A Janela e o Silêncio A vida entre... Fatima Gomes Cardoso de...
A Janela e o Silêncio
A vida entre nós tinha muros, limites e chão,
Um respeito guardado no fundo do meu coração.
Fomos o que foi possível, com o peso que a vida nos deu,
Entre conversas difíceis e o que o tempo acolheu.
A notícia chegou num sopro, num dia qualquer,
Sem aviso, sem hora, sem o tempo que a gente quer.
E eu fiquei ali, no silêncio daquele salão,
Sem saída, sem pranto, presa na minha própria mão.
Ao teu lado o tempo todo, como quem guarda um altar,
Na anestesia do peito que ainda não sabe chorar.
Parecia um sonho distante, um filme sem cor,
Onde a dor não tinha nome, não era nem raiva nem amor.
Mas na hora da despedida, olhando além da janela,
Entre flores e pedras, na paisagem fria e singela,
Um choro prendeu na garganta, abafado e profundo,
Um choro pra dentro, teu gesto, despedida do mundo.
Olhei para o fim sem sentir que era o fim de verdade,
Pois o que se viveu não se apaga na eternidade.
Fica a paz do respeito, a história que a vida escreveu...
A tua alma partiu, e a minha, em silêncio, entendeu.
