Poema Maos de Semeadora Cora Coralina

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A autoridade não se consegue sem prestígio, nem o prestígio sem distanciamento.

É uma perfeição absoluta, dir-se-ia divina, sabermos desfrutar lealmente do nosso ser.

Sempre vimos boas leis, que fizeram com que uma pequena república crescesse, transformarem-se depois num peso para ela, depois de grande.

É próprio das grandes almas desprezar grandezas e almejar mais o médio do que o muito.

Não construais estátuas aos vossos heróis, é melhor erguer estátuas às vossas vítimas.

A utilidade da virtude é de tal modo evidente que os maus a praticam por interesse.

Os soberbos são ordinariamente ingratos; consideram os benefícios como tributos que se lhes devem.

O deleite imaginado é muito maior que o gozado, embora nos verdadeiros gostos deva ser o contrário.

O avarento mais preferiria que o sol fosse de ouro para o cunhar, do que ter luz para ver e viver.

A tortura é uma invenção maravilhosa e absolutamente segura para causar a perda de um inocente.

Considero a família e não o indivíduo como o verdadeiro elemento social (arriscando-me a ser julgado como espírito retrógrado).

A ignorância dócil é desculpável, a presumida e refratária é desprezível e intolerável.

Num Estado, isto é, numa sociedade onde há leis, a liberdade só pode consistir em poder fazer-se o que se deve querer e em não estar obrigado a fazer o que não se deve querer.

Há males na vida humana que são preservados de outros maiores, e muitas vezes ocasionam bens incalculáveis.

Embora possamos ser sábios do saber alheio, sensatos só poderíamos sê-lo graças à nossa própria sensatez.

Um homem que acaba de arranjar um emprego já não faz uso do espírito e da razão para regrar a sua conduta e as suas atitudes perante os outros: toma de empréstimo a regra do seu posto e da sua situação; donde o esquecimento, a altivez, a arrogância, a dureza e a ingratidão.

Despendo mais energia numa discussão com a minha mulher, do que em cinco conferências de imprensa.

Na mocidade buscamos as companhias, na velhice evitamo-las: nesta idade conhecemos melhor os homens e as coisas.

Fazemos ordinariamente mais festa às pessoas que tememos do que àquelas a quem amamos.

A igualdade repugna de tal modo aos homens que o maior empenho de cada um é distinguir-se ou desigualar-se.