Poemas sobre Dor
Era mais fácil cair do que empurrar, Jô tinha essa certeza. Com um empurrão vidas podiam ser destruídas, ao cair eram só os joelhos que ralavam. E custava, levantar custava apesar de tudo. Cada osso, cada articulação parecia que se enchia de ar antes de ressentir e estalar sob o peso do próprio corpo, mas Jô repetia “Melhor eu que eles.” E vivia, caindo, se rasgando, para que os outros nem tropeçassem. Era um egoísmo barato, um egoísmo masoquista e inquietante. Só havia uma certeza, ele aguentava a dor, sempre aguentara. A pergunta era: até quando?
Hoje estou sentindo meu coração de um forma estranha, ele está doendo e retraído, não por doença. Mas sim por está afundado em um sentimento não desejado por muitos, a tristeza. Pela tristeza de novamente decepcionar quem amo.
Não sei o motivo, nem se essa dor passará. Sei que o único remédio é o seu sorriso.
Minha vida é a colcha de retalhos que consegui fazer. Tecidos nobres que se transformaram em panos de chão, panos de chão que fiz tornassem seda pura. Nas necessidades diárias, nas necessidades de minha alma, a qualidade do pano nunca foi importante. Era importante que absorvessem da melhor possível o que fosse bom a meu crescimento e que tivesse a capacidade de não absorver o que era desnecessário. A colcha não se finda, não permite reparos nas emendas. No entanto, sabedora que tudo foi aprendizado, olho para minha colcha, minha vida com muita gratidão. Amo, sinto, perdoo e agradeço. Esta é a minha vida. Nina Lee Magalhães
Não deixe que matem seus sonhos. Os sonhos são seus. Os riscos são seus. As decisões são suas.Não admita a si mesmo terceirizar o que é exclusivamente seu. Nina Lee Magalhães
Desculpa as linhas tortas, onde escreveram que um lobo derrotado como eu não merece ter a vitória nos braços.
Tantas vezes o dia amanheceu gracejando e ainda assim terminou pesando o travesseiro de tanto chorar. Tantas vezes surgiu o sol sorrindo e ainda assim a noite gritou no céu, um grito vazio, e foi o choro mais triste do mundo. Tantas vezes a manhã foi gostosa e ainda assim o crepúsculo foi sombrio.
Eu peso o peso da vida de quinhentos homens armados. Meus olhos são da cardinalidade do planeta vezes sete. Minha voz ressoa nas esquinas da lua como um trovão seco. Eu nunca tive amor, e nunca terei...
Vejo o vento passar, como quem leva flores para seu verdadeiro amor. Ouço a chuva bater como quem defende a própria vida. Sinto o frio se alojar em minha pele como quem necessita de um abrigo.
Não sou pura o suficiente para perdoar, mas preciso que alguém me perdoe. Não quero ser vista nem por um raio de luz. Quero ser inalcançável como uma estrela. Mas diferente dela, sem o brilho. Uma estrela morta, me chame assim...
Tentar ressuscitar uma borboleta que está morta há mais de um século é trabalho para Deus e no momento Ele está ocupado cuidando de Miguel, é o que tenho pedido há algum tempo...
Na ponta dos pés eu me abrigo até no abismo mais próximo. O medo do silêncio, não tenho mais. Mas algo me diz que se não ouvir a voz que preciso adentrarei um vale que me destruirá, e ainda assim me deixar com vida, apenas para sentir a dor de estar estilhaçada como um vidro que corta nuvens.
Vou me encravar no solo mais intenso do oceano. O prazer de olhar para o nada se acabou, mas com ele a solidão não se foi... Um raio invisível me atingindo de minuto em minuto. Saiba que ainda respiro, mas já deixei de viver.
A mente não pensa mais, a pele fala o que a boca não consegue. Os olhos choram para noite, trancados dentro de tanta dor que não se cabe no quarto e é preciso fugir pela janela. O mundo não costuma ser mais meu, agora ele é apenas um mundo qualquer me engolindo de todas as maneiras quando acordo sem um sol.
Lágrimas são respostas expostas na face quando não há mais palavras ou gestos para expressar a invasão de emoções que permeia e fragiliza a alma do ser humano.
A saudade pode se transformar no alimento do amor que mesmo a distância sendo da vida, nos aproxima quando amamos de verdade e a dor passa a ser passageira.
A primeira perda machucou, mas eu nem entendia o porquê da partida e para onde se ia. A segunda não só machucou, dilacerou, despedaçou, sangrou e ainda sangra. A terceira veio logo em seguida, abriu ainda mais a ferida, e eu perdi o controle do sangue que, por fim, acabou levando também a esperança. Mas o Rio, o Mar, a trouxe, e com a esperança vieram dias de muito amor. E, depois dos dias de muito amor, mais uma perda. Agora a quarta. A dor já não mais tamanha quanto a segunda, mas, como a terceira, levou consigo a esperança. A esperança, a crença, o sonho. Levou, lavou com lágrimas por fim engolidas. A fé no merecimento pelo que se planta se escondeu, correu, desapareceu, e não é vergonha admitir que ainda não a encontrei, apesar de saber que ela existe. O coração, que há muito tempo vinha andando em linhas bem desenhadas, não acreditou mais que as mesmas linhas o levassem a um lugar seguro. Então, o coração desceu o risco e também se escondeu. Creio que ele está abraçado à fé. Quem sabe, talvez. O que é certo é que a fé, a esperança, a crença na verdade, caminham para a dureza de um coração cheio de perdas. E é dolorido repetir que eu não me envergonho disso. Mas seria ainda mais dolorido ter que perder tudo de novo.
Não importa quantas conchas, bolhas e escudos levantemos ao nosso redor, não podemos prevenir todas feridas.
