Poema na minha Rua Mario Quintana
Vamos chegar ali onde a vida parece mais simples e nos impulsiona numa cadeira de balanço. Vamos atravessar a rua porque parece evidente que lá as horas escorregam devagar. Vamos parar um pouco e esquecer o som dos automóveis porque os pássaros cantam eriçados uma felicidade que agora adensa o dia.
Você já viu amor jogado nas ruas? Eu já, vi também a alegria, o companherísmo inabalável, exemplos de uma vida simples e o fim da solidão. Tudo isso e muito mais embalados em um triste cão abandonado louco pra fazer aquilo que ele mais sabe, fazer alguém feliz.
Corredores já nascem amigos, só precisam de uma corrida juntos para se reconhecerem!
Sergio Fornasari
Sigo plantando poesias em cada rua eem cada esquina. Nosmuros e vidros da vida, porque alegria de poetaé ver seus versos germinando,florescendo além das rimas.
Doutorado em lições que a vida ensina, vocês fazem faculdade, mas nosso diploma é da rua, e o ensinamento nunca para enquanto vivão e vivendo.
A chuva torrencial tinha notas em graves e agudos molhados e saltitantes pelos caminhos que percorria sem parar. Era uma desvairada vontade de vencer obstáculos e chegar ao destino, mesmo sem saber onde este seria. Essa chuva repentina veio acordar o coração que dormitava, embalado por sonhos de verão, pés na areia, brisa marinha e gosto de sal nos lábios. Depois de abrir os olhos, senti-la e vê-la, vieram as lembranças de dias assim, cortinas fechadas, ausências e frio, quando outrora houve o adeus. Enquanto uma chuva assim caía, houve a partida, portas bateram sob o vento arrasador e que gemia junto às lágrimas do momento derradeiro. Não foi a chuva que provocou isso, foi a vida e junto às nuvens do tempo, em outro plano estás ainda a dizer: amo você e cada gotinha que caia, trazia o recado - a nostalgia do não mais...
Quis me esquivar dos pensamentos que me levavam até você, mas isso se tornou quase impossível, já que o destino fazia questão de nos colocar frente a frente. E agora seu cheiro parece estar em todos, e qualquer olhar no café, lanchonete, na rua, parece o seu.
Havia um inseto no meio da calçada, passou um homem e gritou: Ei garoto, mata-o! Mata-o! Pensei: porque eu faria isso? É apenas um inseto na calçada; onde mais ele poderia está?
Ontem, em um louco sonho,sentei na rua em frente a tua casa e sob a luz da lua,desenhei com um pequeno pedaço de giz,um enorme anjo sem asas,eu, você,o nosso filho,um coração,uma flor de Lis...e um rosto feliz.
Aquele homem da rua me ensinou a sorrir. Um velho sábio um dia me falou: "seja honesto e aprenda por onde for."
Existem dias que, sem mais, sem menos, a gente se sente sem. E sem rumo, sem norte e sem bussola, sem sol e sem lua, sem casa e sem rua, sem amigos, sem graça e sem sal, sem bula e sem capital, sem ninguém nos esperando no porto, sem sonhos, sem nada para dar e sem receber, seguimos, assim, sem destino, sem querer. E assim, sem que ninguém perceba, sem que ninguém note, sem que ninguém saiba, deixamos de ser.
Os livros são portas que levam você para a rua. Com eles, você aprende, se educa, viaja, sonha, imagina, vive outras vidas e multiplica a sua por mil.
