Poema da Liberdade

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Entre a liberdade e a submissão, às vezes existe apenas a coragem de questionar as respostas que recebemos prontas.

Há leis que protegem a liberdade e leis que apenas conferem aparência jurídica aos costumes de uma época

A liberdade começa quando o indivíduo deixa de confundir a voz da consciência com o eco das normas que o formaram.

A liberdade de pensamento só é real quando inclui o direito de pensar contra aquilo que a maioria considera indiscutível.

A angústia é a vertigem que a liberdade provoca quando o ser humano percebe que, diante do abismo das possibilidades, ninguém pode escolher em seu lugar.

O ser humano imagina possuir liberdade porque escolhe seus atos, mas raramente percebe que permanece prisioneiro daquilo que, dentro de si, o ensinou a desejar.

O destino distribui circunstâncias que não escolhemos; nossa liberdade começa, talvez, na maneira como interpretamos as cartas antes de decidir como jogá-las.

A liberdade começa quando compreendemos que nenhuma ausência de correntes nos poupa da responsabilidade de escolher o caminho.

Toda liberdade genuína traz consigo uma sombra inevitável: a responsabilidade por aquilo que escolhemos fazer com ela.

A liberdade nunca nasce no vazio: escolhemos sempre dentro de uma história, de um corpo, de uma época e de circunstâncias que não fomos nós que inventamos.

Há quem confunda liberdade com a possibilidade de escolher entre aquilo que o algoritmo já decidiu oferecer.

A liberdade de consciência começa quando o Estado reconhece que nem toda verdade religiosa pode ser convertida em verdade jurídica.

O Direito deveria proteger tanto a liberdade de acreditar quanto a liberdade de não transformar crença em prova.

O Direito protege a liberdade de crença justamente porque não possui competência para decidir, por todos, as questões últimas da existência.

Talvez a verdadeira liberdade intelectual seja esta: poder acreditar sem precisar fingir que acredita saber.

Chamamos de livre-arbítrio a liberdade de escolher entre desejos que não escolhemos ter.

A liberdade de pensar é para o espírito aquilo que o ar é para o corpo: sua ausência pode não ser imediatamente visível, mas sua falta o sufoca.

A liberdade começa onde termina a obrigação de acreditar naquilo que o poder considera conveniente.

Há homens que defendem a liberdade até o instante em que descobrem que ela também pertence aos seus adversários.

A liberdade de expressão não protege apenas aquilo que pensamos; protege também aquilo que nossa inteligência ainda não aprendeu a pensar.