Poema Passei para Deixar um Beijo
Não vou mais lutar comigo mesmo. Essa guerra íntima sempre foi injusta: eu de um lado, tentando caber; o mundo do outro, oferecendo moldes apertados demais. Passei tempo suficiente tentando negociar minha existência, arredondar arestas, suavizar excessos, traduzir quem sou para ver se assim eu era aceito. Não funcionou. Nunca funcionou.
Nunca coube nas expectativas porque elas nascem pequenas demais para o que pulsa em mim. Nunca me ajustei para pertencer porque pertença, quando exige mutilação, vira cárcere elegante. Aprendi isso do jeito mais cansativo: insistindo. E só agora entendo que insistir contra si é uma forma sofisticada de abandono.
Sou o que sou. Não por rebeldia, nem como defesa. Sou o que sou como quem finalmente pousa as armas no chão e senta. Há uma paz estranha nisso. Não a paz da acomodação, mas a paz de quem para de se ferir tentando ser outra coisa. Sustentar-se dá trabalho, mas lutar contra si cobra um preço alto demais.
Escolho, então, essa trégua radical comigo. Não para me tornar imutável, mas para mudar sem me violentar. Não para agradar, mas para existir com decência. Sou o que sou — e isso, hoje, não é sentença. É abrigo.
Há um ruído antigo em mim — não sei se nasce do peito ou das paredes internas. Um som que pergunta, sem mover a boca, se minha presença é respiro ou incômodo. Não pergunto aos outros; pergunto ao silêncio. E ele sempre responde: depende.
Depende de quê?
Talvez da sombra que ainda carrego — essa que aprendeu a duvidar do que é oferecido com ternura, como se o afeto tivesse validade curta.
E não é por falta de amor; não faltou.
É que, em algum ponto sensível da minha história, aprendi que tudo pode virar silêncio sem aviso. Cresci assim: não desconfiado das pessoas, mas das marés. Meio alerta, meio cético, inteiro faminto do que é seguro.
Há em mim um eco que hesita diante do amor mais evidente — não por falta de provas, mas por excesso de memória. Uma parte minha vigia a porta mesmo quando não há perigo.
E o curioso é que eu sei que sou querido.
Mas há uma porção antiga — leal às dores que sobreviveram — que pergunta: “e se for só gentileza?”
Às vezes imagino que essa dúvida é um animal. Mora em mim. Cheira o amor antes de deixá-lo entrar. Rosna quando alguém chega perto demais — não por recusa, mas por medo de desmanchar.
E a cura?
Talvez seja deixar esse animal cansar.
Permitir que o amor chegue devagar, até o corpo entender que não é ameaça: é colo.
Ou aceitar que essa dúvida é profundidade — alguns de nós amam em camadas, e o afeto precisa atravessar labirintos para chegar ao centro.
E no meu centro existe um lugar que sempre soube que sou amado.
Mas às vezes ele cochila — e o mundo fica estrangeiro.
Basta um olhar verdadeiro para tudo despertar.
E eu lembro, mesmo que por instantes:
não estou sendo tolerado, há morada nos amores que me abraçam.
(“O lugar onde o amor cochila”)
Mergulhar é decidir afundar acreditando que o corpo ainda lembra como voltar. Há um segundo em que o ar falta, o peito arde, a cabeça avisa que talvez seja demais. E mesmo assim, fica-se mais um instante. Não por coragem, mas por curiosidade. Depois, o impulso antigo reaparece, o corpo sobe, o ar entra desajeitado, e respirar volta a ser um milagre banal. Toda transformação começa assim: um quase-afogamento seguido de reaprendizado.
Tenho vivido o estado estranho de não ser mais quem fui. Um auto-estranheirismo. Há dias em que me entristece não dar conta do que antes era fácil. Coisas que fazia sem pensar agora exigem pausa, cuidado, negociação interna. É como acordar numa casa que sempre foi sua e precisar de segundos para lembrar onde fica a cozinha. Isso dói, porque a memória do que fui ainda mora em mim.
Mas há também prazer: descobrir habilidades que não existiam, aprender com o espanto de quem começa do zero. Errar sem arrogância. Esse estranhamento não é ruptura, é transição. Caminho por ele com angústia e curiosidade. Nem sempre sei quem sou hoje, mas começo a desconfiar de quem posso me tornar.
Talvez amadurecer seja suportar a tristeza do que não somos mais sem apressar a alegria do que ainda não sabemos. Permanecer nesse intervalo instável, onde o desconforto ensina e a surpresa salva. Aceitar que não reconhecer a si mesmo também pode ser sinal de que a vida está funcionando.
Há um alívio secreto em se jogar sabendo que existe chão. Não falo de certezas — certezas são para quem teme a vida. Falo do chão que nasce dos próprios pés, esse solo íntimo que a gente aprende a cultivar depois de tantas quedas que já nem sabemos mais qual doeu primeiro.
É libertador sentar no meio-fio sem medo de parecer deselegante. Elegância, no fim, nunca esteve na pose, mas na coerência interna. Prefiro o cimento quente da rua me lembrando que continuo vivo do que qualquer palco que exija um personagem. Às vezes é no meio-fio que o coração finalmente se endireita.
Vestir-se de si exige propriedade afetiva. É colocar no corpo — e na vida — as camadas exatas do que se é, mesmo quando isso desagrada expectativas alheias. Sustentar as próprias escolhas é um tipo de musculatura moral: dói no começo, treme no meio, mas mantém a coluna da alma ereta.
E nas crises, é preciso gentileza. Respeitar-se como quem protege algo precioso. Gritar pra dentro, chorar pra fora, respirar onde der. Permitir-se ser humano sem desmerecer a força que existe no próprio caos.
Nas dores, ser colo. Nas alegrias, ser testemunha. Em ambas, gostar de si como quem aprende, depois de tantas tentativas, que o amor-próprio não é um estouro, mas um sussurro persistente que nos chama pelo nome quando o mundo tenta nos esquecer.
A verdade é simples e devastadora: a vida não fica mais leve, é a gente que fica mais inteiro. E quando finalmente sabemos que há sempre um chão — mesmo que seja o das escolhas que sustentamos com o peito aberto — o salto deixa de ser risco e vira rito.
Rito de fé.
Rito de coragem.
Rito de ser exatamente quem se é.
Em silêncio, as estações da alma se sucedem, cada uma trazendo consigo um novo cenário, um novo reflexo no espelho do tempo. E nós, peregrinos da nossa própria jornada, precisamos aprender a respeitar o ritmo das mudanças.
Os fios brancos na barba são como flocos de neve que caem suavemente, silenciosamente, marcando o tempo que passa, a sabedoria que se acumula. Mas não é apenas a idade que nos traz sabedoria, é a capacidade de acolher cada fase da vida, de respeitar o processo de transformação.
As metamorfoses são como a alquimia do fogo, que transforma a matéria-prima da nossa existência. É um processo lento, doloroso, necessário, para que possamos emergir como seres novos, com uma nova perspectiva, uma nova compreensão.
No entanto, quando nos tornamos carrascos de nós mesmos, quando nos cobramos demais, quando nos julgamos sem piedade, nós nos perdemos no labirinto dos nossos próprios pensamentos, e nos esquecemos de que somos seres humanos, frágeis e imperfeitos.
A pausa é um tempo de gestação, um tempo de elaboração, um tempo de amadurecimento. É um tempo de silêncio, um tempo de escuta, um tempo de compreensão e de respeito por nós mesmos.
E quando finalmente nos respeitamos, quando finalmente nos acolhemos e nos amamos, nós nos sentimos como uma obra de arte que se completa, um ser humano que se torna mais autêntico, mais verdadeiro.
Nesse momento, nós nos tornamos capazes de enfrentar os desafios da vida com coragem e determinação. Nós nos tornamos capazes de nos reinventar, de encontrar um novo sentido para a nossa existência. E é assim que nós nos encontramos, no final do caminho, com a alma renovada, com a compreensão de que somos seres em constante transformação, e que cada fase da vida é um presente precioso.
Há um tipo de egoísmo que não é barulhento, mas é cruel. Ele usa o outro como depósito de suas dores não elaboradas. Faz do afeto um campo de batalha e da intimidade um tribunal. E quando o outro reage, a resposta vem rápida: “você não me ouve”, “você me enxerga”, “cala a boca”. Como se calar resolvesse. Como se silenciar o sintoma curasse a causa.
Mandar o outro silenciar é, muitas vezes, uma tentativa desesperada de não ouvir a própria ferida. Porque a fala do outro toca onde ainda dói. E é mais fácil interditar a voz alheia do que sustentar o eco que ela provoca. O incômodo não vem do que foi dito. Vem do que foi despertado.
A projeção é um truque antigo do ego: eu coloco em você aquilo que não suporto reconhecer em mim. Se me sinto pequeno, acuso você de diminuir. Se me sinto culpado, transformo você em réu. Se estou confuso, digo que você é caótico. É uma transferência silenciosa de responsabilidade emocional. Um despejo psíquico feito sem contrato.
Ninguém se cura jogando peso nas costas de quem está por perto. Dor não trabalhada vira arma. Trauma não tratado vira acusação. Gente que não desapega das mágoas, transforma ferida em violência.
Curar-se é parar de usar as pessoas como espelho distorcido. É devolver a cada um o que é seu. É aprender a dizer “isso é meu” com a mesma firmeza com que antes se dizia “a culpa é sua”.
É olhar para o próprio desconforto antes de apontar o dedo. É perguntar “por que isso me atingiu tanto?” antes de decretar que o outro está errado. É suportar reconhecer as próprias sombras sem precisar terceirizá-las.
Quem manda calar a boca quase sempre tem medo de escutar ou só suporta escutar o que convém. Quem aprende a escutar a si mesmo, sem projeções, já não precisa silenciar ninguém.
Assumi comigo um compromisso que não foi bonito de fazer. Não veio em forma de promessa leve, nem de entusiasmo. Veio quase como um pacto silencioso depois de atravessar dias em que existir parecia excessivo demais.
Houve momentos em que desejei não estar. Não por falta de coragem, mas por cansaço. Um cansaço que não se explica, apenas se instala e vai apagando as bordas da vida. E, ainda assim, entre um intervalo e outro dessa vontade de desaparecer, havia algo mínimo que insistia.
Um resto de vida. Quase nada, mas suficiente. E foi nesse quase que eu me agarrei. Não por certeza, mas por decisão. Porque, se ainda havia algo em mim que pulsava, por menor que fosse, então talvez valesse a pena sustentar isso um pouco mais.
Foi ali que assumi esse compromisso. Não o de ser feliz o tempo todo, mas o de não abandonar a possibilidade de viver com verdade enquanto eu estiver aqui. De não desperdiçar completamente aquilo que, de alguma forma, ainda insiste em mim.
A felicidade, entendi, não viria como estado permanente. Mas poderia existir em fragmentos, em respiros, em pequenos instantes que, somados, sustentam a travessia.
Se estou aqui, então que valha. Que atravesse. Que sinta. Que, apesar de tudo, eu não me recuse a viver a vida que ainda me vive.
Leva tempo até entendermos o que é poder. No início, ele parece um lugar a ser alcançado. Um topo. Uma promessa de reconhecimento, autonomia, controle. E então nos movemos, estudamos, trabalhamos, insistimos, suportamos, com a convicção de que, ao chegar lá, algo finalmente se encaixará.
E, de fato, chega-se.
O lugar de poder existe. Ele se apresenta em forma de conquista, de posição, de nome, de autoridade. Há uma certa vertigem nesse ponto. Um brilho que, por um instante, convence.
Mas há também um detalhe que não nos contam: a coroa pesa.
No começo, quase não se percebe. Há orgulho, há prazer, há a sensação de ter valido a pena. Mas, aos poucos, ela começa a apertar. Exige manutenção, performance, constância. Cobra uma versão de nós que, nem sempre, coincide com quem ainda somos.
E é aí que algo mais profundo se revela. O verdadeiro poder não está em sustentar a coroa a qualquer custo. Está em poder retirá-la. Em perceber que nenhuma conquista vale a perda de si. Que nenhuma posição justifica o sufocamento da própria verdade. Que nenhuma forma de reconhecimento compensa o preço de viver desconectado do que nos faz inteiros.
A verdadeira liberdade talvez esteja nisso. Na possibilidade de chegar e também partir. De ocupar e também recusar. De ter sem se tornar refém do que foi conquistado. O maior poder não está no topo, mas na autonomia de não permanecer nele quando ele já não nos serve.
Porque, no fim, nenhuma coroa deveria custar a própria cabeça.
Fui renovar minha CNH e tive que fazer um novo RG.
Fui tirar o RG e agora descobri que preciso de uma nova certidão de nascimento.
Tô com medo de ir ao cartório e me pedirem pra nascer de novo só pra conseguir esse documento.
A Janela e o Silêncio
A vida entre nós tinha muros, limites e chão,
Um respeito guardado no fundo do meu coração.
Fomos o que foi possível, com o peso que a vida nos deu,
Entre conversas difíceis e o que o tempo acolheu.
A notícia chegou num sopro, num dia qualquer,
Sem aviso, sem hora, sem o tempo que a gente quer.
E eu fiquei ali, no silêncio daquele salão,
Sem saída, sem pranto, presa na minha própria mão.
Ao teu lado o tempo todo, como quem guarda um altar,
Na anestesia do peito que ainda não sabe chorar.
Parecia um sonho distante, um filme sem cor,
Onde a dor não tinha nome, não era nem raiva nem amor.
Mas na hora da despedida, olhando além da janela,
Entre flores e pedras, na paisagem fria e singela,
Um choro prendeu na garganta, abafado e profundo,
Um choro pra dentro, teu gesto, despedida do mundo.
Olhei para o fim sem sentir que era o fim de verdade,
Pois o que se viveu não se apaga na eternidade.
Fica a paz do respeito, a história que a vida escreveu...
A tua alma partiu, e a minha, em silêncio, entendeu.
Me sinto um super-homem
Por trás de todo grande homem
Existe uma grande mulher
Que você é
Verdadeiro presente divino
Te encontrar foi destino
E não sorte
Te amarei até depois da morte
Prometo ser sempre fiel
Seja na terra, ou no céu.
Coração bate a mil
Com o seu perfil
Se encaixa
Te conquistei com palavras
E vou te valorizar com atitude
Os outros que lutem
Nada vai acabar com o nosso romance
Só precisava de uma chance
Pra mostrar o valor
Que tem no meu amor.
Me sinto o homem mais feliz
Do jeito que sempre quis
Do jeito que sempre sonhei
Quando te olhei
Foi á primeira vista
Minha maior conquista
Largo o mundo
Pra nós ficar juntos
E pra terminar esse depoimento
Te peço em casamento.
As pessoas confundem conhecimento, inteligência e sabedoria.
É normal, mas cada um desses conceitos representa um estágio distinto do desenvolvimento social e cognitivo da espécie humana.
O conhecimento é a junção das informações adquiridas ao longo da vida. Isso não quer dizer que uma pessoa com 100 anos seja necessariamente inteligente, muito menos sábia. O tempo pode acumular informações, mas não garante compreensão.
A inteligência é a construção do processamento cognitivo adquirido a partir das experiências e dos conhecimentos, que serão utilizados nas situações do cotidiano. Sei que a água é constituída por moléculas de H₂O; sabendo disso, conheço sua composição e sua fórmula. Entretanto, não sei fazer água.
A sabedoria seria, então, a junção das duas anteriores. Contudo, nela surgem elementos que vão além do conhecimento e da inteligência: experiência de vida, reflexão, humildade, discernimento e outros conceitos que são continuamente refinados e explorados para que possam ser utilizados não apenas em benefício próprio, mas também em benefício dos outros.
Nessa lógica, percebo que ainda estou na Religião, entendida como uma das formas primitivas pelas quais a humanidade buscou explicar sua existência e o mundo ao seu redor. Segundo determinada leitura filosófica da história do pensamento, esse percurso pode ser dividido em três etapas: religião, metafísica e ciência.
Se esse caminho representa uma espécie de amadurecimento do pensamento humano, então ainda tenho muito a caminhar.
Dos Homo sapiens sapiens, talvez eu seja o mais néscio de todos.
E talvez reconhecer a própria ignorância seja o primeiro conhecimento necessário para começar a buscar a sabedoria.
Por Um Fio
Se nós ainda crêssemos na brasa
debaixo da cinza do chão
se nós guardássemos no peito
um resto de lume na mão
Se nós ouvíssemos na areia
um passo antes de chegar
se nós chamássemos de abrigo
o que mal soubéssemos nomear
Se nós bordássemos no escuro
um amanhã de quase luz
se nós disséssemos bem baixo
que um fio ainda nos conduz
Se nós bebêssemos do vento
como quem bebe pra seguir
talvez não fosse toda a verdade
mas fosse o bastante pra insistir
Por um fio
que nós sigamos por um fio
por um fio
que nós não deixemos cair
Se a esperança nos mentisse
que nos mentisse pra seguir
se a esperança nos mentisse
que nos mentisse pra seguir
Se nós abríssemos as mãos
e nelas coubesse algum calor
se nós déssemos nome de aurora
ao quase nada que restou
Se nós deitássemos no tempo
sem exigir explicação
talvez a fé fosse pequena
mas sustentasse o coração
Porque se nós víssemos tudo
sem véu, sem canto, sem clarão
talvez pesasse mais que o corpo
a pedra funda da razão
Então que nós escolhêssemos
o pouco sonho que fizer
não pra negar a noite inteira
mas pra atravessar o que vier
Por um fio
que nós sigamos por um fio
por um fio
que nós não deixemos cair
Se a esperança nos mentisse
que nos mentisse pra seguir
se a esperança nos mentisse
que nos mentisse pra seguir
Por um fio
por um fio
que nós sigamos
por um fio
nós seguimos
Talvez meu passado seja só introdução
Rascunho de um livro que ainda não li
Se o futuro é essa página que me encara
Quem sabe seja hora de escrever dali
Antes do Abraço.
Engraçado, não é?
Tudo começou
com um simples aplicativo de mensagens.
Algumas palavras,
algumas risadas,
e, sem que percebêssemos,
uma amizade começou a criar raízes.
Hoje,
já não me vejo
sem você por perto,
mesmo que esse "perto"
caiba apenas na tela de um celular.
Foi o seu jeito.
Suas manias,
sua teimosia,
essa vontade bonita de viver
e a forma tão única
de enxergar o mundo
que me fizeram permanecer.
Dizem
que a distância afasta.
A nossa,
fez o contrário.
Transformou mensagens
em presença,
silêncios
em companhia,
e o tempo
na prova mais bonita
de que uma amizade verdadeira
não precisa dividir o mesmo lugar
para encontrar morada no coração.
Três anos...
e, ainda assim,
nunca dividimos
o mesmo abraço,
o mesmo caminho
ou o mesmo pôr do sol.
Mas dividimos
alegrias,
medos,
lágrimas,
conquistas,
esperas
e tantos dias,
que a distância
já não consegue medir
o tamanho do nosso laço.
Às vezes,
conto as horas
imaginando o momento
em que finalmente
vou te encontrar.
Não para descobrir
quem você é,
porque isso
eu já sei.
Mas para confirmar,
em um abraço,
tudo aquilo
que o coração
já conhece há muito tempo.
E, quando esse dia chegar,
não será o começo
da nossa amizade.
Será apenas
o encontro
de duas almas
que a vida apresentou
por uma tela,
mas que o coração
fez questão
de guardar para sempre.
Porque existem pessoas
que chegam por acaso,
outras pela tela.
Mas há aquelas,
raras,
que atravessam qualquer distância
e fazem do afeto
o lugar mais bonito
para chamar de lar.
Para: Larissa 💌
Minha Cachinhos Dourados.
Minha cachinhos dourados...
Você é tão doce quanto um pedaço de algodão-doce, daquelas doçuras que encantam sem fazer esforço.
Sua alegria contagia, sua imaginação não conhece limites e seu jeito de enxergar o mundo colore até os dias mais comuns.
Ver você brilhando nos palcos do balé ou nas apresentações da escola faz meu coração acreditar que os anjos realmente caminham entre nós.
Você é tão pequena, mas carrega uma presença imensa, capaz de iluminar qualquer lugar por onde passa.
Amo sua sinceridade, sua leveza, seu sorriso e a pureza que existe em cada gesto seu. Amo tudo aquilo que faz de você a menina tão especial que é, minha princesa.
O destino uniu vocês a nós, e nós a vocês. Desde então, construímos um laço que o tempo apenas fortaleceu: uma ligação de almas, de carinho, de anos compartilhados e de um amor que escolheu permanecer.
E se um dia o tempo tentar levar as lembranças, que ele saiba que algumas delas foram feitas para permanecer.
Porque existem pessoas que passam pela nossa vida, e existem aquelas que se tornam parte da nossa própria história.
Você é uma delas, minha cachinhos dourados.
Que seus passos continuem leves, que seus sonhos nunca deixem de dançar e que a luz que existe em você jamais se apague.
Enquanto houver amor, sempre haverá um lugar onde o seu sorriso será lembrado com a mesma doçura com que um dia iluminou o meu coração.
Se você quiser...
Se você quiser, podemos fugir para um chalé, ver o sol se despedir no mar e assistir à lua começar a brilhar.
Se você quiser, podemos fugir para qualquer lugar. Basta você aceitar.
Eu sei que é fácil falar. Eu sei que é fácil prometer. Mas, se você aceitar, nem que seja por um único dia, eu faço você esquecer os problemas que insistem em morar perto de você.
Nem que seja por apenas uma noite, vamos fugir para bem longe de tudo o que pesa. Deixar o tempo correr sem pressa, ouvir o silêncio, sentir a brisa e lembrar que a vida também sabe ser leve.
Porque, às vezes, tudo o que a gente precisa não é de um lugar diferente, mas de um instante onde o coração consiga descansar.
Onde o Mundo Não Nos Alcança
Se você quiser,
podemos fugir para um chalé,
ver o sol se despedir no mar
e esperar a lua vestir o céu de estrelas,
como se o universo nos lembrasse
que toda despedida também anuncia um recomeço.
Se você quiser,
podemos fugir para qualquer lugar.
Não importa o caminho,
nem a distância.
Às vezes, o melhor destino
é aquele onde a mente silencia
e o coração finalmente encontra paz.
Eu sei...
é fácil falar.
É fácil sonhar com um lugar
onde a dor não nos encontre.
Mas, se você aceitar,
nem que seja por um único dia,
quero caminhar ao teu lado
até que o peso nos teus ombros
pareça um pouco menor.
Nem que seja por apenas uma noite,
vamos esquecer os relógios,
desligar o mundo,
deixar os celulares de lado
e permitir que o som das ondas
fale tudo aquilo
que nunca conseguimos colocar em palavras.
Vamos rir sem motivo,
dividir o silêncio sem desconforto,
sentir o cheiro da chuva chegando,
o calor de uma xícara de café entre as mãos,
a brisa bagunçando os cabelos
e a certeza de que ainda existem momentos
capazes de curar o que o tempo não conseguiu.
E quando o amanhecer pintar o horizonte,
talvez os problemas ainda estejam esperando por nós.
A vida dificilmente muda em uma noite.
Mas nós mudamos.
Porque existem viagens
que não servem para fugir da realidade,
e sim para nos lembrar
de quem éramos
antes que o mundo pesasse tanto sobre nós.
Então...
se você quiser,
podemos fugir.
Nem para esquecer a vida,
nem para escapar dela.
Mas para lembrar
que ainda existe beleza,
que ainda existe calma,
e que, às vezes,
o melhor lugar do mundo
é aquele onde alguém segura a nossa mão
e faz qualquer lugar parecer casa.
Enquanto eu sonhava!
Se for um sonho,
deixem-me sonhar.
Não me acordem,
não me despertem.
Deixem-me acreditar
que, enfim,
encontrei o paraíso
onde minha alma aprendeu a descansar.
Há um lugar
onde o tempo esqueceu de passar,
onde o silêncio tem cheiro de mar
e a paz não faz perguntas,
apenas convida a ficar.
Nesse horizonte,
cabelos da cor do sol
tocam a luz sem pedir licença,
como se o próprio amanhecer
tivesse encontrado um rosto
para nascer.
E há um sorriso...
tão discreto
que o mundo quase não percebe,
mas quem aprende a olhar
o guarda para sempre.
Sonhei com o paraíso.
E havia alguém.
Não sei se era destino,
miragem,
lembrança de um futuro
ou um desejo
que se cansou de viver apenas em silêncio.
Só sei
que desde esse sonho
a realidade parece pequena demais
para conter o que senti.
Tenho medo de despertar.
Medo de abrir os olhos
e perder o caminho
que me leva até você.
Medo de que a manhã,
tão certa de si,
leve embora
aquilo que a noite
me confiou em segredo.
Então,
por favor,
não me despertem.
Há sonhos
que não imploram para se tornar realidade.
Basta que existam,
porque existem presenças
que o coração reconhece
antes mesmo de lhes dar um nome.
E, se for preciso viver entre o sono e o amanhecer,
que seja.
Pois, ainda que o mundo me acorde,
uma parte de mim
continuará sonhando...
na esperança silenciosa
de voltar ao lugar
onde o mar aprende o seu nome,
o sol encontra os seus cabelos
e minha alma,
pela primeira vez,
descansa.
Onde o Mar Aprendeu o Seu Nome
Há um segredo que o vento jamais revelou,
guardado onde a maré o silêncio encontrou.
Nem a lua, tão antiga, ousou desvendar
o instante em que o oceano aprendeu a amar.
Dizem que foi numa tarde sem fim, sem cor,
quando a brisa vestia perfume de flor.
Uma voz, tão serena, cruzou o horizonte,
e o mar se curvou como quem acha uma fonte.
Desde então, cada onda que vem e que vai
leva um nome escondido que ninguém mais trai.
Só as conchas conhecem o doce refrão,
que o azul guarda vivo no fundo do chão.
O sol, ao morrer, beija o espelho do mar,
como quem tenta em vão esse nome alcançar.
Mas a noite o recolhe em seu manto de breu,
pois nem toda beleza nasceu para o céu.
Há mistérios que o tempo não pode romper,
há silêncios que apenas o amor faz nascer.
E se um dia escutares o mar a cantar,
não perguntes por quê...
Ele apenas repete,
em segredo perfeito,
o nome que aprendeu
e jamais deixou de guardar.
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