cães da vizinhança
neste momento latindo,
voo nas asas do silêncio
até onde a esperança
tem feito generoso abrigo.
Minha Rodeio silenciosa
e joia catarinense amorosa,
és tu minha fortaleza
e meu refúgio do mundo
onde a paz não tem feito
para muitos mais sentido.
Nesta Rodeio silenciosa
que me abraça generosa
mesmo com as flores azuis
do tempo se fechando
e se abrindo sobre a cidade,
aqui desfruto da poética liberdade.
Minha Rodeio silenciosa,
onde as pétalas do céu
se desmancham ora fortes
e ora brandas sobre nós;
tu me encanta tal como
o sol e a chuva dançam
sobre o Médio Vale do Itajaí,
é assim que jamais me canso de ti.
Rodeio na Véspera
Rodeio na véspera de Natal
esbanja uma paz sem igual
onde aqui os pássaros são
o coral celestial brindando
a cada um de nós com cantos
de paz profunda e sem igual.
Do verde esplendoroso
do nosso Médio Vale do Itajaí
o quê abraça a nossa cidade
sempre fascina nesta período
e em todos os outros,
e saboreio as frutas da época
que são os valiosos tesouros.
Rodeio na véspera de Natal
inundada pelas preces e fé
do nosso povo em agradecimento
inspiram a olhar para cima,
ser fortaleza e ser poesia devocional
pedindo ao Menino a paz mundial.
Rodeio LXXXVI
Na paz desta manhã
que Rodeio aniversaria,
Os cantos dos pássaros
trazem toda a poesia.
Minha linda cidade
do Médio Vale do Itajaí,
Tesouro raro e poético
igual jamais conheci.
Da glória e da memória
da herança que cruzou
o oceano para começar
uma nova vida temos
viva a cultura trentina.
O dialeto e o pacto
de amizade com Fornace
mantém vivos os laços
de afeto e irmandade.
O orgulho inabalável
de viver nesta linda
cidade que nenhuma
tempestade estremece
a nossa gente forte
movida a trabalho e prece.
A falta da Taquara
heroína que alimenta
a gente e os pássaros
tem feito rastros,
As peles e os cabelos
nunca mais na vida
foram os mesmos,
Tenho medo do dia
que a Taquara acabar,
será o sinal que a vida
nunca mais vai voltar
para o seu devido lugar.
Poesia Fônica do Vale Europeu
Os sons do passado, o jeito
de falar e o canto dos pássaros
nutrem de maneira sinfônica
a Poesia Fônica do Vale Europeu,
E eu como a Poetisa desta Rodeio
não nego que em mim a cada
dia cresce o único sintoma
do qual não quero me livrar:
Viver todo os dias para exaltar
o Vale Europeu e para sempre amar.
O segundo dia do ano em Rodeio
O segundo dia do ano em Rodeio
me permite acordar com pássaros,
com o silêncio da minha cidade
em pleno Médio Vale do Itajaí
com poesia e plena tranquilidade.
Poema Sonoro para Rodeio
Os pássaros de madrugadinha
declamam o seu poema sonoro
para Rodeio e o raiar do dia,
que estou na sua você bem sabe,
Eu não sei se você está na minha,
só sei que não é mais segredo
para ninguém desta nossa cidade.
Guamirim-da-folha-miúda
Floresce absoluto
o Guamirim-da-folha-miúda
que os pássaros sempre
aguardam ansiosos
pelos frutos saborosos,
E da mesma forma eu aguardo
que você pegue as rédeas
de si mesmo e tome a coragem
de se entregar por inteiro,
Porque tenho a certeza que
sou eu o seu amor derradeiro.
Autora matutina embalada
pelo canto dos pássaros
embora ligeiramente coberta,
A minha poesia acorda
mais cedo do que
eu com Versos Intimistas,
A exigência dos dias
só faz dobrar a aposta
de desejar ser tudo aquilo
que você sempre pediu ao destino.
A minha bela Rodeio
fica no Médio Vale do Itajaí,
O som dos pássaros
é o coral que ouvimos por aqui.
Temos mais de pássaros
do que nós imaginamos,
Assumo que não sou
diferente de um Alma-de-Mestre,
Quando está Sol nem
que seja espiritualmente
voo para o mar,
E quando vem a tempestade
fico com os meus pés na terra,
Assim tem sido o meu voo de poeta,
é o que dizem aqueles
que se veem como pescadores.
Passam muitas coisas
aqui nessa rua
musicada pelos
pássaros até quando
desfrutamos das
mais frias temperaturas:
o tempo, o vento,
o pão quente, o queijo,
os doces, as verduras
e as amáveis frutas.
Por aqui até mesmo
nós passamos por nós,
as nossas visitas
e quem a gente
nem faz idéia,
mas passeamos.
Porém, por nós passam
os pensamentos,
e por mim os versos,
as poesias e os sonetos.
Ouvindo os cantos
dos pássaros
nesta manhã gris,
pelo menos tenho
algo que me diz
que apesar de tudo
ainda serei feliz.
Não faço idéia
onde você está;
no teu coração
um mundo todo
para nós dois
irei construir,
e nada irá destruir.
Algo me diz que não
posso por parar
de ir em tua busca
mesmo em dias
dias de sol ou chuva,
eu sou a eterna
tal noiva em fuga.
Amor, até a Lua
e o Universo todo
sabem do meu
plano convicto
até te encontrar
e o destino vir
a nos enveredar.
Por nós e tudo o quê
creio fiz um grande
e fino juramento
para não quebrar,
demore o tempo
que for e custe
o preço que custar.
Há Passáros no Céu
"Para o dia, um dia sem sombras... Ou melhor,
me permito sombras, desde que sejam as das
árvores — as mesmas que abanam a brisa
sobre a face e a mente vazia de
cabelos — paz."
Márcia A. Prazeres
Se quiser ser uma águia não converse com galinhas; se quiser voar como uma águia não ande com patos; se quiser voar entre as águias não viva entre perus!
