Pequeno
Quando era pequeno
Sempre vivi o momento.
Corria universos em casa
E lutava com feras no jardim.
Quando era jovem,
Sempre vivi o instante.
Intenso e cheio de ideias e ideais,
Vivia amores infinitos com trágicos fins
Hoje, cansado de correr.
Despido de ideias e estagnado em ideais
Me vejo cercado por amores vencidos
Vivendo o sufragante que me resta.
CONFUSÃO
Vejo,
Um mundo tão pequeno quando todos o dizem grande;
Distancias tão curtas quando a dizem longas;
Tudo tão claro quando dizem tão obscuro;
Portanto, tenho um universo inteiro em minhas mãos, mas não o posso pegar.
Estamos,
Aproximadamente distantes;
Alegremente deprimidos;
Interativamente coagidos;
Energicamente ofegantes.
Parece que falamos sem falar;
Vemos sem ver;
Sentimos sem sentir;
Lemos sem ler;
Agimos sem agir;
Ainda, copulamos sem amar e amamos sem sentir, sequer, tocar.
Nossas bocas entoam palavras que não tem sentido;
Nossos olhos veem fatos que não correspondem a si;
Nossos beijos já não tem mais afetos;
Nossos tatos não sentem o toque;
Nossos ouvidos tampouco ouve;
Embaraçoso isso;
Nossos sentidos já não tem sentidos.
Por quê desprezamos os vivos mas consagramos e adoramo-os quando mortos?
É preciso morrer para ser amado ou viver sob a penitência de ser odiado?
O beija-flor é muito pequeno e leve, mas briga bravamente por aquilo que quer, não aceita invasão de território, é um lutador!
A DURAS PENAS
Lara barganhou o Mothorhome por meses, antes de adquiri-lo. Era um trailer pequeno, com a mesinha, armários envernizados, o frigobar e a cama. Mas não importava se fosse simples, sujo ou claustrofóbico. Bastava para ir embora. Encheu-o com tudo o que tinha e, em apenas três dias, partiu em busca de um sonho.
Ao pisar no acelerador, deixou para trás o marido. Se conheceram no ensino médio, casaram-se cedo e construíram uma cerca branca aos trinta. Aí começaram as bebedeiras, chegadas tardias, brigas, mágoas e o silêncio. Passaram a trocar poucas palavras entre si. Lara não podia dizer o que pensava, pois isso colocaria em risco o relacionamento e ela nada seria sem ele.
Foram anos de um vazio que ela viveu sabe-se lá porque. Viveu não, suportou. Servia a ele como uma empregada durante o dia e boneca inflável durante a noite. Lavava as roupas e o ouvia reclamar sobre tudo, como se ele tivesse uma vida terrível. Ela queria dizer o que sentia sobre o dia. Reclamar da queimadura no dedo, da roupa manchada ou dos cães que cagavam por tudo. Mas ao abrir a boca, temia. Que ele se cansasse, retrucasse ou ignorasse. O que era dela sem ele afinal?
O pior era quando ele partia, pois nada sobrava para fazer. Não tinha com quem conversar, a quem servir. A ambição de tornar-se fotógrafa ficara na faculdade. As amigas com quem conversava já tinham suas próprias vidas, bem longe dali. Lara fora proibida de falar com elas há muito. Depois foi, aos poucos, sufocando a si mesma. Transformando-se numa sombra, em cinza, até ser tragada quase que completamente.
Mas quase que completamente não é tudo. Escondida na fumaça, quem diria, havia uma luz. Lara a guardava dentro da caixa de sapatos, junto dos poemas que ele nunca lia. De moeda a moeda, como quem compra a liberdade da prisão, lá ela juntou as próprias economias. Só foi preciso um passo, um contato, um ato, não de covardia, para ela largar tudo de mão e correr de volta a si mesma.
Aí chega a parte que eu acho mais linda. Não foi preciso outro alguém para resgatá-la do abismo, da escuridão que ela vivia. Lara foi embora para uma terra distante, onde não havia muitas pessoas e conheceu uma das praias que ela sempre sonhou. Quando lá chegou, pelo que dizem, tirou as sandálias, segurou a saia florida e correu para o mar, agradecendo ao universo pela vida.
O marido ficou no coração, mas dele jamais precisou para ser feliz. Lara entendeu que, ao abrir as próprias asas, renasceu. Calçou as sandálias, voltou ao trailer e seguiu o próprio rumo, pelas estradas desertas, moinhos e campos floridos. Porque no final das contas é assim com todos, concluiu. É preciso saber que na vida nós viemos, ficamos e vamos sozinhos.
Longe de ser um pequeno detalhe o verdadeiro significado na foma que nomeamos as coisas possui razões que colonizam, eurocentrizam e inferiorizam no cotidiano nossas formas de olhar e pensar sobre as coisas no mundo. Esta informação é desconhecida pela maioria pois acostumamos usar os nomes que todos usam sem procurar sua origem. Faz parte do adestramento do nosso pensamento e é sútil. Estamos nos despindo de muitos conceitos que vestiram na gente, isto requer um certo tempo e prática. Não é instantâneo.
Perceber o que está por trás das palavras impostas como únicas verdades sobre determinados pontos de visão, ajuda valorizar nossas próprias correntes de pensamento e encontrar as bases de nossas filosofias indígenas. Trazendo conceitos indígenas invisíveis para visibilidade da narrativa, criando metodologias originarias em nossa educação.
O que parece apenas poético para muitas pessoas é na verdade uma forte visão que temos em nossa ótica relacionada ao nosso lugar, relação com os elementos da natureza e origem. Nossos livros são orais e nosso diálogo ilimitado com todos os seres visíveis ou não.
Parafraseando o pequeno Príncipe:
"Temos de suportar umas duas ou três larvas se quisermos ver as borboletas."
Partindo deste princípio de sub'entende que o belo está no todo, que na dimensão em que existimos dentro desta bolha finita chamada tempo, o segredo para se chegar o mais próximo do que se idealiza como felicidade está na saciedade.
Está em saber viver cada fase, saber a hora de baixar a cabeça resignado e esperar a metamorfose da vida.
Há uma teoria que diz que a ordem emerge do caos, eu creio ser isso verdade, se tem uma coisa que quanto mais cedo se aprende menos se frustra, é que nessa vida finita tudo passa, nada é pra sempre e que as vezes o segredo entre o êxito e o fracasso está em saber aceitar o que não podemos mudar.
Saber que o primeiro passo pra sair de um lugar é saber que não mais se quer ficar onde está.
KFAR HAMAM - LÍBANO
Um pequeno vilarejo..
situado nas montanhas do Líbano,
tão pequeno...tão pequeno..
encravado nas rochas,
avistado ao longe...
no fim de estradinhas sinuosas,
apenas pontinhos distantes em tons de branco..
...se aproximando..se achegando.
tão pequeno..
sua população de cerca de duzentas pessoas
talvez menos
mas se contarmos os descendentes..
de todas as pessoas..
que de lá saíram..
em busca de melhor sorte..
somam hoje milhões de pessoas
espalhados em todos os cantos......
no mundo inteiro.
Muitos....... tenho certeza,
ficam comovidos....e nunca esquecem...
sua raiz, a bela cultura...
todas as suas tradições e costumes,
danças, musicas e canções,
onde se mistura o ritmo e a sensualidade..
as comidas, cheias de grato tempero..
fartas e suculentas...
de sabor único em todo mundo....
e quem por dádiva do destino..
um dia lá forem ou estiverem...
principalmente aqueles..
que como eu tiveram o privilegio e a honra
de lá estar pessoalmente,
de ver aquela terra agreste,
tão dura e tão bela,
pisar e andar no mesmo chão..
de onde saíram nossos pais, avós, tios, primos...
somente aqueles que pisaram naquela terra..
estes é que podem de verdade..
conhecer tudo que formou a personalidade..
tão aguerrida de nossos ancestrais,
sua enorme força de vontade..
para sofrer sem parar de lutar até vencer.
sorrio quanto penso naquele pequeno pais,
um pedacinho do mundo,
porque, sempre me ocorreu esse feliz pensamento:
de alguma forma, todos nós, seus descendentes,
diretos ou indiretos..
fomos, ainda que de forma espiritual,
gerados naquelas belas montanhas,
temos no sangue, terra daquelas estradas..
e a neve eterna dos mais altos picos,
temos na boca, quando ausentes..
o gosto amargo da saudade, igual ao dos frutos..
ainda a serem colhidos...verdes..
das seculares....
das milenares oliveiras,
impregnado em nossa pele..
o suave e inebriante perfume dos cedros,
temos também incrustados nos ossos e no gene
... o sal do mediterrâneo.
felizes as pessoas que lá estiveram..
por minutos, horas ou dias..
essas pessoas quando se lembram..
daquele pequeno vilarejo..
tão distante...nas montanhas do Líbano..
não conseguem conter sua emoção..
e choram...choramos.
choram sim, choramos sim,
sem vergonha alguma,
choramos de alegria,
choramos de saudade...
e silenciosamente fazem...
fazemos uma prece...
embargados e emocionados,
prece doída e profunda,
no cadenciar das batidas de nossos corações,
no silencio absoluto de nossos pensamentos,
suplicando...implorando ao criador........
Deus...Alah..
que lá um dia possamos voltar novamente.
para contemplar suas belas montanhas,
frescas no verão,
geladas e cobertas de neve no inverno.
em qualquer época do ano,
imponentes e belas
a contemplar no alto de sua majestade,
sempre indiferentes,
a passagem..de incontáveis..
..gerações e séculos.
AHMAD SERHAN WEHBE
Minha homenagem às famílias: WEHBE, DROUBI, (das quais sou filho), TAHA, CHAHROUR, RAMADAN, FARES, MEHRI, GENHA, KHATIB, RAJAB, ALAEDINI, SOUEID, MERE, SAMMOUR, OMAR,FARES, KHALIFE, SALEH, ABOU NASSAR, HUSSEIN, HAMMOUDE, ATIEH, IBRAHIM, ISMAIL e tantas outras famílias.....
Alguns farão muito com seu pequeno dom ou com suas simples habilidades, muitos farão nada tendo em si grandes dons. Independente de qual seja ou sejam os teus dons, seus talentos ou suas habilidades é melhor que não caiam na inutilidade. O preço do desperdício é muito alto pois o desperdício em grande parte das vezes é prova de egoísmo e de indiferença pela humanidade.
Vejo meu anjo da guarda desde pequeno. Ele me acompanha, me instrui, atua como um coordenador na minha vida.
Eu sempre tive, desde pequeno a feliz oportunidade de acordar pela manhã todos os dias, crendo que existem soluções e ações simples, diretas e baratas para melhorar o mundo, semear a paz, diminuir o fundamentalismo crescente um abismo entre os homens, acabar com a fome e começar a me reinventar como um ser vivo mais digno, bom e bem melhor, que sou.
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