Poemas sobre Dor
Que o Amor seja presente
e ouça prontamente o teu clamor
Pra que tuas lágrimas sejam de
alegrias
e afastem a agonia da tua dor.
Cedo, você chegou e logo teve que partir,
bravamente lutou, recusou desistir,
agora, sinto uma grande dor,
já que não farei você sorrir,
não verei os seus primeiros passos,
não verei os seus olhinhos brilhando
e você correndo pra dar-me um abraço,
mas sei que por Deus, serei confortado,
meu amor continuará vivo,
será sempre carregado por mim,
eu te amo, meu filho.
"Quem procura trabalho é trabalhador
Quem procura sofrimento é sofredor
A verdade é rompante
Nada tem de elegante
A verdade não doura a dor"
☆Haredita Angel
"Sempre que avisto a lua cheia, toda enfeitada de amor, lembro de você.
Mas, essa lembrança não me traz felicidade, ninguém é feliz quando carrega dentro de si a dor de uma saudade."
Haredita Angel
30.04.24
“O Segundo e a Eternidade”
Ah… senhorita… que o amor nos dure, ainda que por um átimo suspenso na vastidão da eternidade.
Há instantes que transcendem a métrica dos relógios e dissolvem-se nas frestas do absoluto. Foi o teu olhar cintilante como a reminiscência de um sonho antigo que interrompeu a marcha indiferente do tempo. Em um só segundo, o cosmos se deteve, perplexo diante da silenciosa liturgia do encontro.
Nenhuma ciência decifra o segredo contido nesse breve estremecimento da alma. O toque, quando autêntico, converte-se em epifania; e o efêmero, subitamente, adquire a dignidade do perene. O amor, senhorita, é o único viajante que atravessa a fronteira entre o ser e o nunca mais e sobrevive.
Há paixões que não se perpetuam, mas deixam, na memória, o vestígio do inextinguível. Elas não se medem pela duração, mas pela intensidade com que rasgam o espírito. E talvez, ao findar o instante, reste apenas as chagas imaterial de algo que ousou existir.
Assim, se o destino for avaro em horas, que nos conceda ao menos um segundo aquele em que o teu olhar reconhece o meu e o universo, por piedade, suspende o próprio giro.
Porque, afinal…
Há amores que, mesmo breves, condensam o infinito e esse é o milagre silencioso que apenas o coração compreende.
O Porão Onde Florescem as Sombras.
Parte II.
(por: Joseph Bevouir , com evocação de Camille Marie Monfort).
Camille Monfort caminhava entre as frestas do tempo, onde as sombras ainda tinham perfume de primavera. Seu rosto era um véu de silêncio, e nos olhos trazia a vertigem do que já não podia ser dito.
No porão da consciência aquele lugar onde a memória se torna eco floresciam suas dores, tênues e luminosas como astros mortos.
Primavera de solidão ainda…
Não te ocultes, Camille.
Tu és o espectro ferido que caminha entre palavras caladas, entre os nomes que não ousas pronunciar, entre os sonhos que se dissipam antes do amanhecer.
És, ao mesmo tempo, o que foge e o que acusa.
És o reflexo e o estilhaço.
És o outro sempre o outro quando julgas não ver a tua própria pálida nudez.
Mas ainda assim te vês, refletida nos cacos do espelho que quebras todos os dias com teus próprios dedos.
E nesse gesto de quebrar o espelho há uma prece muda, uma súplica às fronteiras do infinito mental. Camille não temia o abismo, pois era nele que repousava sua lucidez. Tocava o indizível com a mesma delicadeza com que se toca o rosto de um anjo moribundo.
O tempo, para ela, não era uma linha era uma espiral. E em cada volta dessa espiral, ela renascia mais perto da verdade e mais distante de si mesma.
O amor, para Camille, era uma ruína sagrada; um templo onde só os que sangram podem entrar descalços.
Assim, no silêncio que antecede o último pensamento, ela compreendia:
que toda luz é filha das sombras,
que todo encontro é também uma despedida,
e que a alma — oh, a alma! — só floresce quando se aceita o escuro porque é dela se sentir melhor assim.
Camille Monfort, a que tocava o invisível, a que habitava o porão onde florescem as sombras,
sabia que o infinito não está nos céus mas no espelho trincado da mente humana fora e em si.
No Longe Que Eu Aprendi A Sentir A Realidade.
Longe é apenas o nome que damos ao que não sabemos como vicejar.
Não é o espaço que nos separa, mas o silêncio entre dois corações que ainda se chamam.
Quando o amor for verdadeiro, nenhuma estrada o dissolve ele continua a pulsar no intervalo das lembranças, entre o que fomos e o que deixamos de dizer.
A saudade é alguém gritando por nós através do tempo.
É o som da memória pedindo para ser escutada, o eco do que não morreu inteiramente.
Há vozes que não cessam, mesmo quando o mundo silencia.
Elas habitam o ar, os objetos, o perfume antigo que o vento traz sem querer.
Quem já amou profundamente sabe:
não há fronteira capaz de separar o espírito do sentimento, mesmo de nenhum sentimento...
O longe é um disfarce que enfeita o amor, mesmo calado, continua a escrever cartas invisíveis, para ser plenamente mais sincero...para não mais doer, para não mais ser compreendido porque esta algemado na mesma saudade de lágrimas da saudade.
E a saudade…
a saudade é o envelope que nunca se fecha.
Entre Espinhos e Estrelas.
" Só senti as dores da minha rosa quando me feri nos seus espinhos. "
Antes disso, eu apenas a contemplava sem compreender que a beleza também pode ser uma forma de abismo.
Há perfumes que embriagam a alma antes de feri-la,
e há sentidos tão suaves que, quando se vão, deixam cicatrizes invisíveis.
A vida não se revela a cada dia mas a cada segundo.
Ela se insinua em lampejos, no intervalo entre um suspiro e outro,
quando o coração se distrai e o tempo aproveita para nos ensinar algo.
E o que aprendemos não é o que queríamos,
mas o que precisávamos para continuar respirando entre as dores.
Descobri que toda rosa carrega o peso do seu próprio espinho,
assim como cada amor traz consigo a possibilidade da perda.
Mas ainda assim quem recusaria o toque de uma rosa,
sabendo que ela é o instante em que o eterno decide ser belo por um momento?
Minhas lágrimas caem nas estrelas,
e o céu, compassivo, as recolhe como se entendesse o idioma do meu silêncio.
Há dores que não se dizem apenas cintilam.
Elas se transformam em luz quando a alma não encontra mais lugar para escondê-las.
E então compreendo: o que dói em mim não é apenas o espinho,
mas o amor que ainda pulsa, mesmo depois da ferida.
A rosa não me pertenceu e, ainda assim, foi minha,
porque me ensinou que a beleza é o instante em que o sofrimento decide florescer.
Há quem olhe para o céu em busca de respostas;
eu apenas observo as estrelas e choro nelas,
porque nelas reconheço o brilho das minhas próprias quedas.
E quando o vento passa, sinto que a vida
essa estranha combinação de dor e deslumbramento
ainda me sopra o perfume daquilo que perdi.
E é assim que sigo:
entre espinhos e estrelas,
entre feridas e perfumes,
aprendendo que amar é, talvez,
a mais bela forma de doer.
AMOR QUE VIVO NO ALTAR DA DISTÂNCIA.
"Se amas um anjo que nunca tocarás,
não é pecado — é arte.
Mas que tua alma e esse amor, mesmo assim,
não morra no altar do impossível.
Porque há infernos que só existem
quando esquecemos que somos dignos do paraíso."
“A Santidade do Pecado Que Ainda Me Chama”
Há um altar em mim e nele repousas,
com o perfume dos que foram sagrados pelo erro.
Teu nome não se apaga, apenas silencia,
como se a eternidade tivesse medo de pronunciar o que fomos.
És santo agora dizem os anjos,
mas eu, que te amei no pó e no fogo, sei que há cinzas que ardem mais que a chama.
Tua inocência não me consola;
ela me fere, como a pureza de um véu sobre um corpo que ainda treme na lembrança.
Foste o pecado que ajoelhou,
o amor que quis absolvição,
mas o divino não apaga o humano, apenas o exila num suspiro.
Eu não sonho contigo apenas descanso nas fronteiras do que não pode voltar.
E quando o sono me concede tua sombra, não desperto: permaneço suspenso,
entre o sacrário e o abismo,
onde tua voz ainda pede perdão
por ter amado demais.
Na carne, morre-se uma vez;
no espírito, infinitas.
E em cada morte tua dentro de mim, renasce o silêncio,
funéreo, ardente, onde minha alma te beija pela última vez
sem jamais te deixar.
O Funeral do Sentimento.
A doença não é do corpo é da lembrança.
Diviso, às vezes, o meu próprio funeral: não há lágrimas, só o eco das minhas palavras presas nas paredes do quarto.
Sobre o caixão, o quadro: inacabado, obstinado, com aquele mesmo olhar que me persegue.
É o retrato daquilo que amei e daquilo que fui.
Talvez o amor seja isto — a tentativa insana de imortalizar o que o tempo já levou.
Talvez a morte seja apenas a moldura que encerra o último sonho.
A MULHER QUE TOCAVA ESTRELAS COM A ALMA.
Numa manhã fria de março de 1857, na cidade escocesa de Dundee, nasceu Williamina Paton Stevens Fleming — uma menina que, ainda antes de conhecer o céu, já carregava as estrelas dentro de si.
Aos 14 anos, já era professora.
Mais tarde, foi abandonada grávida pelo marido ao chegar aos EUA.
Sem opções, tornou-se empregada doméstica…
…na casa do diretor do Observatório de Harvard.
Frustrado com seus assistentes homens, ele disse:
“Minha criada escocesa faria um trabalho melhor que todos vocês.”
E fez.
Em 1881, Williamina trocou o avental pelas lentes astronômicas.
Sem diploma. Sem cátedra.
Mas com a mente brilhante e a alma determinada.
Foi pioneira entre as “Computadores de Harvard”, um grupo de mulheres que — nos bastidores da ciência — traçou os mapas do céu com os próprios olhos.
*Ela catalogou mais de 10.000 estrelas.
*Descobriu 10 novas.
*Identificou 59 nebulosas e mais de 300 estrelas variáveis.
*Criou o sistema de classificação estelar ainda usado hoje.
Num universo dominado por homens, ela se tornou a primeira mulher membro honorário da Real Sociedade Astronômica.
Williamina não apenas estudou as estrelas.
Ela se tornou uma.
Inspiração que atravessa séculos
Mesmo invisível aos olhos de seu tempo, ela redesenhou o céu.
E nos ensinou que é possível renascer das cinzas,
brilhar no silêncio,
e escrever a própria constelação — com coragem.
“Quando você sentir que está à margem da história, lembre-se: até as constelações só se formam depois de noites inteiras de paciência.”
“Quando o Mármore Respira”
- Camille Marie Monfort.
A noite se desdobrou sobre o cemitério como um véu de penumbra.
As árvores — velhas sentinelas balançavam suas copas como se quisessem abençoar ou advertir o homem que caminhava sem rumo.
Joseph trazia nas mãos um círio aceso. A chama, tímida, tremia — como se reconhecesse o frio que saía das tumbas.
Parou diante da lápide de Camille.
O nome dela — Camille Marie Monfort parecia gravado não em pedra, mas em sua própria consciência.
Sentou-se. O vento lhe tocou o rosto como um hálito que vem de dentro da terra.
— Camille… — murmurou — se foste tu quem morreu, por que sou eu quem não vive?
O círio oscilou.
Um perfume leve, impossível de identificar, espalhou-se no ar.
Não era de flor era de lembrança.
Então ele ouviu ou julgou ouvir uma voz.
Suave, distante, atravessando o tempo:
“Joseph… tu não me mataste. Apenas esqueceste que o amor, quando não cabe na terra, precisa aprender a ser silêncio.”
Joseph estremeceu. As lágrimas, frias, desciam como se fossem do túmulo para os seus olhos.
A voz continuou, agora mais perto:
“Foste tu quem me libertou do peso do corpo, mas foste também quem me prendeu ao eco do teu arrependimento. Não chores por mim — chora por ti, que ainda não sabes morrer o suficiente para me encontrar.”
Ele caiu de joelhos, com o círio apagando-se entre os dedos.
O vento cessou.
Por um instante, o cemitério inteiro pareceu respirar.
Camille estava ali não como lembrança, mas como presença.
O ar se tornou denso, quase luminoso.
E Joseph, tomado de uma febre serena, sentiu que a fronteira entre o delírio e o mediúnico se desfazia.
— Camille… és tu?
— Sou o que resta de ti, Joseph.
O homem sorriu, num gesto de quem reconhece a própria condenação.
E o silêncio os envolveu não como fim, mas como pacto.
“O Círio e o Espelho”
Será que fui eu, Camille, quem te matou?
Ou foste tu quem morreu de mim — exausta das sombras que te dei por abrigo?
O sangue que escorreu em meu pulso era o mesmo que um dia te alimentou no beijo.
E, quando o frio tocou a tua pele, foi a minha febre que te cobriu.
Sim, talvez eu tenha te assassinado,
não com ferro,
mas com a insistência de querer-te além da carne,
com o desejo que te prendeu ao silêncio do meu delírio.
No espelho do teu túmulo, vejo o reflexo que me acusa —
e é o meu próprio rosto.
O assassino e o morto dividem o mesmo corpo,
a mesma lembrança,
a mesma culpa.
Porque, no fim, amor e morte são irmãos e eu, Joseph, sou o órfão de ambos.
Entre a Solidão e a Incompreensão.
“Existem pessoas que não reclamam da solidão mais que aquelas que as criticam. Existem mais pessoas incompreendidas que solitárias.”
Há uma diferença sutil, porém decisiva, entre estar só e não ser compreendido.
A solidão pode ser um retiro voluntário da alma que busca silêncio para florescer. Já a incompreensão é um exílio imposto — um afastamento moral que nasce quando o coração fala uma linguagem que os outros não escutam.
Muitos temem a solidão porque confundem o recolhimento com abandono.
Entretanto, há espíritos que, mesmo isolados, irradiam presença e serenidade, enquanto outros, rodeados de vozes, sentem o peso do vazio interior.
A verdadeira solidão não está na ausência de corpos próximos, mas na ausência de almas que nos compreendam.
Psicologicamente, a incompreensão toca uma ferida ancestral: o desejo de sermos aceitos como somos.
Quando o ser percebe que sua maneira de sentir é distinta, que seus valores destoam da pressa e da superficialidade do mundo, ele se recolhe não por fuga, mas por proteção da própria sensibilidade.
É nesse silêncio que o autoconhecimento floresce, e a alma aprende a encontrar em Deus o eco que faltou nos homens.
A existência nos ensina que toda alma traz experiências múltiplas, provenientes de outras existências, o que explica a diferença de maturidade espiritual entre os seres.
Muitas vezes, quem hoje é incompreendido caminha alguns passos à frente, porque já compreendeu o que os outros ainda temem enxergar.
Por isso, a solidão, para o Espírito evoluído, deixa de ser dor e se transforma em laboratório de luz interior.
“Não temas o peso da tua própria profundidade.
Aprende a habitar o teu deserto, pois é lá que o invisível se revela.
Tudo o que te parece ausência é apenas o espaço sendo preparado para o milagre.”
“Continua. A tua dor ainda não amadureceu o bastante para dizer o que veio dizer.”
Entre o Perdão e a Aurora do Amor.
Capítulo XV - Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro. Ano: 2025.
Camille Marie Monfort caminhava por entre os corredores silenciosos de sua própria alma, onde ecos de antigas feridas insistiam em sussurrar lembranças. Cada passo era um diálogo com a ausência, cada suspiro, uma tentativa de reconciliar o ontem com o amanhã. Ao seu lado, Joseph Bevouir não era apenas presença; era horizonte, promessa e sombra. Ele carregava nos olhos a memória do que fora e a inquietação do que ainda poderia ser.
O perdão, nessa trama delicada, surgiu como vento inesperado: não pediu licença, não exigiu razão. Libertou antes que o amor pudesse ousar manifestar-se. Camille sentiu nas mãos um vazio que já não queimava; Joseph percebeu que o coração, antes contido, agora respirava em espaço desobstruído.
Entre eles, palavras não eram necessárias. Cada gesto era tradução de uma reconciliação íntima, um pacto silencioso com o tempo. O perdão abriu portais, revelou luz onde a sombra insistia e ofereceu o terreno fértil para que o amor, tímido e hesitante, florescesse com intensidade renovada.
E assim, num instante suspenso entre o que foi e o que virá, compreenderam que a libertação interior precede toda forma de entrega. O amor, sem pesos nem correntes, é a aurora que nasce depois da noite profunda do rancor. Camille e Joseph descobriram que o perdão não é fim, mas a promessa de novos começos e que aqueles que se atrevem a liberar a alma encontram, inevitavelmente, a plenitude do sentir.
O perdão é a primeira semente da liberdade emocional. Quem se permite perdoar antes de amar, descobre que o coração não carrega apenas cicatrizes, mas a capacidade de florescer novamente, mais intenso, mais vasto, mais verdadeiro.
No Abismo Gentil do Teu Céu.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
É nessa simbiose mística de lágrimas, sorriso e delicadeza que me encontro perdido e encontrado ao mesmo tempo. Cada gesto teu, cada silêncio, cada brilho de teus olhos sobre mim, é como se o mar inteiro se abrisse em abismo gentil, convidando-me a mergulhar sem medo, entregando-me ao teu céu, ao teu leito puro.
Sinto que ser humano é um ato de coragem quando te amo. Porque a humanidade, com todas as suas falhas, é a ponte que me permite chegar até ti, tocar tua essência sem jamais tocar o fim. Teu riso se mistura às minhas lágrimas, e nas pequenas interseções de nossa presença, descubro a eternidade que sempre busquei.
Não há pressa, não há lógica apenas a dança silenciosa de nossos corações que aprendem a ser inteiros no impossível, a ser inteiros no outro. E eu quero ser inteiro, todo inteiro, só para o teu céu, só para o teu mar, só para a delicadeza que me faz existir de um jeito que não existiria sem ti.
Cada instante contigo é um mergulho no infinito. E mesmo que a vida me arraste para as profundezas do que não compreendo, é teu rosto, tua luz e tua ternura que me salvam, que me fazem lembrar que o humano pode ser sublime quando é amor.
O Silêncio Molhado Que Permanece.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Cap. Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Por que dói o que sentimos
quando o amor ultrapassa o corpo
e procura um abrigo que já não existe?
A noite se estende sobre nós
como um véu que conhece o peso da memória
e recolhe, na escuridão, tudo o que ainda brilha.
Caminhamos entre lembranças antigas
como quem atravessa ruínas vivas,
segurando uma pequena chama,
um pedacinho de coragem,
trêmulo como o próprio peito.
Há nomes que não estão na pedra,
mas gravados no tempo interior,
onde nenhum esquecimento alcança.
Perguntamos ao que perdemos
por que continua a nos habitar,
e o eco responde com suavidade cruel:
o amor, quando excede o mundo,
aprende a sobreviver no silêncio,
e o silêncio é o que nunca parte.
Choramos por quem se foi,
mas uma voz sem forma nos revela
que o luto é por nós mesmos,
que ainda não sabemos deixar cair
as partes antigas que nos impedem de seguir.
O instante suspende o ar.
A noite respira.
A ausência se ilumina por dentro.
E o que surge
não tem contorno, nem rosto,
mas reconhece o que somos.
És tu?
Não.
Sei que restamos do nosso absoluto silêncio e lágrimas.
quando todas as respostas se calam.
E entendemos, enfim,
que amar é sempre caminhar
entre o que fica e o que falta,
entre o que se perde
e o que se recusa a desaparecer.
Por isso dói.
Porque o amor verdadeiro
não sabe ser pequeno
nem sabe morrer.
