Poema Envelhecer
A vida passa!
Rápido,
Feito relâmpago no ar.
Deixa marcas profundas!
Firmes mas suaves,
Feito a brisa no mar.
Daqui só levarei a candura
Candura que me fez ninar.
Quando rebento nos braços leves dancei,
Pelo caminho compus mim'alma afinar!
Nunca parei!
Após anos corridos
Horas que não sei contar,
Sinto alegria infinda
Aquela que você saberá
Quando em minha primavera chegar!
Só peço a Deus seu navio
Seu leme seguro seguir
Ainda aprendendo a nadar!
Ainda vivendo a amar.
Os anos roubaram minha beleza e juventude
Mas nunca conseguiram apagar minhas lembranças
ou desmanchar o meu sorriso
Porque envelhecer faz parte da vida
É uma dádiva de Deus
"Nunca fui perfeita.
Meus traços e curvas
eram de uma garota normal.
Acolho cada ruga que chega.
Me fazem mais bem, do que mal."
Da série quase sessenta
Sinto reacender algumas vontades
um pouco de mim criando vida de novo
vejo beleza nos detalhes
nas pessoas de caráter
no sorriso sincero
nos olhos que só de olhar
já me dizem tudo.
Envelhescência
Tempo de costurar
o que foi realizado
com o fio das utopias
da adolescência
ver como resultado
a colcha de retalhos
que é a vida.
Bem, ou mal vivida.
Quando alguém fala de algum defeito meu ou de coisas que fiz no passado, eu entendo.
Mas eu não moro mais naquela versão, não penso mais daquele jeito e nem sou mais a mesma pessoa.
Então, se você ficou preso a uma versão anterior minha, sinto te informar que todo ano me atualizo.
Meus erros são novos, e nem por isso me apego ao desejo de errar, apenas não sou imune a eles.
Mas, acredite, a vida me mudou muito, e ainda bem.
Tem muita gente que não vai gostar, afinal, a antiga Deborah se deixava ser manipulada para agradar aos outros.
Agora, antes meus limites, meus valores e depois, se eu puder, os outros. Não me culpo mais por não poder e não QUERER fazer o que os outros esperam de mim.
É meu papel me respeitar e me fazer feliz dentro de meus valores.
Então, se você não gosta dessa nova versão, está tudo bem. Foi bom a gente no passado, e todo dia recomeço a vida olhando para a vida. Se não olhamos mais para o mesmo lugar, ou se você ainda não superou algo que fui ou fiz no passado, deixo com você as suas questões, percepções e expectativas, são só suas e não dizem nada sobre mim e minha jornada.
Eu sei e sinto que mudei muito, e isso me faz bem.
E já, já vou atualizar de novo, mantendo os valores morais, mas sempre uma nova Deborah.
Quer me (re)conhecer? Eu apenas respeito a vida e meus limites.
Sentir-se desconfortável, desalinhado, desajustado aos padrões impostos não é sinal de fraqueza, mas de que mudar é preciso — mesmo que, no começo, doa. Porque, acima de tudo, prevalece a vontade de encontrar a paz.
Envelheci o suficiente para entender que quem tem paz na vida, independentemente de como a conquista, tem tudo.
Velhice
Velhice é tempo que pesa no peito,
Silêncio que grita no fim do leito.
É pele que sente, é passo que falha,
É o tempo dizendo que a vida não para.
Fugimos do espelho, mudamos o rosto,
Omitimos a idade como se fosse desgosto.
Mas ela chega — e se não vem,
É porque partimos cedo, também.
Não é o cabelo branco que mais assusta,
É a visão que falha, a memória que custa.
É a dor de perder quem já se foi,
E saber que o tempo não volta, não dói?
Velhice é sorte cercada de amor,
De um neto que estende a mão com fervor,
De um filho que ajuda com o prato na mesa,
Num mundo que esquece a delicadeza.
Envelhecer é poema que poucos leem,
Mas é dádiva dos dias que ainda vêm.
É ver, devagar, quem amamos partir,
E sentir no peito o tempo a ruir.
Elaine Paula 14 julho 2025
ENVELHECENDO
Frauda o sono na madrugada. Sem apreço
Tropeço em tropeço, corpo e vigor, se vão
É pulsação na emoção, é a conta, é o preço
À dimensão do tempo, do tempo à dimensão
Um espesso sentimento: agrado e padeço
Ao chão, cada suspiro de uma sensação
Vida, palpitação, de arremesso e arrefeço
E, bem sei que curto ou longo nos levarão
A cada verso, reverso do fim e do começo
O início, o término, no meio, se misturarão
Do berço ao regresso, diverso, eu confesso!
Se tive insatisfação, também, mais gratidão
Tristeza ou não, apenas um outro endereço
Envelhecendo, a oblação dos que sorte são!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
2021, setembro, 12, 04’27” – Araguari, MG
Canção Musicada Pra Velhice
Dizes-te tempo, entretanto
Em ti andejando, cada dia
Mais e tais, mais um canto
Mais algo, e mais ousadia
E a cada novo ano, passa
Indo a carcaça abarrotada
Aparência baça, com graça
Peleja, e generosa morada
Cada passo, renovo, brilho
A vida num prélio deveras
A juventude um trocadilho
E o desejo das primaveras
Sigo da vida a doce poesia
Se ventura eu fosse poeta
Dele apanharia mais magia
Velho, mas de alma repleta
Cada fio do cabelo já prata
E a saudade no peito forte
No olhar luz, a sina pacata
E, que o coração se importe
Porém, antes, porém, sorte
Caro tempo, aqui me esforço
É bem que se vai pra morte
Mas, que seja sem remorso...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
13/09/2021, 15’40” – Araguari, MG
Para viver bem, é tudo uma questão de ter:
sorria como se tivesse 10
celebre como se tivesse 20
viaje como se tivesse 30
pense como se tivesse 40
aconselhe como se tivesse 50
se importe como se tivesse 60
ame como se tivesse 70
viva como se tivesse o último
Tomo café bem lentamente, enquanto isso penso na vida.
Lembro da minha vó, que sempre dizia:
Não vai, filho, abrir a geladeira.
Mas eu sempre fui assim, teimoso, imprudente, curioso, separador de sujeitos e verbos.
Bebo mais um pouco de café e penso nas suas propriedades químicas. No pó que se faz líquido. Nos prótons livres sambando na minha gastrite.
Penso na vida novamente, no quanto somos transitórios.
Nascemos gasosos, expansíveis, livres, capazes de ocupar qualquer lugar e forma no espaço. Incontíveis.
Crescemos líquidos, adequados aos recipientes que nos colocaram. Metamorfos, porém carentes dos invólucros.
Envelhecemos sólidos. Rígidos. Firmes. Sustentando tudo que nos cerca. Magnéticos.
Frágeis à qualquer possibilidade de mudança.
Então sublimamos. Somos gases novamente.
Tempo: compositor de destinos
O tempo é quem escreve a partitura
Que rege a sinfonia do início ao fim
No começo é tão extenso ... parece eterno
Mas de um instante para outro,
Torna-se escasso
O tempo vira conciso,
de forma fugitiva.
Corrói matéria viva
Quem dera ter tempo
para o tempo que preciso
É o tempo que me dá
o tempo do indeciso
O tempo para o devaneio
O tempo para o cuidado
Sem tempo para o esperneio
Sem tempo para o açodado
Porque o tempo é dono da razão
É maestro do aprofundado
É dono da vida; até do coração
Sem pena do acovardado
O tempo é assim: abusado
Já não tenho mais este segundo
O agora? Aqui é passado.
Tita Lyra
e se por vergonha ou medo
decide manter segredo
segrega enredos
entre protagonismo e claque,
adoece o corpo
entorpece a alma
milindra-os;
enquanto a mantem prisioneira de sonhos nunca d'antes (nem doravante) realizados
eis que ele, o corpo,
já desguarnecido de sua bela plumagem
cede, exaurido, triste e só!
Cabelos Grisalhos
Cada fio de cabelo branco, uma história
de tristeza
de alegria de viver
de saudade
de paixão
de amor
de amizades conquistadas e perdidas
da criação
da dor de perder
do ser ou não ser
da fé, ao perceber aonde acertou ou errou
do envelhecer
do propósito percebido após o grisalhar dos cabelos
de ver que a busca por Deus é infinita, por não perceber que ele está dentro do meu coração de menino.
Francisco Pontes
Ah!
Som do mar, música que nunca envelhece
música que nunca se repete
música que nunca para
música que dá fôlego para viver,
Som do Mar...
CANÇÃO PARA DESENVELHECER (letra)
Meu Pai, Meu Pai, Meu Pai
Meu Pai eu peço
Meu Pai eu peço
Meu Pai eu quero
Desenvelhecer
Meu Pai, Meu Pai, Meu Pai
Meu Pai eu vou mudar
Eu vou mudar meus sentimentos
Meus pensamentos
E meu comportamento
Meu Pai eu peço
Meu pai eu quero
Desenvelhecer
Eu vou, eu vou, eu vou
Eu vou mudar meu coração
Eu vou mudar minha paixão
Meu Pai eu peço
Por esta canção
Meu Pai eu peço
Por todos os irmãos
Meu Pai eu peço
Meu Pai eu quero
Desenvelhecer
Os grandes mestres já disseram
Einstein já confirmou
O tempo é ilusão
Criação da nossa imaginação
Envelhecer é desinformação
É disnutrição
É desconhecer
As leis da criação
Meu Pai eu vou
Meu Pai eu vou
Mudar meu coração
Minha paixão
E minha alimentação
Meu coração será minha canção
A fé meu instrumento
O amor o meu alento
Teu ensinamento minha inspiração
O alimento meu medicamento
Meu Pai, Meu Pai
Eu quero desenvelhecer
Eu quero Te enaltecer
Envelhecer é desconhecer
As leis da criação
MARCAS
"As marcas "tatuadas" pela vida em nosso corpo e nosso "coração" são um testemunho de aprendizado, força e sabedoria que nenhuma pele limpa e nenhum "coração" sem sofrimento atestam. Amar em si mesmo essas marcas é como amar os rios, vales e montanhas que trazem consigo a história da mãe Terra. Tudo que está vivo, desde homem, animal, árvore e o próprio planeta, se "tatua" naturalmente com "estrias", "rugas" e "linhas" cheias de sua própria bela história. Ver e entender isso é um dom apenas para aqueles que aprenderam a amar sua própria trajetória nesse mundo."
Por que estamos confusos:
Os juvenis alegam que estamos envelhecendo. Os velhos riem dizendo que ainda temos muito vigor físico e força produtiva e que toda experiência vale a pena. Os esclarecidos recomendam ponderar sempre e que tudo é uma questão de equilíbrio. Os filósofos insistem que há coisa que não vale a pena e que, pra eu identificarmos o que vale, devemos mergulhar no autoconhecimento. A psicologia pergunta o que sentimos com tais experiências e facilitam: a resposta está em nosso eu interior. A religião nos instiga a ser otimista e a enfrentar o caos com perseverança e coragem. A sociedade empurra nossas obrigações goela abaixo e a estatística diz que se não produzimos somos inúteis! Os espertos aconselham ir para o exterior viver a vida que merecemos. Os espirituosos dizem que se houver amor vale a pena, caso contrário, permaneçamos. Complicado!
Diante da gama complexa de opiniões, eu prefiro resumir minha crença na frase que li hoje "quando a gratidão realmente invade a sua vida, as pequenas coisas se tornam importantes". Isso é válido até para aquilo que talvez não valha a pena.
PASSANDO ...
Sulca-me as frontes já rugas encanecidas
Olhar embaçado eu vejo o velho cerrado
Torto, “pedregado”, arbusto tão delgado
No tempo vou em velocidades incontidas
Cabelos brancos, vá, não seja tão abusado
O meu espanto, quanto as tuas investidas
Tão fugaz, minhas queixas enfraquecidas:
Lamentos, surpresa, pavor, sem resultado
Tive antipatia, tive inocência, e repulsa
Com a estranheza furiosa da mudança:
No espelho a figura avelhantada pulsa
E, atendo ao inevitável, já, só lembrança
Passou, vai passando, e a história incursa
Ao passado, a temporada de ser criança...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Abril de 2021, 12’45” - Araguari, MG
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