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Poema Infantil de Vinicius de Moraes

Cerca de 107435 frases e pensamentos: Poema Infantil de Vinicius de Moraes

A modéstia é para o mérito o que as sombras são para um quadro. Dão-lhe forma e relevo.

A inveja, que abrevia ou suprime os elogios, é sempre minuciosa e prolixa na sua crítica e censura.

A intolerância irracional de muitos escusa ou justifica a hipocrisia ou dissimulação de alguns.

A beleza é uma letra que se vence à vista, a sabedoria tem o seu vencimento a prazos.

Todo o argumento permite sempre a discussão de duas teses contrárias, inclusive este de que a tese favorável e contrária são igualmente defensáveis.

O pretexto normal dos que fazem a infelicidade dos outros é de quererem o bem deles.

Depois do espírito de discernimento, o que há de mais raro no mundo são os diamantes e as pérolas.

Não devemos julgar os homens por aquilo que eles ignoram, mas por aquilo que sabem, e pela maneira como o sabem.

Quem sem descanso apregoa a sua virtude, a si próprio se sugestiona virtuosamente e acaba por ser às vezes virtuoso.

Não existe vício que não tenha uma falsa semelhança com uma virtude e que disso não tire proveito.

Os bons conselhos desagradam aos apaixonados como os remédios aos que estão doentes.

As paixões perdoam tão pouco quanto as leis humanas, e raciocinam com mais justeza: não se apoiam elas numa consciência que lhes é própria, infalível como o é um instinto?

Para o homem, apenas há três acontecimentos: nascer, viver e morrer. Ele não sente o nascer, sofre ao morrer e esquece-se de viver.

Nunca a polícia terá espiões comparáveis aos que se colocam ao serviço do ódio.

Os homens são poucas vezes o que parecem; eles trabalham incessantemente por parecer o que não são.

O amante é um arauto que proclama onde existe o mérito, o espírito ou a beleza de uma mulher. Que proclama um marido?

Choro!

Sem ninguém perceber
Pois é choro da alma
Que ninguém pode ver

Choro!

Por não estar com você
Por sofro por ti
Sem ninguém perceber

Choro!

Não por você
Mas por aquilo que sinto
Sem você perceber

Choro!

Não por causa de dor
Mas choro por algo
Que alguns chamam de amor...

Soneto Sentimental à Cidade de São Paulo

Ó cidade tão lírica e tão fria!
Mercenária, que importa - basta! - importa
Que à noite, quando te repousas morta
Lenta e cruel te envolve uma agonia

Não te amo à luz plácida do dia
Amo-te quando a neblina te transporta
Nesse momento, amante, abres-me a porta
E eu te possuo nua e frígida.

Sinto como a tua íris fosforeja
Entre um poema, um riso e uma cerveja
E que mal há se o lar onde se espera

Traz saudade de alguma Baviera
Se a poesia é tua, e em cada mesa
Há um pecador morrendo de beleza?

Toda a nossa ciência comparada com a realidade, é primitiva e infantil - e, no entanto, é a coisa mais preciosa que temos.

Para uma amiga suicida.

Aqui, bem longe daqui, alguém te gritou e disse: "Vai ficar tudo bem."... Ali, bem perto daqui, ela me disse baixinho: "Nós sabemos que não vai.", eu sei.

Por lá, bem diferente daqui, ela acerta o seu caminho. Daqui, tão distante de lá, eu procuro estar sozinho, e eu realmente estou...
Uma vez, ela suplicou aos céus: "Porque não posso voar?!". Outra vez ela pediu à Deus: "Não esqueça de me levar".

É estranho acreditar, hoje eu mal posso caminhar, sem me perguntar: "Por onde você você pode andar?". Eu queria estar, queria me movimentar. Não posso nem me lembrar...

E eu estou esperando por uma carta, um sinal. Estou dizendo para uma amiga, escrevendo essa música, para uma amiga suicida...

Aqui, bem longe de nós dois, nós estamos voando alto. Ali, bem perto das nuvens, vocês me mostra que há um jeito. Por lá, eles tentam nos alcançar, contando suas mentiras. Daqui, eu só ouço sua voz, gritando para o horizonte... Certa vez, eu perguntei aos meus queridos pensamentos: "Será que ela pode voar?". Agora, eu entendi Deus, e ela teve que acabar, com a própria vida...

É difícil de acreditar, você devia aqui ficar! E eu continuo à me perguntar: "Por onde você deve voar?". Eu queria que você estivesse, queria que fosse verdade... Não pode ser verdade...

E eu estou esperando por uma carta, um sinal. Estou dizendo para uma amiga, escrevendo essa música, para uma amiga suicida...

Aqui, bem longe de nós dois, alguém te gritou: "Vai ficar tudo bem."... Ali, bem perto das nuvens, ela me disse baixinho: "Nós sabemos que não vai.". Aqui, bem distante de tudo, descansa a sua alma. Ali, num passado distante, você não deveria morrer...

Eu estou escrevendo, para uma amiga suicida...