Poema da Liberdade

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No Brasil, a liberdade acadêmica é inseparável da liberdade de formular perguntas que contrariem tradições religiosas, políticas ou culturais.

A evolução não necessita de aprovação religiosa para ser investigada, assim como a liberdade religiosa não necessita de aprovação científica para ser protegida.

A liberdade religiosa só amadurece quando o Estado laico também protege a liberdade de permanecer sem religião e a liberdade agnóstica de permanecer sem resposta.

Quando a religião pretende governar o Estado, a liberdade de consciência começa a perder seu território, sobretudo para aqueles que não conseguem afirmar como certo aquilo que outros afirmam como revelado.

A dúvida é uma liberdade que o Estado laico deve proteger tanto quanto a fé, porque o agnosticismo transforma a suspensão do juízo em uma possibilidade legítima da consciência.

Talvez a liberdade não seja escolher sem causas, mas reconhecer algumas das causas que nos fazem escolher.

O futuro é a região do tempo onde a liberdade ainda conserva alguma matéria para escrever.

“Nenhum valor herdado está acima do exame da consciência, da razão e da liberdade.

A verdadeira liberdade não consiste em escolher entre verdades prontas, mas em conservar o direito de questioná-las.

“A liberdade começa quando o homem deixa de ser objeto das vontades alheias e se reconhece como fim em si mesmo; o Direito existe, em sua forma mais elevada, para impedir que qualquer poder lhe retire essa condição.”

“Entre a liberdade da consciência e a força do poder ergue-se o Direito, não como simples arquitetura de normas, mas como fronteira moral além da qual nenhum ser humano deveria ser convertido em instrumento de outro.”

Talvez a maior liberdade intelectual seja suportar uma pergunta aberta sem violentá-la com uma resposta prematura.

Adoro as mulheres; talvez por isso jamais tenha desejado submeter a liberdade do amor à arquitetura de um casamento.

O amor nasce da liberdade do encontro; o casamento, quando mal compreendido, pode convertê-la na liturgia silenciosa da obrigação.

O amor é uma experiência da liberdade; sua institucionalização é a tentativa humana de conferir estabilidade jurídica ao que nasceu sem contrato.

O amor pode suportar a distância porque pertence à liberdade; o casamento, quando reduzido à posse, passa a temê-la como se toda ausência fosse uma sentença.

O maior território da liberdade começa exatamente onde termina a pretensão de possuir todas as respostas.

A liberdade não é fazer tudo aquilo que desejamos; é não permitir que nossos desejos se convertam em senhores absolutos de nossa vontade.

A consciência moral é talvez o lugar onde a liberdade deixa de ser abstração e começa a adquirir responsabilidade.

Talvez a maioridade intelectual consista em suportar a liberdade de pensar sem transformar a própria opinião em uma nova forma de dogma.