Poema que Fale da Vida

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Ó meu amigo, não te limites a aspirar à vida do possível, esgota antes o campo do possível.

O que me resta da vida? Como é estranho, só me resta aquilo que dei aos outros.

Todas as especulações são pardas, certamente, mas eternamente verde é a árvore de ouro da vida.

O hábito é que me faz suportar a vida. Às vezes acordo com este grito: - A morte! A morte! - e debalde arredo o estúpido aguilhão. Choro sobre mim mesmo como sobre um sepulcro vazio. Oh! Como a vida pesa, como este único minuto com a morte pela eternidade pesa! Como a vida esplêndida é aborrecida e inútil! Não se passa nada, não se passa nada. Todos os dias dizemos as mesmas palavras, cumprimentamos com o mesmo sorriso e fazemos as mesmas mesuras. Petrificam-se os hábitos lentamente acumulados. O tempo mói: mói a ambição e o fel e torna as figuras grotescas.

A vida é fictícia, as palavras perdem a realidade. E no entanto esta vida fictícia é a única que podemos suportar. Estamos aqui como peixes num aquário. E sentindo que há outra vida ao nosso lado, vamos até à cova sem dar por ela. Estamos aqui a matar o tempo.

Você não conseguirá acrescentar uma única hora ao curso da sua vida por andar tão ansioso.

Com os seres vivos, parece que a natureza se exercita no artificialismo. A vida destila e filtra.

Há homens que parecem grandes no horizonte da vida privada e pequenos no meridiano da vida pública.

Sê alegre apenas depois de dares a volta à vida toda. E regressares então a uma flor, ao sol num muro, a um verme no chão. A profunda alegria não é a do começo mas a do fim.

Vergílio Ferreira
FERREIRA, V., Escrever, Bertrand, 2001

Se considero quanto me custa a ideia de deixar a vida, devo ter sido mais feliz do que pensava.

A vida é amarga e doce. Por isso não há outra forma de descrevê-la senão captando esses dois sabores.

É necessário ter amor pela vida para o prosseguimento vigoroso de qualquer intento.

Todos os homens que se aborrecem num planeta passam a sua pobre vida a procurar outro.

Essa outra vida que é esta vida desde que nos preocupemos com a nossa alma (...).

Émile-Auguste Chartier
ALAIN, Histoire de mes pensées, Impr. moderne, 1936

A vida é um movimento de assimilação progredindo sem cessar. No seu caminho suprime todos os obstáculos, assimilando-os. A sua essência é a criação contínua de desejos e de ideais.

Os males da vida são os nossos melhores preceptores, os bens, os nossos maiores aduladores.

A vida humana é uma intriga perene, e os homens são recíproca e simultaneamente intrigados e intrigantes.

A fortuna aumenta a vida, na medida em que aumenta a possibilidade, que é a própria vida sentida. A vida é a conservação do possível.

Não é por ter sido honesto uma vez que se pode passar o resto da vida a descansar.

O que me interessa, é a vida dos homens que falharam visto significar isso que tentaram ir para além das suas possibilidades.