Poema da Fome
Irrealidade
"Não há, na vida espiritual, desastre que se compare ao de se ver imerso na irrealidade, pois a vida se mantém e é em nós nutrida por nossa relação vital com as realidades que se encontram fora e acima de nós. Quando nossa vida se nutre de irrealidade, morremos de fome. Não há maior desgraça do que confundir essa morte estéril com a verdadeira e frutuosa “morte”, pela qual entramos na vida."
Na liberdade da solidão, Thomas Merton (Vozes, 2001), pág. 17
Vi que, neste instante, uma senhora gorda saiu do portão de sua casa com uma tigela na mão. Olhou para a família ali perto numa mistura de desdém e asco, e assoviou, para que o cãozinho viesse e fosse presenteado com uma deliciosa tigela com sobras do almoço. A família, em especial a criança, olhou a tigela como se quisesse ser um vira-lata. Bem provável, pensaram, naquele instante, que era mais digno ser um vira-lata, que um homem.
Eis o que acontece: A gorda senhora se condescendeu mais com a fome de um animal, que pode muito bem revirar um lixo qualquer, pois é bicho, do que com a família faminta. No dia seguinte, com os vizinhos, deve ter se queixado porque tinha uns “vagabundos” em seu portão. Sequer a criança a comoveu. Talvez ela tenha visto aquela criança de rua, do mesmo modo que o protagonista de O Outro¹, conto de Rubem Fonseca, via ‘o outro’ da história.
Então, percebi que esse tipo de mentalidade, esse comportamento desumano e repulsivo, é mais amiudado do que parece. Com que frequência já não vi, nas redes sociais, esta frase: “Quanto mais conheço o homem, mais gosto do meu cachorro”? Diversas. E as pessoas afirmam isso com a maior naturalidade do mundo.
Eis o que quero dizer: Quem afirma gostar mais do bicho, que do homem, está dizendo que, se eventualmente precisasse optar entre alimentar um semelhante, ou um animal, e disso dependesse suas vidas, alimentaria o animal(!!!)
Certa vez eu tive um sonho. Sonhei que uma alternativa não anulava a outra, que a bondade era sempre reconhecida e o companheirismo prevalecia.
Que coisas materiais não nos prendiam, nossos ouvidos eram libertos de frases preconceituosas e imbecis, auto estima vinha de berço.
Crianças não ficavam doentes nem passavam frio/fome/abandono.
Ser mãe não era uma questão de DNA e pai e mãe eram sempre um porto seguro.
As pessoas reclamavam menos e se doavam mais, o apoio substituía a crítica, cor da pele só representava quantidade de melanina.
Um sonho que ultrapassou as barreiras do sono e me faz companhia nas noites frias.
Onde tiver muita comida
Mostrarei meu outro lado
Saiba que comer é minha vida
Sim, eu sou um esfomeado!
Ouvi dizer que sofrem porque amam e não são correspondidos..
Ouvi também que não comem por medo de engordar
Que não gostam de repetir roupas porque tal pessoa já viu usarem ela.
Podem ter mil e um motivos para chorar, e dois mil para se matar, Mas APENAS lembrem-se que existem pessoas assim como nós em situações muito piores e mesmo assim continuam vivendo ,e às vezes abrem mais sorrisos puros e verdadeiros do que muitos por aí.
Em você encontrei meu céu e meu inferno.
Você... permitiu sabor em minha vida,
o néctar e o fel, no rompante de meus loucos desejos por ti, fez de mim um ser feliz quando por amor dediquei-me por inteiro,
... não sou metade, não dou metade,
teus olhos ébrio por vaidades e ganância te desprover de fidelidade te ausenta de amor, seu presente de nome traição quebrou as fortes amarras da confiança mas não destruiu o coração que você ainda habitava,
e com a lembrança ainda do doce sabor, eu sedia a aos caprichos deste cego coração que outrora a ingenuidade me desarmou pera vida, sou agora um ambicioso que está disposto a cultivar suas intensas ambições, eu vendi a dignidade, quebrei meu orgulho, barganhei o amor próprio, mas quem brinca com fogo terminará se queimando, quem vende o corpo perde a alma, te inundei com as vaidades,
te deixei com fome de prazeres, de mãos dadas com a luxúria tu me prova que uma vez rei já mais perderás a majestade, me presenteastes com o fel do desprezo...aprendi a enganar o mundo com meu sorriso e uma falsa vontade de viver, tudo por ainda ter... Está fome de você, Se você perder o amor de quem você ama, não se engane este amor você nunca teve o verdadeiro amor não morre.
Refugiados
É muita gente correndo da morte
A única companhia é a sorte
Muitos fogem da guerra
Outros fogem da fome
Levando consigo só o nome
Deixando tudo para traz
Querendo viver em paz
Pobres refugiados
Que ver seu futuro em outra nação
Mas muitos são odiados
Por aqueles que poderiam lhe estender a mão
O peito cheio de esperança
Deixando para traz a dor e a lembrança
Pobrezinhas das nossas crianças.
Valores
Hoje eu quero te mostrar
o que a vida vai te ensinar
que a pobreza enobrece
o que a riqueza se esquece
aquele menino que quebrou
o brinquedo novo que ganhou
nao sabe que o seu vizinho
é um menino pobrezinho
que brinca com uma madeira
fingindo ser o seu carrinho
um pai que é muito ausente
dá um carro em forma de presente
mas será que isso tem valor
ou seria melhor o amor
de um filho que caminha a pé
e tem orgulho de ser o que é
Hoje eu quero te mostrar
o que a vida vai te ensinar
que a pobreza enobrece
o que a riqueza se esquece
quantas vezes você se deparou
com uma comida que não te agradou
e nem pensou na mãe que com carinho
preparou aquele mingauzinho
que pouco lhe matou a fome
mas fez de você um grande homem
a riqueza compra um bem material
e deixa de lado aquele ideal
de se tornar uma pessoa nobre
apesar de ter sido tão pobre
e tudo aquilo que se tem
não é nada pra quem é alguém
Hoje eu quero te mostrar
o que a vida vai te ensinar
que a pobreza enobrece
o que a riqueza se esquece
Tu és linda.
Tu és bela como uma flor.
Tu és tão linda que poderia ser chamada de amor.
Tua beleza não se compara nem com o nascer do sol do sertão Pernambucano.
Teu brilho é inebriante aos olhos de quem vê.
Teu vapor traz cheiro hipnotizante e delirante.
Teu nome, és cuscuzeira
mãe do saciador de fome chamado cuscuz..
Boi com sede no sertão,
É de partir o coração,
Ver os quarto arriar,
Sem um pingo de água pra dar,
Ver o bicho chorar,
E não ter como consolar,
Ver tanto lugar com água a fartar,
E tanta gente a desperdiçar..
Há uma luta constante entre
Consumir demais e
Não se encher o bastante.
Com pessoas,
Mal há equilíbrio.
Ou estão
Em overdose
Ou presas
À migalhas.
(Foi a fome ou a gula que te destruiu?)
CHUVAS DE OUTONO
Sonhei que chovia, acordei chorando. Antes de levantar-me, penso sobre o quanto a vida é injusta, e o quanto somos egoístas ao ponto de priorizarmos nós mesmos e nossos sentimentos. Bom, ao deixar minha cama, volto ao meu cotidiano entediante.
Já não fico mais faminto, é como se eu estivesse cheio, mas de que ? Sendo que não comi nada. Cheio de sentimentos negativos ? Cheio de pensamentos autodestrutivos ? Talvez eu só esteja cheio de você.
Você é saudade, e vem rasgando minha carne. Mas eu me recuso a sofrer de novo, embora a tentação seja grande. Tomara que as águas de abril carreguem a tristeza e a solidão que em mim habitam.
Havia um miúdinho,
sem nome nem passado,
nu, esquecido,
andava sozinho pela rua,
escaldante de tão gelada,
como sombra sem dono.
Tinha um corpo
feito de cortes e pedras,
parecia ter sido mastigado
por calçadas com dentes.
Era um pobre coitado,
seguido sempre
por um cão magro,
tão sofrido,
igual a ele.
Sentavam-se no pedregulho duro
à espera de um fim.
O miúdo, paciente,
esperava que o cão partisse,
descansasse no reino dos cães,
para então poder matá-la —
a fome.
O cão, por sua vez,
até aprendera a contar horas,
de tanto esperar que o miúdo,
vermelho de dor,
fechasse os olhos
e dormisse de vez.
Assim, ele saciaria a fome
com lógica cruel,
mas destino cego.
O cão não ladrava,
e não sabia truques,
era inútil.
O miúdo, por sua vez,
também não sabia nada,
nada lhe ensinaram.
Era inocente,
imprestável,
invisível ao mundo.
Ambos só serviam um ao outro,
à ninguém mais.
Certo momento...
o miúdo, já derrotado,
deitou a cabeça no granito
para poder descansar o seu corpo cansado,
o cão, desesperado,
cravou como os seus dentes podres
no peito nu do miúdo,
com dó e piedade,
pois isso ainda lhe restava.
Mas morreu também,
porque o miúdo,
coitado,
não tinha carne sequer
para alimentar um cão.
Sempre me perguntam o que é amar
Enquanto te amo sofro
Enquanto se prende a mim sofro
Enquanto amo outro sofro
Estando sozinha sofro
Meu coraçao em mil pedaços
O melhor sexo é so isso bom e vazio
A melhor comida logo vem a fome
Momentos passam
E quanto mais luz mais escuridão
A escuridão consome os seus
De tudo o que sou
De tudo o que vivi
De todo chão que pisei.
É de mim que me nutro
Me alimento de mim
Que sorte a minha
Não passo fome!
CALI [FILO] GRAMA
Cali grama.
Cali etimo fragma.
Cali nu xeno anêmico.
Cali etno noso a fago.
Cali trama.
Cali da claquer o cálix.
Cali cine o logo da hoste.
Cali éter o anemo da gag.
Xeno sofo.
Xeno eco o cosmo.
Xeno oniro.
Xeno o filo Teo de andro e gino.
Xilo sema.
Xilo o gene e geo.
Xilo o xisto.
Xilo iso a fos e a tanas... Cali grama!
O miso radical-grego que maceta os ossos.
O caco carcinoma na testa do mito CEO [Chief Executive Officer].
Homens apenas? Apenas homens!
Não o ícone necro objeto do ofício!
"Há um mundo lá fora... vidas... Bocas de comer com os olhos..."
"O escorpião é um
animal perigoso
mas, se segurá-lo
pela cauda, ele se
torna
uma iguaria e ainda
mata nossa fome...
Portanto
ter carinho
e respeito por
cada ser na terra
nos torna
Seres Divinos!"
A dor...
A dor nos alimentou, se doou, fez de tudo para não nos largar. E hoje, a dor faminta, pelo tudo que deu na sua entrega, de fome desfalece, mas insiste em doar suas ultimas migalhas, pelo desejo de tê-la insistentemente presente, por si só, mesmo que da dor não nos alimentemos mais, pois quando na malícia ela se fez vício, almejava que nunca, o não mais, viria a ser o que se tornou, digo do alimento, mesmo que aos passos do fim, destruída, mas ainda cheia de vigor pelo que em outrora nutriu no coração!
Mettran Senna
Nenhum ser humano poderá ser completamente feliz enquanto os seus semelhantes estiverem sendo vítimas da fome, da guerra e da injustiça. Os que se dizem completamente felizes frente a estes problemas são mentirosos ou dignos de pena.
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