Poema Maos de Semeadora Cora Coralina

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O tempo guarda nas mãos a chave da nossa felicidade.
Rita Padoin


Do livro "Entrelinhas"

Além do Visível

Na travessia da vida, encontrei olhares que valorizavam aparências... mãos que mediam valores na superfície breve das coisas.

Mas meu coração, abrigo sem grades nem vitrines, anseia por aqueles que sabem ver aquilo que a pele não revela... aquilo que não cabe em molduras.

Desejo os que tocam a essência, os que valorizam a vida... os que enxergam o invisível, como quem vislumbra horizontes no brilho de um olhar.

Que se aproximem de mim, não os que julgam vitrines, mas os que conseguem transformar pequenos instantes em grandes momentos.

Porque a essência não se mede em molduras, mas na coragem de despir-se das aparências, reconhecendo que viver é o maior tesouro... livre como verdades que não precisam de vitrines.

Seja paciente. Um dia, alguém lhe entregará o mundo inteiro sem que tuas mãos precisem implorar.
Com dinheiro, colecionam-se presenças. Sem ele, permanece quem ama a tua essência


É no caminho arduo, entre quedas e silêncios, que o verdadeiro caráter das pessoas se revelam.

Bagagem da alma


Nesta estrada que a gente caminha
O que as mãos seguram o tempo desfaz,
Partimos um dia na hora marcada
Deixando o cansaço e buscando a paz


A gente percebe no último instante
Que a vida é um sopro um breve portal
Desta vida nada se leva nada…


Só deixamos a saudade no peito de alguém de mãos vazias seguimos o plano
O que levamos é o que somos por dentro
A alma preparada pro eterno momento


Ficam os risos e os laços de amigos O rastro de afeto que a gente plantou
O abraço guardado os velhos abrigos
E toda semente que o amor cultivou


Pois o que vale não é o que se guarda
Mas como a alma se transformou aqui

⁠Quero segurar minhas mãos dentro de você
Eu quero tomar fôlego, é verdade
Eu olho para você e nada vejo
Eu olho pra você para ver a verdade

Silhueta
Quando te conheci, a sua luz já estava no fim, e, quando percebi, as mãos da morte já estavam aqui.
Porém, ainda vive a lembrança
do seu andar explodindo em mim — um semblante sombrio e, ao mesmo tempo, brilhante.
Isso é cativante: gira, contorce, e o ar se ausenta dos meus pulmões.
Mas tudo se distancia, e tudo vira uma imagem borrada ao fundo,
como uma silhueta em névoa brilhante.

⁠Lantana

Só de olhar uma Lantana
florescida fico inspirada
a ser nas tuas mãos a poesia,
Eu sei que você me tem
no coração com muita alegria.

Trazer o discreto deliquescente
pôr nas tuas mãos a fermosa
para desmanchar de prazer,
Revolver - filar o teu corpo;
em cativanza vir total a maer,
para que nada mais nos escape.


Renovar a merencória conquista
de pacificamente despertar
os estados e nossas atmosferas,
Jazer o mundo até a próxima
cena de espasmódicas quimeras
em indomáveis adstringências.


Elevar a temperatura e o clímax
para atravessar as auroras,
Deixar que a alva Lua alcance
como voyeur e do assento
ledo me aposse como mulher
plena em sinuoso movimento.


Colocá-lo para descansar meio
em meio ao eflúvio vivido,
despertar e sair como Eva
insinuante e tátil pela mata,
sem temer que estejam olhando,
e colher pitangas-pretas
para o café-da-manhã nubívago.

A luz na sala de aula


Docentes esperançosos
Põem fé nos estudantes
Com a caneta nas mãos
Seguem firmes, confiantes
Mesmo com dificuldades
Superando adversidades
Que são muito semelhantes.


Os livros são esquecidos
Trocam por telas atraentes
O saber fica abafado
Nos olhares adolescentes
Triste desmotivação
Tornam mais dura a missão
E a vida dos seus docentes.


Muitos não têm base firme
Falta apoio familiar
Ninguém cobra, nem auxilia
São poucos a colaborar
Familiares pouco incentivam
E os saberes não se ativam
Chega é triste de lembrar.


Há escolas sem recursos
Faltando boa biblioteca
Sem espaços pra reforço
A aprendizagem resseca
Não garantindo o saber
Como é que vai crescer?
Compromete até o ECA.


O tempo voa, relógio gira
Chegam as provas do ensino
São demais as cobranças
A cada menina e menino
Se a leitura não fluir
Como vitória conseguir?
É grande nosso desatino.


É preciso dar a ferramenta
Com a letra, a interpretação
Diminuir pessoas nas salas
Aumentar a participação
Buscar sempre dar um jeito
Que haja ensino direito
Com a mais pura atenção.


Governos trazem projetos
Com nomes e bons intentos
Mas no meio do caminho
Há falhas nos suprimentos
Mesmo com bons objetivos
Melhorando rotas e incentivos
Ainda há muitos impedimentos.


Professores não desistem
Fazem círculo, roda, oficina
Procurando dar atenção
A quem falha e desanima
Busca renovar a prática
Agindo de forma empática
Que o saber os ilumina.


Mas quando a luz se acende
Estudante, enfim, alcança
A alegria é imensurável
E a vida ganha esperança
O sorriso vai prevalecer
Pela vitória do saber
E o fim da desconfiança.


A satisfação é sem igual
Como é chuva para o calor
Vê-los o mundo decifrar
Com mente livre e mais sabor
Mais que o salário a ganhar
É a certeza de transformar
A educação com muito amor.

No silêncio está a provação:
Portas vão se fechar;
Oportunidades irão escapar das suas mãos;
Pessoas que não se alinham a sua futura realidade irão se afastar;
Não tema, Deus está alinhando.

O homem honesto perde atalhos,
mas não perde o chão.
Pode ter menos nas mãos,
porém carrega algo raro:
a paz de não precisar se explicar ao espelho.
— Sariel Oliveira

Permitir
Permiti que você cruzasse minha porta
sem mãos que não sabiam acolher.
Permiti que tocasse minha alma
com mãos que não sabiam acolher.
O jogo frio com os seus sentimentos
Permiti que as palavras ferissem
e o silêncio machucasse mais ainda.
Permiti, porque eu permiti tudo isso.
Apenas eu.

⁠A Janela do Discurso sempre se moveu pelas Mãos Invisíveis das Narrativas.


Se reinventar já era mais do que esperado…


Mas nada foi tão Medonho quanto a vê-la se valer da “Idoneidade Policial” e da “Fé Religiosa”.


A Janela de Overton — esse mecanismo silencioso e traiçoeiro que define os limites do que é socialmente aceitável — sempre se moveu pelas mãos invisíveis das narrativas.


Ideias outrora impensáveis se tornam plausíveis, discutíveis, desejáveis… e até aceitáveis.


Nada disso é novo.


Mas há deslocamentos que ultrapassam o jogo das ideias: eles tocam em pilares que, uma vez manipulados, comprometem a própria estrutura da convivência civilizada.


Nada foi tão medonho quanto assistir a essa janela se valer da “Idoneidade Policial” e da “Fé Religiosa”.


Ambas, por natureza, deveriam inspirar confiança — não manipulação.


Quando começam a ser usadas como régua para definir quem merece voz, respeito ou até mesmo existência, o que está em jogo não é mais apenas a opinião pública: é a própria noção de justiça e espiritualidade.


A confiança na justiça perde o chão quando o discurso sobre “idoneidade” é moldado para blindar abusos e silenciar denúncias.


E a fé, que deveria acolher, se torna instrumento de controle quando usada para validar narrativas de exclusão, discurso de ódio, intolerância ou superioridade moral.


Quando a Janela do Discurso se move por esses vetores, não estamos apenas assistindo a uma mudança de ideias.


Estamos permitindo que conceitos sagrados e instituições essenciais sejam descaradamente arrastados para a seara da manipulação.


Toda e qualquer forma de manipulação é ruim, mas valer-se das autoridades presumidas para inviabilizar o debate e a crítica é de uma sordidez sem precedentes.


E isso, sim, é digno de temor.


Tenho medo…

O mundo que tentam Destruir, Dominar ou Suportar, sempre esteve, está e sempre estará nas mãos do Filho do Homem.


O mundo que por vezes tentamos carregar nos ombros, dominar com nossas próprias forças ou até destruir com a nossa cegueira, nunca deixou de estar nas mãos do Filho do Homem.


Há quem se esgote tentando sustentá-lo sozinho, há quem se iluda acreditando ser dono dele, e há quem, por desespero ou revolta, queira vê-lo em ruínas.


Mas o mistério maior está em compreender que não fomos chamados nem para destruí-lo, nem para controlá-lo, e muito menos para suportar seu peso sozinhos.


O convite do Cristo é outro: confiar!


Confiar que o mundo repousa seguro em Suas mãos.


Confiar que nossa parte é ser presença de cuidado, de amor e de esperança dentro dele.


Quando aceitamos essa máxima, o peso diminui, a vaidade perde força e até a destruição parece inútil.


Porque se o mundo já está nas mãos do Filho do Homem, cabe a nós apenas abrirmos as nossas para servi-lo.

De qualquer lado
que abra ou feche
a porta a chave
está nas tuas mãos,
Em qualquer estação,
sem emergência
e de todo o coração.


É sobre ser suave
com quem nasceu
livre tal qual ave,
Que só elege ficar
por saber o quê é
e o quê não é amor
por eleger esperar
sem precisar capturar.


Deste Médio Vale
traz a tranquilidade,
o encanto e o culto
ao paradisíaco em Rodeio,
Para retribuir sempre
o quê for preciso
e inabalável seguir contigo.

Com flores de Agoniada
brotando do coração
para as nossas mãos,
Nas trocas de cumprimentos
ou até em silenciação
pode ser sentida ou lida;
Escrita ou não pode ser
percebida pela carga
lírica por toda a eternidade,
Que a morte é a saudade
que sempre em nós fica;
E nunca haverá tradução
que a defina nesta vida.

Com camélias brancas
nas minhas duas mãos,
Levo a fiel convicção
além Médio Vale do Itajaí,
para te dizer que não
existe para a Nação
uma rota de liberação
que não inclua para nós
Zumbi em cada ação,
Porque ainda não foi
cumprida a abolição.


(Nós somos a chama
perpétua de rebelião).

A chance está lançada
ao alcance das tuas
mãos amorosas e divinas
que por muitas luas
será o teu Titânio onírico
entregue nu e dissolvido
pela audácia da quentura,
sem exitar de ser contido,
e sim irá se fundir íntimo
com o doce Cristal líquido
entre minhas hastilhas
conduzidas pelas tuas
ainda bem mais infinitas.


Murtinhas perfumadas
hão de ser degustadas
com arte aveludada,
compartilhada e dedicada
há de ser por nós celebrada.


Afinados como uma
orquestra de música clássica,
convictos seguiremos adiante
sem desejar da vida mais nada
que não seja viver de romance.

Com as mãos seguras
no Camboim testemunha
carregado de frutas,
Estremecidos por teu ser
íncubo a gente se festeja,
Enquanto os frutos brindam
a espádua perolada,
Palores lascivos alcançam
e resistem porque da cena
acordados estamos a permanecer,
Porque o livre encantamento
selvagem chegou para envolver:


(Viramos habitantes do querer).

Na nuca o sopro lascivo,
percorre, domina e põe
totalmente em transe,
Coloquei nas tuas mãos
a volúpia de alta voltagem,
- para o mútuo deleite;
De ti, minha vida, só quero
mesmo o que é selvagem
e de êxtase me arrebatem.


Confio no meu olhar e ginga,
e confio ainda mais nas tuas
delicadezas vorazes e lentas,
para que com todo o tempo
venha, converta, se rendas.


Render-me ao frenesi
do primeiro beijo com sabor
de Gabiroba entregue,
E embarcar a cada devaneio
e vertigem que só nos inclua
na lista de passageiros,
porque o mundo é grande,
e o senso de aventura
tal qual o nosso romance
- são ainda muito maiores.