Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
O verdadeiro poema
Está no sorriso de uma criança, na água cristalina do pequeno riacho, no abraço sincero e fraterno
Nos sinais de Deus...
Gijeólis
(Poema para Bóris)
Bom dia,
Deus te abençoe,
Vá com Deus.
Boa noite,
Durma com Deus,
Deus te abençoe.
Fosse quando fosse,
As palavras portavam
Sinceridade.
Fosse quando fosse,
Transportavam
Divinidade
E iluminação.
Bído
(Poema para Segunda)
Convertemos
Os instantes banais,
Em lampejos de imortalidade.
Saboreei teus pratos,
Recebi tuas rezas,
Tua água benzida,
Aprendi tuas falas,
As histórias antigas.
Eu morei em tua casa,
Ela habitou meu coração.
As Duas Faces de um Poema (ou O Poema Torpe Regenerado)
Sou seu pior inimigo,
Seu maior adversário,
Sou o perigo iminente
Espreitando ao teu redor.
Sou tudo que odeia,
Tudo que despreza,
A discordância implacável,
Tua repugnância mor.
Sou aversão e inversão,
Te decepciono, te desprezo,
Interdito teus caminhos
Interferindo no florescer.
Definho e apodreço,
Numa poça degradada,
Sou degradante e degrado-te,
Eu sou Você.
Sou seu melhor aliado,
Seu maior companheiro,
Sou a força pulsante
Estremecendo teu interior.
Sou tudo que ama,
Tudo que acolhe,
A culminância sensível,
Tua fortaleza indolor.
Sou decisão e precisão,
Te impulsiono, te inspiro,
Catapulto teu progresso
Alavancando o alvorecer.
Renovo e rejuvenesço,
Num útero regenerado,
Sou regenerante e regenero-te,
Nós somos você.
(Michel F.M. - Pairar Incansável da Fênix Sublime) ©
Nocaute para Canhoto
todo bom poema,
consistente e digno,
é um punho vívido
do apanhador vivido.
dança pelos flancos,
avança no meio,
o segredo é suportar,
socos sucessivos.
cruzado, jab, direto,
vem como um golpe triplo,
murro na têmpora, estômago,
boca, do sistema opressivo,
deixe que o topo se empolgue,
jogue pra eles o favoritismo.
desfecho dos filmes,
nós nascemos nas bordas,
de clinch em clinch,
cambaleamos firmes,
conhecemos a lona,
nós amamos as cordas.
embrenhados na lama,
emergimos do lodo,
desorientá-los primeiro,
para enfim, desdentá-los todos.
Michel F.M. - Pairar Incansável da Fênix Sublime ©
Pomar
Para o poema
o poeta é só um pomar
com nome e sobrenome
e onde jaz o poeta
nasce um poema
e vice-versa.
Poema sobre Cereja
Faça-me um favor,
Apenas silencie, emudeça.
Estou farto de desafios,
Da vasta e incontinente
Diarreia moral.
Escala de Ascensão ?
Num mundo onde jamais
Houve equilíbrio na balança,
Como é possível pronunciar
O termo merecimento.
Que diabos é isso ?
Eis o resumo,
Do que vivi até agora.
Desta sacada em diante,
Só quero os frutos,
Desejo exclusivamente, retorno.
Cansei de investir para nada.
Pegue seus obstáculos,
Degraus, metas e objetivos,
Enrole-os com carinho,
Entroche-os, reto corrugado adentro.
Quer expressar o quanto você ama a vida
Então escreva um poema
Componha uma música lambuza de arte
E descubra-se entre versos e canções
Como pinturas em telas vivas
E veja a vida mais romântica e apaixonada.
há um poema em meu armário
vou catá-lo
e vestir seu tecido sobre minha pele
[há instantes de inexistência]
apesar das aparências
ainda estou transvestida
pelo seu olhar.
poema in-vertido
de todas as mais belas maneiras
ver frutificar a vida
deixar os sonhos espalhados pela estrada inteira
sentir o gosto do perfume da bela roseira
enquanto corro com os lobos no caminho de pedras
meus passos vagam soltos:
… na busca pela quimera
o grande desafio não é viver
é ser genuína em cada olhar
é estar presente em cada amanhecer
é pulsar de amor outros corações
é distribuir sorrisos a quem encontrar
eis alguns das minhas mais doces a l u c i n a ç õ e s…
Poema ao Imigrante.
Muita fome e desemprego nos assola.
Nossa pátria está por acabar.
Malas,sonhos,esperança vamos embora.
A Primeira Guerra a iniciar.
Rapidamente a maioria deseja imigrar.
Deixando sofrimento e dificuldades.
O desejo é de não mais voltar.
Viagem longa,epidemia e alegria.
Frio na barriga, medo do desconhecido.
Terra a vista, sorriso nos rostos euforia.
Vida nova alívio, lugares divinos.
Promessa,trabalho e engano.
Trabalho no campo, e onde quer que estejamos.
Belas cidades começamos a construir.
Bravos guerreiros determinados vieram a surgir,
quando a adversidade passou a perseguir.
Hoje temos orgulho de sermos seus descendentes.
Imigrantes vocês foram valentes...
Registramos nosso carinho e amor.
E agradecemos quem os guiou, nosso Senhor.
Meu último poema:
Nas asas do tempo, um adeus se esvai,
No eco do silêncio, a saudade cai.
Palavras não ditas ficam a pairar,
No espaço entre nós, a emoção a vibrar.
No abraço apertado, sentimentos se entrelaçam,
E nas lágrimas contidas, os corações se abraçam.
É uma forte despedida, mas também um novo começo,
Um ciclo que se encerra, mas deixa seu apreço.
A estrada se estende, rumos diferentes a trilhar,
Mas o que foi vivido sempre irá perdurar.
No peito a saudade, no olhar a lembrança,
Uma despedida marcante, que o tempo não cansa.
Que o vento leve os suspiros da separação,
E traga de volta a doce sensação.
Que mesmo no adeus haja um brilho de esperança,
Pois a vida é feita de despedidas e bonanças.
Assim, seguimos adiante.
Uma história escrita com carinho e calor,
Na jornada da vida, o adeus é apenas um ponto de amor.
Bye Vander Hacher
O poema Mi Kamocha (Recife-PE, 1646):
De acordo com o American Jewish Historical Society, a prece-poema Mi Kamocha, redigida pelo Rabino Aboab da Fonseca, durante o cerco das forças luso-brasileiras em 1646 retratando a fome e o desespero dos habitantes do Recife, é o texto em hebraico mais antigo das Américas.
Poema
Oh! aquele menininho que dizia
“Fessora, eu posso ir lá fora?”
Mas apenas ficava um momento
Bebendo o vento azul...
Agora não preciso pedir licença a ninguém.
Mesmo porque não existe paisagem lá fora:
Somente cimento.
O vento não mais me fareja a face como um cão amigo...
Mas o azul irreversível persiste em meus olhos.
Era uma vez, um dia que amanheceu
Simples, puro e singelo
E que nos trouxe uma poesia
Um poema que versava sobre o dia que nasceu
Onde o sol brilhou pra mim e pra vocês
Como uma folha em branco
Um tecido de linho
Um pássaro num ovo em casca
Uma garrafa ainda cheia de vinho
Uma lasca de madeira que queimava
Pra acender a fogueira do longo da vida
E que logo se espalhava
Pelo dia, pela vida toda; inteira
Era uma vez uma manhã
Que não era como outra qualquer
Era a primeira
Tão pura, a ponto de desconhecer
Que de fato nem sempre a primeira
Chega a ser a mais importante
Apesar da primazia
Com o tempo ele tornou-se
Apenas um outro qualquer
Só mais um dia
Os sinais do mundo
Espalhados pelo caminho
Assim como o branco do linho, de vinho entornado
Um pássaro que alçava voo
E o galgou pra distante do ninho
O poder sutil do tempo
Uma tarde se setembro
A flor que se abriu
O olhar que se foi
Existe uma parte na vida
Que se chama nunca mais
Tempestade em tempestade fez o rio
O leito, a corredeira
Que correu do seu jeito a vida inteira
E que um dia secava
Porque nada é pra sempre
Além do nascer dos dias
No seu ciclo eternamente interminável
Onde a ausência de regras
Era a única que se seguia
Amanhece pra que pássaros acordem
Que se entreguem a formidáveis canções
Em poemas que versassem
Sobre cada dia que corresse
E que fossem ímpares aos pares
À espera de nada, nem de olhares.
Edson Ricardo Paiva.
Meio poema.
Hoje
Amanheceu assim, meio que colorido
Assim me veio
Meio que uma ideia
Meio que um acordo
Selado comigo
Por medo de um medo alheio
Se a cor do dia trouxesse
Aquela alegria
Que tem dias a gente
Palmeia na mente
Que tanto a semeia no peito
Do jeito que anseia
De tantas vezes
Que ela veio e desviou-se
Mas hoje, essa manhã tão colorida
Trouxe meio que o doce da vida
Meio que rateada
Trouxe um pouco
Um quase nada de esperança
Creio eu que seja fruto
Da sabedoria adquirida
Depois de tanto dia amanhecido em minha vida
Cuja mensagem, que vejo na imagem do dia
É a de que toda e qualquer esperança
Cuja cara de alegria faz
Sobrepuja, ultrapassa veloz
A toda experiência atroz vivida
E que a menor de todas as simplicidades
Elas sempre se sobrepõem em graça
Expondo a verdade e o sentido da vida.
Edson Ricardo Paiva.
Poema de infância.
Uma folha de papel
Creio eu que era de pão
Nem chegava a ser folha inteira
Acho que meia folha não era
Creio eu que era quase meia
Era infância ainda
Talvez fosse um dia de verão
Creio eu que era primavera
Só me lembro que fazia uma tarde linda
Creio eu que depois choveu
Faz muito tempo aquele dia
E, se é que choveu
A chuva foi mais linda ainda
Era um tempo de paz, talvez
Não existe certeza de mais nada
Hoje eu penso que paz nunca houve
Então eu desenhei um peixe no papel
Me deixem chamá-lo assim, de peixe
Pode ser que fosse um golfinho
Pois não caberia uma baleia
Numa folha tão pequena, diminuta
Que não chegava nem a ser meia
Daquelas que, na alegria da infância
Se cata na ventania
E guarda pra sempre na alma
Com a calma dos anos passados
Mas agora eu compreendo
Que momentos bobos assim
São os que vão ficar eternizados
Uma tarde chuvosa
Num papel amassado
O mesmo sol, que hoje arde no céu
Mas compreenda
Que há tardes em que brilha diferente
O Sol, o céu, o golfinho, a felicidade
Na verdade essas coisas existem
Muito menos neste mundo em que vivemos
E muito mais
Aqui, no coração da gente.
Edson Ricardo Paiva.
