Poema de Amigo de Augusto dos Anjos
Pensar!
Faz cansar!
Melhor não!
Pra não recordar!
Pra não doer!
Porque pensar muito!
Faz a gente sofrer!
Amor é:
O amor é um bichinho, que te rói o pensamento,
te destrói o sentimento, te transforma em desilusão, apenas com um simples não!!!
Buscando amor
Do amor intensamente a dor busquei;
Chaga viva com que a vida nos condena;
Nunca ardente o fogo vi que me queimasse;
Aos tropeções da vida me soneguei;
Quantas vezes me morri de sorte amena;
Sem que tal amor me visse ou encontrasse.
Desilusões com tantas me já deitei;
Em leito que de si só teve o nome;
Vagueando mundo afora o sentimento;
Quantos com que me juntei e separei;
De carinho e atenção me rói a fome;
Dos amores que só tivera em pensamento.
Morrer de Amor!!!
Já muito me morri de amores e rejeição;
Se morrer de amor se diz e é verdade;
Quem não morreu de amor e de saudade;
É um mineral rolando sem direção.
Deste gasto coração me já detesto;
É errar humano e saber e eu errei;
Quantos sonhos me sonharam que rejeitei;
E a solidão agora me sonha o resto.
Minha Dona inda me não encontrei;
E amores me deu que tanto me bastaram;
De renegar uns e outros que me amaram;
Com cem mil espadas este coração sangrei.
O amor! que coisa!
Motivo agreste, de grande dor e inspiração;
Desdenhando, seu prestígio e importância;
Me domina o ser mau, vence a ganância;
E me liberta, misérias do coração.
É tormento, dor, que corta a respiração;
Dessa dor, que predomina, eterna e breve;
É carinho, que nos mata ao de leve;
É um caminho, sem retorno e sem perdão.
Amanhã!
Amanhã nao é um dia;
É algo que não se viu;
É o mundo a girar;
É pura cronología;
Só se sabe que existiu;
Depois do tempo passar.
Vida!!!
De alegria eu dependo pra viver;
Ser alegre é minha natureza;
Me vou abaixo com esta tristeza;
Sem mudança gente deixarei de ser.
Alegre sou porque já nasci assim;
Como a minha vida num marasmo está;
De novo exijo seja alegre já;
Esta tristeza está a dar cabo de mim;
Sábio!
O verdadeiro sábio é aquele que sabe tudo, sem lhe terem ensinado nada.
O resto são cópias, mais ou menos perfeitas!
Umbigo!
Altivo o dono do seu umbigo;
Orgulho besta de certa gente;
Casos onde menos é premente;
Perde-se a besta se ganha amigo.
Motivo de orgulho ou desconforto;
Em são sedutor corpo ou talvez não;
Buraco na barriga do patrão;
Covinha no ventre do desporto.
Sem querer querendo vi um dia;
Uma covinha linda de morrer;
De sonho que viria enaltecer;
A luz que em meus olhos reluzia.
Visão que roubou o meu juízo;
Não mais pensei por mim foi-se a razão;
Motivou tal relevo esta paixão;
Foi-se o éden vai-se o paraíso.
Poeta
Não me considero um Poeta e sim um pensador, com algum jeito para expressar os meus pensamentos!
Sorriso!
Que sorriso donairoso;
Encanta o sorriso meu;
É condão belo garboso;
Sorriso assim majestoso;
Faz sorrir Anjos no Céu;
Ri de forma natural;
Faz um favor a ti própria;
Sorrir é original;
A tristeza é melancólica;
Diria que é uma cópia;
Do que na vida vai mal.
A nossa Nação
Ó Portugal doce sátira!
Perto do mar plantado!
Estás a caminho do fim!
Do que foi a tua pátria!
Só nos resta agora um estado!
Que nos rouba a ti e a mim!
Por onde andei neste mundo!
Toda a vida trabalhei!
Deixei muita ponta solta!
Sinto agora bem profundo!
Que não mais as unirei!
Sem uma grande revolta!
Com cravos se ludibriou!
Um povo inocente e pobre!
Em cantigas de embalar!
Quanto ouro se desviou!
Do inteligente ao nobre!
Estudaram pra nos roubar!
Minha voz de raiva treme!
Quando nessa gente penso!
Distribuindo o que é nosso!
Para se manter no leme!
Deste barco podre imenso!
Aguentar mais! já não posso!
O mar que vidas ceifou!
Em prol da nossa riqueza!
Afoga agora os afoitos!
Triste sonho que passou!
Se afogasse a safadeza!
E os retorcesse em oitos!
Plos sonhos que nos roubou!
O cobre, a conta gotas!
Que nos vem parar à mão!
Vem da Europa à tonelada!
Pra engordar certas tropas!
Distribui-se plo ladrão!
O honesto não leva nada!
E o povo tem de pagar!
Porque o querer não é poder!
Sem ter o pilim na mão!
Pra quem menos trabalhar!
Ganha quem menos fizer!
Pode quem for mais ladrão!
Da América com sua frota!
Nos chega a inspiração!
Cada Estado é colossal!
O mesmo faz a Europa!
Com cagadelas de mosca!
Como a Grécia e Portugal!
A Justiça! ó justicice!
Outrora nos deu orgulho!
Aos justos também servia!
Serve agora a malandrice!
Minada pelo gorgulho!
A safar quem não devia!
O pobre mama! cansado!
Numa teta bem magrinha!
Em favor dos comilões!
Engorda-se o engravatado!
Aos funcionários do Estado!
Distribuem-se os milhões!
Junta-te a mim Zé povinho!
Faz da minha a tua voz!
Não para ganhar a guerra!
Agarra-te a um ancinho!
Rebenta a casca de noz!
De quem rouba a nossa Terra!
A minha vida não é roda-viva;
Tal é vivida não sei se é vida;
O meu grande amor não sofre não sente;
Tão perdido estou e só tristemente.
Que desalento tê-la tão sofrida;
A alegria de vez em quando se sente;
Neste tormento o qual é a minha vida;
A vida que estou a viver me mente.
Que vida!
Tão vago é o sentido, desta vida;
Que me intriga, o não saber, ou nada ser;
De saber, que saber, a nada leva.
Quanta desta vida, nos é perdida;
Por quanto, se nos é imposto aprender;
Plo ter, que te transforma, o sol em treva.
Má sorte
Nego a sorte, de não ter o que não tive;
Quanta revolta, do quanto que não vivi;
Sempre de mim, bendita dor se escondeu;
Arrasto o porte, plo chão onde não estive;
Findo da vida, porquanto não existi;
Achar tentando, o que nunca se perdeu.
Mentira!
Toda a gente já mentiu mais que uma vez na vida. A gente mente por: Amor, Desafio, Traição, Compaixão, Raiva, Desilusão, Ambição...
O mais importante não é ter mentido, é refletir se valeu a pena!
Sonho meu!
Nunca tal flor existira no meu jardim;
Da menina dos meus olhos é senhora;
Nunca soube dos seus sonhos onde mora;
Sonhei desperto tê-la um dia só pra mim;
Está tão perto a anos luz estou seguro;
Do seu calor sinto o inverno frio e só;
Num desconforto que arrepia e que dá dó;
Sol gelado extraviado seco e duro.
Aventureiro o sonho a sonhar nos mente;
Que o sonho controla a vida sem contenção;
Desta vida obstruída pla desilusão;
Sonho pérfido infausto que extingue a gente.
