Poema Carolina
“O PRIMEIRO OLHAR DA JANELA PELA MANHÔ
“O primeiro olhar da janela pela manhã” me chama:
O sol despontando através do nevoeiro,
E na praça ainda vazia, o sorveteiro;
E dá-se meu encontro definitivo com Quintana.
Vem andarilhando manso na brisa que vem do leste
E pousa na minha mão deslizando suave no papel;
Séculos de melancolias pincelando o azul do céu.
Em mim, lentamente, gotas de rimas descortinam o véu.
Posso senti-las em minhas células em travessias;
Trazendo à minha alma estéril o lirismo da poesia.
Eu que quase nada sei de amar...
Psicografo a alma usando os dedos com exatidão,
Da mais vil à mais sublime paixão.
Eu que nunca soube sonhar!
O QUE É O AMOR?
Amor não fala não se explica,
Não se vê e muito menos se apalpa;
Dimensão não cabível em sua própria palavra de definição;
É isento de ciúmes, egoísmo e não se exalta.
Amor sem palavras exatas que o definem,
Não se sabe o porquê nem o sentido de sua existência;
Não tem limites quantificáveis, nem padrões comportamentais;
Não é incógnito, mistério, mito ou crença.
Amor existe no real ato de personificação e euforia ;
Dele soletram-se palavras tão vazias de conteúdo!
Estabelecendo apenas uma forma verbal que o identifique;
Conteúdo que nem dele sabe falar em sua plenitude.
Amor é mais que isso; mais que palavras e conceitos;
Vai para além das teorias e conversas abstratas;
Não estabelece pontes entre impossíveis,
É superior ao desejo humano egoísta e burocrata.
Não tem cheiro, cor, raça ou religião;
Pode ser todas as cores ao mesmo tempo
E nesse mesmo tempo não ser nenhuma cor
E mesmo indisposto a senti-lo, a gente sente.
JUVENTUDE PERDIDA
Na colina, a lua abre sua janela
E solta o vento a galopar.
Ouvem-se gemidos das árvores entorpecidas
Por atrever-se em suas dermes tocar.
Cá da janela também estou
Entorpecida pelo frio da brisa a passar;
Olhos vendados pelo vestido dourado
Que trás o bordado de São Jorge a lutar.
Jogo-me da sacada na garupa de um tufão
E num galopar imaginário,
Adentro castelos e armários,
Gavetas e diários
Um pouco de quem fui, saudades!!!
Num móvel emaranhado
Entre teias, empoeirado,
Um papel amarelado
Dependurado na parede ao lado.
Vasculhei o passado.
Tudo aquilo estava ali:
As frases que não falei,
Os versos que não mandei,
Os amores que não vivi.
“E o retrato? Ah o retrato! Não era eu.
Aquele rosto não era meu!”
Definitivamente, não era meu.
E eu chorei...
A vida passou encilhada
E eu não montei.
A porta se abre, ao longe?...
Entre cá e lá, um som real:
- Vó, a lua já tem namorada.
Primeiro de Abril
Hoje é o único dia do ano em que as mentiras
são desmentidas com sorrisos
Bom seria se todos os outros dias fossem assim.
A vida proporciona momentos tão especiais
que nem sempre é possível registrar em uma câmera.
Mesmo assim, ficam fotografados para sempre,
dentro do coração de quem os vivenciou.
Simplesmente aconteceu
Não tem mais você e eu
No jardim dos sonhos
No primeiro raio de luar
Simplesmente amanheceu
Tudo volta a ser só eu
Nos espelhos
Nas paredes de qualquer lugar
Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha eu tenho vício de me machucar
De me machucar
Lentamente aconteceu
Seu olhar largou do meu
Sem destino
Sem caminho certo pra voltar
Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha eu tenho vício de me machucar
De me machucar
Ninguém ama porque quer
O amor nos escolheu você e eu
Não tem segredo
Não tenha medo de querer voltar
A culpa é minha eu tenho vício de me machucar
De me machucar
Simplesmente aconteceu
Quem ganhou e quem perdeu
Não importa agora
querido amor
eu te dou um presente um beijinho e um flor
é que junto de você eu não sei o que é dor
nem com mil palavras da para descreve que junto de você é que eu sinto amor
junto de você o dia é mais lindo
porque seu amor que você tem é puro
nem com mil palavras da para dizer
dá para dizer que sua companhia
me faz sentir amada
com sua presença fico feliz todo dia
e agora sò mi resta dizer eu ti amo meu amor
E se um dia você me perguntar
Se continuo te amar
Responderei com prazer
Nem hoje nem amanhã
Nunca irei te esquecer
Ou deixar de amar você
Como é tão linda
Como deixa transparecer nos olhos
A triste desesperança
A dor da lembrança
Que insiste em latejar
Como pode ser tão linda
A forma como demonstra
Que nada aconteceu
Que os dias em que morreu
Sempre desejam voltar
E te iludem prometendo
Que a dor vai acabar
Se vai acabar também tua beleza
E a razão para cantar
E essa rosa, que está murcha
Vai terminar de desmanchar
Ai, Lua!
Queria te falar que tinha medo de ti
Quando criança, eu corri assustado e com medo da tua imponência
Você estáva lá, brilhante e soberanamente cheia
Eu, pequeno ainda, não sabia de nada
Corri apressado e vc me seguia
Eu cresci
E agora, imagina, me apaixonei por ti
Esse teu jeito
Essas.tuas fases
Momentos mais timida
E em outros inspira os amantes
Os amores
Sabe, eu olho para ti e quero outro corpo
Outra boca, outro prazer
Tua grandeza me incendeia e me enlouquece
E eu procuro outro ser pra me.aquecer
Ai, Lua!
Não faz isso comigo não!
A Páscoa é tempo de renovação
De mudarmos nossas atitudes
Nos tornar verdadeiros cristãos
Para fazer um mundo melhor
E reunidos, dando as mãos
Provar que somos capazes
de amar a todos como irmãos.
permanecem estáticas as pontes do boassú
as pontes da boa vista
tivéssemos dinheiro vontade
compraríamos pão
mas essa casa de velhos
tão próxima ao campinho
onde torcidas formigas
vibravam milhões
essa casa aos olhos
congela mangue
manga e tijolos
houvesse gana cimento
pegaríamos a br 101
tua corda prende a primeira hora
e retira da carne minha
o trato das tuas crianças
se não tomasse o nome do meu olho a planta
teu feitiço não funcionaria
trato tua terra com patas largas
que me dão caroços
e fruto à tua burocracia
se não tomasse o nome do meu olho a planta
teu feitiço não funcionaria
a garça
estrangeira parque d’água
equilibra-se
na madeira arcada
de mangas
tece
de curva e pescoço
o ninho estranho
atrás da casa toda
água é lama
e a deusa
branca
torna-se galho
pelos calcanhares
o pássaro olha
a criança que rasga coxas
caule acima
atrás de rasgar a pele da fruta
depois de seis meses de espera
os bichos se encaram
o pássaro firma, cúmplice
sabem
que é papel dos velhos
cochilar durante os furtos
caranguejo
retroescavadeira
na areia preta
acanto
estrutura espinhosa
sobressalente no corpo crustáceo
serve
para risco traço fosso aberto
na areia preta
entre lama
e fuzileiros navais
um caranguejo
de carne pouca
pra tanto lodo:
ilha das flores
casa
de um caranguejo magro
e fuzileiros navais
ela
ferida preta
fosso aberto
entre peito e útero
a carne pouca
pra tanto lodo
de resto
pensava não
com o cérebro
com o corpinho
úmido e mole
que nem ela
nem a lesma
eram fortes
como o tardígrado desidratado
que vira e amara
no espaço sideral
"Em meio as névoas flutuantes do pensamento,
Várias coisas vem e vão,
Caminhando lentamente
Procurando inspiração,
E assim cruzam em vão,
As centelhas contidas
Em seu coração!!"
Contrastar.
- Senta aqui.
- Não, aqui, tocando tecidos frios, estou bem aqui.
... Para longe, deslocando-me como um raio, lampejos de azul e branco em meio a árvores, ora real, ora não, fui. Passei a alvorada toda submersa, numa natureza oscilante, não sabia ignorar. Senti-me frouxa, covarde, trocando olhares mutuamente por incalculáveis minutos, o tumulto afora ficou calado e o sossego aniquilava-me. Estava a par que ao olhar aquela carcaça eu não conseguiria não desejar nada. Eu o desejava, e muito. Já o amara antes e o cálice fora grave demais para deixar assim, puramente, passar em branco. Eco. Estava hesitante, irresoluta e desabitada.
A noite anterior foi cansativa, afoguei-me nas lágrimas, agora, mais uma vez, quase chorando, só que por exaustão, dissipação. Só o que me vale é o devaneio, assim como a claridade febril. Nos dois próximos dias sei que desandarei e encontrar-me-ei, igualmente, nos braços do amante.
Fechei a bolsa. Subi os degraus. Abri a porta dos fundos e entrei em casa, enfim. Uma ducha. A água do chuveiro corria e o vapor rodopiava, embaçando o espelho, nublando a noite de astros pálidos.
Amar-amor.
Amar omitido, escondido por trás de um coração congelado.
Amar destoante, dissonante.
Amar profundo, na nostalgia do infinito, perene.
Amar subentendido, incontestavelmente.
Amar-amor, amar te amar.
Amar na distância, na saudade e na presença desatenta.
Amar concentrado, distraído na compleição do não-ansiado.
Amar no comparecimento, amar na carência.
Amar nos dois e no um: amar.
Veneno a flor da pele.
Cientes de tudo que possa vir a ocorrer contra eles, escrevem os indignados. Aquele aroma de falsidade no ambiente deixando todos zonzos, estava tudo claro, tinha significado puro. Fumaça do fumo mais letal. Risos, convites, falas, verdades oprimidas, mentiras devassadas, máscaras caídas ao chão. Quanta ironia. Sangue frio e a vingança mais perfeita, sem deixar marcas, vestígios. Estava ali, pronta para dar o bote, verdadeira cobra malévola, sutil, perspicaz. Ínfimo instante de enfermidade. A criativa sem traços típicos agiria harmoniosamente, sem desafinar. Vibração de sons e o baque exato. Seria eu a desafiante desejada? Para que tanto pranto? Vítima, destruição súbita. O jogo inicia-se agora, a cartada precisa. Deseja-se uma boa... Permita-me dizer, má sorte.
